Logo no início de Gênesis, encontramos uma história intrigante: nosso ancestral Jacó encontra um anjo e, de forma inesperada, entra em uma luta corporal com ele. Depois de lutar durante a noite inteira, o anjo elogia a perseverança de Jacó e lhe concede uma bênção (ver Gênesis 32:24–30).

De muitas maneiras, o Velho Testamento se parece com o anjo de Jacó — ele é ao mesmo tempo, santo e desafiador. As bênçãos estão ali, mas, às vezes, elas só vêm depois de uma luta. Esses desafios únicos podem tornar o estudo do Velho Testamento especialmente intimidador para pais que levam a sério a ideia de que “o melhor aprendizado do evangelho é centralizado no lar e apoiado pela Igreja.”

Eu sinto esse peso. Meu maior desafio neste ano será tornar o estudo do Velho Testamento compreensível e relevante para meus filhos de 16, 14, 13, 9 e 6 anos.

Então, o que podemos fazer para ter experiências mais significativas com este livro de escrituras tão maravilhoso quanto desafiador? A seguir, compartilho quatro estratégias para ter experiências significativas com o Velho Testamento que têm feito diferença para mim e minha família.

estudo individual das escrituras
Imagem: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

1. Veja o panorama geral

Se você se sente sobrecarregado com o tamanho e a complexidade do Velho Testamento, saiba que você consegue!

O cronograma de leitura do Vem, e Segue-Me não inclui todos os capítulos do Velho Testamento. Na verdade, considerando a contagem de palavras, o programa sugerido cobre apenas cerca de 46,5% do texto, o que o torna apenas um pouco maior do que o Livro de Mórmon. Isso torna as leituras semanais muito mais administráveis. Vá com calma, uma semana de cada vez.

Para não se perder nos detalhes, recomendo fortemente acompanhar o manual Vem, e Segue-Me. Ele faz um excelente trabalho ao nos ajudar a enxergar a relevância eterna das histórias do Velho Testamento. Também reforça algo essencial: prestar atenção especial ao que podemos aprender sobre Jesus Cristo e sobre o relacionamento de convênio que Ele nos oferece.

2. Priorize o aprendizado nas escrituras

O Velho Testamento tem uma história complexa e pressupõe certa familiaridade com culturas antigas. Recursos complementares — como podcasts, livros, artigos ou vídeos — podem ajudar bastante a esclarecer esse contexto histórico e cultural.

Ainda assim, ninguém deve sentir que conhecimento prévio é um requisito para ter experiências espirituais significativas nas escrituras. A revelação pessoal é o seu maior professor. Recursos adicionais podem enriquecer o estudo, mas é importante não cair na tentação de substituí-los pela leitura direta das escrituras.

As escrituras devem ser o prato principal do nosso banquete espiritual (ver 2 Néfi 31:20).

3. Considere diferentes traduções

O Manual Geral recomenda que os membros usem “a edição preferencial da Bíblia ou a edição publicada pela Igreja” nas reuniões da Igreja, mas também afirma que “outras traduções da Bíblia também podem ser usadas”.

Com meus filhos, procuro equilíbrio. Às vezes lemos na versão Almeida ou em traduções mais formais, para que eles se familiarizem com uma linguagem bíblica mais antiga. Em outros momentos, usamos traduções mais modernas, quando nossa prioridade é compreender com clareza o que os autores bíblicos estavam tentando comunicar (ver O convênio eterno). 

Há ocasiões em que diferentes membros da família leem traduções distintas ao mesmo tempo e as diferenças que surgem rendem ótimas conversas sobre as escrituras. Essa abordagem amplia a compreensão e aprofunda nossas experiências com o Velho Testamento.

Imagem da Bíblia, estudar sobre Jesus Cristo no Velho Testamento
Imagem: Pexels.

4. Aprenda com o que foi bom e com o que foi errado

Algumas histórias do Velho Testamento podem parecer estranhas ou até perturbadoras. É importante lembrar que os israelitas viveram em uma cultura antiga. O manual Vem, e Segue-Me explica que, ao lermos esses registros, inevitavelmente encontraremos “pessoas fazendo ou dizendo coisas que, nos tempos atuais, parecem estranhas e até perturbadoras. […] Violência, relações étnicas e o papel das mulheres são apenas alguns exemplos de como os autores antigos devem ter visto essas questões de maneira diferente de como as vemos hoje.”

Reconheço que alguns relatos podem ser chocantes, e confesso que, às vezes, pulo certas partes até que meus filhos sejam mais velhos.

Ainda assim, acredito que o Senhor teve um propósito ao permitir que atitudes equivocadas e ações erradas fossem registradas nas escrituras. No final do Livro de Mórmon, um registro que também contém relatos difíceis, Morôni nos aconselha:

“Não me condeneis, em virtude de minha imperfeição, nem a meu pai, por causa de sua imperfeição, nem àqueles que escreveram antes dele; mas dai graças a Deus por ele vos ter manifestado nossas imperfeições, para que aprendais a ser mais sábios do que nós fomos.” 

Podemos aprender tanto com o que os israelitas e nefitas fizeram certo quanto com o que fizeram errado. Há valor em ambos. Sejamos gratos por isso. Espero, neste ano, aprender e também “lutar” com o Velho Testamento. E oro para que, à medida que você e sua família participem do estudo dessa grande obra de escrituras, isso gere uma conexão mais profunda e um amor maior pelo Deus do Velho Testamento: nosso Salvador, Jesus Cristo.

Fonte: LDSLiving

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