Nos últimos anos, o casamento deixou de ser uma meta clara para muitos jovens. Alguns o veem como um risco desnecessário; outros, como algo frágil, que provavelmente não vai durar. A ideia de se comprometer “para sempre” gera mais dúvidas do que entusiasmo.
E, embora existam muitas razões por trás dessa percepção, uma se destaca com força: a mentalidade do “eu primeiro”, uma forma de viver os relacionamentos que coloca o conforto pessoal acima do compromisso real.

O compromisso continua sendo a base
Falar sobre compromisso pode parecer óbvio, mas nem sempre é vivido com coerência no casamento. Estar comprometido significa investir tempo, energia e disposição, mesmo quando o relacionamento exige ajustes ou sacrifícios. Ninguém se sente seguro em um casamento onde parece que a outra pessoa sempre tem um plano de fuga.
Diversos estudos sobre casamento concordam que a estabilidade nasce quando ambos estão dispostos a cuidar do relacionamento, inclusive nos momentos difíceis. Não se trata de perfeição, mas de constância. Trata-se de continuar escolhendo um ao outro dia após dia, mesmo quando as coisas não são fáceis.
Sob a perspectiva do evangelho, isso faz ainda mais sentido. Convênios não se sustentam pela emoção, mas pela decisão. O amor se fortalece quando há intenção e responsabilidade espiritual, e não apenas afinidade.

Quando a fé define as prioridades
O evangelho exerce um papel fundamental na forma como muitas pessoas compreendem o casamento. Para aqueles que creem em Deus, o casamento deixa de ser apenas um acordo entre duas pessoas e se torna um compromisso que também envolve o céu.
Essa visão gera responsabilidade espiritual. Nos momentos de tensão, a pergunta não é só “o que eu quero”, mas “o que o Senhor espera de nós?”. Essa mudança de perspectiva eleva o nível do relacionamento e cria espaço para a reconciliação.
Além disso, a fé promove valores como honestidade, fidelidade e respeito mútuo. A confiança cresce quando ambos escolhem viver com integridade, mesmo quando ninguém está vendo.

Práticas espirituais que fortalecem o relacionamento
Compartilhar da mesma fé vai além de acreditar nas mesmas coisas. Estudos recentes mostram que casais que participam juntos de práticas do evangelho relatam maior satisfação e estabilidade. Orar juntos, estudar as escrituras, frequentar a Igreja ou servir na comunidade cria momentos de conexão profunda.
Essas práticas fortalecem a espiritualidade do casal e também promovem a comunicação, a empatia, e um propósito compartilhado. A fé vivida em conjunto se torna uma âncora emocional e espiritual.
Um estudo de longo prazo da Universidade de Harvard revelou que casais que frequentam regularmente serviços religiosos juntos apresentam um risco significativamente menor de divórcio. Não é mágica. É o resultado de hábitos que reforçam decisões e compromissos.

Escolher com intenção antes do casamento
As decisões e compromissos assumidos antes do casamento também importam — e muito. Pesquisas recentes indicam que pessoas que vivem o evangelho de forma coerente tendem a valorizar mais o casamento, tomar mais cuidado ao avançar na intimidade física e evitar dinâmicas que enfraquecem o compromisso.
Morar junto sem se casar, por exemplo, costuma ser apresentado como uma forma de “testar” o relacionamento. No entanto, os dados mostram que isso não aumenta a estabilidade a longo prazo. Na prática, muitas vezes revela uma hesitação interna em relação ao compromisso total.
O evangelho nos convida a construir relacionamentos baseados em convênios claros, decisões conscientes e valores compartilhados, mesmo quando isso vai contra a uma cultura dominante.

Um caminho possível, ainda que imperfeito
A fé não garante um casamento sem desafios. O compromisso também não elimina os conflitos. Mas, juntos, a espiritualidade e a escolha constante de colocar o outro em primeiro lugar constroem relacionamentos mais fortes e cheios de significado.
Em um cenário em que muitos jovens duvidam do casamento, é importante lembrar que há aspectos que estão sob nosso controle. Colocar Deus no centro, viver com intenção e abandonar a mentalidade do “eu primeiro” abre caminho para relacionamentos mais profundos e duradouros.
O casamento não se sustenta apenas na paixão. Ele é construído com convicção, fé e compromisso diário.
Fonte: Public Square Magazine
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