A maioria das pessoas de 60 anos quer pensar na aposentadoria, não em como pagar as contas. Minha mãe fez 60 anos outro dia, e ainda assim continua trabalhando. Ela e meu pai passaram por vários reveses na meia-idade, sendo forçados a recomeçar diversas vezes. Não me parecia justo que uma mulher do calibre dela ainda tivesse que lutar tanto.
Mas minha mãe não parece abalada, lá estava ela em seu aniversário de 60 anos, sorrindo de orelha a orelha, porque estava cercada por seus filhos e netos. Por que ela estava sorrindo? Naquele momento, pude ver o legado dela como mulher, confirmando a verdade de algo sobre o qual venho refletindo há bastante tempo. Eu chamo isso de “A História da Maternidade”.
A história consiste em apenas duas falas, ditas por duas mães que viveram com milhares de anos de diferença. Quando são combinadas, elas contam uma bela história, capturando a essência da maternidade. Esta é a história que minha mãe contou ao longo de sua vida: uma história que a levou a viver com verdadeira alegria, apesar das circunstâncias difíceis.

Duas frases que definem a maternidade
Eva disse a primeira frase no Jardim, ao se deparar com uma decisão quase impossível: permanecer com Deus, na segurança do Jardim, com tudo o que havia passado a conhecer e amar, ou fazer a escolha que lhe permitiria tornar-se mãe. Será que ela já sabia que o destino de toda a humanidade dependia daquela decisão? Eva perguntou: “Não há outro caminho?”
Outra futura mãe, que viveu milhares de anos depois, disse a segunda frase. Certo dia, enquanto uma jovem tirava água de um poço, um anjo apareceu a ela. Ele trouxe a notícia de que ela seria mãe, mas não apenas qualquer mãe, e sim a mãe, a mãe do Senhor e Salvador. Essa jovem, Maria, a futura mãe de Cristo, disse: “Eis aqui a serva do Senhor.”
Juntas, essas duas frases abrangem a própria natureza e essência da maternidade. As falas de Eva e Maria, combinadas, ilustram uma conversa arquetípica que simboliza a interação entre toda mãe fiel e Deus. A mulher, como Eva, pergunta: “Não há outro caminho?” Então Deus responde. E, independentemente da resposta de Deus, a mulher responde com as palavras de Maria: “Eis aqui a serva do Senhor.”
Submissão que leva ao potencial divino
A história da maternidade parece ser uma história de submissão, mas não da forma como muitos pensam, do ponto de vista histórico. A narrativa histórica da submissão feminina é marcada por dominação ou opressão. No entanto, a “submissão” celestial é a submissão a Deus e à Sua vontade (Maxwell, 1990). Não se trata de dominação ou autoridade; trata-se de autorrealização e de alcançar o próprio potencial divino. Como disse o Élder Holland:
Vocês contam com a grande herança de Eva, mãe de toda a família humana, aquela que compreendeu que ela e Adão precisavam cair para que “os homens [e as mulheres] existissem” e que haveria alegria. Vocês possuem a grande herança de Sara e Rebeca e Raquel, sem as quais não teria havido aquelas magníficas promessas patriarcais a Abraão, Isaque e Jacó que nos abençoam a todos. Possuem a grande herança de Lóide e Eunice e das mães dos 2.000 jovens guerreiros. Possuem a grande herança de Maria, que foi escolhida e pré-ordenada antes do início do mundo para conceber e criar o próprio Filho de Deus. Agradecemos a todas vocês, incluindo nossas próprias mães, e dizemos que não há nada mais importante neste mundo do que participar de modo tão direto da obra e glória de Deus em proporcionar a mortalidade e a vida terrena a Seus filhos e filhas, de modo que a imortalidade e a vida eterna possam acontecer nas mansões celestiais.
(…) Vocês estão realizando o trabalho de salvação e portanto serão magnificadas, recompensadas e tornar-se-ão melhores e mais capazes do que jamais foram (…)

O potencial divino não desaparece nas dificuldades
Provavelmente há algumas mulheres que não se sentem assim, talvez quando estão em dúvida, desanimadas ou em desobediência. Seja qual for a situação, elas podem fazer ao Senhor a mesma pergunta que nossa valente primeira mãe fez: “Senhor, não há outro caminho?” Ele responderá.
E, qualquer que seja a resposta de Deus, elas podem saber que aquilo que Deus lhes pede não apenas contribui para sua própria imortalidade e vida eterna, mas também as prepara para ajudá-Lo a realizar a imortalidade e a vida eterna de toda a humanidade. Simbolicamente, essa é a mesma obra de Eva e Maria. Seja mãe ou não, esse é o potencial que toda mulher possui; um potencial que os homens devem honrar em suas esposas, mães, irmãs e filhas. Ao compreenderem isso, poderão encontrar a coragem e a humildade para responder: “Eis aqui a serva do Senhor.”
Enquanto eu estava sentado observando minha mãe sorrindo, cercada por seus filhos e netos, sua imagem lentamente se desvaneceu. Eu já não via mais minha mãe. Via a personificação de Eva, a mãe de todos os viventes. Foi ela quem me trouxe a este mundo. Ela carregou o peso do nascimento e me abençoou com a vida. Também vi a personificação de Maria, oferecendo seus filhos ao mundo.
Ela nos criou, infundindo em nós confiança e esperança, como se pudéssemos salvar o mundo. Vi uma mulher que foi lembrada de todas as vezes em que precisou perguntar: “Senhor, não há outro caminho?” E ali, diante dela, estava o resultado de todas as vezes em que respondeu: “Eis aqui a serva do Senhor.” Por que minha mãe estava sorrindo? Porque ela é mãe.
Fonte: Public Square Magazine
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