Havia algo diferente naquele domingo à noite na Ala São Domingos. O salão cultural foi transformado numa espécie de museu vivo da missão, com mesas com plaquetas desbotadas pelo sol, diários, chamados, planejamentos, fotos de jovens que agora são líderes, pais e avós. Era a Expo Missionária.
A ideia surgiu naturalmente. Victor havia chegado há pouco a esta estaca com sua família e recebido o chamado de Líder da Obra Missionária. A primeira pergunta que ele e o Comitê Missionário se fizeram não foi “o que vamos ensinar?”, mas sim “o que está adormecido aqui que podemos despertar?”

“Após ponderar e planejar com o Comitê Missionário, tivemos essa ideia para reativar o espírito missionário que todo membro tem em si.”
A inspiração veio de uma atividade semelhante realizada nos Estados Unidos. Adaptada ao contexto e ao coração da ala, ela ganhou vida própria na noite do dia 12 de abril.

Uma abertura que preparava o coração
Antes dos membros percorrerem os estandes, houve hinos, orações e talvez o momento mais importante da noite, os testemunhos dos líderes das crianças e dos jovens. A Presidente da Primária, a Professora do Seminário e um Conselheiro da Ala subiram ao púlpito não como autoridades, mas como ex-missionários.
Eles falaram do impacto que a missão teve em suas vidas, de chamados que mudaram trajetórias, de testemunhos fortalecidos no serviço. Em seguida, um vídeo com fotografias missionárias de membros da própria ala percorreu décadas de serviço.

Cada membro que desejou participar preparou seu próprio estande. Não havia um padrão obrigatório e foi exatamente isso que tornou a exposição tão rica. Havia plaquetas, camisas brancas, escrituras marcadas, diários cheios de histórias de pessoas encontradas em portas de lares distantes, souvenirs de cidades que poucos da ala conheciam pelo nome.
E havia histórias, muitas histórias, contadas ali, naquelas lembranças da época em que aquelas pessoas representavam Jesus Cristo.

O momento que ninguém esqueceu
A juventude da ala, público principal da noite, tanto as crianças da Primária quanto os Jovens, circulou pelos estandes com uma curiosidade que os líderes não esperavam tão intensa. Paravam. Perguntavam. Pegavam nas mãos dos mais velhos para ver as fotos de perto.

Entre todos os presentes, um recém-converso de 29 anos viveu aquela noite de forma especial. Ao percorrer os estandes e ouvir os testemunhos, sentiu o chamado com toda a força e também a tristeza de saber que, por sua idade, o serviço como missionário de tempo integral já não era mais uma opção disponível para ele.

Ficou quieto por um tempo. Mas os líderes estavam atentos. Com cuidado e amor, ajudaram-no a compreender que o chamado não havia passado, apenas tomava uma forma diferente. Existem outras missões. Existem outros campos. E o desejo que ele sentia naquele momento era, por si só, uma resposta.
Todos os presentes, sem exceção, saíram daquela noite com o coração renovado quanto ao chamado missionário que todo membro carrega.

Para o Líder da Obra Missionária e seu Comitê, o resultado superou as expectativas. A Expo Missionária foi uma atividade simples que trouxe o convite para que a ala olhasse para seu passado e reconhecesse, ali, o fundamento de seu futuro.
E, para muitos jovens presentes, o espírito missionário que encontraram nos estandes não era algo que pertencia à geração dos pais. Era algo que também habita neles. Eles fazem parte dessa história e são as próximas gerações a pregar o evangelho e trazer para casa as memórias de servir a Jesus Cristo no campo missionário.
Esse artigo foi escrito com base nos relatos de Victor Andrade Ribeiro.
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