Vou falar de modo pessoal. Não é o que costumo fazer no mormonsud.net. Mas acredito que será melhor fazê-lo, já que o título do artigo começa com o pronome pessoal na primeira pessoa do singular (“eu”).

Minha missão foi uma experiência muito significativa, como conto neste outro artigo. A vida após meu serviço de tempo integral nem sempre correspondeu as minhas expectativas, mas há algo que decidi enquanto servia como missionário que permanece constante até hoje: ser sempre um missionário, ou seja, manter vivo o desejo de prestar testemunho de Jesus Cristo e de Sua Obra nestes últimos Dias e ser um representante Dele.

Hoje sou tão missionário quanto o era quando deixei o campo missionário. Evidentemente as circunstancias mudaram. Fui formalmente desobrigado de meu serviço de tempo integral. Não há mais uma plaqueta preta em meu peito, um companheiro do meu lado e a obrigação de cumprir um rígida rotina e regras da missão. Todavia, ainda possuo o encargo de ser um exemplo “dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (1 Timóteo 4:12). Ainda tenho o “desejo de cantar o cântico do amor que redime” (Alma 5:26).

Acredito que esse desejo de continuar compartilhando o evangelho e convidado as pessoas a virem a Cristo, apegarem-se a toda boa dádiva, a não tocarem “nem na dádiva má nem no que é impuro” (Morôni 10:30) e a vontade de “comprovar [as pessoas] que, sem a vinda de Cristo, todos os homens pereceriam” (2 Néfi 11:6), advém do cumprimento dos mandamentos, que , por sua vez, resulta “na presença do Espírito Santo, o Consolador” ,(Mosias 8:26). Essa constatação me fez notar que, se eu, com tantas e tantas imperfeições, possuo um grande desejo de espalhar a verdade do Evangelho aos gentios e aos judeus (ou seja, a todos!), então qualquer pessoa também pode ter esse mesmo desejo, ou até maior: de modo a ser uma testemunha de Deus “em todos os momentos e em todas as coisas e em todos os lugares em que vos encontreis, mesmo até a morte” (Mosias 18:9).

Não vou ser hipócrita. Há momentos de menor ânimo espiritual, em que algumas oportunidades de falar sobre a Igreja e o Evangelho podem ter escapado. A vida é assim mesmo – até na missão: há altos e baixos. Alguns desafios parecem nos subjugar. Mas se nos esforçarmos ao máximo e confiarmos em Deus “com a mente firme” e orar ao Senhor “com grande fé” seremos consolados e protegidos (Jacó 3:1). O falecido Elder L. Tom Perry contou:

“Quando olho para trás e vejo minha vida após a missão, sei que houve períodos em que fui capaz de manter a mesma proximidade que tinha com o Senhor no campo missionário. Houve também períodos em que as atividades do mundo me pareciam ser mais importantes, e minhas orações eram menos freqüentes e menos fervorosas.

Não seria essa uma boa oportunidade de fazer uma pequena auto-avaliação para determinar se ainda temos com o Pai Celestial a mesma relação de que desfrutávamos no campo missionário? Se o mundo nos desviou da oração, então perdemos um grande poder espiritual. Talvez seja hora de reascender o espírito missionário por meio de orações mais significativas, mais freqüentes e fervorosas.” [1]

Ao sermos constantes nosso exemplo pregará o evangelho por nós, sem necessidade de muitas palavras. Em várias oportunidades, muitas vezes inesperadas, fui abordado por pessoas que desejaram saber mais sobre minha fé, ao verem-me defendendo princípios da retidão e combatendo o mal.

Uma das coisas que mais me incentiva a continuar sendo um missionário é a lembrança de meus anos como missionário. Ao ver as fotos da missão, ler meus diários, falar com as pessoas que conheci, e ver minha plaqueta preta – um sentimento especial vem ao meu coração. O Elder Neil L. Andersen disse:

Se vocês não são missionários de tempo integral com um crachá missionário preso ao paletó, está na hora de pintar uma plaqueta em seu coração — pintada, como Paulo disse, “não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo”. E os ex-missionários, que encontrem sua antiga plaqueta de missionário. Não a usem, mas coloquem-na onde possam vê-la. O Senhor precisa de vocês, agora mais do que nunca, para que sejam instrumentos em Suas mãos. Todos nós temos uma contribuição a fazer para esse milagre. [2]

As redes sociais oferecem uma ótima oportunidade. Compartilhar discursos e citações dos profetas ou responder com sinceridade e humildade a uma provocação nas redes sociais nos ajudam a agir como discípulos de Cristo, fazendo nossa luz brilhar para que outros sejam levador a glorificar o Pai (Mateus 5:14).

Também continuo servindo em chamados da Igreja, especialmente como mestre familiar – onde tenho a oportundiade de ensinar e guiar, como na missão. Tenho também o privilégio de sair com os missionários e prestar testemunho do Senhor aos que estão conhecendo a Igreja.

O Elder Perry também disse:

Nunca houve um tempo na história da humanidade na qual estivéssemos mais bem preparados para ensinar o evangelho aos filhos do Pai Celestial aqui na Terra do que agora. E parece que eles precisam mais disso do que nunca. Vemos que a fé das pessoas está deteriorando-se. Há um amor cada vez maior pelas coisas do mundo e uma escassez de valores morais que causarão sofrimento e desespero cada vez maiores. O que precisamos é de um exército de ex-missionários dignos, realistados para servir. Embora não usem a plaqueta de missionário de tempo integral, podem ter a mesma resolução e determinação de levar a luz do evangelho ao mundo que luta para encontrar seu caminho. (…)

Peço aos ex-missionários que se dediquem novamente, que cultivem outra vez o espírito da obra missionária e o desejo de servir. Peço-lhes que se pareçam com missionários do Pai Celestial, que sirvam e ajam como eles. Oro para que vocês renovem sua determinação de proclamar o evangelho para que estejam mais envolvidos nessa grande obra na qual o Senhor nos chamou para trabalhar. Quero prometer-lhes que há grandes bênçãos reservadas a vocês se continuarem com o zelo que possuíam como missionários de tempo integral. [3]

Que poderosa exortação! Que renovemos nossas forças e sirvamos com diligencia. Muito é esperado de nós, que entramos nas águas do batismo e recebemos o divino encargo de convidar as pessoas para às bênçãos do Reino. Que possamos ser sempre missionários!

 

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NOTAS

[1] Extraído de um discurso proferido na conferência geral de outubro de 2001.

[2]  “É um milagre“, A Liahona maio de 2013.

[3] Idem a Nota 1