Uma revisão das evidências históricas e científicas realmente obriga a crises de fé hoje? Só se você limitar sua análise a estudiosos críticos, ignorando as explicações de estudiosos fiéis.

Nenhum estudioso seria levado a sério se considerasse apenas as evidências que se alinhassem com a posição que já preferia. Mas é exatamente isso que muita gente faz ao afirmar que a história e a ciência condenam a fé revelada.

Dizem que “seguem os fatos”, mas, na prática, rotulam as fontes de fé como “tendenciosas” e passam a ouvir só os críticos mais duros, muitos deles movidos por ressentimento pessoal. É difícil chamar isso de pesquisa confiável.

A verdade é que todos nós escolhemos em que informação vamos focar, e é dessa escolha que nascem nossas conclusões. Ao considerar seriamente também as explicações de estudiosos fiéis, e não só as dos críticos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, nos abrimos a explicações robustas que podem fortalecer, restaurar ou recuperar um testemunho.

Aprendi isso de um jeito bem pessoal. Aos dezoito anos, poucos meses depois do meu batismo, recebi impressões fortes do Espírito Santo: um testemunho seguro de que Jesus é o Cristo, de que Joseph Smith foi chamado para restaurar Sua Igreja, e de que a Bíblia e o Livro de Mórmon vêm de Deus. Depois disso, eu não conseguiria negar aquele conhecimento, assim como não conseguiria negar o sol num dia sem nuvens.

Mesmo assim, um dia na escola um conhecido, incomodado por eu ter me filiado à Igreja, jogou no meu colo um panfleto anti-Santos dos Últimos Dias, cheio de acusações duras contra o Profeta Joseph Smith. Levei um susto. Tão jovem na fé, inexperiente e sozinho, passei dias angustiado até caminhar cerca de onze quilômetros até a casa do meu professor de seminário, Gary Wangsgard, um homem de integridade imensa, que eu sabia que nunca mentiria para mim.

Ele revisou o panfleto em silêncio e disse: “Não sei muito sobre isso. Mas Mike, deixa eu te contar o que eu sei…”, e expressou um testemunho breve e comovente do chamado de Joseph Smith. Pensei: “Se um homem tão honesto e experiente sente na hora que isso não é verdade, eu também não preciso me alarmar.”

Minha paz foi restaurada. Ainda assim, continuei investigando por conta própria, e acabei descobrindo que o autor do panfleto tinha mentido do início ao fim: referências pouco confiáveis, “fatos” distorcidos, conclusões falsas.

Essa experiência me obrigou a decidir como eu conduziria minha própria “pesquisa independente”, e que escolhas eu faria ao avaliar informação.

Não existe pesquisa neutra

Existe uma suposição comum de que há fontes totalmente isentas, sem posição preconcebida. É uma ilusão. Toda fonte é criada por uma pessoa, e mesmo quem afirma só relatar fatos carrega interpretações próprias. É o que vemos todo dia nos tribunais: as duas partes apresentam “evidências”, mas primeiro discutem o que sequer conta como evidência, e depois cada advogado tira dali sua própria conclusão.

É assim que toda erudição funciona, inclusive sobre a Igreja. Como resume um estudioso: “Praticamente nenhuma erudição é neutra. Quase toda ela defende um ponto de vista, e constitui apologética de um tipo ou outro. A questão é: qual ponto de vista está sendo defendido.” Por isso importa tanto para onde olhamos, e para onde deixamos de olhar.

Quando um “pesquisador independente” escolhe estudar só as fontes que favorecem uma posição, ele deixa de ser pesquisador e passa a ser outra coisa disfarçada de pesquisa honesta. Alguns levam isso ao extremo de nem ouvir fontes da Universidade Brigham Young ou da FAIR (Faithful Answers, Informed Response), mesmo com doutores formados em Yale, Michigan e UCLA, rotulando qualquer estudioso fiel de mero “apologista” e descartando sua erudição por motivo religioso.

Isso não significa que a Igreja ignore os críticos. Pelo contrário: líderes pedem repetidamente que os membros acolham quem tem dúvidas, e estudiosos da Igreja passaram décadas enfrentando de frente as perguntas mais difíceis. O problema descrito aqui é o oposto, o pesquisador que só ouve um lado.

Sete alvos de sempre

Os críticos da nossa fé miram quase sempre nos mesmos sete pontos: o caráter do Profeta Joseph Smith, o Livro de Mórmon, a Primeira Visão, a restauração do Sacerdócio, o casamento plural, os templos, e a historicidade do Livro de Abraão. Raça e sacerdócio e temas LGBTQIA+ são focos mais recentes, mas esses sete ainda predominam.

Passei os últimos dezoito meses estudando essas sete áreas a fundo. E minha experiência tem sido a de que toda suposta inconsistência, por mais complexa que pareça à primeira vista, acaba se revelando uma miragem quando examinada com cuidado, mas chegar a essa conclusão exige, de novo, estar disposto a olhar para as duas pilhas de evidência, não só uma.

Há uma tendência mais sombria nas redes sociais: um conjunto de detratores que dedica energia considerável a alcançar jovens de 15 a 19 anos, tentando virá-los contra a fé e contra os próprios pais. A mensagem, repetida em vídeos e podcasts, é sempre parecida: seus pais te doutrinaram, você viveu dentro de um culto, nada que vem da Igreja pode ser confiável. Desmontam até o folheto “Para o Vigor da Juventude” que agora é “Força dos Jovens” linha por linha, e miram na 13º Regra de Fé, ensinando que padrões morais não existem de fato.

Por qualquer definição, são predadores espirituais, e já atraíram muitos jovens para longe da fé, coaching-os sobre como sair, o que esperar da família, e como viver sem fé, sem família e sem Deus. Curiosamente, toda essa campanha se apresenta como uma busca séria pela verdade, o que só reforça por que vale a pena examinar de perto o que essa “pesquisa independente” realmente inclui, e o que exclui.

Estudiosos que poucos ouvem

Existem hoje estudiosos fiéis de altíssimo nível dedicados exatamente a essas sete áreas, e a maioria dos críticos simplesmente não os lê.

Poligamia — Brian C. e Laura H. Hales passaram trinta anos documentando cada fonte conhecida sobre o casamento plural, incluindo os textos dos críticos, resultando na obra de quatro volumes Joseph Smith’s Polygamy. Sua conclusão: além da falibilidade mortal normal, os erros de Joseph “não incluíram imoralidade ou hipocrisia em relação às palavras reveladas do Senhor”.

Livro de Abraão — o egiptólogo Hugh Nibley chamava esse campo de “terreno fértil para excêntricos”. Hoje, dois doutores em Egiptologia ativos na Igreja, John Gee e Kerry Muhlestein, respondem ponto a ponto aos críticos mais recentes, como Robert Ritner, mostrando que Joseph Smith nunca afirmou traduzir o texto adjacente aos fac-símiles publicados, ele traduzia de um grande rolo de papiro, hoje perdido no incêndio de Chicago de 1871.

Livro de Mórmon (arqueologia) — o antropólogo John L. Sorenson dedicou 40 anos ao tema, e em Mormon’s Codex documentou correspondências entre o livro e a América antiga em dezesseis áreas históricas e científicas distintas — encerrando de vez a ideia de que faltam evidências.

Livro de Mórmon (texto) — o linguista Royal L. Skousen passou 30 anos estudando o manuscrito original e a cópia da gráfica, demonstrando que o livro foi ditado oralmente, sem qualquer manuscrito-fonte, o que reforça sua origem divina.

Testemunhas e caráter de Joseph Smith — Richard Lloyd Anderson documentou que nenhuma das testemunhas do Livro de Mórmon jamais negou seu testemunho, e Mark L. McConkie reuniu, em Remembering Joseph, 529 páginas de relatos de quem conviveu de perto com o profeta, o retrato de um homem extraordinariamente escrutinado e, ainda assim, íntegro.

Depois de ler esses autores, é difícil entender como alguém pode manter as críticas mais divulgadas sobre esses sete temas sem enfrentar diretamente o trabalho deles.

Um convite para o momento de crise

A quem já se afastou da fé por conta de uma pesquisa independente: vá mais fundo. Olhe também para o outro lado da balança. Não aceite só a palavra de quem está ansioso para moldar sua opinião.

E a quem ainda acredita, mas nunca teve uma experiência espiritual tão marcante quanto a minha: isso não é motivo de vergonha. “Todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Como disse o Élder Jeffrey R. Holland, “preservem o que já conquistaram, mesmo que isso seja algo limitado”. A luz de Cristo já está em cada um de nós, só precisa ser acesa.

Se um dia você se deparar com algo que parece uma contradição, o caminho que funcionou para mim foi simples: primeiro, tentar resolver a questão com Deus, na oração; segundo, procurar alguém de confiança para conversar; terceiro, só depois de alguma paz espiritual, ir atrás da pesquisa acadêmica séria, e não o contrário. Continuar nas escrituras, na Igreja, nas conferências gerais. “A fé vem pelo ouvir a palavra de Deus.”

E a quem sente que perdeu a fé por completo: muitos já estiveram exatamente aí e voltaram, como Leo Winegar, que se tornou ateu e, anos depois, escreveu a um antigo professor disposto a reconsiderar algumas suposições junto com ele. Como disse Austin Farrer, citado pelo Élder Holland: “O argumento racional não cria a crença, mas mantém um clima em que a crença pode florescer.”

Um testemunho que ouvi na Igreja outro dia me marcou, de Kierra Wraught, uma garota de 12 anos de Saratoga Springs, Utah: “Hoje há muita gente em quem você não pode confiar. Sou grata pelo Pai Celestial e por Jesus Cristo. Se Eles prometem algo, Eles não voltam atrás.”

Fonte: Public Square

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