Uma inspiração inesperada que me ensinou sobre o dom do discernimento

Faltavam apenas alguns dias até ao início do meu primeiro ano de faculdade, e conseguir os meus livros era definitivamente uma prioridade. Novos livros podem ser caros, então eu encontrei um site de troca de livros onde eu poderia encontrar estudantes que estavam vendendo seus livros usados.

Não demorou muito até encontrar uma mulher que estava vendendo seu livro de Ciências Físicas, e logo eu estava a caminho do apartamento dela para buscar.

Quando cheguei, reparei que o exterior do condomínio parecia bastante sujo. Havia lixo jogado por toda a calçada, e para ser honesta, estava um pouco hesitante em bater à porta dela sozinha.

Mas eu precisava daquele livro.

Então eu bati, e uma mulher carregando um bebê que chorava muito veio à porta. Atrás dela, vi que o apartamento parecia escuro e desorganizado. As roupas estavam amontoadas no sofá, e muitos pratos sujos estavam na pia. Senti uma sensação de desconforto na atmosfera e no comportamento da mulher.

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Tivemos um contato breve. Ela me deu o livro, eu dei-lhe o dinheiro e pronto.

A mulher fechou a porta, e instantaneamente o Espírito me disse que esta mulher precisava da minha ajuda. Senti que devia bater à porta dela outra vez.

Mas a ideia parecia tão estranha. O que é que eu ia fazer, bater e dizer, “Olá, parece que você precisa de ajuda”?

Nem pensar.

Eu rapidamente descartei a ideia e entrei no meu carro. Mas quando uma certa inquietação e alguns pensamentos persistiram em minha mente, fui lembrada de que eu estava sendo tocada pelo Espírito, como em “todas as coisas boas vêm de Deus” (Moroni 7:12). E isto definitivamente não foi o meu próprio pensamento.

Nunca tinha sentido uma mensagem tão clara e específica do Espírito Santo na minha vida.

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O dom do discernimento inclui “perceber a fonte e o significado das manifestações espirituais.” Mas mesmo sabendo que este sentimento de necessidade de ajuda vinha do Espírito Santo, ainda hesitei.

Eu fiz uma oração rápida e disse ao Pai Celestial que me sentia desconfortável e que ia sair dali, por isso, se Ele quisesse que eu ficasse, teria de me impedir. Assim que abri os olhos, liguei o meu carro e senti a impressão novamente, mas ainda mais forte—parecia que o Espírito estava me puxando para fora do meu carro.

Eu sabia que precisava obedecer ao pedido, por mais estranho que a situação parecesse, então desliguei o carro e voltei para o apartamento da mulher.

Pensei freneticamente no que diria quando batesse em sua porta outra vez.

“Olá, posso ajudá-la?”

Não.

“Olá, quero servir você.”

Não! Eu estava em pânico agora, e estava sem ideias!

Mas eu bati mesmo assim, e a mulher veio à porta com um ar confuso com uma expressão confusa na cara.

“Olá, achei que devia perguntar se você precisa de ajuda”, eu disse.

A mulher me olhou estranho e disse: “Não, estou bem.”

Depois disso, eu rapidamente disse: “Ok, obrigada. Tchau!” antes que ela fechasse a porta.

Foi um pouco constrangedor.

Quando entrei no carro e fui embora, tentei entender porque Deus me inspirou a fazer isso só para que a mulher negasse a minha oferta de ajuda. Eu estava confusa, mas feliz por ter seguido a inspiração.

De repente, ouvi um alerta de mensagem no meu celular. Entrei num estacionamento e vi que a mensagem era da mulher que me tinha vendido o livro. Ela estava me pedindo para voltar e ajudá-la se ainda tivesse tempo e se não estivesse muito longe.

Incrível, não é?

Voltei, bati à porta e perguntei-lhe como podia ajudar. Acho que ambas reconhecemos o constrangimento da situação, mas ela perguntou se eu podia segurar o bebê dela para que ela pudesse lavar alguns pratos enquanto o marido estava no trabalho. Concordei de bom grado, e nas próximas horas, segurei o bebê dela enquanto ela me falava da vida dela, com todos os altos e baixos.

Pela nossa conversa, percebi que ela estava passando por um momento difícil na sua vida e que estava feliz por ter alguém com quem compartilhar os seus fardos. Depois da roupa ser dobrada e os pratos lavados, ela pegou o bebê no colo e me agradeceu, e nos separamos.

Nunca mais vi a mulher, mas acho que nunca me esquecerei de ouvir a voz do Espírito dessa maneira ou da percepção de que o Pai Celestial realmente está ciente de cada um dos Seus filhos.

Esta experiência me ajudou a entender o que a Irmã Michelle D. Craig, primeira conselheira na Presidência Geral das Moças ensinou:

Por meio do poder do Espírito Santo, Cristo nos tornará capazes de ver a nós mesmos e a outras pessoas como Ele as vê. Com a ajuda Dele, podemos discernir o que é mais necessário. Podemos começar a ver a mão do Senhor operando nos detalhes comuns de nossa vida — nós veremos profundamente.”

Ao reconheceremos os sussurros do Espírito Santo por meio do dom do discernimento, podemos aprender a ver as necessidades dos outros e entender como podemos melhor atender a essas necessidades.

É verdade que as inspirações nem sempre vêm em momentos convenientes ou de maneiras convenientes, mas ser capaz de abençoar os outros por ouvir o Espírito e ser rápidos para agir vale o sacrifício.

Nem sempre sabemos quem precisa, mas Deus sabe—e por meio da fé podemos “operar grandes milagres” e “[nos tornar] um grande benefício para [nossos] semelhantes.” (Mosias 8:18). Podemos compartilhar o Seu amor com os Seus filhos e convidá-Lo para as nossas próprias vidas também.

Fonte: ChurchOfJesusChrist.org

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