Quando Isaías profetizou que “um menino nos nasceu, um filho se nos deu” e declarou que esse menino seria chamado de “Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”, ele se unia a uma longa lista de profetas que prestaram testemunho de Jesus Cristo nos registros do Velho Testamento.
Muitos leitores hoje, quase instintivamente, dividem a Bíblia em duas histórias — uma sobre o Israel antigo e outra sobre Jesus de Nazaré. A revelação moderna, porém, desfaz silenciosamente essa divisão. Ela nos assegura que existe, na verdade, uma história unificada. No Velho Testamento, vemos o caminho até Cristo; no Novo Testamento, vemos Cristo nesse caminho.
Jesus Cristo “foi o Grande Jeová do Velho Testamento e o Messias do Novo”. Essa declaração, retirada de “O Cristo Vivo: O Testemunho dos Apóstolos”, faz mais do que informar — ela redefine a forma como lemos as escrituras. Nos convida a enxergar o Velho Testamento não como uma simples introdução histórica, mas como o primeiro testamento de Jesus Cristo: um testemunho vivo e diversificado de Sua natureza divina, de Seus convênios e de Sua missão expiatória.
Como Santos Dos Últimos Dias, somos abençoados com livros adicionais de escritura e com profetas vivos que nos ajudam a reconhecer a presença do Salvador nesses escritos antigos. O Livro de Mórmon, Doutrina e Convênios e os ensinamentos proféticos modernos deixam claro que Jesus Cristo — nosso Salvador e Redentor — é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó.
Foi Ele quem libertou Israel do cativeiro, guiou o povo pelo deserto, falou por meio de videntes e profetas e estabeleceu convênios com Seu povo. Ele não é apenas o Deus que abre mares e derruba muralhas; é também o Deus que se lembra dos passarinhos e sussurra aos corações solitários.
Jesus Cristo é tanto o fundamento quanto o cumprimento do Velho Testamento. Como Jeová, revelou-Se aos patriarcas e profetas; como Jesus de Nazaré, cumpriu as promessas descritas nas escrituras. Pensávamos que estávamos lendo sobre pessoas que O aguardavam; descobrimos que Ele esteve ali, o tempo todo, esperando por nós.

Jesus Cristo é o grande “EU SOU”
O presidente M. Russell Ballard testemunhou que o Velho Testamento é “o primeiro testamento de Cristo, (…) que predisse e profetizou a vinda do Salvador, Sua vida transcendente e Sua Expiação libertadora”.
Em uma ladeira montanhosa perto de Horebe (também chamado Sinai), o Grande Jeová revelou-Se a Moisés em uma chama que ardia sem se consumir. Ao aproximar-se da sarça, o Senhor revelou Seu nome: “EU SOU O QUE SOU” (Êxodo 3:14) e “o Senhor Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó” (Êxodo 3:15). Em hebraico, esse “Senhor Deus” é יהוה (YHWH), traduzido como Jeová — o mesmo Ser que, mais tarde, viria habitar entre nós como Jesus Cristo.
O presidente Dallin H. Oaks ensinou:
“O evangelho de Jesus Cristo é um plano que nos mostra como podemos nos tornar o que nosso Pai Celestial deseja que nos tornemos”.
Esse plano aparece pela primeira vez nas páginas do Velho Testamento, onde o Senhor Deus — Jeová — chama, liberta, corrige e consola Seu povo. Na plenitude dos tempos, Ele Se humilha para vir como Jesus Cristo, o Servo sofredor e Senhor ressuscitado do Novo Testamento.
Depois, manifesta-Se como o Cristo ressuscitado aos povos das Américas antigas, conforme registrado em O Livro de Mórmon: Outro Testamento de Jesus Cristo. E, em nossos dias, continua a revelar Sua vontade por meio de profetas e apóstolos vivos.

Jesus Cristo é o cumprimento do Velho Testamento
À primeira vista, o Velho Testamento pode parecer uma junção densa de narrativas, leis, genealogias, poemas, visões e lamentos. São muitos livros, autores e estilos que se entrelaçam como uma dança — mas, para alguns leitores, isso se assemelha mais ao trânsito intenso em horário de pico: paradas constantes, entradas repentinas, saídas inesperadas e a sensação incômoda de que talvez tenhamos perdido uma curva lá atrás.
Podemos até nos perguntar se todas essas estradas realmente levam ao mesmo lugar — e se queremos ir até lá. O problema não é que o caminho não tenha destino, mas que o destino é maior do que o nosso mapa.
No próprio dia de Sua ressurreição, o Cristo ressuscitado nos deu a resposta.
Dois discípulos caminhavam pela estrada de Emaús, tristes e confusos, quando o próprio Jesus se aproximou deles, “mas os olhos deles estavam impedidos de o reconhecer”.
Eles repassaram os acontecimentos da crucificação e os relatos estranhos de anjos e de um túmulo vazio. Então Ele lhes perguntou:
“Porventura não convinha que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória?” E, “começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes em todas as escrituras o que dele estava escrito.”
Nessa caminhada silenciosa, o Senhor da glória interpretou o Velho Testamento como um livro sobre Si mesmo. As leis, as profecias, os sacrifícios, as histórias — as quais encontraram Nele significado e pleno cumprimento. O coração deles ardia antes mesmo que o entendimento se abrisse; e, quando finalmente viram Seu rosto, já haviam reconhecido Suas palmas em cada página.
Se permitirmos, as leis, histórias e ordenanças do Velho Testamento farão o mesmo por nós.
Então, ao navegarmos por essas páginas antigas, vejamos os estatutos, narrativas e acontecimentos como meios divinamente concedidos para nos achegarmos a Cristo. Quando fazemos isso, descobrimos que a estrada que parecia difícil de seguir é, na verdade, um “caminho santo” que conduz à vida e à abundância (Isaías 35:8).
Não é surpresa alguma, pois o Grande Jeová do Velho Testamento é o mesmo “caminho, a verdade e a vida” (João 14:6) revelado no Novo. Quanto mais vemos Cristo na história do Velho Testamento, mais vemos Cristo na nossa; e quanto mais O reconhecemos em nossa própria história, mais claramente lemos a deles.

Ler e receber
O profeta Joseph Smith escreveu certa vez sobre a Bíblia:
“Aquele que pode reconhecer o poder da Onipotência gravado nos céus, também pode ver a própria mão de Deus nos escritos do livro sagrado: E aquele que o lê com maior frequência gostará mais dele, e aquele que o conhece reconhecerá a mão onde quer que a veja; e quando a descobrir, não apenas a reconhecerá, mas também obedecerá a todos os seus preceitos celestes”.
Aqueles que leem as escrituras — e que as leem “com mais frequência” — realmente passam a amá-las mais. As escrituras nos emprestam outros olhos para observar o Senhor em ação entre Seus filhos. Ao vermos as diversas maneiras pelas quais Ele fala e guia, tornamo-nos mais capazes de reconhecer Sua mão em nossa própria vida. Néfi ensinou que o Senhor “fala aos homens de acordo com sua língua, para que compreendam” (2 Néfi 31:3; ver também Doutrina e Convênios 1:24).
O Velho Testamento é um campo fértil para observar esse padrão divino. Em suas páginas, os servos de Deus recebem sonhos, mandamentos, repreensões, livramentos e consolações. Em sua diversidade, eles se parecem conosco. À medida que lemos e levamos honestamente nossas perguntas aos escritos sagrados, essas perguntas podem se tornar portas pelas quais nova luz e revelação pessoal entram.
Aqui estão alguns exemplos de como podemos ler com Cristo em mente.
- Ao ler os relatos da criação em Gênesis, Moisés e Abraão, de que maneira o desenrolar da criação se assemelha à sua própria jornada espiritual rumo ao descanso no Senhor?
- Ao ler a história de José no Egito, como a vida dele testifica de Jesus Cristo? José oferece pão a um mundo faminto; como isso antecipa o dom do Salvador como o pão da vida? O que egípcios e israelitas precisaram fazer para receber esse pão? O que eu preciso fazer?
- Paulo ensinou que “a lei foi o nosso aio para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gálatas 3:24). Ao ler as leis em Êxodo e Levítico, pergunte: Como este estatuto, ordenança ou sacrifício aponta para algum aspecto do caráter de Jesus Cristo, de Sua Expiação ou de Seu convênio comigo?
Essas perguntas têm a intenção de voltar deliberadamente nosso coração para o Salvador que é revelado nesses escritos.

Um cuidado simples e um convite claro
Ao estudar o Velho Testamento, muitas vezes encontramos o que poderia ser chamado de “mas e se”: o hábito de permitir que cada passagem se dissolva em debates sobre tradução, reconstrução histórica ou aparentes contradições.
Alguém lê um versículo e logo responde: “Sim, mas…”. Há espaço para estudo cuidadoso, e a pesquisa fiel pode enriquecer nossa compreensão histórica e linguística. Contudo, se não tivermos cuidado, essas questões secundárias podem tirar o nosso foco do que realmente importa naqueles versículos.
Em nossos dias, temos acesso a uma enxurrada de recursos — podcasts, artigos, comentários, palestras e discussões online. Com tantas vozes, podemos nos cansar antes mesmo de ler o livro em si. O passo mais importante é também o mais simples: ler a própria escritura. Permita que suas narrativas e personagens entrem em sua mente e em seu coração. Depois, deixe o Espírito agir. Não lemos as escrituras para dominar um livro, mas para sermos dominados por Aquele que o livro revela.
Jesus Cristo é o Grande Jeová do Velho Testamento. Ele é o caminho, a verdade e a vida. Ele é o começo, o fundamento e o cumprimento final do Velho Testamento. Aqueles que o leem — e o leem “com mais frequência” — não apenas passarão a amar mais esse livro; descobrirão novas maneiras de amar o Senhor e de amar o próximo.
Fonte: Meridian Magazine
Veja também
- O que sabemos sobre as tribos perdidas de Israel?
- Perguntas e respostas: como era o tabernáculo de Moisés?
- 3 mulheres notáveis para não ignorar no Velho Testamento



