Depois de 79 anos de amizade, Virginia Hawkins Bryant e Kathleen Moessing estão prestes a iniciar um novo capítulo juntas, desta vez, servindo como companheiras na Missão Micronésia Guam. Ambas têm 81 anos e carregam uma história marcada por constância, perdas, cuidado mútuo e um desejo sincero de servir ao Senhor.

A amizade começou em 1946, quando Virginia, então com dois anos, mudou-se com a família para Tooele, Utah. Apenas uma casa separava sua nova residência da de Kathleen, também com dois anos. Foi ali, naquela vizinhança simples e próxima, que nasceu um vínculo que atravessaria décadas.

Hoje, quase oito décadas depois, essas duas amigas de infância seguem lado a lado, agora com um propósito missionário compartilhado.

Kathleen e Virginia (duas mulheres) sorrindo para a camera, 79 anos de amizade.
Imagem: enviada por Virginia Hawkins Bryant.

Chamadas a servir juntas

Cada uma leva consigo experiências únicas. Virginia, da Estaca Legacy North Salt Lake Utah, espera contribuir com habilidades do lar, como cozinhar e costurar. Kathleen, da Estaca Oakland Califórnia, traz consigo os anos de experiência como enfermeira.

A decisão de servir começou quando Kathleen recebeu uma mensagem da filha, que atua como líder de missão ao lado do marido na Micronésia Guam. Enfermeira como a mãe, ela explicou que suas responsabilidades administrativas deixavam pouco tempo para o trabalho direto na área da saúde.

Foi então que Kathleen se ofereceu para ajudar, mas precisava de uma companheira.

“Por acaso, liguei para a Ginny e disse: ‘Você quer ser minha companheira?’, relembra Kathleen.

As duas haviam passado recentemente pela perda de seus maridos. Então, quando recebeu a ligação, Virginia sentiu que ainda tinha algo a oferecer.

Sem problemas de saúde, decidiram aceitar o chamado e comprometeram-se a servir como companheiras por seis meses. Iniciaram o treinamento missionário em 5 de janeiro, no Centro de Treinamento Missionário de Provo, Utah. Virginia expressou um grande desejo de servir ao dizer: 

“Nossas vidas foram preservadas por um motivo.”

Virginia e Kathleen quando crianças.
Imagem: enviada por Virginia Hawkins Bryant.

Vidas paralelas, laços profundos

Na infância, Tooele era uma cidade pequena. As crianças da vizinhança brincavam juntas na rua, e Virginia e Kathleen estavam sempre entre elas.

Tinham personalidades diferentes. Kathleen, de cachos ruivos, era mais tímida; Virginia, de cabelo escuro e liso, mais extrovertida. Ainda assim, eram inseparáveis.

Pouco depois da chegada da família Hawkins Bryant, o pai de Kathleen faleceu devido a um problema cardíaco. A família de Virginia, então, passou a acolhê-la de maneira natural.

“Nós a acolhemos muito em nossa família. Ela fazia muitas coisas conosco: jantava conosco, passávamos muito tempo juntas.”, contou Virginia.

Peças teatrais improvisadas na varanda, carros alegóricos para desfiles e brincadeiras sem fim marcaram uma infância que ambas descrevem como perfeita.

Aos 14 anos, a vida mudou. O pai de Virginia adoeceu gravemente, e a família precisou se mudar para Salt Lake City. As amigas nunca mais moraram perto uma da outra, mas isso não interrompeu a amizade.

Mesmo frequentando escolas diferentes, faziam questão de se visitar sempre que possível. Cartas, cartões de Natal e aniversários mantiveram o vínculo vivo ao longo dos anos.

Na fase adulta, seus caminhos seguiram rumos distintos: Kathleen formou-se em enfermagem pela Universidade Brigham Young e mudou-se para São Francisco com o marido. Virginia casou-se, permaneceu em Salt Lake City e dedicou-se à família. Ainda assim, continuaram presentes nos momentos mais importantes da vida uma da outra.

“Ela foi minha dama de honra, e eu fui a sua”, contou Virginia.

Com perdas semelhantes, pais e maridos , descrevem suas histórias como vidas paralelas, sustentadas por apoio constante entre famílias que, com o tempo, se tornaram uma só.

“Nossas famílias simplesmente se uniram”, disse Kathleen. “O apoio da família dela desde a minha infância significa tudo para mim.”

Um propósito compartilhado

Uma amizade de 79 anos não se mantém sem intenção. Virginia reconhece que é preciso esforço, mas afirma que a recompensa vale a pena.

Agora, ao servir como companheiras em Guam, elas celebram não apenas o passado, mas também o presente, e o chamado que as une.

“Acho que vai ser fácil conviver com ela porque sei tudo sobre ela. Ela é como uma irmã para mim.” disse Virginia.

E assim, depois de quase oito décadas de amizade, essas duas mulheres seguem juntas, provando que nunca é tarde para dizer sim ao chamado de servir no reino de Deus.

Fonte: Church News

Veja também