Ao examinar o Novo Testamento, percebemos que essa questão é deixada em aberto. Como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, acreditamos que a Restauração trouxe luz adicional para fortalecer o entendimento sobre o ministério de Cristo e de Seus apóstolos, inclusive ajudando a refletir sobre a pergunta: “João morreu?”.
E é justamente por meio da revelação moderna que encontramos elementos importantes para analisar essa questão com mais clareza, reverência e equilíbrio.

João morreu? A pergunta que atravessa séculos
Ao estudar o Novo Testamento, percebemos que João, o Amado, tinha um desejo sincero de servir a Jesus, o qual o fez largar tudo e segui-Lo. Mas até onde esse desejo sincero levou o discípulo amado, inclusive em relação ao seu destino?
A dúvida sobre se João morreu nasce principalmente de um diálogo registrado em João 21. Após a ressurreição, Jesus fala a Pedro sobre seu futuro martírio. Pedro então pergunta sobre João, e o Salvador responde:
“Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?”
No próximo versículo, vemos que a palavra que se espalhou na época era que justamente João não morreria, mesmo que essas não tenham sido as exatas palavras que Cristo usou.
Desde os primeiros séculos do cristianismo, essa passagem despertou debates entre estudiosos sobre o destino do apóstolo João. Alguns afirmaram que ele morreu e foi sepultado em Éfeso; outros defenderam que ele ainda vive; outros ainda sugeriram que ele estaria “adormecido” aguardando a Segunda Vinda. Onde podemos encontrar mais informações?
João, o amado, e a revelação moderna
Enquanto traduziam o Livro de Mórmon, surgiu entre Joseph Smith e Oliver Cowdery uma divergência sobre o destino de João. O próprio Profeta registrou:
“Uma diferença de opinião surgiu entre nós a respeito do relato de João, o apóstolo, mencionado no Novo Testamento, quanto a se ele havia morrido ou continuava vivo; concordamos mutuamente em resolver isso pelo Urim e Tumim.”
A resposta veio por revelação e hoje está registrada em Doutrina e Convênios 7, um texto atribuído ao próprio João. Nele, o Salvador pergunta o que João deseja, e ele responde que quer continuar vivendo para levar almas a Cristo. A resposta do Senhor é clara:
“Em verdade, em verdade te digo: Visto que o desejaste, permanecerás até que eu venha em minha glória e profetizarás perante nações, tribos, línguas e povos.”
A resposta do Salvador indica que esse desejo foi aceito e que sua missão se estenderia até a vinda do Senhor em glória. A revelação não se concentra em datas, locais ou explicações físicas detalhadas, mas no propósito espiritual de João.

O que significa não morrer? A doutrina da transfiguração
Para compreender melhor esse ensinamento, é importante entender o conceito de transfiguração nas escrituras. A revelação moderna não descreve João como ressuscitado, nem simplesmente como alguém que “não morreu” no sentido comum.
O Livro de Mórmon oferece uma chave importante ao relatar a experiência dos três discípulos nefitas em 3 Néfi 28. Cristo reconheceu que os três nefitas tinham o mesmo desejo de João, “Eis que conheço vossos pensamentos e desejastes aquilo que João […] desejou de mim.” Ou seja, eles desejavam permanecer na Terra para continuar trazendo almas ao Senhor.
Logo, o Salvador diz que eles nunca provariam a morte e os tocou (ver 3 Néfi 28:7-12). Em seguida, lemos:
“[…] lhes pareceu terem sido transfigurados, como se tivessem sido mudados deste corpo de carne para um estado imortal, de modo que podiam contemplar as coisas de Deus.”
A transfiguração é um estado no qual a pessoa é preservada e fortalecida espiritualmente, tornando-se capaz de suportar a glória de seres celestiais, sem ainda receber um corpo ressuscitado e glorificado.
O estudo John the Beloved in Latter-day Scripture mostra que a experiência de João se harmoniza com esse mesmo padrão doutrinário. Trazendo a possibilidade de que o mesmo tenha acontecido com João.

João, o apóstolo, ainda ministra?
Uma pergunta natural é: se João não morreu, onde ele está hoje? As escrituras ensinam que seres transfigurados, com o propósito de permanecer na terra para pregar ao povo, não são facilmente reconhecidos. O Livro de Mórmon afirma que eles ministrariam entre judeus e gentios, mas eles “não os conhecerão”.
Dito isso, não é possível saber onde exatamente João está, pois mesmo estando entre nós, ele seria irreconhecível.
Sabemos, porém, que João teve participação direta na Restauração. O próprio Senhor declarou a Joseph Smith:
“E também com Pedro e Tiago e João, que vos enviei, por intermédio de quem vos ordenei e confirmei para serdes apóstolos e testemunhas especiais de meu nome e para portardes as chaves de vosso ministério e das mesmas coisas que a eles revelei; ”
Esse fato conecta o ministério apostólico antigo diretamente à Restauração, reforçando a ideia de continuidade da autoridade divina.
Entretanto, o ministério de João não é público, visível ou amplamente documentado. Isso explica por que não existem relatos claros e verificáveis sobre onde João estaria ou como atua atualmente.
Então, João morreu ou não?
Mesmo com o estudo das escrituras e da revelação moderna, a pergunta “João, o Amado, morreu?” não recebe uma resposta simples nos moldes tradicionais. Em vez disso, somos convidados a compreender que o Senhor concedeu a João uma condição especial, associada à transfiguração, para cumprir um propósito específico em Seu plano.
Mais do que resolver um mistério histórico, essa revelação aponta para algo maior: o valor que Deus dá aos desejos justos de Seus servos. João desejou servir mais, amar mais e levar mais pessoas a Cristo e o Senhor honrou esse desejo.
Essa é a mensagem central que permanece relevante hoje. Independentemente de nossa missão individual, somos convidados a seguir o mesmo caminho de fidelidade, serviço e amor que marcou a vida de João, o amado.
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