As palavras “judeu” e “gentio” têm origem na história antiga de Israel. Biblicamente, “judeu” se refere aos descendentes do reino de Judá, enquanto “gentio” se refere a qualquer pessoa que não pertença à casa de Israel. No entanto, aprofundando o estudo das escrituras e com as revelações modernas, essas distinções vão muito além da genealogia.

Um homem lendo sobre como ser um israelita puro.

O significado de “judeu” e “gentio” nas escrituras

Conforme o Guia de Estudo das Escrituras, “judeus” são definidos de forma ampla, sendo considerado os descendentes de Judá, filho de Jacó; ou o povo do antigo reino do sul, o qual era chamado Judá; ou aqueles que praticam a religião ou tradições do judaísmo (ver 2 Néfi 30:4; 2 Néfi 29:4,12-14 e Romanos 1:16). 

Assim, alguém de outra tribo, mas que vivia em Jerusalém por volta de 600 a.C., poderia ser chamado de judeu para fins práticos. Por outro lado, “gentio”, em sentido religioso, refere-se a qualquer nação ou povo que não pertença à antiga casa de Israel ou que não possui o evangelho. 

No uso comum entre os santos dos últimos dias, essa definição muda após o batismo. Ao ingressar na Igreja, a pessoa passa a pertencer a Israel, seja por descendência literal ou por adoção, conforme revelado em sua bênção patriarcal. Essa adoção não é apenas simbólica. Ela concede todos os direitos, bênçãos e privilégios, como se fossem descendentes naturais (ver Romanos 8:15–17).

O Novo Testamento ensina repetidamente que os verdadeiros descendentes de Abraão são aqueles que fazem suas obras, independentemente da linhagem sanguínea (ver Romanos 9:6-8 e Gálatas 3:7-9).

Aqueles que ainda não entraram no convênio — que não se uniram à família de Abraão por meio do batismo, do recebimento do Espírito Santo e da participação fiel nas ordenanças do evangelho — continuam sendo considerados “gentios” nesse contexto. 

Israel nunca foi uma linhagem de sangue puro

Muitas pessoas imaginam a Israel antiga como uma linhagem de sangue pura e intacta. No entanto, tanto as escrituras quanto a história mostram outra realidade. Os israelitas se casaram amplamente com povos vizinhos — cananeus, moabitas e até filisteus (ver Juízes 3:5-7 e Gênesis 26). Ao longo dos séculos, aqueles que se uniam a Israel eram incorporados ao povo, independentemente de sua origem.

O historiador John Bright observou:

“Não devemos supor que a entidade que chamamos de Israel tenha sido formada e mantida unida, diante das adversidades, exclusivamente, ou mesmo principalmente, por laços de parentesco sanguíneo… Há abundantes evidências de que nem todos os israelitas eram, de fato, parentes de sangue uns dos outros.”

Assim, “judeu” e “gentio” são designações tanto espirituais quanto genealógicas.

Membros da Igreja se cumprimentam em Moçambique como verdadeiros israelitas.

Israel: uma família espiritual reunida nos últimos dias

O Livro de Mórmon e a revelação moderna ensinam que Israel, mesmo espalhado entre as nações, será reunido nos últimos dias. O élder Bruce R. McConkie ensinou:

“A coligação de Israel consiste em acreditar, aceitar e viver de acordo com tudo o que o Senhor um dia ofereceu a Seu povo escolhido. (…) Consiste em acreditar no evangelho, filiar-se à Igreja e entrar para o reino. (…) Também pode consistir em reunir-se em um determinado local ou terra de adoração.”

Assim, todo cristão que é batizado e recebe o Espírito Santo torna-se um israelita (não mais um gentio) independentemente de sua ancestralidade.

O verdadeiro significado de ser um israelita puro

O significado de ser um israelita puro não está no sangue, mas no convênio. Essas promessas sagradas criam um vínculo espiritual que aproxima cada pessoa do Pai Celestial, a inclui na família de Israel e proporciona acesso às bênçãos prometidas a Abraão, independentemente de sua descendência. Tornar-se um israelita puro é, portanto, viver em fidelidade, lealdade e amor por Deus, respondendo ao Seu chamado com um coração comprometido.

A pergunta deixa de ser “Você é judeu ou gentio?” e passa a ser: “Você faz parte da família do convênio de Deus, disposto a fazer as obras de Abraão e herdar suas promessas?” Nesse espírito, todos são convidados a reunir-se, pertencer e receber cada bênção prometida aos fiéis descendentes de Abraão.

Fonte: Ask Gramps

Veja também