Famílias não tradicionais são tão importantes quanto famílias completas

Hoje eu estou compartilhando um post especial, juntamente com outros blogueiros SUD, baseado no discurso da Conferência Geral de Abril 2016. Eu escolhi falar sobre o discurso de Neil L. Andersen da sessão de sábado à tarde, intitulado “Quem Os Recebe, Recebe a Mim“. Este discurso imediatamente falou para mim e tocou meu coração.

Neil L. Anderson começa este discurso, dizendo: “As crianças de hoje se veem em muitas estruturas familiares diferentes e complexas.”

Eu cresci principalmente em Northern Utah em uma família com seis filhos, liderados por uma mãe solteira. Durante meus anos no ensino fundamental eu era a única criança da terceira série na minha escola com pais divorciados. Eu senti essa diferença penetrantemente. Eu queria muito ser incluída. Eu cantava “As Famílias Poderão Ser Eternas” na igreja e sentia que estava mentindo, porque minha família não iria ficar junta para sempre. Meu coração ficava triste quando a nossa primária (classe de crianças) cantava “Quando chega em casa meu pai, fico tão feliz”. Eu me sentia sozinha e diferente.

E ainda, como uma mãe casada com filhos agora eu me sinto um pouco sem jeito em convidar amigas solteiras e seus filhos para jantares ou reuniões que fazemos. É tão fácil convidar outros casais jovens e formar equipes nos jogos como “maridos contra esposas”. Eu precisava daquele discurso para me lembrar de como eu me sentia quando criança e como fazer outros na mesma situação se sentirem incluídos e “normais”.

“…Meu apelo hoje é pelas centenas de milhares de crianças, jovens e jovens adultos que não vêm dessas famílias ideais. Falo não apenas do jovem que sofreu pela morte, pelo divórcio ou pelo enfraquecimento da fé de seus pais, mas também das dezenas de milhares de rapazes e moças em todo o mundo que aceitam o evangelho sem que sua mãe ou seu pai os acompanhe na conversão à Igreja.”

Élder Andersen discursando em Abril de 2016

Élder Andersen durante a Conferência de Abril de 2016. Imagem via LDS.org.

Estou compartilhando 10 coisas que podemos fazer para apoiar os indivíduos e famílias que não estão em uma família SUD tradicional. Algumas foram mencionadas no discurso do Élder Anderson, algumas são minhas próprias ideias, e algumas foram passadas para mim por amigos de famílias não tradicionais.

01. Ensino Familiar – faça fielmente suas visitas de ensino familiar OU apoie o seu marido em casa para fazer suas visitas. Quando eu tinha entre 10 e 16 anos de idade eu tive os melhores mestres familiares. Eles vieram, fielmente, todos os meses. Eles foram literalmente os únicos homens SUD que eu realmente tive algum contato. Eles me mostraram exemplos de como um homem SUD justo se comporta e vive. Eles me deram minhas primeiras ideias das qualidades que eu deveria procurar em um marido. Eles me mostraram o Sacerdócio sendo usado para o bem. Quando meu irmão foi mordido por uma cobra que ele pegou em um campo de golfe nas proximidades, minha mãe não estava em casa, e então corremos para a casa de nosso mestre familiar. Sabíamos que poderíamos contar com ele porque ele nunca perdia uma visita mensal a nossa casa. Eu me sentia confortável em pedir a esses homens por bênçãos do sacerdócio quando necessário porque eles não eram estranhos.

Se você é casada, apoie o seu marido de todas as formas para que ele faça suas visitas mensais de Ensino Familiar. Ele pode ser o único exemplo do Sacerdócio que uma criança vê em sua casa. O encoraje, lembre-o (com cuidado … não resmungue), e elogie-o por suas visitas fiéis de Ensino Familiar.

Rapaz recebendo bênçãos do sacerdócio

Rapaz recebendo bênção do sacerdócio. Imagem via ayearoffhe.net.

02. Convidar sempre – Convide as famílias não tradicionais para a sua casa para jantares, reuniões familiares ou noites de jogos. Até mesmo os números da equipe não importam. Quando uma das minhas amigas se divorciou, esses tipos de convites pararam de repente. Convide, convide, e convide de novo.

Famílias podem ser integradas, como recebendo convites para refeições.

Imagem via ayearoffhe.net.

03. Saber o nome deles – Conheça os nomes e seja acolhedor e amigável com aqueles sem apoio familiar para frequentar a igreja. Élder Andersen disse em seu discurso: “Saber o nome de alguém pode fazer a diferença”. Você pode encontrar os conversos que são os únicos membros da sua família que se juntarem à igreja. A família da ala deveria ser apenas isso: uma família. Saiba seus nomes. Estenda convites para eventos. Responda às suas perguntas sobre o evangelho. Um sorriso e uma conversa amigável significa o mundo para aqueles que frequentam uma reunião sozinhos.

04. Apoio na reunião Sacramental – Sente-se ao lado de famílias sem os dois pais na Reunião Sacramental para ajudá-los com seus filhos pequenos. Dessa forma, se uma criança precisa usar o banheiro, a mãe solteira não é obrigada a deixar seus outros filhos sozinhos na reunião.

Convide pessoas para sentar-se com sua família durante a Reunião Sacramental. Eles não se importam se seus filhos são loucos, eles vão se sentir amados e que fazem parte de algo. Sentar sozinho a cada semana na reunião sacramental isola e amplia o fato de que você não é uma parte de uma família SUD tradicional.

Criança tomando o sacramento com a família

Imagem via ayearoffhe.net.

05. Cuidado para as crianças é fundamental – Se você está encarregado de planejar uma atividade que inclua um pai ou mãe solteira, SEMPRE crie algo para cuidar das crianças. Se você não fizer isso elas podem não vir.

Se você é um líder das Moças, faça uma lista das jovens de sua ala que podem cuidar das crianças de graça para que os pais solteiros ou viúvos possam participar do Templo, ir em encontros, ou apenas fazer uma pausa necessária. Estas horas podem ser anotadas e usadas no Progresso Pessoal. Se tiver filhas adolescentes, incentive-as a fazer o mesmo.

Cuidar de outras crianças como trabalho voluntário

Imagem via ayearoffhe.net.

06. Estar preparado para intervir – Se você tem membros da família que são parte de uma família não-tradicional, intervenha quando apropriado. Meu tio Bob me levou a muitas atividades e danças de Pai e filha na igreja. Meu tio Mark me batizou. Estes tios eram uma parte importante e me faziam sentir parte da cultura SUD. Líderes da Igreja / mestres familiares e parentes podem se voluntariar para levar jovens sem pais para as atividades ou acampamentos entre pais e filhos.

Esteja ciente dos pais solteiros ou viúvos que vivem longe dos familiares ou não tenham tios, tias, avós, etc, para ajudar nessas funções. Minha boa amiga é divorciada e seu filho perde o Pinewood Derby (uma corrida de carrinhos que os escoteiros participam) todos os anos porque ela não tem ideia de como ajudá-lo a fazer seu carrinho. Este ano, um pai da ala estendeu a mão para esse filho e se ofereceu para ajudá-lo com seu carro. Ela disse que foi uma experiência maravilhosa e fez seu filho se sentir menos “diferente” dos outros escoteiros.

Projeto de um escoteiro

Imagem via ayearoffhe.net.

07. Aproximar-se – Se você faz parte de uma família incompleta, se aproxime de outras famílias não tradicionais, especialmente os recém-divorciados. Minha amiga se divorciou recentemente e seu filho de 10 anos de idade chorava a cada semana quando frequentava a igreja, porque lhe parecia como se eles fossem a única família com pais divorciados. Outras famílias com pais solteiros ou que tinham se divorciado e casado novamente chegaram até eles e planejaram atividades em conjunto. Seu filho agora entende que sua nova situação familiar não é tão incomum. Isso o ajudou tremendamente nessa transição.

08. Tomar cuidado com as palavras – Esteja ciente da linguagem que você usa em seus chamados, especialmente na primária. Recentemente, um líder disse no tempo de compartilhar da Primária: “O Sacerdócio é o poder que todos os seus pais tem”. Ela disse isso inocentemente e tenho certeza que não tinha ideia de que poderia ferir algumas crianças. Não estou sugerindo que você nunca cante “As famílias podem ser eternas”, mas tente ser mais consciente de que haverá crianças em sua Primária e na organização dos Rapazes e das Moças que se sentem excluídos quando linguagem como essa é usada. O mesmo vale para as lições sobre as unidades familiares tradicionais ensinadas na Sociedade de Socorro e nas reuniões do Sacerdócio. Ore e busque a orientação do Senhor sobre como fazer essas lições aplicáveis e significativas a todos os membros de sua classe, especialmente àqueles que atualmente não vivem em uma família tradicional.

Um jovem rapaz - cuidado com suas palavras

Imagem via ayearoffhe.net.

09. Transporte – Minha amiga que é mãe única e que tem um filho nos escoteiros me disse que, quando o líder dos escoteiros de seu filho se voluntariou para levar e trazer seu filho para os escoteiros todas as semanas, fez uma grande diferença. O que pareceu ser um gesto tão pequeno para ele fez a vida de outro muito mais fácil! Ela não precisa colocar todos os seus filhos no carro e levá-los para lá e para cá. Transporte para as crianças em dias de atividade da primária, de rapazes e moças, ou outras atividades de Jovens pode fazer uma enorme diferença na vida de um pai ou mãe solteiro/viúvo.

10. Ser um mentor – Se você está ciente das famílias não tradicionais, seja um mentor para eles e seus filhos da maneira que puder. Se você é uma mulher e uma família não tem uma mãe, intervenha e ofereça para ajudar as filhas na transição para a primária, para as moças ou para a Sociedade de Socorro. Você ainda tem a oportunidade de ajudar nas transições que não são da igreja, como usar maquiagem, comprar sutiã, etc. Um pai único pode ter dificuldades em saber como ajudar a filha participar dos novos inícios pela primeira vez ou mesmo fazer a mala para o acampamento das Moças. Da mesma forma, se uma família não tem um Pai, os homens podem acompanhar os seus filhos. Podem ajudá-los a preparar-se para obter o Sacerdócio, participar dos acampamentos, construir carrinhos para o Pinewood Derby, etc.

Em seus chamados, sempre procurar maneiras de chegar aos indivíduos de famílias não tradicionais da maneira que puder. Faça-os se sentirem “normais” e preencha eventuais lacunas ao ter consciência de sua situação familiar. Deixe que eles saibam se você veio ou foi criado numa família SUD não tradicional. Compartilhe suas experiências e lutas. Compartilhe como você lidou com alguns dos desafios que eles possam estar enfrentado no momento. Deixe-os saberem que as bênçãos do Evangelho estão disponíveis a todos os membros, não apenas aqueles de uma “família modelo”.

Uma família não tradicional é tão importante quanto qualquer outra família

Uma família não tradicional é tão importante quanto qualquer outra família. Imagem via ayearoffhe.net.

Élder Andersen termina falando da necessidade de “… estendermos a mão para o jovem que se sente sozinho, esquecido ou do lado de fora da cerca. Vamos pensar neles, recebê-los, abraçá-los e fazer tudo o que pudermos para fortalecer seu amor pelo Salvador. Jesus disse: ‘E qualquer que receber em meu nome uma criança tal como esta, a mim me recebe’ (Mateus 18:5)”.

 

Artigo escrito no site AYearOfFHE.net. Traduzido por Esdras Kutomi.