“…Será tirado da obscuridade para a luz, segundo a palavra de Deus; sim, será tirado da terra e brilhará de dentro da escuridão e chegará ao conhecimento do povo; e isso será feito pelo poder de Deus.” Mórmon 8:16

O saber

Para alguns, a história do surgimento do Livro de Mórmon pareceu muito bizarra e muito imaginativa para ser crível. Esse foi um fato durante a época de sua publicação em 1830. As pessoas suspeitavam da afirmação que um livro antigo escrito em placas de ouro tinha sido reveladas a um jovem fazendeiro. Levaram dois séculos de descobertas arqueológicas para demonstrar completamente que detalhes do registro Nefita se encaixam excepcionalmente bem com diversos outros registros escondidos por todo o mundo antigo.

Moroni Hides the Plates in the Hill Cumorah (Moroni Burying the Plates), por Tom Lovell

Registros escondidos

Muitas passagens do Livro de Mórmon falam sobre outros registros que foram escondidos, geralmente enterrados, para que pudessem ser revelados no futuro.[1]

De acordo com John A. Tvedtnes:

“O conceito de se esconder livros para que futuras gerações os encontrem é evidente em um grande número de documentos do antigo oriente, de onde veio as pessoas do Livro de Mórmon.” [2]

Os registros e lendas contidas nestes documentos chegam até a época de Adão.

Dois rabinos, tendo dito que descobriram um registo escondido por Adão, disseram que um poder divino os impediu de continuar a lê-lo.[3] Outro explicou que Deus “não deseja que seja revelado ao mundo, mas quando o dia do Messias estivesse próximo…seria revelado ao mundo.”[4]

Em “um texto judeu… Moisés instruiu Josué sobre como preservar livros (pergaminhos) que ele estava deixando como sua responsabilidade… e a coloca-los em jarros de terra até o dia da recompensa.”[5]

Os pergaminhos do mar morto (os quais alguns foram encontrados em jarros de terra), os textos Nag Hammadi, e diversos outros documentos que foram descobertos confirmam que muitos registros antigos eram realmente preservados para gerações futuras.[6]

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Placas de metal, caixas de pedras e outros documentos selados.

A ideia de que o Livro de Mórmon foi registrado em placas de metal e enterrado em uma caixa de pedra, juntamente com outras relíquias antigas, foi ridicularizado por algumas pessoas no século 19.[7] Mas atualmente, de acordo com H. Curtis Wright, “literalmente, milhares de documentos em metal” foram descobertos em todas as partes do mundo antigo.[8] Dentre eles, se encontram documentos registados em placas de ouro ou ligas de metal que contém outro. Alguns desses documentos são da América antiga.[9] A descoberta de outras relíquias antigas escondidas, muitas delas também feitas de metais precisos, foi muito significativa.[10]

Um antigo texto de um templo egípcio “descreve como gravar um texto em uma lamella (placa) de ouro ou prata e guarda-lo ‘em uma caixa limpa.’” [11] O fato de que caixas eram realmente usadas para preservar documentos e relíquias sagradas foi atestado em todo o mundo antigo.[12]

Por exemplo, em 1854, “seis placas com inscrições (de ouro, prata, bronze, latão, chumbo e alabastro) foram encontradas em uma caixa de pedra enterrada embaixo da fundação do palácio [de Sargon II].”[13] Em 1933, uma escavação em “Persépolis, dois pares de placas com inscrições (um par de prata e outro par de ouro) foram encontradas em caixas de pedra escondidas nos cantos da fundação do palácio.” [14] Já “em 1965, um conjunto de dezenove placas de ouro com inscrições foram encontradas em uma caixa de bronze.” [15]

Outra peculariedade do Livro de Mórmon é a porção de suas placas que foram seladas.[16] O estudioso John W. Welch destacou que diversos documentos antigos também foram preservados em duas partes, uma delas selada, e outra aberta, sendo as duas unidas em um só documento. [17] Estes documentos com duas partes eram considerados de natureza legal, sendo validado por testemunhas, e cuidadosamente preservados. Essas características correspondem com o Livro de Mórmon. [18]

Montanhas, cavernas e anjos

Montanhas frequentemente simbolizam templos ou santuários sagrados. [19] No Livro de Mórmon encontramos relatos de diversas revelações que foram recebidas, registradas, ou enterradas em montanhas ou colinas, inclusive o próprio Livro de Mórmon.[20] Relatos históricos indicam que muitos registros Nefitas foram preservados em uma caverna em um monte,[21] e é enfatizado que o Livro de Mórmon foi “tirado da terra” (Mórmon 8:16).[22] Joseph Smith disse  que Morôni tinha a responsabilidade de cuidar das placas e o guiou até a colina que elas tinham sido enterradas, próximo a fazenda de sua família. (Joseph Smith—Historia 1:21–54).

Muitos documentos antigos também foram encontrados ou supostamente escondidos em montanhas ou cavernas. Por exemplo, o The Cologne Mani Codex indica que “um anjo trouxe Enosh para uma montanha e instruiu-o a escrever em placas de bronze e esconder o seu registro”. Na Rússia, “doze pequenas placas de ouro” foram encontradas “em uma colina”. [23] Na tradição maçônica, o profeta Enoque “escreveu sua revelação em uma placa de ouro que ele guardava no templo que ele construiu dentro de uma montanha”. [24] E em vários textos antigos, registros ou relíquias escondidas eram guardadas por um anjo ou algum tipo de poder divino. [25]

O grande conjunto de documentos coletivamente que se referem como os Pergaminhos do Mar Morto foram encontrados em cavernas em volta do Mar Morto. Na antiga Mesomérica, as cavernas possuíam simbolismo mitológico profundo e muitas vezes eram consideradas sagradas. [26] Em 2005, Holley Moyes e James Brady relataram que “apenas na última década as cavernas foram amplamente reconhecidas pelos arqueólogos mesoamericanos como espaços usados para rituais. Uma vez que as cavernas na Mesomérica eram usadas quase que exclusivamente para a realização de rituais, elas fornecem um contexto incomparável para estudar a religião pré-colombiana”. [27] A ênfase do Livro de Mórmon em cavernas e registros sagrados que saem da Terra se encaixa diretamente com estas descobertas. [28]

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O Porquê

Por meio das descobertas pós-1830 em todo o mundo, e especialmente do Oriente Médio, pode-se ver que o Livro de Mórmon faz parte do mundo antigo. Documentos legais com duas testemunhas, placas de ouro gravadas, registros selados, caixas de pedra, lugares sagrados em colinas, conjuntos de relíquias preciosas – todas essas coisas são abundantemente comprovadas na antiguidade, tanto arqueologicamente quanto textualmente.

Além dessas descobertas fortalecerem nossa fé no Livro de Mórmon, elas também podem nos ajudar a entender e apreciá-lo melhor. Por exemplo, em nossos dias, leva apenas alguns minutos para baixar digitalmente o conteúdo que teria sido uma carroça lotada de documentos no mundo antigo! Ao imaginar que os profetas Nefitas tinham que encontrar os minérios preciosos, forjar suas próprias placas, gravar cuidadosamente cada símbolo, transportar as placas pesadas ​​para locais seguros e criar recipientes duráveis ​​para protegê-las, deve aumentar nossa gratidão pelos escritos sagrados que eles escreveram e preservaram.

O Livro de Mórmon é um testemunho da fé e do amor dos profetas Nefitas. O profeta Enos disse que orou para que o Senhor preservasse um registro de meu povo, os nefitas;… que ele pudesse ser revelado aos Lamanitas em alguma época futura ( Enos 1:13 ). Em resposta, o Senhor prometeu cumprir este pedido em Seu “devido tempo” (v. 16 ). Ele também revelou a Enos que “Teus pais também me fizeram o mesmo pedido; e ser-lhes-á feito de acordo com sua fé, pois sua fé era igual a tua.” v. 18 ).

Esses versículos mostram que o Livro de Mórmon somente existe hoje, porque os profetas antigos estavam preocupados com as futuras gerações que eles nunca encontrariam na mortalidade. Eles realmente se preocupavam conosco. Por sua vez, devemos nos preocupar profundamente com eles. Somente quando reconhecemos e aceitamos o Livro de Mórmon como um registro antigo, podemos entender e apreciar ao máximo as suas mensagens sagradas e os profetas que as escreveram.

Fonte: LdsMag

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Referências:

[1] Ver 1 Néfi 20:6; 2 Néfi 27:12, 22, 26–27; 4 Néfi 1:48–49; Mórmon 1:2; 4:23; 5:8, 12; 6:6; 8:4; Éter 4:3, 13, 15; 15:11, 33. Ver também, Book of Mormon Central, “What Were the ‘Other Records’ Nephi Saw in Vision? (1 Néfi 13:39),” KnoWhy 376  (26 de outubro de 2017).

[2] John A. Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books: Out of Darkness Unto Light (Provo, UT: FARMS, 2000), 11.

[3]  Joseph Smith—History 1:53.

[4] Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books, 137.

[5] Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books, 20.

[6] Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books, 21, 167–174.

[7] Ver William J. Hamblin, “Metal Plates and the Book of Mormon,” em Pressing Forward with the Book of Mormon: The FARMS Updates of the 1990s, ed. John W. Welch and Melvin J. Thorne (Provo, UT: FARMS, 1999), 20. Ver William J. Hamblin, “An Apologist for the Critics: Brent Lee Metcalfe’s Assumptions and Methodologies,” Review of Books on the Book of Mormon 6, no. 1 (1994): 462–470.

[8] H. Curtis Wright, “Introdução” in Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books, 20.

[9] Ver William J. Hamblin, “Sacred Writing on Metal Plates in the Ancient Mediterranean,” FARMS Review 19, no. 1 (2007): 37–54; H. Curtis Wright, “Ancient Burials of Metal Documents in Stone Boxes,” em By Study and Also By Faith: Essays in Honor of Hugh W. Nibley, Volume 2, ed. John M. Lundquist e Stephen D. Ricks (Salt Lake City and Provo, UT: Deseret Book and FARMS, 1990), 273–334; Paul R. Cheesman, Ancient Writing on Metal Plates: Archaeological Findings Support Mormon Claims (Bountiful, UT: Horizon, 1985); Paul R. Cheesman, “Ancient Writing on Metal Plates,” Ensign, Outubro de 1979, online em lds.org; H. Curtis Wright, “Metallic Documents of Antiquity,” BYU Studies Quarterly 10, no. 4 (1970) 457–477; Daniel Johnson, “Metals and Gold Plates in Mesoamerica,” apresentação BMAF, 2010, online em bmaf.org; Franklin S. Harris Jr., The Book of Mormon: Message and Evidences (Salt Lake City, UT: Deseret News Press, 1953), 95–105; John A. Tvedtnes and Matthew Roper, “One Small Step,” FARMS Review 15, no. 1 (2003): 160–169; H. Curtis Wright, Modern Presentism and Ancient Metallic Epigraphy (Salt Lake City, UT: Wings of Fire Press, 2006).

[10] Ver Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books, 109–126. Ver Doctrine and Covenants 17:1.

[11] Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books, 36.

[12]  Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books, 31–58.

[13] Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books, 43.

[14] Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books, 44.

[15] Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books, 36.

[16] Ver Página de Título; 2 Néfi 26:17; 27:7–21; 30:3; Éter 3:27; 4:5; 5:1; Morôni 10:2.

[17] Ver John W. Welch, “Doubled, Sealed, Witnessed Documents: From the Ancient World to the Book of Mormon,” em Mormons, Scripture, and the Ancient World: Studies in Honor of John L. Sorenson, ed. Davis Bitton (Provo, UT: FARMS, 1998), 391–444; John W. Welch and Kelsey D. Lambert, “Two Ancient Roman Plates,” BYU Studies 45, no. 2 (2006): 55–76.

[18] Ver Book of Mormon Central, “Why Would a Book Be Sealed? (2 Néfi 27:10),” KnoWhy 53 (14 de Março de 2016).

[19] Ver 2 Néfi 12:2–3; cf. Isaias 2:2–3.

[20] Ver 1 Néfi 11:1; 1 Néfi 18:3; 2 Néfi 4:25; Mormon 1:3; Mormon 4:23; Mormon 6:6; Eter 4:1; Eter 15:11.

[21] Ver See Cameron J. Packer, “Cumorah’s Cave,” Journal of Book of Mormon Studies 13, no. 1–2 (2004): 50–57, 170–71.

[22] Ênfase adicionada.

[23] Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books, 129.

[24] Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books, 129.

[25] Tvedtnes, The Book of Mormon and Other Hidden Books, 75–108.

[26] Ver Diane E. Wirth, “Revisiting the Seven Lineages of the Book of Mormon and the Seven Tribes of Mesoamerica,” BYU Studies Quarterly 52, no. 4 (2013): 77–88.

[27] Holley Moyes and James E. Brady, “The Heart of Creation, the Heart of Darkness: Sacred Caves in Mesoamerica,” Expedition 47, no. 3 (2005): 31. See also Holley Moyes, ed., Sacred Darkness: A Global Perspective on the Ritual Use of Caves (Boulder, CO: University Press of Colorado, 2012).

[28] Most notably, the Book of Mormon emphasizes that “great and marvelous were the prophecies of Ether” who “dwelt in the cavity of a rock [as] he made the remainder of this record” (Ether 13:13–14).