Depois de uma batalha terrível num país afligido pela guerra, os milhares de civis mortos — mulheres e crianças — foram enterrados numa vala comum, cercada de cruzes. Em cada cruz havia a inscrição: “Por quê?” Às vezes, essa é a pergunta mais dolorosa. As pessoas fazem essa pergunta com tristeza quando uma guerra, um desastre natural, uma doença ou um crime tira a vida de seus entes queridos inocentes, destroem sua casa ou de outras maneiras lhes causam sofrimento indescritível. Elas querem saber por que sofrem tais tragédias.

Por que Deus permite o sofrimento?

Por que algo ruim aconteceu comigo, se Deus está comigo? Se Deus é todo-poderoso, amoroso, sábio e justo, por que o mundo está tão cheio de ódio e injustiça? Você já se perguntou isso?

É errado perguntar por que Deus permite o sofrimento?

Alguns temem que fazer essa pergunta signifique falta de fé ou de respeito para com Deus. Ao ler a Bíblia, porém, você verá que pessoas fiéis e tementes a Deus também faziam  perguntas assim. Por exemplo, o profeta Habacuque perguntou: “Por que razão me fazes ver a iniquidade, e contemplas a opressão? Porque a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litígio.” (Habacuque 1:3)

Será que Deus repreendeu o fiel profeta Habacuque por ter feito tais perguntas? Não. Em vez disso, ele incluiu as palavras sinceras de Habacuque no inspirado registro bíblico. Deus também o ajudou a entender melhor os assuntos e a aumentar sua fé. Nosso Pai Celestial deseja fazer o mesmo por você. Lembre-se, a Bíblia ensina que ele ‘cuida de nós’ (1 Pedro 5:7). Muito mais do que qualquer ser humano, Deus odeia a perversidade e o sofrimento (Isaías 55:8,9) Então, você poderia se perguntar – Por que há tanto sofrimento no mundo?

Por que algo de ruim aconteceu comigo?

Para responder a essa pergunta vamos citar um famoso escritor e membro da Igreja, Stephen Covey. Escritor estadunidense, autor do best-seller administrativo “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, Covey instrui como ter eficácia plena na vida, com ênfase nos contextos empresarial e administrativo.

Mesmo com foco profissional, ele não deixa de abordar assuntos como família e organização pessoal. Prezava, em seus ensinamentos, pela integridade de nossas vidas e a autoliderança, que é o processo de liderar a si mesmo para alcançar metas pessoais.

Dentro de seu trabalho está o desenvolvimento do princípio 90/10, que traz uma premissa simples e honesta sobre os fatos que acontecem em nosso dia a dia e a forma como os conduzimos. O princípio 90/10 é bem simples: de 100% das coisas que acontecem em nosso dia, 10% não estão sob nosso controle. Já o que acontece nos outros 90% é de nossa responsabilidade, ou seja, nós é que provocamos.

Conclusão

A grande moral desse princípio é a de que somos os responsáveis por grande parte de tudo o que acontece em nossa vida. Culpar o trânsito lento, o guarda emitiu uma multa a você, o cachorro que latiu a manhã toda e o cosmos que não colabora, definitivamente, não é a resposta.

Com esse princípio em mente, podemos compreender que boa parte das coisas ruins que nos acontecem fomos nós mesmos que provocamos por meio de nossas escolhas. Pense naquele problema de saúde que poderia ter sido evitado com uma alimentação mais saudável e com exercícios físicos. Ou aquele trabalho que poderia ter sido melhor se tivesse se dedicado mais… Em resumo, nós somos construtores de nós mesmos e temos culpa de muitas coisas ruins que nos acontecem!

Temos o livre arbítrio em tudo e podemos decidir, por exemplo, não guardar os mandamentos. Somos livres para isso, não somos, no entanto, livres para escolher as consequências. E se algo ruim vier como resultado dessas escolhas, quem será o culpado? Deus ou nós mesmos?

Palavras dos líderes da Igreja

Em um discurso em Outubro de 2015, o Élder Von G.Keetch ensinou: “Abençoados e felizes são os que guardam os mandamentos de Deus” ,ou seja, seremos muito mais felizes ao guardar os mandamentos e estaremos eliminando cada vez mais as possibilidades de coisas ruins nos acontecerem.

Outro ponto que merece nossa análise é sobre como as provações tem o poder de nos ensinar. Voltando ao princípio 90/10, não temos o controle de 10% das coisas que nos acontecem. Nesses 10% entraria a morte de pessoas que amamos, sofrimentos causados por doenças crônicas e hereditárias, entre outras coisas. Todavia dentro desses 10% há muito o que  aprender. No Livro de Mórmon, aprendemos que é necessário que haja oposição em todas as coisas, se assim não fosse não progrediríamos. Em outras palavras, podemos dizer que as coisas ruins que nos acontecem são para nosso proveito e instrução.

Será que Deus me ama?

Uma terceira análise que precisamos fazer é do amor de Deus para conosco. Não é porque passamos por dificuldades e provações que Deus não nos ama, apesar de muitas vezes pensarmos isso. Nossos filhos, por exemplo, muitas vezes passam por situações nas quais, mesmo podendo intervir, preferimos nos abster de quaisquer ações, pois, queremos que eles aprendam algo. De forma semelhante, é com nosso Pai Celestial. De fato, Ele poderia intervir em tudo, mas Ele prefere nos ensinar.  Assim como os pais, Deus também nos ama e o fato de Ele não resolver a situação para nós não, significa falta de amor ou compreensão!  Ele nos ama tanto, que quer nos ensinar para que nunca mais tenhamos que sofrer novamente pelo mesmo motivo.

E é impressionante o amor que podemos sentir quando recorremos ao amor do Pai Celestial no meio de nossas tempestades. Ele está sempre com um guarda-chuva aberto para nos amparar, acolher e proteger. Ele não  interfere em nosso arbítrio, não nos impede de crescer e aprender, na verdade, Ele estende Seu amor, que sem dúvida tem a capacidade de curar a alma ferida.

Conclusão

Precisamos sempre nos lembrar de que o fato de sermos membros da Igreja de Cristo, guardar os mandamentos, ter a companhia do Espírito, não nos dá uma blindagem contra coisas ruins, dificuldades e sofrimentos. A mortalidade é um período marcado por todos os tipos de situações e viemos para essa Terra cientes disso. Nós o aceitamos o plano do Pai Celestial que desde sempre, mostrou o que aqui passaríamos. Por outro lado, o fato de sermos membros da Igreja de Cristo, guardar os mandamentos, ter a companhia do Espírito, nos dará força e coragem para enfrentar quaisquer situações que possam surgir durante nossa jornada mortal.

Devemos nos lembrar sempre da escritura de Levítico 26:12 que diz: “E andarei no meio de vós, e eu serei vosso Deus.”