Alguns grupos musicais impressionam pela técnica. Outros, pela emoção.

Mas existem aqueles raros que parecem carregar algo a mais, como se a música fosse apenas o meio, e não o fim. O Coro do Tabernáculo da Praça do Templo é assim. Sua história não é marcada apenas por concertos e gravações, mas por décadas de fé colocada em forma de som.

A seguir, algumas curiosidades que ajudam a entender por que esse coro se tornou tão singular.

1. A primeira apresentação aconteceu antes mesmo de existir uma cidade

Quando os pioneiros santos dos últimos dias chegaram ao Vale do Lago Salgado, ainda estavam cercados por poeira, barracas improvisadas e incertezas. Não havia auditório, nem conforto, apenas o desejo de recomeçar.

Mesmo assim, menos de um mês depois da chegada, em 22 de agosto de 1847, um pequeno grupo se reuniu para cantar em uma conferência da Igreja. Eles ainda não tinham quase nada, mas escolheram adorar ao Senhor por meio da música.

Isso diz muito sobre a identidade do Coro do Tabernáculo até hoje: a música nunca foi um luxo cultural, mas uma forma de devoção. Talvez por isso tantas pessoas descrevam sentir paz ao ouvir o Coro, sua origem não está em palcos, mas em fé vivida.

2. Nenhum integrante recebe salário

Hoje são cerca de 360 cantores. A qualidade vocal é comparável à de grandes grupos profissionais do mundo, porém, todos são voluntários. Eles trabalham normalmente durante a semana. São médicos, contadores, estudantes, pais e mães e ainda assim dedicam horas rigorosas de ensaio, estudo musical e apresentações frequentes.

Durante o século XIX, inclusive, os cantores chegaram a ser oficialmente considerados missionários, porque representavam a Igreja de Jesus Cristo através da música.

3. O programa deles nunca deixou de existir desde 1929

Em 1929 começou a transmissão semanal do programa Música e Palavras de Inspiração. E continua até hoje. Isso faz dela a transmissão em rede contínua mais longa da história mundial. O programa atravessou a Grande Depressão, guerras mundiais, mudanças políticas, internet, streaming… e ainda acontece toda semana.

Enquanto o mundo acelera, alguém continua separando alguns minutos para cantar sobre esperança. Há algo profundamente simbólico nisso. A mensagem não é urgente, é constante. E constância, no evangelho, ensina tanto quanto intensidade.

4. O coro não canta sozinho

Com o tempo, o trabalho cresceu e passou a incluir várias organizações associadas: orquestra, coral adicional, grupo de sinos e organistas.

A orquestra oficial foi criada em 1999 sob a direção do então presidente da Igreja, Gordon B. Hinckley, ampliando a profundidade musical das apresentações. Hoje, dezenas de músicos voluntários acompanham o coro regularmente.

Há também um conjunto de sinos, algo pouco comum em organizações desse porte, que acrescenta um brilho característico às apresentações.

5. Deixou de ser “americano” para se tornar global

Por muito tempo o coro ficou conhecido como “Coro da América”. E de fato participou de eventos nacionais importantes, inclusive posses presidenciais dos Estados Unidos e grandes exposições internacionais. Mas recentemente isso mudou.

Hoje, membros convidados de diferentes países participam das apresentações de conferência geral. Pessoas de culturas, idiomas e histórias totalmente distintos cantam lado a lado. A música permanece a mesma, porém a representação tornou-se mundial.

Um detalhe que talvez explique tudo

O coro já cantou em grandes salas de concerto, foi premiado, gravou centenas de álbuns e alcançou milhões de ouvintes. Mas curiosamente, os relatos mais frequentes não falam de técnica musical. As pessoas dizem simplesmente: “Senti paz.”

E talvez essa seja a maior curiosidade de todas. O propósito nunca foi apenas soar bonito. Foi ensinar o evangelho de Jesus Cristo. E quando a intenção é essa, a música deixa de ser apenas música, ela se torna uma mensagem.

Fontes: The Tabernacle Choir, churchofjesuschrist.org

Veja também