Como criamos as condições que permitem que as mulheres prosperem? Essa é a pergunta que os movimentos de mulheres, incluindo, mas não se limitando ao movimento feminista, têm tentado responder nos últimos 200 anos.
Nos Estados Unidos, o acesso das mulheres à vida pública, incluindo a participação cívica, a educação e as atividades profissionais, expandiu-se enormemente. As mulheres têm mais autonomia do que nunca. Ainda assim, o foco principal do movimento feminista continua sendo a liberdade máxima, muitas vezes em detrimento de outros valores importantes.
O termo “pró-escolha”, adotado para representar aquilo que parece ser o princípio mais intocável do feminismo contemporâneo dominante, exemplifica a ideia de que a capacidade de escolher é mais importante do que saber se essa escolha é boa. Infelizmente, grande parte do discurso feminista se concentra em defender o direito das mulheres de escolher, mas demonstra um desconforto cada vez maior com a ideia de ajudá-las a fazer boas escolhas.
Isso me parece estar em desacordo com o que um movimento em favor das mulheres deveria fazer e com aquilo que acredito que as primeiras feministas da chamada primeira onda tentavam alcançar: incentivar as condições que tornam possível o desenvolvimento e o bem-estar das mulheres. No cenário atual, a autonomia feminina é celebrada, mesmo em detrimento da comunidade; seu sucesso profissional é exaltado, mesmo em detrimento da família; e sua liberdade sexual é elogiada, mesmo em detrimento da intimidade.
Os reality shows oferecem um exemplo revelador dessa contradição. Participantes se submetem a procedimentos estéticos, expõem seus relacionamentos mais íntimos ao julgamento público, sacrificam a privacidade dos filhos e permitem que suas experiências pessoais dolorosas sejam vendidas como entretenimento comercial.
Veículos de comunicação e fãs celebram essas decisões como feministas e empoderadoras e continuam acompanhando, mesmo quando é evidente para qualquer pessoa que esses programas estão destruindo a vida dos participantes. Enquanto isso, as perturbadoras alegações envolvendo o caso dos sete homens de Cornell reacenderam questionamentos sobre consentimento, vulnerabilidade e os limites da liberdade sexual.
Ambos os casos revelam as limitações de uma cultura que trata a escolha individual como a medida definitiva do empoderamento. Talvez nossa compreensão cultural do arbítrio tenha se tornado tão limitada que confundimos a liberdade de escolher com a sabedoria de escolher bem.

Os limites do consentimento
Em outubro de 2024, uma jovem da Universidade Cornell participou de uma festa na sede da fraternidade Chi Phi, e o que aconteceu depois se tornou objeto de uma angustiante controvérsia jurídica e cultural.
A mulher, identificada publicamente como Jane Doe, alega que, enquanto estava embriagada, consentiu em uma relação sexual com dois homens, mas que eles convidaram outras pessoas a participar sem seu consentimento.
Ela afirma que os homens a pressionaram a tomar cetamina, um anestésico dissociativo, ao que ela consentiu, mas que a deixou “completamente incapacitada”. Posteriormente, descreveu o encontro sexual que se seguiu, que, segundo suas alegações, envolveu sete homens, como “traumático” e um “estupro coletivo”.
Cornell investigou o caso e aplicou expulsões, suspensões e outras sanções aos homens envolvidos. No entanto, o promotor distrital local inicialmente decidiu não apresentar acusações criminais devido aos critérios de consentimento previstos na legislação do estado de Nova York, embora um promotor especial tenha sido nomeado posteriormente.
Antes de me aprofundar nesse caso, quero enfatizar que acredito que houve falhas morais de todos os lados. Ler a história de Jane Doe me deixou com muitas perguntas:
Por que as melhores universidades do nosso país continuam reconhecendo fraternidades nas quais festas desse tipo, regadas a drogas, são comuns? Por que esses jovens não tiveram pais que lhes ensinassem a respeitar e cuidar das mulheres? Por que não olharam para o rosto de Jane Doe e enxergaram as mulheres que amavam, suas mães, irmãs e amigas de infância? Por que nenhum dos homens que recebeu a mensagem anunciando sexo “grátis” correu para impedir tudo aquilo? Como nossa cultura chegou a um ponto tão problemático que tantos jovens, homens e mulheres, sentem necessidade de rejeitar relacionamentos sexuais amorosos e comprometidos em favor de encontros sexuais casuais, desordenados e regados a álcool em festas? Por que mais mães, avós, mentores e amigos não estão orientando mulheres (e homens) a evitar essas festas, substâncias e comportamentos sexuais de risco?
Estabelecer o consentimento nesse caso tem sido complicado. Jane Doe admite que chegou à festa depois de ter bebido vodca na sede de sua irmandade universitária e outras bebidas em bares próximos. Ela afirma que consentiu em uma relação sexual com os dois primeiros homens, mas não com os demais que participaram posteriormente.
De acordo com mensagens descritas nos registros da investigação, nos dias seguintes à festa, um dos homens pediu desculpas a ela pelo ocorrido. Em resposta, ela afirmou que “nada daquilo era ilegal”, “sinceramente, gostei muito de estar com você [e outro acusado]”, “todo mundo precisa amadurecer porque… a sexualidade está mudando” e “tenho a mente muito aberta”.
Segundo relatos da investigação, ela também procurou o centro de saúde da universidade naquela semana para tratar uma infecção urinária, que, conforme relatado, teria dito aos profissionais de saúde ter desenvolvido de uma “maneira traumática”.
Um dos homens acusados alega que Jane Doe iniciou contato sexual com ele sem seu consentimento.

Quando o consentimento não significa uma boa escolha
O consentimento é mais do que uma formalidade; ele é um requisito fundamental para a legalidade do comportamento sexual. Mas, como muitas pessoas têm observado nos últimos anos, o consentimento não determina se um encontro foi ético ou benéfico para as pessoas envolvidas.
Mesmo quando o consentimento é dado livremente, as pessoas nem sempre conseguem prever como uma experiência sexual as afetará. Elas podem subestimar o impacto emocional que essa experiência terá. Talvez não compreendam as expectativas dos outros participantes ou descubram posteriormente que algo que acreditavam desejar era, na verdade, profundamente humilhante, degradante ou violador.
As mulheres não são responsáveis pela má conduta dos homens, incluindo comportamentos sexuais predatórios. Mas o arrependimento, por si só, não é prova de ausência de consentimento. E as mulheres nem sempre conseguem perceber antecipadamente que vão se arrepender de determinada experiência sexual em uma cultura na qual são incentivadas a “assumir o controle de sua sexualidade” e desencorajadas a julgar qualquer interação sexual entre adultos que consentem.
Pense em como ensinamos as crianças sobre perigos físicos. Uma criança pode aprender a ter cuidado com facas ao se cortar ou com o fogão ao se queimar. Mas a maioria de nós preferiria uma abordagem menos dolorosa para ensinar segurança na cozinha.
Há pouca vantagem nessas lições dolorosas quando os pais podem, em vez disso, ajudar os filhos a prever o perigo e evitar completamente o ferimento. E dificilmente alguém consideraria que ensinar uma criança a segurar uma faca corretamente é uma restrição à sua liberdade, mas sim uma preparação necessária para exercê-la.
Ainda assim, quando se trata de questões muito importantes, como a sexualidade, que envolvem tanto nossa segurança física quanto nosso bem-estar emocional, geralmente hesitamos em oferecer orientações explícitas de segurança às jovens, por medo de que isso seja interpretado como uma tentativa de “culpabilizar a vítima”.

Corpos diferentes, personalidades diferentes, consequências diferentes
Essas conversas frequentemente partem do pressuposto de que homens e mulheres são basicamente iguais e fazem escolhas em condições equivalentes. Mas as mulheres não são simplesmente homens menores. Nossos corpos e nossas personalidades apresentam diferenças importantes, e as mulheres não reagem a situações de perigo exatamente da mesma maneira que os homens.
Como argumenta Louise Perry em The Case Against the Sexual Revolution (“O caso contra a revolução sexual”), a revolução sexual tratou as diferenças biológicas entre homens e mulheres como obstáculos inconvenientes, em vez de realidades que deveriam ser consideradas do ponto de vista moral. Mas nossas diferenças importam.
As mulheres arcam de maneira desproporcional com as consequências físicas da reprodução. O risco da gravidez e do parto, assim como as complicações que às vezes acompanham a reprodução, recaem quase exclusivamente sobre elas.
No caso dos relacionamentos sexuais e da violência sexual, as diferenças médias de tamanho e força entre os sexos tornam as mulheres mais vulneráveis a danos físicos. Casos de agressão sexual que recebem grande atenção da mídia frequentemente levam a perguntas como: “Por que ela não reagiu?”
O Dr. Jim Hopper, diretor de curso na área de psiquiatria da Faculdade de Medicina de Harvard, escreveu extensamente sobre os efeitos da agressão sexual no cérebro.
Com base em suas pesquisas sobre a resposta cerebral ao trauma, ele explica que mulheres vítimas de violência sexual frequentemente experimentam imobilidade involuntária durante a agressão devido ao comprometimento do funcionamento do córtex pré-frontal:
Para aqueles que presumem que o córtex pré-frontal esteja funcionando normalmente, incluindo muitas vítimas quando olham para trás e refletem sobre o que aconteceu, as respostas habituais passivas podem ser desconcertantes. Elas parecem exatamente o oposto de como essas pessoas certamente teriam reagido, ou deveriam ter reagido. E, se os circuitos cerebrais do medo perceberem que a fuga é impossível e a resistência é inútil, então não serão as reações de luta ou fuga que assumirão o controle, mas reflexos extremos de sobrevivência (que os cientistas chamam de “respostas de defesa animal”). Eles podem ser ativados automaticamente quando o corpo está nas garras de um predador, e quando, como relata metade das vítimas de estupro, tememos a morte ou ferimentos graves.
Mas as vulnerabilidades das mulheres vão além do tamanho e da força física. As personalidades variam muito entre as mulheres, mas, em média, elas tendem a ser mais propensas à concordância e menos fisicamente agressivas.
Elas valorizam mais a educação e a cortesia e também são menos abertas a novas experiências, o que está relacionado a uma menor sociossexualidade, ou seja, a um menor desejo de participar de experiências sexuais novas ou sem compromisso.

Como a pressão social influencia as escolhas das mulheres
Assim, uma mulher pode concordar com um contato sexual que não deseja, ou pelo menos não rejeitá-lo, por medo de decepcionar o parceiro ou parecer indelicada.
Dizer não a uma investida ou ato sexual indesejado parece ser a resposta óbvia, mas muitas jovens entrevistadas por Perry para seu livro relataram ter aceitado relações sexuais que não desejavam para evitar confrontos, não parecerem indelicadas ou não decepcionarem seus parceiros.
Infelizmente, não é incomum ouvir histórias de mulheres que consentiram em relações sexuais que consideraram desprovidas de carinho, degradantes ou perturbadoras.
As mulheres têm muito mais probabilidade de se arrepender de relações sexuais casuais do que os homens, e suas razões incluem sentir-se pressionadas, experimentar repulsa e ter preocupações gerais com o encontro.
Quando nossa cultura afirma que o sexo bom é aquele em que há consentimento e que o sexo ruim é aquele em que não há consentimento (ou seja, estupro), as mulheres ficam sem palavras para descrever experiências sexuais que claramente carecem de qualidade moral, mas que não foram forçadas.
Isso significa que se torna mais difícil para elas exigir relações sexuais que atendam aos seus desejos e respeitem sua dignidade humana.
Essas diferenças entre homens e mulheres não anulam o arbítrio feminino, mas tornam mais complexas as circunstâncias em que ele é exercido. Os homens também podem experimentar pressão social, dependência emocional e as consequências de decisões equivocadas.
Mas precisamos levar a sério as circunstâncias específicas da vida das mulheres que as colocam em maior risco de vivenciar encontros sexuais lamentáveis e degradantes.

A ilusão do empoderamento
Em 2004, a Fox estreou The Swan, um reality show no qual mulheres passavam por transformações radicais que incluíam extensos procedimentos estéticos e odontológicos, regimes intensos de emagrecimento e mudanças drásticas de estilo, tudo em busca de se tornarem versões mais bonitas de si mesmas.
Essas mulheres se voluntariaram para as transformações. Mas, olhando para trás, é fácil perceber como esse programa era abusivo e explorador. Os interesses da indústria dos reality shows eram, e continuam sendo, explorar as inseguranças das mulheres para obter lucro.
Mais de duas décadas depois, o documentário The Swan: Behind the Mirror revisita essa experiência por meio de entrevistas com ex-participantes e seus entes queridos. Algumas descrevem benefícios reais decorrentes de suas transformações, enquanto outras relatam um custo emocional e psicológico significativo.
Os reality shows contemporâneos funcionam de acordo com incentivos semelhantes.
Em programas como The Bachelor, Love Is Blind e The Secret Lives of Mormon Wives, os participantes expõem seus relacionamentos familiares e amorosos mais íntimos, assim como suas vulnerabilidades pessoais, a milhões de espectadores.
Participar desses programas pode trazer sucesso financeiro, fama e oportunidades profissionais. Mas essa participação também vem acompanhada de sofrimento amoroso, humilhação e conflitos familiares transformados em entretenimento televisivo.
Os participantes têm arbítrio. Eles escolhem participar dessas séries, às vezes com entusiasmo, e alguns se beneficiam profissionalmente dessas decisões. Ainda assim, a indústria dos reality shows pode lucrar com as escolhas das mulheres sem necessariamente atender aos interesses delas.
As mulheres de The Secret Lives of Mormon Wives, por exemplo, tornaram-se figuras de grande visibilidade em um reality show que lhes trouxe fama, oportunidades e uma exposição pública implacável.
Essas mulheres certamente são responsáveis pela própria conduta, mas estão respondendo a incentivos, estimuladas pela indústria do entretenimento e pelos gritos de “Isso aí, garota!” de seus fãs.
E sua participação nesses programas é voluntária, elas podem abandonar o programa a qualquer momento (várias já fizeram isso).
Mas a participação voluntária não é suficiente para determinar se essa participação é saudável, ética ou empoderadora.
Uma estrutura cultural está profundamente comprometida quando qualquer ato voluntário é celebrado como libertação, especialmente quando esse ato viola normas morais ou éticas tradicionais e mesmo quando as pessoas que fazem essas escolhas quase certamente sofrerão.
Certamente podemos fazer melhor do que isso.

Escolher não é o mesmo que exercer o arbítrio
As discussões contemporâneas sobre escolhas frequentemente tratam o arbítrio como a ausência de restrições.
Vemos isso repetidamente nas críticas feitas à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
O dízimo é realmente opcional se você não pode frequentar o templo a menos que o pague? Como a Igreja pode se opor a leis mais permissivas sobre o aborto quando o arbítrio é um ensinamento tão importante do evangelho?
Mas, dentro da doutrina dos santos dos últimos dias, existe uma distinção entre escolher e escolher bem.
O arbítrio é fundamental para nossa compreensão da vida e do plano de salvação. Acreditamos que todos somos filhos de Deus, agentes morais capazes de escolher o bem e responsáveis por nossas escolhas.
Mas esse arbítrio não significa que todas as escolhas sejam igualmente boas ou que respeitar a liberdade de alguém signifique manter neutralidade moral em relação às suas decisões.
Em 2 Néfi 2:27, Leí explica que somos livres para escolher a liberdade e a vida eterna ou o cativeiro e a morte. Essas alternativas obviamente não são equivalentes.
Em seu discurso da conferência geral de outubro de 2025, “Eles são seus próprios juízes”, o élder David A. Bednar sugeriu que a palavra moral, na expressão arbítrio moral, “não é apenas um adjetivo, mas talvez também uma orientação divina sobre como nosso arbítrio deve ser usado”.
Todo o plano de salvação se baseia no aprendizado dos filhos de Deus sobre como usar sua liberdade com sabedoria.
Os mandamentos de Deus não existem para atrapalhar nossa independência. Eles são orientações sobre como usar nosso arbítrio, concedido divinamente, de uma maneira que nos conduza à felicidade, à realização e à comunhão com Ele.
Na verdade, obedecer à lei de Deus tende a nos afastar dos tipos de decisões que diminuem nossa liberdade, incluindo vícios, relacionamentos destrutivos, irresponsabilidade financeira e outras formas de comportamento autodestrutivo.
Evitar essas escolhas amplia nossas oportunidades futuras, em vez de reduzi-las.
O mesmo princípio se aplica aos relacionamentos íntimos.
Às vezes, exercer o arbítrio exige autocontrole. Às vezes, significa recusar algo atraente no presente porque sabemos que ameaça nossas oportunidades futuras.
Às vezes, significa rejeitar filosofias populares, como a chamada “positividade sexual”. Às vezes, significa abrir mão de um possível relacionamento amoroso com alguém que deseja levar um encontro sexual além do que é bom ou saudável.
E, às vezes, exige aceitar orientações morais de pessoas mais sábias, mesmo quando essas orientações limitam nossas oportunidades sociais e amorosas.
Isso não diminui nosso arbítrio moral; pelo contrário, reconhece que o arbítrio moral é uma dádiva que precisamos aprender a usar bem.

A liberdade exige uma base moral
Em um ensaio recente sobre a controvérsia de Cornell, a jurista católica Erika Bachiochi defende uma melhor formação moral dos jovens homens.
Ela recorre à história do Instituto Militar da Virgínia e ao seu tradicional código de cavalheirismo para argumentar que os princípios morais precisam ser cultivados deliberadamente, por meio da educação e do exemplo.
Simplesmente ter um código de conduta ou uma lista de regras ou mandamentos não é suficiente.
Se estamos preocupados com o abuso e a exploração sexual das mulheres, não podemos simplesmente ensiná-los a evitar o que é ilegal.
Devemos formar homens que respeitem genuinamente as mulheres, que valorizem o exercício do autocontrole e que reconheçam sua obrigação de se comportar de uma maneira que seja boa para os outros.
Mas também precisamos discutir a formação moral das mulheres. Se as mulheres são capazes de exercer o arbítrio, não deveríamos também nos empenhar em ajudá-las a desenvolver virtudes e aprender a exercer esse arbítrio com sabedoria?
Quero que minhas próprias filhas sejam confiantes e independentes, mas também quero que tenham coragem e respeito por si mesmas e que ajam com prudência e bom senso.
Quero que saibam reconhecer relacionamentos prejudiciais, resistir à pressão social e compreender que suas decisões têm consequências. Quero isso para todas as jovens.
Isso não é o mesmo que esperar que as mulheres impeçam os homens de tratá-las mal. A responsabilidade pelos maus-tratos recai inteiramente sobre quem os pratica. Os homens podem agir de maneira honrada mesmo quando as mulheres tomaram decisões imprudentes.
Da mesma forma, porém, as vulnerabilidades específicas das mulheres, assim como seu valor como seres humanos e filhas de Deus, devem nos motivar a ajudá-las a tomar decisões sábias e que as protejam.
E não estou falando apenas das comunidades religiosas.
Os limites morais podem variar entre pessoas de diferentes religiões e pessoas sem religião, mas podemos e devemos concordar que ter alguns limites é algo objetivamente bom.

Ensinar a escolher também é uma forma de proteger
Em tantas outras áreas importantes da vida, como a educação e o desenvolvimento profissional, incentivamos os jovens a pensar cuidadosamente e considerar os riscos e as implicações de suas decisões.
Esse conselho não é uma afronta à sua autonomia. Certamente, os relacionamentos amorosos e sexuais merecem o mesmo cuidado.
É verdade que as orientações às vezes são transmitidas de maneira inadequada. Mas a possibilidade de orientar mal não é motivo suficiente para deixar de orientar completamente.
Abandonar a instrução moral não deixa as mulheres livres de influências. Pelo contrário, a orientação virá de outras fontes: colegas, redes sociais, pornografia, entretenimento e indústrias comerciais.
Raramente essas fontes têm os melhores interesses das jovens em mente.
A questão não é se as jovens serão influenciadas, mas por quem, com qual finalidade e em benefício de quem.

Levando o arbítrio das mulheres a sério
Então, as mulheres têm arbítrio? É claro que temos.
E, justamente porque temos, devemos levar muito a sério nossa responsabilidade e capacidade de usá-lo bem, assim como nossa obrigação de orientar as jovens a fazer o mesmo.
As mulheres merecem proteção contra a coerção e a exploração, e devem ser capazes de tomar decisões significativas sobre suas próprias vidas.
Mas também merecem uma cultura disposta a lhes dizer a verdade sobre os riscos associados a determinadas decisões, que compreenda as vulnerabilidades que enfrentam e que as ajude a desenvolver a sabedoria necessária para escolher uma vida plena.
Não precisamos tratar as mulheres como vítimas indefesas nem fingir que todas as escolhas são igualmente libertadoras.
A autonomia e a orientação moral não precisam estar em conflito.
Uma cultura que valoriza o arbítrio das mulheres não deveria se interessar apenas em saber se uma mulher pode fazer determinada escolha, mas também se ela possui o conhecimento e o discernimento necessários para reconhecer quais escolhas têm o potencial de realmente lhe fazer bem.
A liberdade de escolher é uma dádiva, e ajudar as mulheres a aprender a escolher bem é uma das maneiras mais importantes de honrar essa dádiva.
Fonte: Public Square
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