A história de Júlia Colere da Cruz começou cedo, segundo a mãe, Giovana: desde pequena, ela já demonstrava que tinha algo diferente. Aos 6 anos, o que parecia apenas uma atividade divertida virou uma paixão séria e cheia de propósito. Com o tempo, vieram treinos intensos, competições nacionais, uma convocação histórica e também desafios que só quem vive o esporte de alto rendimento consegue entender.
Mas, junto com a disciplina e a rotina exigente da ginástica, Júlia também carregou uma força que não vinha apenas de técnica: a fé em Jesus Cristo. Hoje, aos 15 anos, ela tem uma trajetória que inspira não apenas pelos resultados, mas pelo testemunho de que Deus cuida, guia e prepara caminhos, mesmo quando parece impossível.

Um “sim” que começou no balé e virou ginástica de alto rendimento
Antes de entrar na ginástica rítmica, Júlia fazia balé e jazz na escola da avó. Foi ali que uma professora percebeu algo especial e sugeriu que a família procurasse uma escola de ginástica, porque ela poderia ter um bom desempenho.
A mãe levou Júlia para o Clube Agir, em Curitiba, no bairro Tarumã, onde ela fez uma aula experimental. O resultado veio rápido: em pouco tempo, ela passou da escolinha para a equipe de competição. O que normalmente levaria um ou dois anos aconteceu em apenas um mês.
A mãe lembra que, desde o início, Júlia já tinha uma determinação muito clara. Em uma reunião com os pais, quando explicaram que a equipe de rendimento treinava no período da tarde, Júlia saiu afirmando que queria estar naquele grupo. Mesmo sabendo que era a equipe de performance e resultados, ela insistiu que era esse o lugar onde queria estar.

“Antes de entrar na quadra, eu oro”
Quando o assunto é o Evangelho, Júlia fala com simplicidade e convicção. Ela conta que se conecta com Deus através da oração e que esse hábito sempre esteve presente na sua rotina esportiva.
Antes de entrar na quadra, antes de treinar e antes de competir, ela faz uma oração pedindo que Deus cuide do seu corpo, abençoe cada parte dele e a proteja de lesões. Ela também pede ajuda para conseguir fazer tudo o que treinou e para sentir que o Senhor está com ela naquele momento.
Esse tipo de fé não aparece apenas em grandes acontecimentos, mas nos detalhes do dia a dia. Para Júlia, a oração virou uma forma de enfrentar o esporte com mais paz e confiança.

Uma convocação que exigiu fé e coragem de ficar longe da família
Com o tempo, Júlia começou a se destacar cada vez mais nas competições. Ela competia no individual e foi chamada para estágios de treinamento organizados pela Confederação Brasileira, que reúne atletas com bom desempenho no país.
Foi durante o estágio de 2023 que aconteceu uma mudança enorme na sua trajetória. Ali, houve uma seletiva para o conjunto juvenil, e Júlia foi chamada para compor a equipe da Seleção Brasileira. Como parte dessa preparação, ela se mudou para Aracaju, em Sergipe, e ficou por lá em 2024 e 2025, passando por duas temporadas completas de treino e competições, em preparação para o Mundial Júnior.
Essa convocação foi motivo de alegria, mas também de insegurança, porque Júlia tinha apenas 12 para 13 anos. A mãe conta que, quando a notícia chegou, a primeira preocupação da filha não foi sobre treino, desempenho ou medalhas. Júlia perguntou como faria para continuar vivendo o Evangelho e frequentando a Igreja mesmo tão longe de casa.

Uma resposta do Senhor chamada Angélica
Mesmo confiando que tudo acontecia no tempo certo, a família sentia o peso da distância e queria ter certeza de que Júlia teria apoio em Aracaju. E foi justamente nesse momento que aconteceu algo que a mãe descreve como uma resposta muito clara do Senhor.
No dia da despedida, a família descobriu que uma missionária recém-chegada na ala da cunhada que morava perto, tinha ligação com a região onde Júlia iria morar. Foi assim que receberam o contato de uma irmã chamada Angélica, que poderia ajudar no que fosse preciso.
A presença dela foi muito além de um apoio pontual. Angélica passou a buscar Júlia, levá-la à igreja, comemorar aniversários, fazer bolo, passear e cuidar dela com carinho, como alguém da própria família. Para a mãe, isso foi uma forma de Deus mostrar que Júlia não estava sozinha e que, mesmo longe, o Senhor continuaria providenciando anjos para nos ajudarem no caminho.
Mais tarde, a família ainda descobriu uma conexão inesperada: Angélica era tia de uma amiga da mãe, o que deixou tudo ainda mais especial e significativo.
Mundial Júnior 2025: um momento histórico para o Brasil
A preparação foi longa e intensa, com treinos constantes e uma rotina exigente. O Mundial Júnior de 2025 representava o maior desafio daquele ciclo, e a equipe brasileira chegou com confiança, especialmente após conquistas importantes, como o bicampeonato pan-americano.
O resultado foi histórico. A equipe conquistou duas medalhas de prata, as primeiras medalhas do Brasil em mundiais dentro da ginástica rítmica. Com cerca de 14 anos, quase completando 15, as atletas fizeram história para o país e viveram um momento que marcou não apenas a carreira, mas também a vida pessoal de cada uma.
A mãe também compartilha que um detalhe a emocionou profundamente: antes dos treinos, a treinadora reunia as meninas e fazia uma oração. Ela entregava tudo ao Senhor e lembrava que a performance e o resultado não eram o foco maior, porque elas estavam ali para dar o melhor e confiar que o que viesse, viria no tempo de Deus.

Milagres no caminho: provisão, collants e portas abertas
A família da Júlia fala com sinceridade sobre o lado que poucas pessoas veem no esporte: o esforço diário para manter uma atleta em alto rendimento. A ginástica exige investimento constante, desde aparelhos até collants e deslocamentos, além de cuidados com alimentação, fisioterapia e outros acompanhamentos.
A mãe conta que houve períodos em que foi preciso fazer rifa, buscar alternativas e até vender brigadeiro para conseguir manter o básico. E, nesse processo, a família não caminhou sozinha. O vovô Colere e a avó Antônia foram parte essencial dessa história, ajudando nas rifas, incentivando, participando do que fosse necessário e sustentando a família com apoio constante. Além deles, tios e familiares também se envolveram, contribuindo na compra de aparelhos, ajudando com collants e apoiando financeiramente e emocionalmente durante todo esse período de dedicação ao esporte.
Mesmo assim, a mãe descreve que, ao longo dos anos, aconteceram várias situações que pareciam pequenos milagres.
Durante a pandemia, por exemplo, a família comprou aparelhos com muito esforço, e depois recebeu uma mensagem da loja dizendo que fariam o estorno total por um atraso no envio, mas que os aparelhos já estavam a caminho e seriam um presente para a Júlia. Para a mãe, aquilo foi uma confirmação de que o Senhor estava atento aos detalhes.
Outro momento marcante foi quando a família precisou de um collant com urgência para uma competição e entrou em contato com uma costureira conhecida, pedindo ajuda. Quando chegou o dia, ela entregou o collant no aeroporto e disse que não cobraria nada, porque a história da Júlia tinha renovado nela o desejo de continuar com seu próprio sonho de fazer collants. A mãe lembra que naquele dia se ajoelhou no chão e só conseguiu agradecer ao Senhor.
Em outra ocasião, a família precisava pagar a entrada de um collant e não tinha o valor naquele momento. Durante uma conversa, uma pessoa decidiu ajudar e enviou exatamente o que era necessário. Para eles, cada detalhe desse tipo, somado ao cuidado do Senhor e ao suporte fiel da família, como os avós e os tios, se tornou uma prova de que Deus não abandona quem segue em frente com fé.

Um testemunho que abençoou outras pessoas
Mesmo vivendo uma rotina intensa de treino, Júlia também se tornou uma presença de apoio para outras atletas. A mãe conta que, em um momento difícil, uma colega de equipe enfrentou um problema sério de saúde e ficou muito abalada emocionalmente.
Júlia, com sua fé simples e firme, foi até ela para orar e oferecer consolo. Mesmo não podendo controlar o resultado daquela situação, ela ajudou a acalmar o coração da colega e se tornou um exemplo do que significa carregar o Evangelho para além das palavras.
Lesões, exames e mais uma prova no caminho
O retorno para casa também trouxe desafios. Júlia passou por uma lesão no fêmur e precisou de um período de recuperação. Em meio a exames e ressonâncias, a família recebeu uma notícia assustadora: foi identificado um tumor no outro fêmur.
O susto foi grande, mas o diagnóstico trouxe alívio. Era um tumor benigno, não agressivo, e que não afetava o treinamento. Mesmo assim, foi um momento marcante para a família, que precisou lidar com o emocional e confiar que tudo continuaria sendo cuidado pelo Senhor.
A mãe compartilha que, mesmo em fases assim, eles continuam acreditando que Deus mostra o caminho. Se for para ser, Ele abre as portas. Se não for, Ele também dá a direção certa.

Um novo começo: volta ao individual e olhos no futuro
Depois de retornar para Curitiba, Júlia voltou para o clube onde iniciou sua história na ginástica. Ela passou por uma fase no conjunto adulto, mas agora está se preparando para um novo desafio: voltar a competir no individual.
Ela reconhece que não é simples, porque faz muitos anos que não treina e não compete dessa forma. Além disso, agora ela entra na categoria adulta, competindo com atletas mais velhas e com mais tempo de experiência. Ainda assim, ela segue com esperança e vontade de recomeçar, acreditando que o esforço feito até aqui prepara o próximo passo.
Júlia também compartilha seus sonhos para o futuro. Seu objetivo é voltar para a Seleção adulta e, quem sabe, chegar até uma Olimpíada. Mesmo sem colocar isso como uma pressão por resultado, ela vê essa meta como um sonho que vale a pena perseguir, com gratidão por tudo o que já viveu até aqui.
Quando Deus está presente, a gente nunca está sozinho
A história da Júlia não é apenas sobre ginástica rítmica. É sobre uma jovem que aprendeu cedo o valor da disciplina, da perseverança e da coragem. É sobre uma família que viu o Senhor cuidar de cada detalhe, conectando pessoas, abrindo portas e fortalecendo a fé em momentos decisivos.
Entre treinos, saudade, competições e desafios, uma mensagem fica clara: Deus acompanha o caminho de quem tenta fazer o certo, mesmo quando a jornada exige mais do que força física.
E, quando Ele está presente, a gente nunca está sozinho!
Veja também
- Como os Esportes Fizeram 4 Apóstolos Conhecerem Suas Esposas
- Jogador da NFL desafiou a oposição para servir missão
- Atletas Santos dos Últimos Dias nas Olimpíadas compartilham seu testemunho em devocional



