O Presidente Harold B. Lee fazia parte da minha ala quando eu era uma Abelhinha. Ele não frequentava a Ala Federal Heights com muita frequência, mas nunca vou me esquecer de uma ocasião em que esteve lá.
Era um domingo de jejum e testemunhos, no outono de 1973, e ele entrou discretamente pela porta dos fundos da capela. Não veio acompanhado de vários seguranças; na verdade, nem sequer estava acompanhado. Ele foi à Igreja completamente sozinho.
Ele não se sentou no púlpito, como faria o líder do sacerdócio que presidia a reunião. Sentou-se na última fileira da capela, bem ao lado da porta, onde não havia nenhum banco à sua frente.
A capela do nosso prédio era enorme. Havia muitos idosos em nossa ala, e devia ser difícil para eles se apressarem até o púlpito para prestar testemunho. Por isso, um diácono ia até eles e lhes entregava um microfone.
Embora o Presidente Lee não tenha se sentado no púlpito naquele dia em que visitou nossa ala, ele se levantou e prestou seu testemunho do banco onde estava, lá no fundo. Ele testificou sobre uma verdade que nunca esqueci:
“Sei que Satanás existe com a mesma certeza de que Deus existe.”
Há muito tempo eu queria conhecer o profeta. As pessoas frequentemente me confundiam com sua neta, porque meu sobrenome era Goates, assim como o dela. No entanto, eu nunca o havia conhecido e vi aquela ocasião como a oportunidade perfeita para apertar sua mão.
Porém, depois da reunião, o Presidente Lee saiu rapidamente da capela em direção à saída. Corri para alcançá-lo. Ele tinha 74 anos, mas se movia como um adolescente, e eu mal conseguia acompanhá-lo. Finalmente o alcancei depois que ele desceu um lance de escadas e estava prestes a abrir a porta que dava para o estacionamento do lado oeste do prédio.
Sem fôlego, eu disse:
“Eu só queria apertar sua mão.”
Ele estendeu a mão. Eu a apertei e, então, ele foi embora.

Sobre sentar-se sozinho
Desde o dia em que conheci o Presidente Lee, tenho pensado sobre o motivo de ele ter ido sozinho à reunião sacramental naquele dia. Às vezes, senti até certa inveja daqueles que se sentavam sozinhos.
Durante décadas, a reunião sacramental significou entreter filhos e netos com livrinhos silenciosos e algum lanchinho. Houve muitos anos em que passei a reunião sacramental no saguão, correndo atrás de crianças pequenas.
Eu desejava ser como aquelas mulheres de cabelos grisalhos, com as mãos cruzadas e a cabeça baixa, refletindo silenciosamente sobre a Expiação de Jesus Cristo.
Eu via a reunião sacramental como um tempo precioso, um período muito curto em que, ao final de uma semana difícil, era possível encontrar paz.
Os líderes da missão de onde moramos pareciam enxergar a reunião sacramental da mesma maneira. Recentemente, participei de uma reunião sacramental em que cinco missionários, quatro élderes e um missionário da ala, estavam sentados juntos em um único banco.
Fiquei me perguntando por que aqueles missionários estavam todos juntos. Não seria responsabilidade deles integrar os membros da congregação que estavam sentados sozinhos?
Na próxima vez em que nos reunimos com os líderes da missão, perguntei sobre os missionários se sentarem juntos. Eles explicaram que queriam que seus missionários tivessem uma experiência espiritual com o sacramento e que isso era mais importante do que integrar aqueles que estavam sentados sozinhos.
Com o tempo, eu mesma passei a me sentar sozinha na reunião sacramental. Meus filhos já estavam crescidos, meu marido era presidente de estaca e visitava outras alas aos domingos.
Aleluia!
A reunião sacramental podia ser tão tranquila quanto estar sentada na sala celestial do templo, onde, se você estiver com a cabeça baixa ou os olhos fechados, ninguém fala com você. A reunião sacramental podia ser um momento de revelação pessoal, um tempo para me concentrar nos convênios e receber inspiração para a semana que estava começando.
Eu valorizava muito aquela única hora da semana em que podia tomar o sacramento e renovar todos os meus convênios, inclusive aqueles feitos no templo.
Uma nova perspectiva
O discurso do Élder Gong na Conferência Geral de outubro de 2025 me fez mudar de perspectiva. Ele disse:
“Quando você vier à Igreja, se vir alguém sozinho, poderia, por favor, cumprimentá-lo e sentar-se com ele?”
Eu já havia frequentado outras igrejas em que os pastores pareciam concordar com o Élder Gong. Em uma delas, o pastor fazia uma pausa no início da reunião e convidava todos os presentes a se virarem para as pessoas sentadas ao lado e se apresentarem.
Também já estive em igrejas onde as pessoas ficam sentadas sozinhas, espalhadas pela nave, muitas vezes ajoelhadas em oração.
Eu me senti dividida. Por mais que gostasse de me sentar sozinha, percebi que algumas pessoas talvez se sentissem desconfortáveis nessa situação. Talvez se sentissem constrangidas. Talvez se preocupassem que os outros sentissem pena delas. Talvez simplesmente quisessem sentir que pertenciam àquele lugar.
Em vez de me concentrar apenas no meu próprio conforto, comecei a pensar no desconforto dos outros.
Aparentemente, as pessoas vão à Igreja por motivos diferentes. Algumas vão para adorar e tomar o sacramento. Outras vão pela convivência, para encontrar os amigos e sentir a comunhão de pertencer a um grupo. Algumas vão à Igreja para servir. Elas têm um chamado e o cumprem diligentemente.
E algumas pessoas frequentam a Igreja pelos três motivos: para adorar, conviver e servir.
Aprendi a identificar aqueles que querem se sentar sozinhos. Geralmente chegam atrasados à Igreja, sentam-se no fundo da capela e correm em direção à saída assim que a congregação diz “amém” depois da oração de encerramento.
Passei a imaginar que o motivo de estarem ali talvez fosse simplesmente tomar o sacramento. Talvez desejem renovar seus convênios mais do que desejam companhia. Aprendi a não correr atrás das pessoas como fiz aos 12 anos quando corri atrás do Presidente Lee.

Confiar no Espírito
Mesmo assim, às vezes o Espírito me inspira a me sentar ao lado de uma pessoa desconhecida. Normalmente pergunto se ela se importa que eu me sente ao seu lado. A menos que ela comece uma conversa comigo, espero até o fim da reunião sacramental para me apresentar.
Se a pessoa estiver disposta a conversar, eu a convido para permanecer durante a segunda hora e caminho com ela até a aula. Aqueles que desejam essa convivência muitas vezes escolhem ficar para a segunda hora.
A escola dominical é um momento maravilhoso para criar vínculos e conhecer melhor uns aos outros. Tanto os membros que se sentem à margem quanto os visitantes podem experimentar esse sentimento de comunhão ao compartilharem experiências, testemunhos e ideias.
Algumas alas realizam uma pequena confraternização depois das reuniões, dando aos membros a oportunidade de conversar e criar vínculos sem tirar o foco do propósito da reunião sacramental.
Não faz muito tempo, eu estava sentada sozinha quando um homem grande e de aparência intimidadora entrou na capela acompanhado da esposa e de uma criança. Percebi que ele estava procurando um lugar para se sentar. Então, quando nossos olhares se encontraram, fiz um gesto convidando-o a se sentar comigo no banco.
Era um domingo de jejum e testemunhos e, embora ele não fosse membro da Igreja, estava ali para apoiar um familiar que estava dando uma bênção a seu bebê recém-nascido.
Durante a reunião, ele se inclinou em minha direção e me fez algumas perguntas sobre os testemunhos. Quando percebi, ele já havia caminhado até a frente da capela e se colocado diante do microfone.
Prendi a respiração, perguntando-me se eu o havia incentivado demais!
Ele prestou um belo e emocionante testemunho do Salvador e voltou para o nosso banco. Depois da reunião, vários membros se aproximaram dele, agradeceram por seu testemunho e o convidaram a voltar para adorar conosco novamente.
Por mais que eu goste de me sentar sozinha e desfrutar da renovação proporcionada pela reunião sacramental, reconheço a alegria que existe em convidar outras pessoas a terem essa mesma experiência.
Tradução da história de JeaNette Goates Smith
Fonte: Meridian Magazine
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