A pia batismal do Templo de Logan, Utah, costuma ser um lugar muito movimentado nas manhãs de sábado. Mas a família Luster se viu ali sozinha. Nenhuma outra pessoa entrou enquanto, em lágrimas, eles realizavam batismos.

Apenas um dia antes, Brinlee Luster havia sido diagnosticada com câncer de cólon em estágio 4. A notícia foi ainda mais chocante porque Brinlee tinha apenas 21 anos. O câncer de cólon é mais frequentemente diagnosticado em pessoas com mais de 65 anos, ainda assim ela já tinha um grande tumor obstruindo o intestino.

“Aqueles primeiros dias após o diagnóstico foram simplesmente horríveis. Realmente não parecia nada bom”, diz Justin Luster, pai de Brinlee. Suas emoções e pensamentos estavam a mil enquanto ele se preparava para o pior e tentava entender quais seriam os próximos passos cruciais. No meio do desespero, ele nem chegou a pensar em ir ao templo. Essa foi a ideia de Brinlee.

“A primeira coisa que quis fazer quando recebi o diagnóstico de câncer foi ir ao templo”, ela conta. “É lá que sinto total segurança. No templo, não sinto medo.” Então toda a família se reuniu ali. E as lágrimas que derramaram juntos não eram de tristeza, mas de esperança.

“Assim que abrimos a porta e entramos no templo, aqueles sentimentos pesados de ansiedade desapareceram, e senti paz”, diz Justin. “Todos sentimos intensamente o Espírito. Estávamos todos chorando. Tenho certeza de que os oficiantes do templo ficaram se perguntando o que estava acontecendo.”

Quando a família Luster saiu do templo naquele dia, ainda havia um caminho longo e difícil pela frente. Mas a forma de enxergá-lo já era diferente.

“Por causa do nosso testemunho, há esperança”, diz Brinlee. “A vida não é sombria. Não é escura. Há luz.”

Preparada para o diagnóstico

Brinlee já não se sentia bem há mais de um ano antes do diagnóstico. Ela enfrentava fortes dores abdominais e um cansaço debilitante, mas as consultas médicas traziam mais perguntas do que respostas. Ainda assim, seguiu com a vida: formou-se na Utah State University em 2022 e se casou com seu atual marido, Parker. Porém, a dor constante e a dificuldade de conseguir emprego após a formatura a deixaram deprimida.

Nessa época, foi convidada a discursar na reunião sacramental e sentiu fortemente que deveria falar sobre esperança. Ao se preparar, começou a pensar em sua tia Christina, que faleceu de câncer aos 27 anos.

“Eu me sentia muito, muito próxima dela e sentia que precisava ler o testemunho que ela havia dado ao médico antes de falecer”, conta Brinlee.

Ela pediu à mãe, Alyse, que encontrasse o texto. “Eu não conseguia achar em lugar nenhum”, diz Alyse. “Mas então tive uma impressão, do nada, de ir até um livro na estante. Abri o livro e lá estava. Era importante que Brinlee tivesse aquele testemunho; o Espírito estava guiando ela para coisas que iria precisar.”

Apenas dois dias antes de fazer seu discurso na igreja, Brinlee realizou uma colonoscopia que revelou o câncer em estágio 4. Ainda assim, desde o momento em que o médico, com lágrimas no rosto, deu a notícia, ela permaneceu calma.

“Quando saí da colonoscopia, senti uma paz absolutamente sobrenatural tomar conta de mim”, ela diz. “Tive muitas outras experiências que são pessoais demais para compartilhar, mas sinto que fui espiritualmente preparada para o que viria.”

Alyse e Parker estavam com ela no hospital no dia do diagnóstico.

“Dava para ver Deus agindo nela; ela estava sendo fortalecida”, diz Alyse. “O Pai Celestial realmente estava sustentando Brinlee, e ela estava sustentando o restante de nós, o que é até irônico: quem estava passando pela dificuldade era quem nos levantava.” Deus continuaria a agir na vida de Brinlee à medida que a intensidade da situação aumentava.

câncer em estágio 4

Contra o tempo

Brinlee precisava fazer cirurgia e iniciar a quimioterapia o mais rápido possível. Se esperasse, segundo o médico, poderia morrer. Mas havia algo que ela queria fazer antes: tratamento de fertilidade.

Como a quimioterapia reduziria drasticamente suas chances de engravidar no futuro, o casal precisaria coletar e congelar embriões se quisesse ter filhos. Porém, o cirurgião só podia dar uma janela de duas semanas para que isso fosse feito. Depois disso, seria necessário operar.

“Faríamos o que fosse preciso para poder ter filhos”, diz Brinlee. Então, com apenas sete meses de casamento, Parker começou a pesquisar desesperadamente formas de pagar o congelamento de embriões, que pode custar entre 15 e 20 mil dólares. Além disso, enfrentavam o desafio de conseguir um médico com agenda disponível em tão pouco tempo.

“Era uma corrida contra o tempo pela minha vida”, diz Brinlee, acrescentando que eles oraram por ajuda.

“Minha prima querida, que tinha passado recentemente por infertilidade, me conectou com o médico dela. Eles ouviram minha história e, milagrosamente, conseguiram me atender no momento perfeito.”

Após um processo extremamente doloroso, física e emocionalmente, conseguiram garantir embriões viáveis.

Agora, o tratamento contra o câncer poderia começar.

Ao lado de Brinlee estava sua irmã gêmea idêntica, Mariela. As duas sempre fizeram tudo juntas: estudaram na mesma faculdade, escolheram o mesmo curso e até conheceram seus futuros maridos no mesmo dia. Mas agora suas vidas eram muito diferentes, e Mariela sofria ao ver a irmã passar por tudo aquilo.

“Eu estava com muito medo; levava tudo muito a sério. Pensava o tempo todo no que poderia acontecer”, diz Mariela.

“Houve um momento em que ela ia para a cirurgia, e eu estava tão estressada que não conseguia comer, nem dormir. E Brinlee me deu um colar escrito ‘Tenha fé’, com um grão de mostarda. Ela tinha tanta paz. Eu precisei lutar muito mais para sentir isso. Tive que me apegar às escrituras e falar com Deus o tempo todo.”

Enquanto Mariela e a família continuavam a buscar a Cristo nos meses seguintes, Ele se manifestava de maneiras claras.

Caminhando com o Salvador

Alyse levava Brinlee de carro, por cerca de uma hora, de Heber City até Salt Lake City para as sessões de quimioterapia a cada duas segundas-feiras. Os medicamentos a deixavam completamente exausta e extremamente enjoada por dias. Ela teve reações na pele e perdeu cabelo e peso.

Ainda assim, ao lembrar dessa fase, ela fala do Salvador.

“Meu relacionamento com Jesus Cristo foi fortalecido de forma incrível com essa experiência. Eu sempre ouvia em minha mente as palavras do hino ‘Getsêmani’ quando ia para a quimioterapia: Jesus subiu a colina até o jardim. Seus passos eram pesados e lentos.

Eu sentia que estava caminhando com Ele. E Ele estava caminhando comigo. Estávamos juntos. Hoje entendo melhor o que é o sofrimento humano; nunca me senti tão perto da morte.”

Os familiares de Brinlee também tiveram experiências espirituais marcantes. A reação inicial de seu pai foi de raiva.

“Eu me senti um pouco injustiçado, como se estivesse sendo perseguido. Por que isso está acontecendo com a gente? Por que minha filha tem que passar por isso?”, diz Justin. Ainda assim, ele continuou buscando a Deus.

“Tive várias experiências espirituais no templo. Em uma delas, senti uma mensagem de Deus pelo Espírito… a mensagem foi: você não é o único pai passando por isso. Eu também sou o Pai dela. Eu entendo a situação, e isso também é difícil para mim.”

A família também viu a mão de Deus em pequenos detalhes. Em uma viagem de última hora para Houston, apenas um dos dois conseguiu um assento na primeira classe. Brinlee ficou na frente. A mulher ao seu lado, ao ouvir sua história, foi até o fundo do avião e insistiu para que Parker trocasse de lugar.

“Ela havia perdido um dos pais para o câncer de cólon, então teve empatia por nós”, diz Justin. “Quando alguém faz algo assim por você, é uma conexão com o Salvador.”

câncer em estágio 4

Alívio e propósito

Em dezembro de 2024, pouco menos de dois anos após o diagnóstico, veio a notícia: Brinlee estava em remissão. Um exame de sangue não detectou células cancerígenas.

“Se você olha para tudo o que aprendemos com isso, nos tornamos mais do que éramos antes”, diz Justin.

Brinlee e Mariela também começaram um projeto juntas durante o tratamento: uma pequena empresa chamada The Port Studio. Elas criaram moletons com zíper para facilitar o acesso ao dispositivo de quimioterapia, trazendo mais conforto aos pacientes.

Mas, mais do que um produto, elas queriam oferecer esperança.

“Queríamos criar algo que lembrasse às pessoas que a doença não define quem elas são. Ainda é possível viver com propósito e esperança todos os dias”, diz Mariela.

“Há esperança”

Hoje, Brinlee tenta reconstruir a vida com fé no futuro.

“Não se fala muito sobre como é difícil depois do câncer… Deus esteve tão próximo no começo, mas agora é como voltar à vida real”, ela diz.

Mesmo com incertezas, ela se apoia no que aprendeu:

“Acho que o maior aprendizado foi esperança, alegria e entregar sua vontade a Deus. A esperança é essencial para a alegria. Você pode viver mesmo em meio às provas com alegria, porque sabe que há vida após a morte. A morte não é o fim. Deus vive, Jesus Cristo vive, e há esperança.”

Fonte: LDS Living

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