O seminário de manhã era uma tortura para mim, mas não pela razão que você deve estar pensando. Enquanto muitos jovens davam umas cochiladas no meio da aula, eu estava bem desperto e atento. Eu sou uma das raras pessoas que gosta de acordar cedo.

Mas eu não estava sozinho. Havia outra pessoa na classe que parecia não se afetar pelo sono, e ela passava o tempo inteiro da aula me cutucando e tentando me irritar. Isso acontecia cada manhã, sem falta. Eu tentei ignorá-lo, mas suas brincadeiras as vezes eram muito difíceis de suportar.

Um rapaz difícil de suportar

Este jovem rapaz em particular tinha sido uma pedra no meu sapato por anos. Eu ainda lembro o meu sangue subindo de raiva quando ele rasgou o desenho que eu fiz na Primária, ou quando ele jogou minhas escrituras pela janela. Quando eu fiz 12 anos de idade, eu já tinha muitos sentimentos negativos direcionados a este rapaz.

Felizmente, ele frequentava a Igreja de forma esporádica. Semanas se passavam antes que eu o visse novamente. Uma vez ele sumiu por dois anos. Se ele tinha ficado inativo ou se mudado, eu só esperava que ele continuasse lá. Então, ele reapareceu do nada, e eu tinha o azar de sentar na frente dele durante o seminário, e ele nunca faltava um dia sequer.

Enquanto eu estava visitando minha avó durante o verão, eu desabafei com ela, listando cada coisa ruim que ele tinha feito para mim e expressando toda a raiva que eu sentir por ele. Eu concluí dizendo “Eu o odeio!”

Minha avó tinha escutado tudo quietamente, com um expressão de preocupação. Mas quando eu usei essa última expressão ela reagiu, olhando pra mim e disse: “Você odeia alguém?”

Suas palavras foram como um balde de água fria. Não havia condenação. Ela nem tinha elevado sua voz. Ao invés disso, ela soava surpresa, e eu imediatamente me arrependi de minha explosão de frustração. Eu gaguejei, tentando achar algo para dizer para me justificar, mas  alguém mudou o assunto e eu nunca deixei para lá.

Suas palavras, entretanto, se repetem em minha mente frequentemente. Eu sabia que aquele garoto tinha a culpa de tudo e que estava justificado de me sentir daquela maneira. Não estava? Eu não tinha o direito de me sentir com raiva? Mas mesmo assim, minha avó estava surpresa de saber que eu odiava alguém. Ela esperava algo mais de mim e eu a tinha decepcionado.

Uma escritura

Eu comecei a ponderar profundamente sobre quais deveriam ser minhas responsabilidades em uma situação como aquele, e eu não gostei do que eu descobri.

Eu vos digo, porém: Amai vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. Mateus 5:44

Versos como a escritura acima começaram a aparecer em cada aula, discurso e testemunho. Quando eu estava sentado no seminário sentindo raiva, eu sabia no fundo que minha avó estava certa. Além da responsabilidade de perdoar este rapaz, eu tinha a responsabilidade de ter caridade por ele.

Orar

Foi a coisa mais difícil de minha adolescência. Eu lembro de me ajoelhar ao lado de minha cama em uma noite, e orar cheio de frustração pedindo a ajuda para parar de odiar aquele rapaz. Eu pedia ajuda para vê-lo como um amado filho do Pai Celestial que ele era. Eu parei de responder a suas provocações. Mas o meu silêncio era de neutralidade, e não de indiferença. Eu orei por ele, percebendo que eu não fazia ideia do que se passava em sua vida.

Ao continuar a orar, alguns milagres aconteceram. Um dia, ele fez um comentário sarcástico e eu ri. Conforme eu observava, eu percebi que ele não se dava bem com ninguém, e parecia desesperado para fazer amigos. Ele estava tentando ser engraçado. As vezes ele exagerava, mas provavelmente isso vinha da insegurança que eles sentia mais do que qualquer outra coisa.

pai celestial

Uma nova visão

Eu senti como se eu tivesse ganhado novos olhos. Eu não o odiava mais. Eu via alguém que era esperto, com atitude, e solitário. Tão logo quanto a forma que eu agia mudou, ele se tornou uma pessoa totalmente diferente. Rapidamente, ele se tornou um de meus melhores amigos.

As novas descobertas não pararam por aí. Conforme eu o conhecia melhor, eu fiquei sabendo que sua infância tinha sido bem difícil. Isso explicava a forma que ele interagia com outras pessoas.

Quando as pessoas agem de maneira diferente de nós, rapidamente começamos a julgá-los. É a coisa natural de se fazer. Faz sentido que, para nossa proteção, mantenhamos distância de pessoas que sejam inconvenientes. Mas o Salvador pediu para que fizéssemos exatamente o oposto. Ele não pediu apenas que os tolerássemos. Ele não disse: “Eu sei que esse rapaz é impossível de suportar, mas ao menos seja educado.” É esperado que amemos todas as pessoas, até mesmo nossos inimigos.

Eu não consigo contar quantas vezes, ao contemplar esta tarefa, eu pensei: “Eu poderia fazer isso se ele fosse diferente…” Mas Deus não nos permite que tenhamos esta desculpa. Então, como podemos amar aqueles que parecem impossíveis de amar?

Você pede ao Pai Celestial que mude você. Pede que ele aumente sua compreensão, paciência, e habilidade de amar.

Desafio você a tentar fazer isso na próxima vez que você encontrar alguém que você tem certeza que nunca conseguiria lidar. Você pode se surpreender ao descobrir que quando você ora para mudar a si mesmo, todo o resto muda também.

Fonte: LDSLiving

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