Curta-metragem inédita sobre Anne Frank

Nota: O curta sobre Anne Frank já encontra-se no estágio de pós-produção.

Historicamente, algumas situações têm destruído a humanidade do ser humano com imenso fervor, como o caso do Holocausto. E embora estima-se que a Alemanha Nazista foi responsável pela morte de mais de 10 milhões de pessoas, ela não conseguiu destruir as brasas da coragem, da lealdade e da caridade: tudo o que nos torna humanos.

Personagens que sobreviveram ao Holocausto emergiram maior do que nunca. Estamos familiarizados com o diário de Anne Frank, seus relatos ao estar escondida no sótão e o fim trágico de sua história. Talvez alguns de nós estejam familiarizados com Miep Gies, a mulher que escondeu a família Frank no sótão por 2 anos e preservou o diário de Anne. Sabemos de Otto Frank, pai de Anne, que publicou o diário de sua filha de modo que o mundo inteiro pudesse saber a sua história.

Um nome com o qual tornei-me familiarizada recentemente é o de Hannah Pick-Goslar, conhecida no diário de Anne Frank como Lies Goosens, chamada por Anne como Hanneli.

“Melhores amigas desde o jardim de infância, Hanneli e Anne cresceram em Amsterdam. Quando os nazistas invadiram em 1940, Hanneli e Anne não tinham ideia de como suas vidas mudariam para sempre. No verão de 1942, Anne e sua família secretamente se esconderam e as melhores amigas foram abruptamente separadas.”

Avery Pizzuto como Anne Frank e Camrey Bagley como Hanneli

Avery Pizzuto como Anne Frank (no centro) e Camrey Bagley como Hanneli (esquerda). Imagem via LDS.net.

Isto é como diretores de Utah Sally Meyer e Ali Barr começaram a apresentação de sua curta-metragem Hanneli e Anne. Eu tive a oportunidade de sentar-me com os dois para discutir a inspiração, o processo de produção, e, claro, Hannah Pick-Goslar.

A inspiração

“Ela sabia que atirariam nela se ela fosse vista, mas ela arriscou sua vida.”

Sally Meyer falou de Hannah Pick-Goslar com a mesma reverência dada aos santos. Um escritor e diretor de Salt Lake City, Utah, Meyer encontrou a história de Hannah enquanto procurava por algo para uma competição de scripts de filmes.

“Eu era como você”, a diretora disse, “Eu nunca tinha ouvido esse nome antes, mas eu pensei, ‘isso é uma história incrível que precisa ser contada.”

Camrey Bagley e Brook Besikof como Hanneli e Jacque

Camrey Bagley e Brook Besikof como Hanneli e Jacque. Imagem via LDS.net.

Depois que Anne passou a se esconder, Hannah e sua família foram enviados para Westerbork, e mais tarde transferidos para Bergen-Belsen – mesmo acampamento que abrigava Anne e Margot. Por causa de seus passaportes da Palestina, Hannah e sua família acabaram em uma área mais privilegiada no campo. Como obra do destino, Anne residiu no campo adjacente de Hannah, separados por uma enorme cerca preenchida com arame farpado e palha. Apesar do grande risco mesmo indo perto da cerca que representam para a sua vida, Hannah fez um pacote de comida e meias, e atirou sobre a cerca para sua amiga de infância.

“O presente não é insignificante porque não funcionou. Ele deu a ela aquele momento. E todos nós temos aqueles pequenos momentos onde recebemos uma bênção e não sabemos como contê-la. E apenas da comida e das meias serem dadas a ela, entregar o presente foi o presente em si”, observou a diretora Ali Barr. Barr foi recrutada para o projeto por Sally, tendo elas trabalhado juntos em vários outros filmes. Barr aproveitou a oportunidade.

“Você poderia matar as pessoas, mas você não pode matar o ser humano … apesar das tragédias e dos extremos, Hannah ainda doou no final.”

O processo de produção

por trás das câmeras

Por trás das câmeras do curta sobre Anne Frank. Imagem via LDS.net.

Foram 4 dias de filmagem, 12 horas para montar as tendas e aparelhos, e semanas para construir a cerca e deixar a câmera pronta. Exatidão histórica era uma prioridade.

“Usamos adubo para cobrir toda a grama, para que parecesse um solo morto. Eles não queriam ver nada verde, porque não havia nada verde para ser comido.”

O marido de Barr, Jean-Marc, manuseou toda a construção, e ficou satisfeito pela construção da cerca.

“O personagem contrário a Hannah é o personagem que mais entendi no filme: a cerca.”

Jean-Marc visitou a internet, pesquisando sobre a cerca. Duas cercas duplos, 10 pés de altura com uma estrada entre os dois. Cada cerca dupla foi preenchida com arame farpado e palha.

“Era um obstáculo realmente intransponíveis, mas não parecia dessa forma porque você podia falar por ele … Isso é o tipo de grande inimigo simbólico sobre o qual nunca vão falar. Quando ela fala sobre ir para a cerca, ela nunca mostra qualquer receio da cerca. Ela nunca mostra qualquer receio de ser baleada perto da cerca, ou pegar piolhos na cerca, ela só vai para a cerca.”

Hannah Pick-Goslar (Hanneli)

Depois de semanas tentando entrar em contato com ela, Sally teve a oportunidade de falar com a Hannah Pick-Goslar da vida real através do telefone tarde da noite.

Hannah Pick Goslar

Hannah Pick Goslar, amiga de infância de Anne Frank. Imagem via LDS.net.

“Você realmente não encontra muitas heroínas, e eu me senti feliz porque encontrei uma.”

Ela me perguntou se eu era Mórmon e foi um pouco preocupante, porque ela poderia dizer, ‘Bem, você não pode contar a minha história; Eu sou judia, você é mórmon.’ Mas eu disse: ‘Sim, eu sou.’ E ela disse:’ Eu estive na praça do templo e é muito bonito.”

Fiquei aliviada e eu também sabia que eu tinha estado na praça do templo – que ambos compartilhávamos algo”.

Antes do início das filmagens, o script foi avaliado por Hannah para obter-se exatidão histórica. Havia certas coisas que ela solicitou que fossem adicionadas, mudanças de idade que ela insistiu que fossem feitas, e a adição de três milagres que mantiveram a sua jovem irmã Gabi viva em Bergen-Belsen.

“Nós fizemos tudo o que ela nos pediu, porque é a história dela, e nós queremos que ela seja capaz de apresentá-la com orgulho aos seus filhos e netos. Por mais que você deseje a liberdade criativa, você precisa ficar na história.”

Com o filme agora na pós-produção, o elenco e a equipe estão buscando doações. Eles esperam que o filme seja apresentado em festivais locais judaicos de cinema, escolas e museus do Holocausto. Eles também esperam que Hannah Pick-Goslar tenha a chance de ver o filme – esta possibilidade diminui a cada dia conforme ela envelhece.

Este artigo foi escrito por Gabriella Loosle em LDS.net. Traduzido por Esdras Kutomi.