“O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para pregar o evangelho aos pobres, enviou-me para curar os quebrantados de coração; para apregoar liberdade aos cativos e dar vista aos cegos; para pôr em liberdade os oprimidos; e anunciar o ano aceitável do Senhor”. (Lucas 4:18-19).

          Em um sábado de reunião na sinagoga de sua cidade natal, o Mestre Jesus Cristo anunciou que a escritura de Isaías[1] acabara de se cumprir nos ouvidos dos presentes. Ele havia recebido a autoridade e a companhia do Espírito Santo para levar ao mundo o evangelho em sua plenitude. Hoje, milhares de jovens Santos dos Últimos Dias têm a oportunidade de vivenciar um pouco do que o Salvador vivenciou. Quando deixam seus lares por amor ao próximo, o fazem em memória Dele. À medida que busca honrar seu chamado em memória do Salvador, como a promessa de Isaías cumpre-se em cada missionário SUD?

O TRABALHO MISSIONÁRIO É O TRABALHO DO SALVADOR

1. Sua missão foi declarada em sua terra natal. “E chegando em Nazaré, onde foi criado, segundo seu costume, entrou na sinagoga”[2]. Todos os rapazes e moças fiéis que abraçam o serviço missionário vêm de congregações SUD de todas as partes do mundo. Eles preenchem, juntamente com seus bispos, seus chamados missionários, e têm a honra de receber a carta que os convida para o serviço em determinada localidade. Todos os missionários passam pela entusiasmada experiência de abrir sua carta de admissão ao serviço missionário ao redor de seus familiares e amigos, das pessoas que cresceram com eles e que os ajudaram em sua educação religiosa. Esse momento simbólico é também um convite para que aquelas pessoas os apoiem em sua decisão e os ajudem a estarem qualificados para o serviço do Senhor.

2. O Espírito do Senhor estava sobre Ele, pois foi ungido com tal finalidade. “E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão admirou-se de sua doutrina, pois ensinava como tendo autoridade”[3]. Todos os missionários desta igreja agem pelo poder do sacerdócio e por sua autoridade, bem como pelas chaves específicas de pregação do evangelho, possuídas pelo quórum dos doze apóstolos e delegadas a eles em seus dois anos de missão.

          Após o recebimento do chamado e findo o tempo de preparação – onde realizarão diversas tarefas contidas no livreto anexado ao pacote de admissão como vacinações, estudo sobre vestuário e aparência, treinamento pré-CTM, etc – , todos são designados como missionários por seus presidentes de estaca, que possuem autoridade para tal. Assim, tornam-se representantes de Jesus Cristo, autorizados a pregar Seu evangelho e a trabalhar em favor da salvação de seus irmãos. Essa autoridade dá-lhes específica e constante companhia do Espírito Santo, que confirmará nos corações das pessoas as palavras que aprenderem e a doutrina do Salvador que será pregada através deles. Falando de espírito para espírito, esse membro da Trindade convidará com poderosa convicção os filhos de Deus a fazerem parte de Sua igreja.

3. Os corações quebrantados foram curados por meio de Seu serviço. “E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado; Para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”[4]. É certamente decepcionante para todo missionário o sentimento de que, não importa o quanto ele se esforce, muitas pessoas simplesmente não querem ou não estão interessadas em suas palavras. Certamente o Pai Celestial também se entristece ao saber que Seus filhos estão recusando o evangelho. Porém Ele respeita o livre arbítrio deles e Se alegra com aqueles que estão prontos para receber a verdade. É certo que as pessoas são diferentes, em preparação,  em maturidade, em história e em cultura. Os missionários de tempo integral tendem a chamar de “eleitos” aqueles que estão prontos para aceitar a verdade e para serem batizadas. Algumas pessoas já são eleitas antes que se bata em sua porta. Outras se tornarão à medida que ouvem os missionários. Algumas levarão alguns dias para aceitar a verdade, ou meses, ou anos, ou talvez nunca consigam se tornar eleitas em vida. Contudo, todo missionário deve estar disposto a trabalhar sabendo que, no fim, todo joelho se dobrará e toda boca confessará que Jesus é O Cristo[5]. As vidas que ele tocar na missão terão finalmente a oportunidade de trilhar o caminho correto, se e quando for o desejo sincero de seu coração.

4. Ele libertou os corações cativos e deu visão aos cegos. “Tomemos a decisão de edificar dentro de nós uma fé vigorosa que será nosso mais eficaz baluarte contra os desígnios do adversário — uma fé real, o tipo de fé que vai amparar-nos e reforçar nosso desejo de escolher o que é certo. Sem essa fé, não vamos a lugar algum. Com ela, podemos alcançar nossos objetivos”[6]. Um dos grandes objetivos do Salvador com Sua pregação era abrir os olhos das pessoas, fazê-las entender os princípios corretos do evangelho, a razão defendê-los e colocar o amor ao Pai Celestial como força-motriz no cumprimento de Sua lei. Todo missionário de tempo integral segue o exemplo do Salvador ao abrir olhos para a verdade e libertar corações para atingirem os maiores objetivos espirituais. Missionários se deparam todos os dias com pessoas viciadas em bebida alcoólica, fumo, drogas. Encontram pessoas com ideias deturpadas a respeito de Deus e de Seu amor por elas (ou sem ideia alguma). Encontram lares destruídos e pessoas cheias de mágoa e dor devido a problemas conjugais e afetivos. Conhecer quem é Deus e como Ele ama as pessoas, entender o plano e os desígnios de Dele para elas, bem como receber um firme e constante incentivo para mudarem de vida e tornarem-se aptos à exaltação vai mudar vidas e consertar corações. Essas pessoas formarão laços com os missionários e sentirão uma gratidão que não terá fim. Além disso, a ajuda que receberam se multiplicará na ajuda que darão a outros em seu esforço para retribuir a bênção que receberam.

O serviço missionário certamente não é fácil. As escrituras nos dizem que o Salvador não foi bem aceito em Nazaré, a cidade onde vivia[7]. Muitos dos rapazes da igreja hoje em dia sofrem pressão de colegas que consideram a missão uma perda de tempo, de perspectivas de emprego, de oportunidades de estudo e até  de chances de se casar. Nessa hora, contudo, é preciso lembrar que o Senhor fixou tal lei e deu-a como mandamento. Ao cumprir, obterão todas as experiências e as bênçãos necessárias para desenvolver uma vida que será certamente mais bem-sucedida, pois estão colocando o Senhor em primeiro lugar. Por mais difícil que seja a missão, no fim dos dois anos, cada missionário que deu seu melhor em prol de Sião reconhecerá em sua vida e nas daqueles que ajudou “o estado abençoado daqueles que guardam os mandamentos de Deus”[8].

Referências:

1. Isaías 61:1;

2. Lucas 4:16;

3. Mateus 7:28-29;

4. João 3:14;

5. Filipenses 2:9-10;

6. Pres. Thomas S. Monson, “Escolhas”, A Liahona – Maio de 2016;

7. Lucas 4: 28;

8. Mosias 2:41;