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Como identificar as dádivas em meio às provações

Há alguns anos, ainda quando meus filhos eram pequenos, uma de nossas ovelhas deu à luz a um pequeno cordeiro. Com o cordão umbilical ainda preso, nossa ovelha corria desesperada e o pequeno cordeiro tremia de frio, enquanto estava deitado no chão.

Instintivamente, corri em direção do cordeirinho para protegê-lo dos outros animais e do frio quando fui atacada diversas vezes por nosso maior carneiro. Ele me derrubou no chão, e recebi diversos golpes nas costelas, costas, pernas e braços. Meu tornozelo também foi machucado e passei dias mancando e cada tosse ou espirro parecia destruir meu corpo.

Felizmente, tinha conseguido proteger o cordeiro recém-nascido e enquanto eu me recuperava dos meus ferimentos, ele brincava bem feliz no pasto.

Às vezes, ainda me pergunto se eu pudesse apagar essa experiência traumática de minha vida, eu o faria? Percebi que há uma pergunta melhor a se fazer: “Que dádivas inesperadas reconhecemos como resultado das nossas provações e dificuldades?”

Nem sempre o lado positivo das coisas é tão óbvio como um cordeirinho recém-nascido, e algumas bênçãos estão tão bem disfarçadas que levamos um tempo para começarmos a reconhecê-las e apreciá-las.

É particularmente difícil quando uma provação dura muitos anos ou mesmo décadas, sem uma data para acabar. Lembro-me de uma conversa com a minha amiga Becky, cuja doença crônica e debilitante a manteve prisioneira durante quase dez anos.

No entanto, no meio de uma luta sem trégua aparente, Becky me contou que, apesar da doença e suas dificuldades, ela não trocaria sua provação por nada, pois foi por meio dela que ela pôde se aproximar do Senhor como ela jamais havia feito antes. Ela reconheceu a dádiva em sua provação.

Uma vez, meu esposo passou por uma traição repentina por um velho amigo, o que lhe custou seu trabalho. Isso trouxe a depressão, e meses de desemprego. Mais tarde, quando compartilhou o que aprendeu com esta experiência, ele respondeu que percebeu que planos que organizamos tão cuidadosamente, às vezes, são destruídos sem que seja culpa nossa.

Por meu esposo sentir que o Senhor lhe pedia paciência, os muitos meses em que ele ficou desempregado se tornaram uma oportunidade de aprender a confiar no tempo do Senhor – mesmo quando ele não conseguia ver como as coisas poderiam dar certo. Esta provação também o obrigou a ser humilde e a ter maior compaixão por outras pessoas que lutam contra a depressão.

Sheri Dew, ex-conselheira na Presidência Geral da Sociedade de Socorro, compartilha uma história pessoal:

“Há algumas décadas atrás, eu passei por um golpe emocional esmagador que me deixou à deriva em um mar de dor e solidão. Não consegui controlar muito bem minhas emoções durante aquela época dolorosa. Eu estava emocionalmente abalada e enfurecida, cheia de raiva, inclusive contra o Senhor, por “me desapontar”.

Em meio a essa provação, recebi uma bênção do sacerdócio na qual me foi dito que esta provação era uma “dádiva”. Naquele momento, não consegui compreender como é que isso podia ser verdade.

Mas lutei por entendimento e por paz. Nenhum deles veio depressa. Durante o processo, eu comecei a entender pela primeira vez que a Expiação não era só para pecadores porque o Senhor tomou sobre Si os nossos pecados, fraquezas, erros e sofrimentos. Existe poder divino disponível para socorrer Seus seguidores e para ajudá-los a lidar com todos os tipos de dor. Essa “dádiva” que permaneceu por muitos anos, alterou a trajetória da minha vida.” (Sheri L. Dew, Worth the Wrestle, Deseret Book Company, 88-89.)

Qual é a dádiva de Deus para você em meio às suas dificuldades atuais? Quando as circunstâncias ameaçam nos sobrecarregar, e parece muito cedo para identificar as possíveis bênçãos de nossas provações, talvez tudo o que nós podemos fazer é reconhecer uma oportunidade para nos submeter totalmente à vontade de nosso Pai Celestial, assim como Jesus fez quando esteve de frente com a amarga taça.

Certamente, qualquer sofrimento que nos permita nos tornar mais como nosso Salvador não é em vão. Talvez as dádivas que recebemos por meio de nossos desafios possam ser o privilégio de experimentar a Graça, misericórdia e perdão do Senhor, ou a perspectiva sagrada de aprender a confiar em Seu tempo.

As minhas maiores provações renderam bênçãos vitais – serviram como se o Senhor estivesse chamando minha atenção; me trouxeram a humildade que eu tanto precisava, e me ensinaram a julgar menos; aprofundaram a minha apreciação pela Expiação de Jesus Cristo; e contribuíram significativamente para o processo de “mudança poderosa” dentro do meu coração.

Embora algumas dessas experiências tenham sido amargas, até mesmo devastadoras, e eu nunca gostaria de revivê-las – não posso me arrepender do crescimento pessoal resultante delas.

Eu amo as palavras do apóstolo Pedro:

“Amados, não estranheis a ardente prova que vos sobrevém para vos testar, como se coisa estranha vos acontecesse.”(1 Pedro 4: 12)

Isso me lembra que o grande plano de felicidade inclui provações sérias e que acontecerão repetidamente – não como um castigo, mas como um caminho para se tornar como nossos Pais Celestiais e receber a Sua plenitude. Esta perspectiva me encoraja a não insistir nas dificuldades, mas a procurar as bênçãos disfarçadas que podem estar escondidas nos meus momentos mais difíceis.

Ainda na semana passada, um amigo compartilhou o seguinte poema que me tocou profundamente. Foi escrito por uma mulher que passou por sérias provações desde a infância, mas de alguma forma aprendeu a identificar e apreciar as dádivas generosas de Deus em suas dificuldades:

Mais graça Deus dá quando as cargas aumentam, por Annie Johnson Flint

Mais graça Deus dá quando as cargas aumentam,

Mais força concede ao crescer o labor,

Em grandes angústias envia consolo,

Em todas as provas dá paz e valor.

Amor sem limites, poder sem barreiras,

Que graça infinita, inefável tem Deus!

E desses tesouros, guardados em Cristo,

Em grande medida dará sempre aos Seus.

Dezenove anos depois do ataque do carneiro, ainda tenho lembranças do incidente. O interessante é que não me lembro dos machucados ou dores físicas, e sim me lembro do cordeirinho recém-nascido brincando em nosso pasto. Com o passar do tempo, muitas provações se tornam menos difíceis por reconhecermos as dádivas inclusas nelas, essas dádivas ajudam a nos elevar e a progredir ao longo do caminho que nos leva à alegria final.

Fonte: Meridian Magazine

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