Meu nome é Xiomara López, sou venezuelana e hoje vivo no Brasil. Vou contar minha jornada de como conheci a Igreja e de tudo o que aconteceu comigo para me tornar quem sou hoje.
Tudo começou quando eu tinha nove anos de idade. Conheci a Igreja por meio de uma tia que a frequentava. Os missionários estavam a ensinando, e ela levou a mim e à minha irmã para conhecer também. Nós gostamos muito. Estávamos na primária naquela época e ficamos bem empolgadas.
Só que, naquele tempo, minha mãe não deu autorização para nos batizarmos. A minha tia que nos levou foi batizada, junto com os que tinham idade para isso, e frequentou a Igreja por um tempo, mas depois ficou inativa, e não nos visitamos mais.
Sete anos depois, os missionários voltaram a visitar a casa dela, para reativá-la e ensinar os filhos, que já tinham idade para o batismo. Eu tinha dezesseis anos nessa época e comecei a ouvir novamente as aulas e as palestras. Quando me fizeram o convite para o batismo, eu disse que sim, que queria me batizar. Dessa vez minha mãe deu a autorização, e minha irmã e eu fomos batizadas.

Os anos de atividade e a missão
Começamos a frequentar a Igreja, e tudo foi tão lindo. Para mim, foi maravilhoso. Eu era muito ativa, participava do seminário e do instituto, e a minha meta, desde que entrei na Igreja, era ser missionária. Eu sempre dizia que não ia me casar enquanto não servisse à missão: primeiro a missão, depois o casamento.
Então eu me preparei, porque sabia que tinha esse chamado. Minha mãe não queria me apoiar para ir, porque eu já estava na faculdade e tinha um emprego fixo, e preferia que eu me casasse primeiro. Mesmo assim, fui para a missão, e foi o melhor tempo da minha vida.
A missão, assim como é para muitos, foi muito especial para mim. Procurei dar o meu melhor durante aquele tempo, e guardo todas essas experiências no meu coração.
Um casamento difícil e a dor do julgamento
Quando voltei para casa, me apaixonei e me casei no templo. Só que as coisas não deram certo, e foi uma época bem difícil da minha vida, porque eu tinha imaginado algo diferente. Eu achava que estava fazendo tudo certo.
Quando as coisas ficaram tão difíceis no meu casamento, senti muito julgamento. Meu marido era um líder da Igreja, e aconteceram muitas coisas. Eu acreditava muito nele, e senti uma grande decepção. Estava com muita dor, porque sentia que pessoas que me conheciam havia muitos anos estavam dando crédito a certas coisas. Eu falava com os líderes que precisava de ajuda, e foi tudo muito pesado.
Acabei adoecendo. Passei por um período muito difícil, porque entrei num estado de depressão e ansiedade muito, muito forte. Eu não conseguia andar, comer, respirar. Foi um quadro bem complicado. Os médicos fizeram muitos testes em mim para saber o que estava acontecendo, porque eu estava perdendo minhas forças físicas e estava muito magra. A conclusão foi que era o meu sistema nervoso, um quadro de depressão e ansiedade.
Um dia, parei diante de um espelho e pensei: “Essa que está aí não sou eu. Eu não sou essa pessoa.” Aceitei o diagnóstico, o que foi bem difícil para mim. Então pensei: “Não estou sendo feliz, e tenho que mudar isso. Tenho que voltar a ser quem eu era.”
A primeira coisa que fiz foi decidir me separar do meu marido, me divorciar e focar em me recuperar. Eu já tinha meus dois filhos, ainda muito pequenos. Pensei: “Eles precisam de mim, de uma mãe que esteja bem.” E por isso me divorciei. Mas as coisas não melhoraram muito para mim na Igreja, e acabei me afastando.
Anos longe — mas sem nunca negar o testemunho
Fiquei muitos anos longe da Igreja. Mas nunca neguei o meu testemunho. O testemunho nunca saiu de mim, mesmo que eu não tivesse recebido o melhor tratamento por parte de alguns líderes. Isso não abalou o meu testemunho. Eu sempre soube que a doutrina da Igreja era perfeita.
Casei-me novamente, com alguém que não era membro da Igreja. Em casa, tínhamos respeito; como família, estávamos mais unidos. Mas, com o tempo, as coisas mudaram, e acabamos nos separando.
Saímos da Venezuela, e eu não estava ativa. Mesmo antes de partir, eu já vinha sentindo que faltava algo na minha vida, que eu precisava voltar a mim mesma, àquela parte que sempre foi a mais importante: a parte espiritual.

O reencontro: uma porta que se abriu no Peru
Quando cheguei ao Peru, eu estava procurando uma direção, um guia. Um dia, tomei outro caminho para voltar para casa e passei em frente a uma capela, era a ala Manuel Prado que fica em Arequipa. Estavam limpando o local, e a porta se abriu. Senti que podia entrar, e entrei.
O espírito ali era tão forte. Eu chorei muito naquele dia. Fiquei sentada por um tempo, meditando, sentindo o Espírito. E, desde aquele dia até hoje, estou ativa.
Eu não tinha roupa para ir à capela. Quando saímos da Venezuela, viemos com pouca roupa, e eu nem tinha um sapato apropriado, só uns sapatos bem coloridos, que foram o que consegui na Venezuela para sair. Fui de calça. Mas, naquele momento, o que importava era que eu estava ali.
Na primeira reunião sacramental, senti um espírito tão forte. Os hinos, os discursos, tudo. Senti novamente o que eu sentia quando era ativa. Por isso continuei indo, estando ali e me fortalecendo de novo. Eu estava firme, porque, sendo eu membro ou não, eu não ia deixar que viessem atrapalhar a minha relação com a Igreja.
Os membros foram muito gentis comigo. Eles me apoiaram, visitaram a minha casa e compraram os meus primeiros vestidos, que usei depois de muito tempo para ir à capela. Fizeram isso como um presente. Eu sempre fui muito grata por isso. Hoje estou aqui, servindo na Sociedade de Socorro e retribuindo todo o carinho que recebi em forma de serviço para outras irmãs.
O que aprendi: perdão, foco em Cristo e uma nova mulher
Hoje eu amo a minha vida e tudo o que aconteceu. Penso que tudo isso aconteceu para que eu me tornasse a mulher que sou hoje: uma mulher com mais coragem, com mais paz, que vive de forma mais tranquila e mais focada em Jesus Cristo.
Hoje em dia, penso diferente sobre os outros, sobre os líderes, sobre os membros. Aprendi muito sobre perdão, sobre julgamento e sobre liderança. Entendi que os líderes são pessoas como todos nós, com defeitos e também com virtudes. Já não fico tão atenta a julgamentos.
Procuro sempre seguir o profeta, gosto muito dos discursos da conferência e dos meus líderes de estaca, que dão mensagens tão poderosas. Gosto muito de ouvir, aos domingos, os discursos das pessoas, quando contam suas próprias experiências e o que aprenderam.
Estou mais focada agora em algo diferente: não tanto em como as outras pessoas fazem as coisas, mas em Jesus Cristo em si. São mudanças que tingem a minha vida e o meu foco. Agora vejo tudo de outra forma. Para mim, o mais importante passou a ser o ensinamento e as coisas que eu mesma posso aprender e fazer.
A família que a Igreja me deu
Quando entrei na Igreja, ainda jovem, foi um tempo muito especial, porque fiz muitas amigas que, até hoje, são minhas amigas. Elas são como se fossem do mesmo sangue, de verdade. Todas estão ativas, e eu aprendi muito com elas. Algumas até moram aqui no Brasil comigo, hoje. Uma delas já não está mais entre nós. Foram muitas experiências vividas juntas. Elas são como tias e primas para a Valentina, minha filha, e o nosso relacionamento é muito forte. Tudo isso foi graças à Igreja, à grande família que formei ali e aos líderes. Também tive líderes muito bons, que fortaleceram o meu testemunho.
Eu sempre penso: quantas coisas aprendi! Aprendi e continuo aprendendo. São muitas, muitas coisas.
Quando a minha história começou a ser compartilhada, fiquei muito comovida ao ler os comentários e ver que há muitas pessoas se identificando com o que eu vivi. Muita gente está passando pelas mesmas coisas, ou já passou e voltou à Igreja. Para mim, isso foi muito grande. Espero que a minha história inspire outras pessoas. Eu não sou alguém de aparecer, de tirar fotos e postar, mas vi que era importante compartilhar, porque percebi que isso toca o coração das pessoas, e isso é bom.

Os filhos e a esperança que permanece
Uma das coisas grandes e maravilhosas para mim foi ver os meus filhos crescendo. Tenho um filho que ainda está inativo. Ele é um ser muito especial, com princípios muito elevados. Ele já foi líder também. Neste momento, ele não está indo à Igreja, mas eu tenho esperança de que volte, e acredito que vai.
E foi maravilhoso ver a minha Valentina sendo batizada aqui no Brasil. Quando ela me disse: “Eu quero ser missionária”, eu pensei: “Tenho que apoiá-la, porque sei o quanto é importante servir uma missão e tudo o que ela vai aprender.” Estou muito agradecida porque isso aconteceu. Hoje ela é uma membro forte, esforçando-se para viver o evangelho como Deus manda.
E eu sigo servindo, agora enxergando as coisas de uma forma diferente de como era quando tudo aconteceu. Penso que tudo isso foi para um aprendizado, um aprendizado grande, para me tornar esta mulher que sou hoje.
Esse artigo foi escrito com base no relato da irmã Xiomara López.
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