O Vem, e Segue-Me começou a ser usado em janeiro de 2019. São mais de sete anos de manual, mas será que temos entendido o objetivo dele e conseguido aplicá-lo à nossa realidade? Ou ainda pensamos que, para aprender e sentir o Espírito do Senhor, é preciso ter uma família reunida ao redor da mesa, com crianças perfeitamente comportadas?

Pensando nisso, reunimos algumas ideias de como usar as perguntas e os auxílios do manual para viver os ensinamentos das escrituras em diferentes fases da vida.

Para quem é solteiro e mora sozinho

Às vezes, quando falamos em Noite Familiar, a primeira imagem que vem à cabeça é a de pais reunidos com os filhos. Mas morar sozinho não significa estar fora dessa proposta. A Noite Familiar também pode ser um tempo separado na semana para estudar, pensar e encontrar maneiras de viver o que se aprende no Vem, e Segue-Me.

Isso não precisa significar sentar sozinho à mesa e dar uma aula para si mesmo. Há outras maneiras de aproveitar esse tempo.

As perguntas do manual funcionam bem no diário. Em vez de responder rapidamente, você pode escrever o que realmente pensa sobre elas, lembrar de experiências que já viveu ou registrar as dúvidas que ainda tem. Algumas dessas perguntas rendem mais quando temos tempo para pensar nelas.

Um discurso ou outro recurso indicado no manual pode ser ouvido enquanto você prepara uma refeição, organiza a casa ou lava a louça. Depois, escolha uma ideia que chamou sua atenção e pense em como ela se relaciona com a leitura daquela semana.

Um versículo também pode acompanhar uma caminhada. Leia antes de sair e, durante o percurso, pense no que aquela passagem ensina e por que ela pode ser importante para você naquele momento. Ao voltar, anote uma frase ou impressão que gostaria de lembrar.

Para quem gosta de pesquisar, uma noite pode ser usada para entender melhor o contexto de uma passagem. Onde aquela história aconteceu? Quem eram aquelas pessoas? O que estava acontecendo naquele período? Mapas, imagens, vídeos e relatos históricos sugeridos nos materiais da Igreja ajudam a enxergar detalhes que passam despercebidos em uma leitura rápida.

O estudo também pode virar uma pequena meta para a semana. Se a lição falou sobre perdão, serviço, oração ou guardar convênios, pense em uma ação concreta ligada a esse princípio. Na semana seguinte, comece a Noite Familiar pensando no que aconteceu quando tentou colocá-lo em prática.

Esse tempo ainda pode incluir outra pessoa. Ligue para os pais, um irmão, os avós ou um amigo e conte algo interessante que encontrou no estudo. Pode ser simplesmente: “Li uma coisa hoje que me fez pensar nisso. O que você acha?”

Música, desenho, pintura e escrita também podem ser ótimos para esse momento. Um hino indicado na lição pode levar a uma pesquisa sobre a letra, uma escritura pode inspirar um desenho, uma história pode ser recontada com suas próprias palavras.

Noite Familiar com crianças.

Famílias com crianças pequenas

Quem tem crianças pequenas em casa provavelmente já descobriu que pedir que todos permaneçam sentados por muito tempo nem sempre funciona. E tudo bem, crianças aprendem falando, perguntando, mexendo nas coisas, cantando e correndo pela sala. A Noite Familiar pode aproveitar justamente isso.

Uma história das escrituras pode ser desenhada. Conte a história em poucas frases, entregue papel e lápis de cor e peça que cada criança desenhe a parte de que mais gostou. Enquanto elas desenham, os pais podem fazer perguntas sobre os personagens e sobre o que aconteceu.

Esconder objetos pela casa funciona bem quando a lição tem elementos concretos. Se o assunto é a armadura de Deus, cada objeto pode representar uma parte dela; se é seguir o profeta, as pistas podem levar até uma imagem dele. Não precisa ser uma grande caça ao tesouro: três ou quatro objetos já bastam.

As histórias também podem virar pequenas encenações. Uma toalha vira um manto e duas cadeiras representam um barco. Os pais contam a história enquanto as crianças representam os personagens. Pode ser que elas queiram recomeçar tudo trocando os papéis.

Os blocos e brinquedos que já existem em casa entram na atividade sem a necessidade de nenhum preparo. Depois de ler sobre a construção de um templo, de uma cidade ou de uma casa, as crianças podem tentar construir algo relacionado à história enquanto os pais falam sobre o princípio ensinado naquela passagem.

As perguntas também podem envolver movimento. Coloque duas opções em lados diferentes da sala, faça uma pergunta simples e peça que as crianças corram para o lado que representa a resposta escolhida. Depois, explique rapidamente e siga para a próxima.

Os hinos da Primária indicados no manual ajudam bastante. Dá para cantar fazendo gestos, parar a música em determinadas palavras ou pedir que as crianças digam o que aquela letra ensina sobre Jesus Cristo.

E algumas semanas podem terminar com uma tarefa bem pequena: desenhar algo para entregar a alguém, ajudar a guardar os brinquedos de um irmão, separar um alimento para doar ou escolher uma pessoa por quem a família vai orar naquela semana.

Com crianças pequenas, dez ou quinze minutos podem ser suficientes. Talvez alguém se levante no meio, outro queira contar uma história que não tem nada a ver com o assunto e a atividade planejada dure metade do esperado. Isso não significa que a Noite Familiar deu errado. Na semana seguinte, a família tenta de novo.

Noite Familiar com adolescentes.

Famílias com adolescentes

Com adolescentes, a dinâmica muda. Eles já conseguem analisar situações, discordar dos pais, levantar questões difíceis e perceber quando uma conversa está sendo conduzida apenas para chegar a uma resposta pronta. Por isso, o Vem, e Segue-Me pode funcionar melhor como ponto de partida para uma conversa do que como roteiro de uma aula.

Deixe que o adolescente escolha uma das perguntas do manual. Cada pessoa responde e explica por que pensa daquela maneira. Os pais não precisam corrigir na hora cada resposta diferente da sua; ouvir primeiro ajuda a entender o que o filho realmente pensa sobre aquele assunto.

Um princípio das escrituras também pode ser colocado diante de uma situação real. Como ele se aplica quando um amigo pede para esconder algo dos pais? E quando alguém é excluído de um grupo? O que muda quando a situação envolve namoro, redes sociais, pressão dos colegas ou decisões sobre o futuro?

Os vídeos sugeridos no manual rendem uma noite simples: assistam a um deles e cada pessoa escolhe uma parte para comentar. Pode ser algo de que gostou, algo com que não concordou de imediato ou uma pergunta que surgiu.

Outro caminho é pedir que cada um relacione a leitura da semana a algo que viu ou viveu nos últimos dias — uma conversa na escola, uma postagem nas redes sociais, uma notícia, um filme ou uma situação com amigos. As respostas não precisam ser muito espirituais. O exercício é perceber como os princípios aparecem nas escolhas comuns.

Também dá para sair de casa. Tomar um sorvete, caminhar, andar de carro ou preparar alguma coisa para comer juntos cria um ambiente mais natural para conversar. Uma pergunta do manual pode entrar no meio dessa conversa sem que ninguém precise se sentar para uma “lição”.

De vez em quando, os adolescentes podem assumir parte da noite: escolher um vídeo, uma música, uma pergunta ou até um jogo relacionado ao assunto da semana. Não precisa ser nada preparado com antecedência.

E há semanas em que o assunto do Vem, e Segue-Me abre espaço para perguntas sobre testemunho e dúvidas sobre o evangelho. Se isso acontecer, talvez seja melhor deixar a atividade planejada de lado e conversar. Nem toda pergunta precisa ser resolvida naquela noite. Algumas precisam primeiro ser ouvidas.

Casais recém-casados ou sem filhos

A Noite Familiar não precisa começar quando chegam os filhos. Um casal já é uma família e pode encontrar no Vem, e Segue-Me boas oportunidades para conhecer melhor a maneira como cada um entende e vive o evangelho.

Escolham uma pergunta do manual e respondam separadamente, para depois compartilhar. Duas pessoas podem ler a mesma passagem e prestar atenção em coisas completamente diferentes.

O jantar preparado juntos já pode ser a Noite Familiar, sem precisar reservar um momento para uma aula depois da refeição. Um conta o que chamou sua atenção na leitura da semana e pergunta o que o outro entendeu daquela passagem.

Algumas semanas permitem relacionar um princípio diretamente ao casamento. Se a leitura fala sobre paciência, arrependimento, sacrifício, perdão, administração de recursos ou serviço, conversem sobre como isso aparece dentro de casa. A ideia não é usar as escrituras para apontar o que o outro precisa melhorar, mas pensar no que cada um pode fazer.

O convite para agir presente nas lições também pode virar uma meta de serviço do casal: visitar alguém, preparar algo para uma família, ajudar um vizinho ou mandar uma mensagem para uma pessoa que não veem há algum tempo.

Uma aula, um discurso ou uma designação da Igreja podem ser preparados a dois. Pesquisar escrituras e discursos sobre o assunto já é uma boa oportunidade de estudo em conjunto.

E vale fazer algo mais leve: uma caminhada com uma pergunta para conversar, um jogo depois de ler alguns versículos ou um filme acompanhado de uma sobremesa. Se o casal quiser, pode começar ou terminar com uma oração e uma breve conversa sobre o estudo da semana.

O importante é não transformar toda segunda-feira em uma reunião formal. Algumas semanas vão permitir um estudo mais demorado. Em outras, vinte minutos antes de dormir funcionam melhor.

Quando os filhos já saíram de casa

Quando os filhos crescem e começam suas próprias famílias, a Noite Familiar muda novamente. O casal continua sendo uma família, agora com outra rotina e, em muitos casos, com mais liberdade para escolher como usar esse tempo.

Uma pergunta do Vem, e Segue-Me pode ser estudada com mais profundidade. Cada um procura uma escritura, um discurso ou um relato histórico relacionado ao assunto e depois conta o que encontrou. Não precisa ser assim todas as semanas, mas funciona bem quando determinado tema desperta curiosidade.

A história da família também cabe nessas noites. O casal pode pesquisar um antepassado, organizar fotografias, registrar uma lembrança, conversar com um parente mais velho ou preparar nomes para levar ao templo. Dependendo da leitura da semana, alguns desses relatos ajudam a pensar sobre os princípios estudados.

Outro assunto que costuma render é como apoiar filhos e netos na fase em que estão vivendo. Uma pergunta sobre amor, conselho, arbítrio ou serviço pode levar o casal a pensar em como estar presente sem tentar tomar decisões pelos filhos adultos.

Escolher uma pessoa ou família para servir durante a semana é outra possibilidade. Às vezes será uma visita; em outras, uma refeição, uma carona, uma ligação ou alguma ajuda prática. O convite para colocar em prática o princípio estudado ajuda a decidir o que fazer.

Os discursos e vídeos relacionados à leitura semanal também podem ser usados. Em vez de assistir a vários conteúdos, escolham apenas um e conversem sobre o ponto que mais chamou a atenção de cada um.

E nem toda Noite Familiar precisa ficar restrita aos dois. Ocasionalmente, dá para convidar filhos, netos, amigos, vizinhos ou alguém da ala que more sozinho para jantar, jogar alguma coisa e participar de uma conversa sobre o evangelho. Em outras semanas, os dois podem preferir ficar sozinhos. As duas opções funcionam.

Até mesmo preparar uma ida ao templo, planejar uma visita a alguém ou fazer uma caminhada conversando sobre uma pergunta do manual pode ocupar esse espaço.

Encontrar um formato que funcione

A mesma Noite Familiar dificilmente vai funcionar do mesmo jeito durante toda a vida. Crianças crescem, filhos saem de casa, rotinas mudam e algumas pessoas vivem sozinhas. O formato pode acompanhar essas mudanças.

O Vem, e Segue-Me já oferece perguntas, escrituras, músicas, vídeos, imagens, discursos e convites para agir. Não precisamos usar tudo em uma única noite, nem transformar cada recurso em uma aula.

O propósito da Noite Familiar não é produzir uma reunião perfeita para ser repetida todas as semanas. É encontrar, dentro da vida que cada pessoa ou família realmente tem, um espaço para aprender o evangelho, falar sobre ele e tentar vivê-lo um pouco melhor.

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