6 lições do evangelho que aprendemos com “Frozen”

Em 2014, um ano após a estreia de Frozen nos cinemas, cerca de 1.131 novos bebês se tornaram lembretes ambulantes da rainha da neve Elsa, levando fama ao nome pela primeira vez. Minha irmã e eu fomos assistir o filme principalmente por causa dos cantores talentosos (como você pode não amar Idina Menzel quando você cresceu ouvindo-a cantar “Defying Gravity” como Elphaba em Wicked?), e nós não ficamos tão encantadas pelo filme como todas as outras pessoas. Claro, havia algumas cenas legais e algumas músicas cativantes, mas, no geral, ficamos desencantadas com o enredo e todos as suas falhas e nós só queríamos terminar o filme para finalmente dizer “livre estou”.

Ao assisti-lo novamente ao longo dos anos, comecei a gostar mais de algumas das mensagens profundas e positivas que o filme nos passa – mensagens que estão relacionadas com as verdades do evangelho e que claramente tocaram os corações de milhares de pais que agora têm pequenas Elsas e Annas. Aqui estão algumas coisas que eu percebi:

  1. Medo e amor

Uma das forças que movem o enredo deste filme é o medo intenso de Elsa. Ela tem medo de mostrar às pessoas quem ela realmente é, ela tem medo de seu poder, medo de sua irmã, e medo de governar um reino. Durante a maior parte do filme, suas decisões são tomadas com base em seus medos, afastando todas as pessoas e magoando quem ela ama. O medo de Elsa a leva ao isolamento e a acreditar que ela não pode fazer nada para mudar sua personalidade destrutiva e que ela está melhor sozinha – uma crença que é provada falsa no final do filme.

Esta lição sobre o medo me lembra muito o que aprendemos no evangelho. Elder Kevin W. Pearson ensinou na conferência geral de abril de 2009 que “A fé e o medo não podem coexistir”, e que o medo sempre nos isolará e nos afastará daqueles que querem nos ajudar.

Seja medo de se arrepender, medo de falhar, medo de não ser bom o suficiente, medo de não ser amado, entre outros, todos enfrentam medos, e essa é uma das maiores ferramentas de Satanás. Se ele conseguir nos fazer ter medo do arrependimento, nós nos afastamos do Senhor e daqueles que amamos numa tentativa de nos escondermos do constrangimento antecipado e vergonha, assim como quando Elsa fugiu para a montanha.

Se tivermos medo de cometer um erro, podemos nos isolar para que as pessoas só vejam as coisas boas que fazemos em vez de construir relacionamentos reais, assim como Elsa fazia quando sempre usava as luvas e se afastava de todos, incluindo de sua irmã. Se temos medo de não sermos amados, às vezes podemos ser tentados a mudar quem somos para nos adaptar aos desejos de outra pessoa e nos isolar do nosso verdadeiro eu, assim como Elsa tentou fazer escondendo os seus poderes no dia da sua coroação.

No final, Elsa descobre que o amor—por si mesma, por sua irmã, e pelo seu reino—é o que lhe permite usar seus poderes. Isto é, na verdade, aquilo em que acreditamos como Santos dos Últimos Dias.

Em seu discurso na conferência de abril de 2017, “O Perfeito Amor Lança Fora o Temor”, Élder Uchtdorf fala sobre este conceito e cita esta escritura: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.” (2 Timóteo 1:7). Ele também acrescenta: “Meus queridos amigos, meus queridos irmãos e irmãs em Cristo, se estiverem vivendo com medo e ansiedade ou se acham que suas palavras, atitudes ou ações estão causando medo em outras pessoas, então oro com toda a força de minha alma para que nos livremos desse medo por meio do antídoto divinamente designado para o medo: o puro amor de Cristo, capaz de transformar o mundo, pois “o perfeito amor lança fora o temor”.

  1. Enterrar os nossos talentos

Uma história do evangelho que Elsa me faz pensar é a parábola dos talentos. Você se lembra da história – um homem sai em uma viagem e dá a cada um de seus servos um, dois e cinco talentos, respectivamente. Os servos com cinco e dois talentos saem e ganham mais talentos enquanto o seu mestre está fora, mas o servo com um talento enterra a moeda. Quando o homem retorna e pergunta aos servos o que eles fizeram com seus talentos, ele fica descontente com o terceiro servo por não usar e melhorar o talento que lhe foi dado e dá o talento do terceiro servo para o primeiro (Mateus 25).

De modo semelhante, Elsa começou o filme como uma personificação do servo a quem foi dado um talento. Ao saber que seus poderes poderiam ser perigosos, Elsa começou a temer e esconder seu “dom”, tratando-o como uma maldição e se focando no perigo ao invés da beleza, assim como o servo que recebeu um talento fez. Ambos acabaram miseráveis e temerosos (“E atemorizado, escondi na terra o teu talento”).

No entanto, quando Elsa passou a considerar seus poderes como um dom e aprendeu a usá-los para o bem, ela foi ricamente recompensada. Da mesma forma, se aprendermos a reconhecer nossos dons e habilidades especiais e usá-los para o bem, nossas vidas e as vidas daqueles ao nosso redor podem ser abençoadas.

Como a irmã Michelle Craig disse em seu discruso da conferência de outubro de 2018, “Descontentamento divino”, “Vocês já sentiram que seus dons e talentos eram insignificantes para o que tinham de fazer? Eu já. Mas podemos dar o que temos a Cristo e Ele multiplicará nossos esforços. O que vocês têm a oferecer é mais do que suficiente, mesmo com suas fraquezas e debilidades humanas, se confiarem na graça de Deus.”

  1. Fazer as coisas fracas se tornarem fortes

Quando conhecemos Elsa, ela está usando seus poderes mágicos para se divertir com Anna. No entanto, um acidente quase trágico parece levá-la a perder o controle de sua magia e a remoção de todas as memórias mágicas de Anna. Isso se torna uma fraqueza para Elsa – algo que ninguém, exceto seus pais, sabiam e que ela tenta esconder, mas que vem a tona quando ela está experimentando emoções extremas.

Por exemplo, quando Anna pega sua luva, causando medo e raiva durante a coroação e quando soldados do reino a atacam em seu castelo de gelo, uma barricada assustadora de gelo escapa de seus dedos e a transforma em um “monstro”.”

Com que frequência isso acontece conosco? Talvez tenhamos um dom como liderança que se transforma em domínio injusto quando nos sentimos inseguros ou pressionados. Ou talvez tenhamos uma fraqueza que queremos superar, mas continuamos a cair. Foi somente quando Elsa se esforça para entender sua “fraqueza” e aceita a ajuda e o amor de sua irmã que ela se torna capaz, de não só usar melhor seus poderes, mas também usar seus poderes para melhorar seu reino e trazer alegria para os outros. Nós somos ensinados o mesmo conceito no evangelho.

Em Éter 12: 27, diz: “E se os homens vierem a mim, mostrar-lhes-ei sua fraqueza. E dou a fraqueza aos homens a fim de que sejam humildes; e minha graça basta a todos os que se humilham perante mim; porque caso se humilhem perante mim e tenham fé em mim, então farei com que as coisas fracas se tornem fortes para eles.” Quando nos esforçamos para reconhecer nossas fraquezas e aceitar a ajuda do Pai Celestial para mudar, aquelas coisas com as quais temos dificuldades podem se tornar pontos fortes e nossas maiores ferramentas de aprendizagem.

  1. Autoestima, potencial divino e liberdade

Quando Elsa fugiu de sua responsabilidade como rainha de Arendelle, ela pensou que estava se permitindo ser livre e expressar quem ela realmente era. “Os meus limites vou testar, a liberdade veio enfim, pra mim” enquanto ela canta no seu belo e solitário castelo de gelo nos cumes das montanhas cobertas de neve.

No entanto, a “liberdade” que ela ganhou ao se afastar das suas inseguranças, de suas tentativas de controlar os seus poderes, e de sua responsabilidade como rainha e como irmã quase matou a pessoa que mais amava, a transformando em fugitiva e, posteriormente em uma prisioneira. Foi só quando ela aceitou quem ela era – com poderes mágicos e tudo – e aceitou seu papel como líder que ela encontrou a verdadeira alegria e liberdade, e ganhou o controle de seus poderes.

O mesmo acontece conosco.

Quando tentamos nos esconder de nossa identidade como filhos e filhas de Deus, pensando que encontramos liberdade não vivendo os mandamentos ou fazendo o que queremos fazer, nos encontramos em maior escravidão e com maiores fardos.

Como as escrituras nos advertem, “E há também combinações secretas, como nos tempos passados, segundo as combinações do diabo, pois ele é o fundador de todas estas coisas; sim, o fundador do homicídio e das obras de trevas; sim, e guia-os pelo pescoço com um cordel de linho, até amarrá-los para sempre com suas cordas fortes.” (2 Néfi 26:22, grifo do autor).

Encontramos verdadeira liberdade ao guardar os mandamentos e reconhecer nossas responsabilidades e privilégios como filhos de Deus. Guardar os mandamentos é o que nos dá acesso aos nossos próprios “poderes” de fé e espírito. À medida que nos aceitamos e aceitamos todos os dons ou falhas que nos foram dados, reconhecendo nosso Pai Celestial, temos maior autocontrole, confiança, conhecimento, e às vezes até mesmo poder. Afinal de contas, Jesus Cristo nos disse, “porque em verdade vos digo que, se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a este monte: Passa daqui para acolá; e haveria de passar; e nada vos seria impossível.” (Mateus 17:20).

  1. O poder dos relacionamentos familiares

Embora muitas dessas lições do evangelho tenham sido mostradas por Elsa, há uma poderosa mensagem que Anna ilustra muito bem.

Anna e Elsa têm um vínculo inseparável no início do filme, mas após o acidente, a memória de Anna sobre os poderes de Elsa é apagada e Elsa se retira com medo e culpa, ficando afastada de sua irmã durante a maior parte do filme. Mas mesmo quando Elsa se afasta, Anna não consegue se lembrar porque ela nunca esquece esse laço fraternal. Ela faz tudo o que pode para estar junto com Elsa. Ela enxerga as melhoras coisas nela, não tem medo de seus poderes, e uma vez que ela entende por que Elsa tem se escondido por tantos anos, Anna até enfrenta o frio da neve só para que Elsa soubesse que não está sozinha durante seu sofrimento. No final, Anna perdoa e ama sua irmã, sacrificando sua vida para salvar Elsa, apesar de todas as coisas que Elsa fez para afastá-la.

Embora possamos não ter que sacrificar nossas vidas o exemplo de Anna é, de certa forma, uma lembrança de nosso próprio chamado como ministradores e como seres humanos ao amar uns aos outros como somos amados pelo nosso Salvador.

A irmã Jean B. Bingham lembrou-nos na Conferência Geral de abril de 2018: “Depois de tudo o que foi dito e feito, ministrar de verdade acontece individualmente, tendo o amor como motivação. O valor, o mérito e a maravilha da ministração sincera estão no fato de que ela realmente muda vidas! Quando nosso coração está aberto e pronto para amar e incluir, incentivar e consolar, o poder de nossa ministração é irrefreável.” (“Ministrar tal como o Salvador”, Conferência Geral, abril 2018).

Quer sejamos membros da Igreja ou não, somos todos irmãos e irmãs celestiais, e cada um de nós pode seguir o exemplo de Anna, em nossas próprias famílias, em nossos bairros, e em nossa ministração. Nós podemos gentilmente, persistentemente, e genuinamente amar aqueles que estão com dificuldades. Podemos dizer-lhes que eles podem contar conosco. Sempre. E podemos perdoá-los quando eles estiverem prontos.

Anna, embora um pouco impulsiva às vezes, é um exemplo maravilhoso de “não [cansar] de fazer o bem.” (2 Tessalonicenses 3:13). Seu amor por sua irmã era incessante, e no final, ela se sacrificou para salvar sua irmã— uma ação que também poderia, de certa forma, nos lembrar do amor e sacrifício de nosso Salvador por nós, Seus irmãos e irmãs.

  1. O amor não é uma porta aberta

Esta foi talvez uma das minhas coisas favoritas de Frozen: que o amor à primeira vista não é tão fácil ou feliz como sempre pareceu ser nos filmes. Ao contrário do que Anna e Hans romanticamente cantam um para o outro, o amor não é necessariamente uma porta aberta de felicidade e vida despreocupada.

Enquanto o amor pode abrir as portas para um novo crescimento, aprendizado e felicidade, sabemos que o amor e o casamento requerem trabalho e envolvem comunicação honesta e compromisso de ambas as pessoas. O amor é um processo, não um evento.

Como Elder Lynn G. Robbins explicou em um artigo de Outubro de 2000 na revista Ensign intitulado “Arbítrio e amor no casamento”, “muitos acreditam que o amor é um estado, um sentimento que envolve 100% do coração, algo que acontece com você. Eles dissociam o amor da mente e, portanto, do arbítrio. Ao nos dar o mandamento para amar, O Senhor se refere a algo muito mais profundo do que o romance — Um amor que é a mais profunda forma de lealdade. Ele está nos ensinando que o amor é mais do que sentimentos do coração; é também um convênio que guardamos com a alma e a mente.”

Anna aprende esta lição da maneira mais difícil, depois do “beijo do amor verdadeiro” fracassado com Hans, que a leva a reconhecer o amor que foi construído entre ela e Christoff e que ele tem mostrado através de suas ações altruístas ao longo de sua jornada. Como Anna, ainda podemos encontrar algumas pessoas como Hans em nossas vidas, mas o Senhor prometeu maior felicidade se ambos os parceiros levam tempo para construir e trabalhar em seu casamento e namoro.

Fonte: LDS Living

 

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