Minha Primeira Bíblia

Eu tinha sete anos quando minha família entrou para a igreja. Poucos meses depois, fui apresentado a minhas duas primeiras gratuidades da igreja (mesmo sendo uma criança da terceira série, já sabia apreciar as coisas grátis): Na primária, ganhei meu anel CTR em toda sua glória verde. E na escola dominical, ganhei minha primeira Bíblia.

Antigamente, quando a impressão ainda era um conceito novo, a Igreja ainda não tinha publicado a sua própria versão. Então nossa ala deu a versão mais conhecida da Bíblia. Tão grande que era difícil carregá-la, imagine ler. Meu livro de Mórmon azul-celeste parecia meio patético ao lado dela. Mas eu amava aquela Bíblia e ainda a guardada em algum lugar.

Algumas pessoas podem ficar surpresas com a ideia de mórmons dando a seus filhos a Bíblia Sagrada, uma vez que somos muitas vezes criticados também por não dar peso doutrinário suficiente à Bíblia ou substituí-la completamente com a “Bíblia de ouro de Joe Smith”, uma frase que só pode ser dita corretamente com desdém e um pedaço de palha entre os dentes.

Não É um Livro Infalível

É verdade que os Mórmons não acreditam na “inerrância” da Bíblia (não o consideramos nada infalível além da Deidade), e de fato a complementamos com outras escrituras. As pessoas podem se surpreender com o grau de importância que damos a Bíblia na prática e teologia mórmon.

Por um lado, levamos a sério toda a Bíblia, não apenas partes dela. Exceto os Cantares de Salomão, que cuja poesia não é das melhores. Nem sempre é o caso no cristianismo moderno. Lembro-me de quando eu estava no ensino médio, todo ano os Gideões vinham e distribuíram versões de bolso das escrituras. Elas cabem certinho no bolso por causa de todo o conteúdo que foi retirado.

Só deixaram o Novo Testamento, Salmos e Provérbios. Todo o resto, inclusive a parte obscena de Cantares de Salomão, estava faltando. Eu não acho que os Gideões davam a entender que o Velho Testamento é irrelevante (certamente ele ainda existe nas suas Bíblias de hotel, e eu acho que eles fazem muito em distribui-las), pelo menos eles sugerem que as coisas mais importantes estão depois após Malaquias.

Grau de Importância

Os mórmons consideram a Bíblia de modo muito diferente. Acreditamos que os convênios feitos no Velho Testamento com Abraão, Isaque e Jacó têm papéis importantes para o plano de salvação do nosso Pai Celestial e que esses convênios ainda estão em vigor hoje.

Acreditamos que muitos dos profetas do Velho Testamento receberam a plenitude do evangelho, que todos eles testificaram de Cristo e alguns deles profetizou especificamente sobre nossos dias, incluindo as profecias do Livro de Mórmon.

Então, apesar de algumas coisas sem dúvida estranhas como jumentas que falam e os querubins de Ezequiel com quatro rostos, levamos a sério o Velho Testamento e o integramos em nossas doutrinas e práticas.

Joseph Smith

Por outro lado, os críticos da Igreja podem se surpreender ao saber que, durante a curta vida de Joseph Smith, seus tinham base quase que exclusivamente na Bíblia. Ele ensinou verdades preciosas usando o Livro de Mórmon. Joseph foi criado com a Bíblia, amava-a e ela esteve no centro do seu desenvolvimento doutrinário durante toda sua vida.

Também é interessante que o nosso currículo na igreja está configurado para certificar-se de que a Bíblia receba a atenção que merece. Em nossas Escolas Dominicais e programas de Seminário, temos um currículo rotativo de quatro anos, divididos em um ano dedicado ao Velho Testamento, outro para o Novo Testamento, outro para o Livro de Mórmon e outro para Doutrina e Convênios/A História da Igreja. Nós ensinamos a Bíblia em nossos Institutos de religião e nos campi da BYU.

Consideramos-na tão importante que, em 1979, a Igreja publicou sua própria edição da versão do Rei Tiago, com auxílios de estudo e notas de rodapé que foram elogiados por editores da Bíblia em todo o país. Isso exigiu um investimento imensurável de tempo e dinheiro, mas a intenção foi tornar a Bíblia uma ferramenta mais útil para o estudo pessoal e para o ensino.

Conclusão

Tudo isso dito, nem adoramos a Bíblia, nem presumimos que ela é completamente infalível. Mas, como eu disse, nós somos assim com respeito a tudo. Fiquei por anos com uma vírgula que eu achava estar faltando em Alma, no Livro de Mórmon, embora ninguém parece compartilhar minha angústia. E não estamos sozinhos ao ser cuidadosos sobre como abordar textos antigos.

A Maioria dos estudiosos cristãos, no meu entendimento, reconhecem que há erros intencionais e não intencionais que remontam centenas ou milhares de anos nesses livros. Muitos, se não a maioria, dos livros da Bíblia têm autoria incerta, editores sem nome e datas questionáveis. Mas ela ainda assim é rica em doutrina relevante e vibrante em sua reivindicação de Deus, o Pai e Jesus Cristo. Ela ainda é a palavra de Deus.

Para mim, a Bíblia foi minha introdução ao Deus e Suas relações com a humanidade. Seus ensinamentos ainda são a base de minha fé. O Cristianismo não poderia sobreviver sem ela, e eu acho que o mesmo acontece com o mormonismo. Enquanto acreditamos que o Livro de Mórmon contém a plenitude do evangelho, o Senhor claramente nunca quis que ele fosse independente. Em vez disso, ele é um testemunho da divindade de Cristo e Seu poder redentor, apoiado e amparado pelo testemunho da Bíblia Sagrada e de revelações subsequentes.

Os mórmons podem ter desenterrado as placas de ouro, mas ainda exploramos a Bíblia. Nós não seríamos os mesmos sem ela.

Escrito por Rob Ghio e traduzido por Luciana Fiallo Alves

Fonte: mormonhub.com

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