Pergunta

Tenho essa dúvida há algum tempo. Minha pergunta é a seguinte: Por que Satanás tentou Adão e Eva a comer do fruto, se desde o princípio fazia parte do plano de Deus que usássemos nosso arbítrio e nos tornássemos imperfeitos para, então, podermos retornar a Ele?

Quando Satanás os tentou, ele não acabou fazendo exatamente aquilo que Deus queria que acontecesse desde o começo? Sempre presumi que Satanás desejasse frustrar o plano de Deus em todas as coisas.

Adão e Eva depois de serem tentados.
Imagem: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Resposta

Ao discutirmos os acontecimentos do Jardim do Éden, uma pergunta persistente e profundamente interessante surge entre muitos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: Satanás, ao tentar Adão e Eva, percebeu que estava cumprindo uma parte essencial do plano do Pai Celestial?

A transgressão de Adão e Eva, comumente chamada de a Queda, não foi apenas um ato de desobediência, mas um passo necessário dentro do plano de Deus para Seus filhos. Ainda assim, no centro dessa narrativa está o papel de Lúcifer, que, por meio de engano e astúcia, levou Adão e Eva a comer do fruto proibido.

Surge então a pergunta: Satanás estaria apenas cumprindo um “mal necessário”? Ou sua rebelião foi, de fato, um ato consciente de oposição a Deus?

Compreender as intenções de Satanás e o que ele realmente sabia naquele momento nos ajuda a entender melhor não apenas eventos antigos das escrituras, mas também a própria natureza do arbítrio, da tentação e da eterna oposição entre o bem e o mal.

Deus odeia Satanás?

Satanás e a oposição ao plano de Deus

Embora fosse necessário, dentro do grande plano de Deus, que Adão e Eva enfrentassem mandamentos aparentemente conflitantes para exercerem seu arbítrio, Lúcifer não cooperou com esse plano.

Ele não conhecia a mente de Deus.

Como lemos no livro de Moisés:

“[…], pois ele não conhecia a mente de Deus; por conseguinte, procurou destruir o mundo.” 

Esse versículo confirma uma verdade doutrinária essencial: embora as ações de Satanás fossem previstas e acabassem sendo usadas para cumprir o plano divino, suas intenções eram de destruição, não de colaboração.

Conhecer o plano não é o mesmo que compreendê-lo

Às vezes, é tentador enxergar Satanás como uma espécie de anti-herói trágico, alguém que faz o “trabalho sujo” para que o arbítrio e o progresso existam. As escrituras, no entanto, ensinam que ele procurou destruir o arbítrio do homem e que sua obra é enganar e afastar os filhos de Deus (ver Moisés 4:3, Isaías 14:12-15 e Apocalipse 12:9).

Satanás não estava “seguindo o roteiro” do Pai Celestial. Não há motivo para gratidão ao tentador. Nossa gratidão deve ser dirigida ao Pai Celestial, que preparou um plano com um Redentor para nos salvar quando cedemos à tentação.

Satanás esteve presente no Conselho nos Céus e conhecia as linhas gerais do Plano de Salvação. Ainda assim, ele não compreendeu o propósito do arbítrio, da redenção e da Expiação (ver Abraão 3: 27-28 e Moisés 4: 1-4). 

Com isso, podemos ver que ele era inteligente, mas lhe faltava sabedoria. Conhecia o plano, mas não o entendia.

Seu orgulho, egoísmo e desejo por glória pessoal obscureceram sua visão. Sua proposta no mundo pré-mortal buscava eliminar o arbítrio, que ele considerava arriscado, e exigir honra para si mesmo. Quando o plano do Pai foi aceito, sua inveja se transformou em oposição aberta e contínua.

Jesus Cristo
Arte: Malory Fiso

Arbítrio, oposição e redenção

No centro dessa doutrina está uma verdade profunda: o arbítrio exige oposição. O plano aceito na pré-existência envolvia risco, nem todos escolheriam retornar, e por isso, um Salvador foi providenciado.

Adão e Eva receberam mandamentos que pareciam entrar em conflito: não comer do fruto, mas multiplicar-se e encher a Terra. Esse cenário não foi um erro, mas uma oportunidade real de escolha.

O Senhor sabia qual decisão eles tomariam, mas ainda assim permitiu que exercessem seu arbítrio e preparou um Salvador para todos nós. Esse é o coração do plano de salvação. Como ensina 2 Néfi 2:27:

“Portanto, os homens são livres segundo a carne; […]. E são livres para escolher a liberdade e a vida eterna por meio do grande Mediador de todos os homens, ou para escolherem o cativeiro e a morte, de acordo com o cativeiro e o poder do diabo; pois ele procura tornar todos os homens tão miseráveis como ele próprio.”

A partir disso, percebemos que a oposição é permitida, até necessária, mas nunca celebrada. Deus, em Sua infinita sabedoria, transforma os intentos malignos de Satanás em oportunidades de crescimento. Satanás não merece agradecimento; Deus, sim.

Um plano maior que a rebelião

Embora as escrituras sugiram que nosso mundo seja um dos mais iníquos entre as criações de Deus (ver Moisés 7:36), isso não significa que Deus seja o autor do mal. Pelo contrário: quanto maior for a oposição, mais profundo pode ser o crescimento e a redenção.

Ao resistirmos ao adversário e nos aproximarmos de Deus por meio do serviço e da retidão, desenvolvemos força espiritual e nos tornamos mais semelhantes ao Salvador.

Satanás jamais compreenderá plenamente o plano de Deus, nem experimentará a alegria que vem da obediência e do amor altruísta. Ao entendermos suas limitações e motivações destrutivas, somos conduzidos novamente à gratidão por um Deus cujo plano oferece redenção a todos os que O buscam.

Fonte: Ask Gramps

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