Com mais profundidade

Seja essa a primeira vez que você ouve sobre uma crença da “Igreja Mórmon” (um apelido comum para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias), ou se tem dificuldade para compartilhar o que acredita, esse artigo pode te ajudar!

Essas crenças são muitas vezes mal compreendidas ou podem parecer estranhas para algumas pessoas quando ouvidas pela primeira vez.

Portanto, para aqueles que ainda gostariam de saber mais, aqui vai uma visão um pouco mais profunda sobre cinco crenças mórmons que muitas vezes fazem algumas pessoas aderirem a essa religião.

Todos podem receber revelação pessoal

Acreditamos que somos todos filhos de Deus. Deus não é referido nas escrituras como Pai? Ele é o Pai de Cristo, mas nós também o chamamos de Pai, porque Ele criou a Terra e cada um de nossos espíritos.

Assim como cada um de nós tem um pai terreno, Ele é o Pai de nosso espírito. Ele deseja que O conheçamos e que falemos com Ele em oração. Ele também se comunica de volta, dando revelação pessoal e inspiração específica para cada pessoa.

mulher orando
Fonte: internet.

Existem várias maneiras de receber revelação pessoal. Ela pode vir através de sentimentos tranquilos em seu coração, pensamentos, sonhos, uma “voz mansa e delicada” (1 Reis 19:12) do Espírito Santo, e, ocasionalmente, e para fins muito específicos, formas mais dramáticas, como visões ou visitações.

Muitas vezes, a revelação pessoal vem como resultado da busca por Deus: orando, jejuando e lendo as escrituras em busca de respostas. Os mórmons acreditam nesses momentos de revelação pessoal para fornecer orientação e direção em nossas vidas.

Mórmons tem um clero local não remunerado

Cada posição nas congregações locais mórmons não são remuneradas, mas voluntárias. Membros doam seu tempo e talento para ensinar lições, preparar música, cuidar da escola dominical e das classes da primária, servir no templo, sair em missões e ajudar a qualquer um que precisar, sejam eles membros de nossa igreja ou não.

Então como é que a Igreja se sustenta? A maioria do apoio vem de membros fiéis em todo o mundo. Seguindo a lei do dízimo estabelecido no Antigo e no Novo Testamento, os membros doam voluntariamente dez por cento de seus ganhos para ajudar a construir e manter as capelas e os templos, a impressão de escrituras e hinários para as reuniões, prestar ajuda humanitária, manter programas de ensino para desenvolvimento dos seus membros, entre outros.

Voluntários carregando sacolas da cruz vermelha.
Fonte: https://www.churchofjesuschrist.org/

Basicamente, os mórmons se esforçam, como todos os outros cristãos, para melhorar este mundo através do serviço e amor ao próximo, tanto dentro como fora de sua religião.

Deus fala por meio de profetas vivos

Acreditamos que, além de orações, Deus sempre seguiu o padrão de falar por meio de profetas. Desta forma, ao invés de Deus dar instruções a cada pessoa, Ele pode agir através de Seus servos designados.

Antigamente, os profetas advertiam contra o perigo, chamavam as pessoas ao arrependimento, ensinavam o evangelho de Cristo e escreviam as instruções que receberam de Deus, que são as escrituras que nos guiam ainda hoje.

Estas são exatamente as mesmas coisas que os profetas e apóstolos modernos fazem hoje, só que em vez de escreverem escrituras, eles testemunham e ensinam as doutrinas de Cristo a cada seis meses em uma reunião mundial conhecida como Conferência Geral.

Seus ensinamentos são transmitidos, transcritos, impressos, traduzidos e disponibilizados para todo o mundo em 43 idiomas diferentes (e partes dele disponibilizadas em 93 idiomas).

Então, como vamos saber que seus ensinamentos são realmente de Deus? Cristo disse: “Pelos seus frutos os conhecereis.” (Mateus 7: 16)

Pergunte-se:

  • As palavras deles elevam e fortalecem sua fé em Cristo?
  • Será que eles vivem o que pregam?
  • Seus ensinamentos são confiáveis?
quadros de alguns profetas modernos
Fonte: internet.

Depois de orar e pedir ao Senhor, ponderar e ouvir suas palavras, podemos receber um testemunho pessoal de sua vocação e ter fé neles como profetas de Deus nos dias de hoje.

Mórmons acreditam em reinos de glória

Uma das crenças que temos de mais valor, é a nossa crença na vida após a morte. Mas ao invés de separar a vida após a morte apenas entre céu e inferno, acreditamos que há níveis diferentes de recompensa eterna, em vez de um sistema de “sucesso/fracasso”.

O próprio Jesus Cristo, sabendo que todos nós chegaríamos a diferentes níveis de retidão nesta vida, ensinou:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas” (João 14:2)

Em última análise, acreditamos na graça. Acreditamos em Cristo, como nosso Salvador, Redentor e Advogado junto ao Pai. Acreditamos que, embora o Senhor peça o nosso melhor para seguir os mandamentos, Ele sabe que não conseguiremos ser perfeitos por conta própria. É por isso que Cristo morreu.

É por isso que Ele sofreu e fez a Expiação pelos nossos pecados, para haver graça, para haver misericórdia. Porque sem Sua misericórdia, nós todos seríamos expulsos da luz e da presença do Senhor. Nós não podemos ser salvos por conta própria.

Felizmente, o Senhor nos conhece. Ele nos conhece perfeitamente. Ele conhece nossas fraquezas, pecados e erros, mas Ele também sabe as nossas boas obras, nossos desejos justos e o nosso coração. Cada pessoa na Terra é única, por isso acreditamos que o céu não é um “modelo único”.

Três níveis no céu

Os mórmons acreditam em três níveis no Céu, chamados reino Celestial, reino Terrestre e reino Telestial

Monumento de Jesus Cristo
Fonte: internet

O reino celestial é um lugar para aqueles que foram batizados, se arrependeram de seus pecados, deram o seu melhor para guardar os mandamentos, e têm um testemunho firme de Jesus Cristo. Estes são aqueles que serão capazes de habitar para sempre na presença do Pai Celestial e Seu Filho Unigênito.

Os reinos terrestre e telestial são reinos inferiores – ainda um ato de misericórdia e um bom lugar para se viver, mas longe de toda a glória do Pai e do Filho. Onde o Senhor preparou um lugar para aqueles que não foram valentes em seu testemunho de Jesus, rejeitaram o evangelho, ou escolheram viver uma vida de pecado sem se arrependerem.

“Inferno” (chamado Trevas Exteriores), em nossa crença, está reservado somente para aqueles poucos, muito poucos, que tiveram um conhecimento firme de Jesus através do Espírito Santo e em seguida escolheram negar e rejeitar Jesus Cristo. Sem a graça de Sua expiação, eles não podem entrar no céu. No entanto, será por causa de sua escolha intencional e coração mau, não uma punição infligida àqueles que ainda têm um pingo de luz dentro de si.

Julgamento final

E as crianças que morreram sem o batismo, aqueles que ninguém ensinou o evangelho de Cristo, ou aqueles que cometeram erros, mas nunca tiveram a chance de se arrepender nesta vida? O que acontece com eles?

Acreditamos que antes do julgamento final, existe e continuará a existir um esforço missionário enorme do outro lado véu, ensinando aqueles que morreram sem conhecer Jesus Cristo, dando a eles a oportunidade de crer Nele e aceitar o Seu sacrifício.

É por isso que os mórmons procuram ativamente por registros genealógicos, e realizam ordenanças por procuração (como o batismo) para eles em templos sagrados. Para que as pessoas que morreram tenham a opção de aceitar ou rejeitar.

O apóstolo Paulo referenciou esta prática, dizendo: “Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?” (1 Cor 15:29)

No final, a justiça perfeita de um Deus perfeito ainda exigirá compensação pelos pecados que cometemos. Mas a crença mórmon da vida após a morte não é apenas entre Céu e Inferno. É um lugar de “muitas moradas”, onde há muitos níveis e oportunidades diferentes para o trabalho missionário, misericórdia e graça de um Pai Celestial amoroso.

Famílias podem ser unidas para sempre

Os mórmons acreditam que algumas das maiores alegrias nesta vida vêm através de uma vida familiar centrada em Jesus Cristo. Essas relações preciosas entre marido e mulher, pais, filhos e irmãos nos ensinam sobre o altruísmo, serviço, paciência e amor … todas as características que o nosso Pai Celestial tem e deseja que desenvolvamos.

O próprio Senhor é identificado em primeiro lugar nas escrituras como “O Pai”, escolhendo um título familiar com mais frequência do que um outro título para si mesmo, e identificando-se como um Pai, tanto para Cristo como para nós.

A palavra “Pai” aparece quase 1.000 vezes na versão do Rei Jaime da Bíblia. O título principal de Jesus foi muitas vezes “O Filho”. Foi dito nas escrituras que aqueles que se arrependem são filhos de Deus e co-herdeiros de Cristo. (Romanos 8:17)

O Senhor também estabeleceu a instituição divina do casamento, um mandamento bíblico, e Cristo falou sobre essa importante ordenança: “o que Deus ajuntou, não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Todas estas coisas apontam que a família é o ponto focal de nossas vidas, tanto aqui na Terra como na existência pós-mortal. Paulo falou aos Efésios: “Por causa disso me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome” (Efésios 3: 13-15).

O casamento foi dado por Deus como uma das bênçãos mais sublimes deste mundo, e nós acreditamos que esses casamentos são eternos no plano de Senhor.

família em frente ao templo
Fonte: https://www.churchofjesuschrist.org/

Validade das bençãos para os que já se foram

Mórmons gastam muito tempo e recursos procurando os registros daqueles que já faleceram e fazem procurações por eles no templo (incluindo selamentos de famílias para a eternidade), esperando sinceramente que eles aceitem do outro lado do véu. Desta forma, todas as famílias dignas podem estar juntas depois desta vida, mesmo sem nunca terem acesso a um templo em suas vidas.

E quanto àqueles que são dignos e que nunca receberam a bênção do casamento neste mundo, apesar de seus desejos justos? Deus é amor, e nós acreditamos que o Senhor não reterá qualquer bênção eterna de um de Seus filhos fiéis.

Acreditamos que a família, que é o centro de nossas vidas, não termina com a morte, que os maridos não se separam de sua esposa ou as crianças dos pais, mas que todos podem ser exaltados e selados como uma grande família com Deus no leme.

E as relações que são queridas para nós, que dão a nossas vidas significado e alegria, podem ser eternas e continuar nos reinos celestiais.

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