Ao orar, podemos lembrarmo-nos de Deus de duas maneiras. Podemos praticar lembramo-nos do que dissemos ou lembrando de fazer silêncio e ouvir. A primeira maneira é importante, a segunda forma é imprescindível.

No primeiro caso, podemos tentar pedir ajuda a Deus com problemas específicos, que temos. Isso é bom. Ou, melhor, podemos tentar pedir a Deus ajuda com alguém com um problema específico. Ou, também excelente, podemos tentar expressar gratidão. Em geral, quanto mais específicos formos e quanto menos as orações forem sobre nós mesmos, melhores elas serão. A oração aprofunda quando deixa de ser egoísta e centraliza-se no serviço e na gratidão.

Via de mão dupla

Mas falar é apenas metade da oração. Como regra geral, diminua o tempo que você gasta falando e dedique mais tempo para ouvir. Contudo, ouvir é mais difícil. Sem uma preocupação particular em mente, seremos mais propensos a esquecer. Para manter sua atenção constante, podemos caminhar para acalmar a mente e prestar atenção à sensação de cada passo. Ou podemos ficar parados e prestar atenção na respiração. Neste caso, precisamos ficar quietos e respirar naturalmente. Sentir os pulmões lentamente se expandirem e contraírem. Podemos observar como o ar é frio quando o puxamos pelo nariz, mas quente quando o corpo o expele. Tudo funciona perfeitamente. Em seguida, com esta quietude, podemos observar que sentimentos temos e que impressões vêm. Não podemos nos deixar levar por estes pensamentos ou sentimentos, mas prestar atenção neles. Quando terminarmos, podemos tentar agir imediatamente de acordo com as impressões e a oração silenciosa pelo resto do dia.

Exemplos de oração do Salvador

Quando tudo isso acontecer, que possamos orar como Jesus. Em suas últimas horas, Jesus deixou como modelo dois tipos de oração. No jardim do Getsêmani, na véspera de sua crucificação, Jesus retirou-se dentre Seus discípulos. Sozinho, ele “prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mateus 26:39). Em todas as nossas orações devemos, no final, fazer como Jesus fez. Podemos expressar nossa vontade a Deus. Mas então, em silêncio, devemos submeter essa vontade à Dele. Nossa vontade de esperar no Senhor em silêncio e ouvir Sua voz é o que prova a verdade de nossa confissão contínua: não seja como eu quero, mas como tu queres. Não seja do meu jeito, mas do Teu. No relato de Lucas, depois que Jesus ofereceu esta oração, “E apareceu-lhe um anjo do céu, que o fortalecia” (Lucas 22:43). Encontraremos força na oração quando submetermos nossa vontade à vontade de Deus e quando nossa vontade de ouvir tornar a voz de Deus audível.

Esta primeira oração, embora difícil, é encorajadora. A segunda é mais angustiante. No dia seguinte, pregado na cruz e escarnecido pelos escribas e ladrões, a escuridão envolveu a terra. Em sua agonia, “perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46). Esta também é uma oração. É uma oração que surge de uma disponibilidade ininterrupta de esperar no Senhor, em silêncio.

O convite que vem com o silêncio

Às vezes, quando oramos e esperamos em silêncio, um mensageiro virá, ouviremos a voz do Senhor e teremos poder para fazer o que Deus pede. Mas às vezes quando oramos e esperamos em silêncio, só haverá silêncio e vamos quere saber onde Deus está. Quando isso acontece, teremos que tomar uma decisão. Levantar e sair da sala ou continuar em silêncio. Se escolhermos a primeira, voltaremos para a agitação do mundo. Mas se persistirmos na segunda, poderemos descobrir algo mais poderoso e mais importante do que a voz do Senhor. Descobriremos que o silêncio de Deus não é um castigo, mas um convite. Os céus não são vazios, eles são silenciosos. E Deus, em vez de dar as costas para nós, pode convidar-nos para compartilhar deste silêncio com Ele. O silêncio faz parte da expiação: ficar sentado desfrutando o silêncio com Deus.

Escrito por Adam Miller, extraído de “Letters to a Young Mormon” e traduzido por Luciana Fiallo Alves

Fonte: LDSLiving.com

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