O que nos resta quando tudo parece perdido em meio às provações? O presidente Dieter F. Uchtdorf, presidente em exercício do Quórum dos Doze Apóstolos, foi chamado a responder essa pergunta na prática neste mês, ao visitar, junto do élder Neil L. Andersen, os santos dos últimos dias de Spokane, no estado americano de Washington, semanas depois de incêndios florestais destruírem centenas de casas na região.
Mas o que ele ensinou naquele dia não vale só para quem perdeu uma casa em um incêndio. É uma resposta para qualquer pessoa em meio a qualquer tipo de perda.

Um amor que não depende de quem somos
O presidente Uchtdorf abriu sua mensagem lembrando que a dor é sentida à distância.
“Meus queridos irmãos e irmãs, é realmente uma grande honra estar em sua presença. Somos todos amigos no evangelho de Jesus Cristo. Somos todos irmãos e irmãs. Quando soubemos do seu sofrimento, das suas perdas, da sua dor, das suas incertezas, nossos corações se voltaram para vocês.”
Ele destacou como vizinhos, membros da Igreja ou não, pararam para ajudar uns aos outros mesmo enquanto fugiam das chamas, e disse que esse tipo de compaixão reflete o sentido mais profundo dos dois grandes mandamentos: amar a Deus e amar o próximo (Mateus 22:37–39).
“Independentemente de quem sejam, da língua que falem, da aparência que tenham, se os conhecemos ou não”, disse ele, “esse é o sentido profundo do evangelho de Jesus Cristo.”
A primeira bênção que se encontra em meio a uma provação, segundo ele, costuma vir de outra pessoa.
O que o desastre não consegue destruir
A parte mais marcante da mensagem foi uma lembrança pessoal, contada por sua esposa, Harriet. Quando criança, na Alemanha durante a Segunda Guerra, ela subia as escadas depois de um bombardeio e gritava para a mãe: “Ainda está aqui.” Segundo o presidente Uchtdorf, o mesmo vale mesmo quando uma casa desaparece por completo: “O que ainda está lá são os convênios que fazemos com o Senhor.”
É uma forma direta de responder à pergunta do início: aquilo que mais importa, para quem tem fé, nunca esteve guardado dentro de quatro paredes, e nenhum incêndio, enchente ou terremoto consegue alcançá-lo.
Ele também relacionou o simples ato de tomar o sacramento em conjunto, algo que aconteceu em cada prédio que recebeu a transmissão da reunião, à última ceia de Jesus com os apóstolos.
Antes de ir para o Getsêmani, “prestes a assumir o fardo mais pesado que alguém pode carregar”, Cristo se sentou com os Doze, partiu o pão e cantou com eles. “Então, para nós, ao nos reunirmos, isso pode nos trazer força”, disse o presidente Uchtdorf. Reunir-se com outras pessoas de fé, mesmo em meio ao caos, já é parte da resposta a uma provação, não apenas um consolo depois dela.

Não fomos esquecidos
O presidente Uchtdorf lembrou aos membros de um discurso que fez na conferência geral de outubro de 2011, “Não Te Esqueças de Mim”, inspirado na pequena flor miosótis. Naquela manhã em Spokane, ele usava a flor presa à lapela. “Não devemos Nos esquecer d’Ele”, disse, “mas também podemos ter certeza de que Ele não vai Se esquecer de nós.”
Ele convidou os membros a se lembrarem dos vizinhos mesmo depois que a fase mais aguda da crise passar, e a sustentarem uns aos outros ao longo do caminho mais longo da reconstrução. O élder Andersen reforçou a mesma promessa:
“Prometo a vocês que a Igreja não vai esquecê-los, que a Igreja estará com vocês enquanto vocês encontram o seu caminho e enquanto são fortalecidos.”
A bênção, nesse sentido, não é só o que acontece no momento do desastre, mas o que continua acontecendo depois que as câmeras vão embora.
Depois da reunião, o presidente Uchtdorf e o élder Andersen visitaram bairros destruídos e passaram um tempo com famílias que haviam perdido suas casas. Mark Schaber, membro local cuja casa foi danificada pelo fogo, resumiu o que viu:
“O presidente Uchtdorf fala sobre ministrar ao um, e quando você está com ele, você sente isso. Você sente que realmente importa para ele.”
Em uma dessas visitas, Cannon, filho de 5 anos de uma família que perdeu a casa no incêndio, perguntou ao presidente Uchtdorf quão rápido ele já havia voado em um jato, antes de ser chamado como apóstolo. Ele respondeu, com toda a seriedade:
“Mais rápido que a velocidade do som.”
Foi um lembrete simples de que encontrar fé em meio a uma tragédia não depende de grandes discursos. Muitas vezes, ela aparece em coisas pequenas: uma pergunta respondida com paciência, uma refeição levada até a porta certa, um aperto de mão na hora certa. É nesses detalhes, mais do que em qualquer explicação sobre o porquê da provação, que a fé e a bênção costumam aparecer.
Fonte: Church News
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