Realizar o trabalho de ministrar à maneira do Salvador é um chamado do Treinador Principal para sairmos da reserva e entrar no jogo com tudo. Não é um pedido para que andemos como zumbis, mudos e sem vontade própria.

Este trabalho não é impossível. Não é algo que só os profetas fazem. Não requer dinheiro, e tempo todos temos. Então coloquem de lado quaisquer desculpas esfarrapadas e obras mortas e preparem-se para acordar e começar a trabalhar.

O Que Dava Errado com os Mestres Familiares e as Professoras Visitantes

Na verdade, demos o nosso melhor para fazer as visitas e depois nos perguntávamos por que o corpo estava cansado.  Estávamos, como o ditado diz, “dando murro em ponta de faca”.

Vou explicar o porquê. O propósito do ensino familiar era “cuidar, zelar e fortalecer [uns aos outros] e de lembrarem-se [uns dos outros]” (Manual 2Doutrina e Convênios 20:53).

Ou em outras palavras, “ministrar como o Salvador” (Carta da primeira Presidência).

E até onde sei, Cristo não estava preocupado com as listas de tarefas ou em compartilhar mensagens pré-planejadas. Ele não estava preocupado com o número de pessoas que alcançava.

Não entendo por que nós ficamos.

Não sei por que assinamos uma lista de presenças nas nossas aulas de domingo se as pessoas que não assinas nunca são contatadas durante a semana.

Não sei por que gastamos tempo discutindo como vamos decorar a próxima atividade e não falamos sobre as pessoas que ainda não participam de uma atividade há meses.

Também não sei por que muitos de nós se preocupam com os mandamentos que não devemos fazer e nos esquecemos de que o os dois primeiros mandamentos são coisas que devemos fazer (Mateus 22:37-40).

O Élder Ballard ensinou com o coração sobre o serviço cristão quando perguntou: “Qual é o valor de uma alma?”

Resgatar

Para Cristo, cada alma era tão preciosa que Ele sentiu que cada uma delas merecia o sacrifício de toda a Sua vida.

Cada um de nós escolheu seguir a Cristo e deixar para trás todo o resto para fazer o que Ele fez.

Ainda assim, tenho medo de estejamos “ocupados na Igreja” (ou ocupado com a lista de verificação) ao invés de estarmos, de modo ativo, cuidando dos nossos semelhantes à maneira do Salvador (Bispo Gérald Caussé).

Eu temo que tenhamos feito visitas como zumbis para simplesmente “realizar o trabalho”.

Um Chamado ao Arrependimento

Os antigos israelitas ficaram “ocupados” nas práticas e cerimônias da lei mosaica. Embora a lei servisse para fazê-los voltarem-se a Cristo, eles não o reconheceram quando Ele veio porque não entenderam o propósito.

Cristo viera para cumprir a lei e efetuar mudanças que ajudariam as pessoas a não se preocuparem tanto com a prática, mas sim com o propósito.

Como eles, Deus sabia que nos tornamos ocupados com a prática do ensino familiar e que tínhamos perdido o propósito inteiramente. Então, por meio de Seu profeta, revelou as mudanças que nos ajudariam a “focar nos resultados, não apenas nas tarefas” (Élder Christofferson, Effective Ministering treinamento em inglês).

O que aprendi sobre Jesus Cristo com a vista de Élder Oaks

Resultado desejado de Deus, “levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem” não mudou com a mudança dos programas (Moisés 1:39).

Assim, em nossos novos esforços para sermos ministradores, é pedido a nós que nos voltemos para o propósito. E como voltarmo-nos é a verdadeira definição de arrependimento, isso é o que Deus pede de nós.

Ele pede que, embora existam menos orientações, não se espera que haja menos esforços. Embora existam menos relatórios, não somos menos responsáveis.

Cristo é nosso exemplo de agir com resultados eternos em mente. Mesmo quando Ele era rejeitado, sentia que não recebeu nenhum crédito ou não via mudanças drásticas de imediato, Ele ainda fazia o que Seu Pai pediu. Ele entendeu o propósito e, portanto, praticava.

E quando optamos por levar o nome de Cristo sobre nós, aceitamos esse mesmo chamado, custe o que custar.

Nosso objetivo em toda prática na Igreja é ajudar o Salvador em fazer com que os filhos de Deus voltem a viver com Ele novamente.

E se refletirmos bem, não é isso o que realmente importa no final?

O que precisamos fazer para nos tornar ministradores?

Se realmente entendemos que “ministrar é cuidar dos outros de modo cristão e ajudar a atender às suas necessidades espirituais e temporais”, então temos de reconhecer que só Deus conhece o coração e a mente de todos os Seus filhos. Ele sabe o que é melhor para todos nós.

Então, se espero salvar as almas ao meu redor, porque não buscar e dar ouvidos às palavras Daquele que tudo conhece? Se pedirmos, Ele não nos ajudará a fazer tudo o que é necessário para realizar o trabalho?

Na verdade, o Presidente Nelson exortou-nos a “[avançarmos] além da [nossa] habilidade espiritual atual para receber revelação pessoal” a fim de entender como tornarmo-nos ministradores.

Quando perguntaram ao meu amigo Pedro como ele ministrava, ele disse: “Ministrar é simplesmente aprender a agir de acordo com o Espírito e não debater se é o Espírito. Porque tudo o que é bom, vem do Espírito”.

Ministrar, não é impossível. Não, não é fácil, mas não era para ser. O processo de agirmos como zumbis reside na facilidade. Ministrar nos ajuda a crescer, esforçarmo-nos e viver para tornarmo-nos mais como Deus.

Quando vivemos em retidão e pedimos a Deus, Ele nos fornece revelações personalizadas para cuidarmos daqueles que fazem parte de nosso redil. Depois, devemos apenas fazer. “Quando um pensamento vier à sua mente, aja de acordo com ele”.  (Minha mãe me disse isso. Então considero importante.)

O Élder Tad R. Callister uma vez disse a um grupo de missionários no CTM:

“Às vezes na vida temos de nos apresentar e agir. Não há nenhuma pílula mágica que nos faz ter coragem, túnel do tempo que nos faça ficar mais fortes ou técnicas de memorização que nos faz ficar mais ousados. Resta-nos apenas o conselho convincente do Rei Benjamim: “E agora, se acreditais em todas estas coisas, procurai fazê-las”. (Mosias 4:19).

Claro, o fato de não existir um modelo pré-estabelecido para realizarmos nosso trabalho de ministradores pode intimidar, mas este é exatamente o objetivo! Como podemos dar um salto de fé em direção ao abismo se tivermos uma lista com um passo a passo para seguir?

Devolver a vida ao corpo dos zumbis

Usando a metáfora do corpo… não fui o único a usá-la. Paulo explicou que, como membros da Igreja, somos todos parte do corpo de Cristo (1 Coríntios 12:27).

Então o que acontece quando negligenciamos uma parte do corpo? Ou quando nos importamos com ela apenas de modo superficial? Obviamente, se existem feridas profundas o suficiente em uma parte do corpo que são negligenciadas, podem causar infecções, vírus podem se espalhar e, por fim, o corpo pode morrer.

Deixamos o coração do ensino familiar morrer, deixando o corpo de Cristo sem vida, criando assim zumbis que apenas seguiam ordens para visitar as casas e marcar os itens da lista de verificação.

o salvador

One By One – Walter Rane

E o que isso nos custa? Paulo continua, “De maneira que, se um membro padecer, todos os membros padecem com ele” (1 Coríntios 12:26).

Ao negligenciar aqueles a quem estamos eternamente ligados, de modo indireto negligenciamos e machucamos a nós mesmos. Porque isto é o que significa fazer parte do corpo de Cristo.

Então, o que acontece com o modelo novo? Quando nos importamos uns com os outros, preocupamo-nos com nós mesmos e tornamo-nos um, trazendo a vida volta ao corpo de Cristo e a nós mesmos.

Ministrar é “para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:12–13).

Ao ministrar como Cristo ministrou, por meio de revelação, é que seremos aperfeiçoados e edificados. Estamos sem vida, sem a essência do que é o trabalho de ministração e sem o cerne do nosso discipulado.

A essência da ministração é o antídoto para devolver a vida e unificar os membros do corpo de Cristo.

Os próximos dias

O convite de Deus para ministrar foi declarado da boca dos atalaias na torre. Eles estão nos avisando que o “fim está próximo” e que se não tomarmos cuidado, “[nosso] coração falhará” (Jacó 5:71,Doutrina e Convênios 45:26).

Então como serão os próximos dias para você e para mim? Isso depende…

Depende se nosso trabalho de ministração será um modo de aprendermos a ser guiados diretamente do céu.

Depende se estaremos unidos como um, em ambos os lados do véu, enquanto todo o mundo está dividido.

E depende se vamos realizar o trabalho para preparar-nos para encontrar Deus, no último dia.

O Presidente Nelson fez uma advertência profética: “Mas, nos dias que estão por vir, não será possível sobreviver espiritualmente sem a orientação, a direção, o consolo e a influência constante do Espírito Santo”.

Deus está nos chamando para levantar-nos, edificar aqueles ao nosso redor para a salvação de nossa alma como membros do corpo de Cristo. Podemos fazê-lo. Precisamos fazê-lo. Deus confia que nós o faremos.

Fonte: Mormonhub.org

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