Irmã Elizena

Elizena é hoje uma típica mulher mórmon – serve na Igreja, é mãe, professora aposentada, regente do Ramo. Mas atrás de uma vida alegre hoje, há um passado triste.

Provações

Um ano após seu casamento, ela teve uma alegria que muitas famílias esperam – a alegria de ficar grávida. Porém, essa alegria durou apenas 7 meses. Joaquim, seu primeiro filho não sobreviveu e foi enterrado logo após o parto.

Era o ano de 1982 e não havia tantos recursos na área médica, dificultando assim o acompanhamento do parto.

Até aquele momento, Elizena sempre fora muito religiosa. Ela conta:

“Eu sempre fui a igreja. Era bem ativa na comunidade religiosa local e participava de todas as coisas que podia.”

Cristã desde sempre, casou-se conforme os ensinamentos que aprendera. Mas parece que a vida lhe reservava mais aprendizados.

Com a morte de seu primeiro filho, Elizena deixou de acreditar em muitas coisas que antes norteavam sua vida. Questionava Deus, questionava o porquê de Deus ter tirado seu filho, sendo que ela sempre fizera tudo conforme mandava sua religião.

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14 longos anos

Tais questões a levaram a um afastamento de sua religião e consequentemente fechou-se para Deus. Foram 14 anos sem nenhuma religião.

“Eu pensava que Deus tinha sido injusto comigo. Eu via tantas mulheres com gravidez indesejada, e eu ali, queria tanto meu filho e Deus não me deixou criá-lo”, diz Elizena.

Os anos passaram e outros filhos vieram. Porém enquanto seus filhos cresciam, ela se perguntava como seria a vida deles sem religião, sem crença e pior, sem Deus. Preocupada com essas questões, ela procurou a religião que antes fizera parte para que seus filhos lá fossem educados religiosamente. Porém, não deu muito certo. Marina e Marina, suas filhas mais velhas, não se adaptaram, não tinham gosto.

Nas palavras ditas pela Elizena: “Todo dia que elas iam para a igreja era uma briga grande em casa. Elas não queriam ir de jeito nenhum. Parecia que Deus não estava satisfeito”.

Com todos os desentendimentos, as filhas pararam de frequentar os encontros religiosos e de novo estavam sem religião. Mas não por muito tempo.

Os missionários

Certo dia, Lázaro ou “Lazinho” como é mais conhecido seu esposo, chegou em casa e disse que havia visto os missionários mórmons na rua e os convidou para ir a casa deles. Elizena nunca havia escutado falar no nome “mórmon” e achou aquilo tudo no mínimo muito estranho.

Na primeira visita dos missionários, Elizena se escondeu e somente seu esposo ouviu o que os missionários tinham a dizer.

“Eu não queria de jeito nenhum ouvir aqueles rapazes”, relata entre risos, ao recordar o passado.

Quando eles retornaram, na segunda vez, adivinhem: Lazinho não estava em casa e Elizena recebeu os missionários.

Os missionários a convidaram para uma reunião na Igreja. Uma reunião conhecida como “reunião de integração”. É uma reunião comum em unidades pequenas da Igreja, onde os membros se reúnem em um ambiente mais informal, para falar sobre o Evangelho, descontrair e sempre com um lanchinho no final.

Naquela mesma época uma amiga sua havia recebido os missionários também. Essa amiga, relatou que os missionários disseram que não bebiam café e que esse era um ensinamento da Igreja. Mais que depressa Elizena disse que se aqueles rapazes falassem isso para ela, ela não ia ouvi-los. “Jamais eu deixaria meu cafézinho”, relembra Elizena.

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O Livro de Mórmon

Após algumas reuniões, Elizena ganhou seu primeiro exemplar de O Livro de Mórmon – Outro Testamento de Jesus Cristo. Os missionários indicaram o que ela deveria ler, até que eles voltassem a se encontrar. A indicação de leitura era 3 Néfi 11.

Curiosa, ela não leu o que foi indicado, mas folheou o livro. E bem, foi isso que a trouxe aqui. Ela leu em Morôni capítulo 8, versículo 12:

“E suas criancinhas não necessitam de arrependimento nem de batismo. Eis que batismo é para arrependimento, a fim de que se cumpram os mandamentos para a remissãode pecados.”

Aquelas palavras foram uma luz para sua alma aflita. Pensamentos ruins sempre estiveram em sua mente e coração com relação ao seu filho Joaquim que havia morrido sem batismo. Muitos diziam que ele não seria salvo por não ter sido batizado e isso lhe trazia imensa dor.  Naquele momento, era como se os céus estivessem aberto novamente e uma luz divina pudesse outra vez envolver sua alma.

“Sempre pensei muito em meu filho Joaquim. Eu ficava preocupada com o que aconteceria com ele. Muitos me diziam que ele ia para o inferno, por não ter sido batizado e isso me atormentava constantemente. Mas depois dessa escritura, foi como se um peso tivesse sido retirado das minhas costas”, conta emocionada.

O batismo

Quando os missionários voltaram, ela tratou logo de contar de sua experiência. E não apenas isso. Ela estava também preocupada. Preocupada com os costumes que talvez teria de deixar de lado, ela tratou logo de inquirir os missionários a cerca de cortar o cabelo e passar batom.

“Eu sempre usei cabelo curto e sempre gostei de um batom, de cor clara, mas sempre gostei. Fiquei preocupada e com medo de eles falarem que teria que mudar isso”.

Para sua alegria, nada disso era contrário ao que os missionários tinham para dizer.  E a data para o batismo foi marcada – 23 de julho de 1996.

O café e o cigarro que eram um vício em sua vida foram imediatamente deixados de lado e uma nova conduta estabelecida.

“Eu tinha dito que nunca deixaria o café. Mas soube que era verdadeiro aquele ensinamento desde a primeira vez que ouvi. Nunca questionei e nunca mais bebi  café ou fumei”, relata.

Um exemplo de fé

Ela estava agora disposta a fazer tudo, pois sabia que o Pai Celestial estava ciente de suas dores e aflições. E assim tem sido feito desde aquele ano.

Em 2017, Elizena completou 21 anos como membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, tudo graças a uma simples escritura no Livro de Mórmon.

Mas aquela pequena escritura, não trouxe luz somente para si, bem como para muitos outros ao seu redor.

Marina e Mariana, suas filhas, foram batizadas também em 1996. E Luiz Fernando, o quarto filho, batizado no ano seguinte, em 1997 após completar 8 anos de idade. Lazinho que inicialmente havia chamado os missionários fora batizado alguns anos depois, em 2002.

A mãe de Elizena, aprendeu sobre a Igreja, e depois de um estudo sincero e detalhado de 10 anos, também foi batizada.

Maria José, irmã de Elizena ouviu os missionários pela primeira vez em Campo Belo – MG (cidade natal da família) e prometeu procurar os missionários em sua cidade atual, Piracicaba-SP.  Maria José ouviu também os missionários, foi batizada e selada no templo com seu esposo. Seu filho Matheus serviu uma missão de templo integral, na Missão Brasil Curitiba no ano de 2009.

Luiz Fernando, o quarto filho de Elizena, também foi um missionário de tempo integral na Missão Brasil Curitiba, em 2009 ao mesmo tempo que seu primo Matheus.

Nova geração

Uma nova geração está na Igreja agora. E Elizena pode ver sua neta Raquel, de 16 anos todos os domingos na Igreja também.

E as enormes mudanças vindas do Evangelho não pararam por aqui. Aos 40 anos, Elizena foi batizada e aos 43 ela começou os estudos universitários! Inspirada pelo programa de Autossuficiência da Igreja, Elizena buscou aperfeiçoamento e formou-se em Letras- Português/Inglês e atuou como professora até se aposentar.

Sua mãe, Olinda que levou 10 anos para ser batizada também voltou aos estudos e concluiu os estudos do segundo grau (Ensino Médio), com mais de 60 anos de idade!

Nesses 21 anos como membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, dificuldades sempre fizeram parte da história. “Sempre tivemos dificuldades, mas sei que Ele está nos abençoando”, afirma Elizena. Apesar de tudo, não houve um único momento sequer em que Elizena se afastou ou fraquejou.

Decisões definem destinos

Aquela decisão mudou não somente sua vida, mas vidas de gerações que existiram, que existem e que ainda vão existir. E não somente em seu âmbito familiar, mas também a vida daqueles que foram abençoados com a influência de sua família.

Esse é um relato real. Os nomes citados no artigo são verdadeiros e não sofreram alteração. A história foi relatada por Elizena Reis Ferreira para o site mormonsud.net.

Elizena Reis Ferreira pertence ao Ramo Campo Belo – MG, distrito de Três Corações Brasil.


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