Quem acompanha meus artigos nas mídias sociais ao longo dos anos sabe que minha filha de 19 anos, Jadi, viveu uma jornada e tanto.

Por ser acometida de ansiedade paralisante, que chegou como um temporal, tivemos que tirá-la da escola por um tempo durante a oitava série. Quando ela voltou, foi apenas com sua mãe como companheira constante. Sim, nos últimos meses do ensino médio, mãe e filha andavam e almoçavam juntas na escola.

Jadi fez progresso lento, mas constante e aprendeu a usar todas as ferramentas disponíveis para um adolescente com esses desafios cada vez mais comuns. Mas ela estava sempre à beira de um colapso. Sua mãe e eu jantávamos somente em restaurantes com serviço de celular confiável e nos fins de semana não era ela que tinha horário para chegar em casa — éramos nós.

Estudos

De algum modo, milagrosamente, ela se matriculou no ensino médio e sobreviveu a quatro anos de obstáculos emocionais. Não foi fácil, mas graças a um grupo forte de amigos e professores pacientes, ela conseguiu. Pouco antes da formatura, ela foi aceita na Universidade Brigham Young em Provo, Utah.

Inquieta sobre mudar-se de casa para uma cidade universitária a mais de 3.000 km de distância, Jadi convenceu sua irmã mais velha Oakli a solicitar permissão para morar em um dormitório com ela.

O primeiro semestre de Jadi foi desafiador e irregular. Mas, apesar de algumas ligações tarde da noite e mensagens de textos pedindo uma passagem só de ida para casa, ela agarrou-se à irmã como a um salva-vidas.

Mudança de planos

Então, a vida e o amor aconteceram.

A irmã dela ficou noiva do homem dos seus sonhos e planejava casar-se durante as férias de inverno. Ela se mudaria para Idaho.

“Isto não estava nos meus planos”, Jadi disse à sua mãe no turbilhão de planeamento do casamento e provas finais.

Apenas alguns dias antes de voltarem para casa para um casamento de Natal e para que Jadi recarregasse as baterias emocionais, ela me ligou.

“Acho que não consigo voltar”, as palavras correram de seus lábios como se ansiedade paralisante a perseguisse.

Após uma longa conversa, depois outra e muitas mais com a mãe dela, ela concordou em não tomar uma decisão até que tivesse que tomar uma. Isso significava esperar até seu voo de retorno em janeiro.

Depois de passados o casamento e os feriados — muito rapidamente, claro — nós aconselhamos juntos frequentemente e a incentivamos a tentar, mas sempre oferecendo nosso amor e apoio total com os conselhos.

Quando chegou o dia de decidir, ela comprometeu-se a dar à vida adulta sua melhor chance. Pode parecer muito simples para o resto de nós, mas embarcar naquele voo foi uma das coisas mais difíceis que ela fez.

Enfrentando a ansiedade paralisante sozinha

Pelo fato de sua irmã agora ter um novo companheiro de quarto em Idaho, Jadi tinha uma sala reservada no campus. Os primeiros dias foram muito difíceis e o drama do dormitório fazia com que ela se perguntasse se valeu a pena ficar. Mais uma vez, houve várias mensagens textos no meio da noite dizendo que ela não aguentava mais.

Mas ela aguentava.

Em vez de desistir, ela se atirou à novas relações e aprendeu a amar a si mesma novamente. Como uma pesquisadora ansiosa buscando alguma cura desconhecida, ela começou a descobrir peça por peça que a chave essencial para a cura não tinha nada a ver com médicos, respiração profunda ou dormir mais.

Ela precisava de Cristo.

Sim, ela precisava de toda a família, terapia, medicamentos e família que pudesse encontrar. Mas sabia que nunca seria suficiente.

Ela precisava de Cristo.

Ao voltar-se mais plenamente a Ele, ela encontrou confiança. Ela aprendeu a confiar em si mesma. Ela orou como nunca. Ela compartilhou suas crenças e escutou outras pessoas compartilhar as delas.

Pedi à Jadi esta semana que fizesse uma avaliação honesta de sua viagem. “Pai, isso foi a coisa mais difícil que já fiz. Ponto final. Nunca estive mais testada, tentada, ansiosa ou deprimida.”

Obrigado, pequena. Conte-nos como se sente realmente.

Aprendizado

“Ao ter que ficar sozinha, tive dificuldade, mas aprendi que não estou realmente só. Aprendi a olhar para o céu e me consolar com a companhia constante do Espírito Santo e o amor incondicional de Cristo.”

Ela continuou: “Fiquei rodeada das melhores pessoas que conheci. Aprendi a olhar para fora de mim para servir e amar como Cristo faria. Como aprendi colocar as necessidades dos outros antes das minhas, aproximei-me mais de Deus e meus problemas tornaram-se muito mais fáceis de gerenciar. Eles ainda não desapareceram todos, mas acredito que finalmente posso realizar coisas difíceis.”

Na noite de sexta-feira, Jadi e uma nova amiga de outra cidade na Virginia virão para casa a fim de passar o verão.

Não vejo a hora de correr em direção a ela como um pai desajeitado, detestável e dar as boas-vindas a ela em casa. Haverá risos, piadas sem graça e muitas lágrimas.

Em algum momento, com os braços ao redor dela, vou sussurrar que sabíamos desde o começo. Ela pode realizar coisas difíceis porque reconheceu que precisava de Cristo como o remédio mais valioso de sua vida.

E se é verdade para ela, é verdade para todos nós.

Fonte: LDSLiving

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