O presidente Dallin H. Oaks, de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, recebeu em Salt Lake City, na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, líderes religiosos de várias partes do mundo. Ele elogiou os esforços para construir paz e compreensão com respeito às diferenças de crença.

“Pessoas de boa vontade, compaixão e desejo de entender e ajudar umas às outras, sem exigir o abandono de compromissos próprios, estão no centro da [construção da paz]”, disse o presidente Oaks na cerimônia de abertura do Fórum Inter-religioso do G20, realizada no Tabernáculo de Salt Lake. A frase ecoa o discurso Vivos em Cristo, da conferência geral de abril de 2026, em que ele convidou os membros a serem pacificadores.

Ele elogiou os participantes por seu trabalho como “pacificadores no mundo de hoje” e disse: “Queremos fazer parte de seus esforços e invocar as bênçãos do Senhor sobre todos nós daqui para a frente.” Chamou o fórum de “o maior conjunto de líderes sobre o assunto que nos reúne que já esteve em Salt Lake City”.

O Fórum Inter-religioso do G20, realizado pela primeira vez nos Estados Unidos, reúne líderes religiosos, acadêmicos, profissionais da área humanitária e autoridades públicas de todo o mundo. Fundado em 2014, o encontro acontece todos os anos no país que preside o G20 e busca levar perspectivas religiosas a discussões que vão da construção da paz e da liberdade religiosa à pobreza, à tecnologia e ao desenvolvimento econômico.

O G20 é um fórum de cooperação econômica internacional entre as maiores economias do mundo. Segundo os organizadores, as comunidades de fé podem contribuir com esses debates por causa de sua experiência em escolas, hospitais, programas humanitários e redes de assistência em todo o mundo. O fórum será encerrado no sábado, na Catedral Católica da Madalena, a cerca de 800 metros a leste do Templo de Salt Lake.

Imagem: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

“Esperança Resiliente, Futuro Compartilhado”

O tema deste ano é “Esperança Resiliente, Futuro Compartilhado”. Além do presidente Oaks, a cerimônia de abertura teve discursos e orações de líderes das tradições muçulmana, católica, cristã ortodoxa, hindu, judaica e de outras fés.

O convidado de honra da noite foi Sua Excelência Dr. Mohammad Abdulkarim Al-Issa, secretário-geral da Liga Muçulmana Mundial, que fez o discurso principal. Ele destacou a esperança e chamou as comunidades de fé a trabalhar juntas pela paz, pelo entendimento mútuo e pela dignidade humana.

“Queridos amigos, nossa diferença natural não deve ser uma ameaça nem um incentivo ao choque e ao conflito”, disse o Dr. Al-Issa, que visitou líderes da Igreja na Praça do Templo em 2019. “Ela faz parte das diversidades que Deus quis para a humanidade, em Sua sabedoria universal e predestinada.”

O arcebispo Gabriele Caccia, núncio apostólico nos Estados Unidos, leu uma mensagem do papa Leão XIV enviada pelo cardeal Pietro Parolin. Ela descreveu o encontro como “um exemplo brilhante da solidariedade da família humana” e destacou a importância da dignidade humana, da liberdade religiosa e do bem comum. “O papa Leão XIV reza para que suas deliberações, conduzidas com gentileza e respeito, inspirem os fiéis a encontrar respostas cada vez mais convincentes para quem pergunta a razão de nossa esperança”, disse o arcebispo.

A música também teve papel de destaque. O Coro do Tabernáculo apresentou seis músicas, entre elas “Peace Like a River” e “Look Up”, que combinaram com os apelos por esperança, paz e cooperação. Ao comentar a apresentação, o metropolita Emmanuel de Calcedônia, segundo na hierarquia do Patriarcado Ecumênico, comparou a cooperação inter-religiosa à harmonia de um coral.

“Centenas de vozes, baixos, tenores, contraltos, sopranos, e nenhum baixo pediu aos sopranos que descessem ao seu registro”, disse. “O que ouvimos foi harmonia justamente porque as vozes continuaram diferentes, cada uma em sua linha, todas no mesmo ritmo.” Segundo ele, pessoas de tradições diferentes podem trabalhar juntas sem abandonar suas crenças, e a “fé em um só Criador e em uma só criação” pode unir pessoas muito diferentes sem pedir que se tornem iguais.

A líder espiritual hindu e autora Sadhvi Bhagawati Saraswati incentivou os participantes a ver a esperança como motor de ação. “A esperança não é um estado de espírito que esperamos. É uma capacidade que construímos”, afirmou.

“Nossa fé nos dá um ‘sim’ interior e retumbante: sim à vida, sim ao amor, sim à paz, sim à dignidade humana, sim à esperança. Mas a fé também deve nos dar um ‘não’ igualmente retumbante: não à destruição ambiental, não à pobreza, não à opressão e à exploração, e principalmente não à violência em nome de Deus.”

O rabino Mark Dratch, vice-presidente executivo do Congresso Judaico Mundial, falou em ser “prisioneiros da esperança”, expressão do livro de Zacarias (9:12).

Segundo ele, ela reflete a convicção de que as pessoas de fé devem recusar o desespero, mesmo em meio a conflitos e incertezas, e transformar a esperança em ação em favor dos outros.

“Quando o mundo disser que nossa esperança está perdida, que nós, pessoas de fé, respondamos juntos: não estamos sem esperança. Apegamo-nos a Deus, uns aos outros e a um futuro que ainda não vemos, mas pelo qual estamos dispostos a trabalhar hoje.”

Imagem: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Mensagem do élder Stevenson

Antes da cerimônia de abertura, o élder Gary E. Stevenson, do Quórum dos Doze Apóstolos, recebeu os participantes em um jantar no saguão do Edifício de Escritórios da Igreja e falou sobre o papel das pessoas de fé na construção da paz e no fortalecimento das comunidades.

Citando o ensinamento do Salvador, “Bem-aventurados os pacificadores”, ele incentivou os líderes religiosos a trabalhar juntos pelos desafios que afetam a família humana. O tema foi o mesmo de seu discurso na conferência geral de outubro de 2025, “Bem-aventurados os pacificadores”.

Quando o grupo se preparava para ir ao Tabernáculo, o apóstolo os convidou a lembrar os dois grandes mandamentos de Cristo: amar a Deus e ao próximo. “Ao redor destas mesas, esta noite, pessoas de muitas fés já começaram a vivê-los juntas. Que continuemos a fazê-lo, como pacificadores e como filhos de Deus”, disse o élder Stevenson.

“Acrescento meu testemunho do nome de Jesus Cristo, o Príncipe da Paz. Oro para que Deus os abençoe em seu trabalho esta semana, abençoe as pessoas a quem servem e abençoe as amizades formadas nesta sala esta noite, para que possamos levar esperança a um mundo que tanto precisa dela.”

Imagem: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Como discordar melhor

Durante o dia, a sessão de abertura do fórum teve falas do governador de Utah, Spencer Cox, do ex-governador da Carolina do Sul David Beasley e de Martin Luther King III sobre como discordar melhor.

O governador Cox disse que as comunidades podem enfrentar a divisão “uma conversa, uma discordância, um vizinho, um ato de serviço de cada vez”. O governador Beasley destacou o poder das relações pessoais: “Quando você parte o pão com alguém, é difícil odiar essa pessoa.” King lembrou que seus pais “entendiam que podíamos discordar sem sermos desagradáveis”.

As mensagens do encontro foram na mesma direção: a paz começa com entendimento, respeito e disposição para trabalhar juntos, apesar das diferenças.

Fonte: Newsroom

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