O Livro de Moisés é a tradução inspirada e expandida que Joseph Smith fez de Gênesis 1:1 a Gênesis 6:13.
Nele, aprendemos verdades preciosas reveladas a Moisés que, com o tempo, foram perdidas da Bíblia. Alguns desses ensinamentos se tornaram tão familiares para nós que podemos até esquecer que são únicos da teologia dos Santos dos Últimos Dias.
Aqui estão seis coisas que sabemos por causa desse texto sagrado.
1. O “porquê” da criação
O primeiro capítulo do Livro de Moisés relata uma visão que Moisés teve enquanto estava em “uma montanha sumamente alta”. Essa visão ocorreu antes de ele falar com Deus por meio da sarça ardente e antes de liderar os israelitas para fora do Egito. Podemos considerá-la como a introdução de Moisés ao seu chamado profético.
Na visão, Deus fala com Moisés face a face e revela verdades importantes. À medida que Moisés faz perguntas sinceras, ele recebe, talvez a mais notável de todas, uma explicação sobre o propósito de toda a criação.
Conforme Deus declara:
“Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem”.
Que declaração poderosa. Nós, filhos de Deus, somos o Seu propósito.

2. Satanás rebelou-se na vida pré-mortal
Os detalhes sobre a queda de Lúcifer são escassos no Antigo Testamento, havendo apenas um versículo em Isaías que sugere que ele era o “filho da alva” que foi lançado do céu. No entanto, o Livro de Moisés nos oferece mais contexto sobre a origem de Satanás.
O Pai Celestial revelou a Moisés que Satanás se rebelou na existência pré-mortal quando se ofereceu para redimir a humanidade destruindo o arbítrio do homem. Ele também desejava para si o poder e a glória de Deus. Como consequência, foi expulso e tornou-se “o diabo, o pai de todas as mentiras”.
Deus deixou claro que aqueles que não O ouvissem cairiam vítimas do engano de Satanás.
3. Satanás não compreendeu plenamente a queda
Satanás desempenha um papel crucial no Jardim do Éden: ao tentar Eva, ele essencialmente contribui para o surgimento do arbítrio e para o início da família humana. Mas será que ele sabia disso?
Moisés 4:6 esclarece que “procurou também enganar Eva, pois ele não conhecia a mente de Deus; por conseguinte, procurou destruir o mundo”. Esse versículo ensina que nosso Pai onisciente foi capaz de usar a rebelião de Satanás para nosso benefício e que Satanás não sabia que a Queda era um passo necessário rumo à exaltação.
Conforme ensinou o Presidente Dallin H. Oaks:
“Foi assim que o maligno, que se opôs e procurou destruir o plano do Pai, na verdade o facilitou, pois é a oposição que possibilita a escolha, e é a oportunidade de fazer as escolhas certas que leva ao crescimento, o qual é o propósito do plano do Pai.”

4. Adão ensinou sua posteridade sobre Jesus Cristo e foi batizado
O Salvador não é mencionado diretamente em grande parte do Antigo Testamento. Geralmente, Ele é apenas sugerido por meio de símbolos, tipologias ou breves profecias.
Contudo, o Livro de Moisés revela que Adão e Eva conheciam Jesus. Logo, em Moisés 5:9, após a Queda, o Espírito Santo presta testemunho a Adão do Pai e do Filho, que redimirá a humanidade. Adão profetiza que, por causa do Redentor, terá alegria e se reunirá com Deus “novamente na carne”, e Eva testifica da “alegria de nossa redenção”.
Depois disso, o Senhor ordena a Adão que ensine sua posteridade sobre o arrependimento e o evangelho de Jesus Cristo. Mais tarde, ele é arrebatado pelo Espírito, é batizado por imersão e recebe o Espírito Santo.
Esses versículos são profundos porque estabelecem que Jesus Cristo sempre foi o nosso Salvador. Desde o Éden até hoje, Ele é a fonte constante das boas novas.
5. Adão e Eva foram gratos pela Queda
Após receber um testemunho do Salvador, Adão e Eva expressam gratidão pela Queda. Eles compreenderam que precisavam transgredir para aprender a diferença entre o bem e o mal e, eventualmente, alcançar a exaltação.
George Q. Morris explicou de forma inspiradora o valor eterno das experiências terrenas ao dizer:
“Tudo aquilo que parece ser triste punição, dor ou aflição, no fim não é isso. São bênçãos. Adquirimos conhecimento do bem e do mal, o poder de valorizar o que é doce, de tornarmo-nos agentes por nós mesmos, o poder de obter redenção e vida eterna.”

6. Deus chora
Enoque foi um dos descendentes de Adão, e sua vida se resume em poucos versículos em Gênesis. Mas o Livro de Moisés nos oferece uma visão muito mais ampla de sua história.
Como profeta humilde e poderoso, Enoque edificou uma cidade de extraordinária retidão chamada Sião. Com o tempo, Sião foi elevada ao céu, enquanto Enoque observava a iniquidade dominar a Terra. Antes de enviar o dilúvio, Deus fez algo que surpreendeu Enoque: Ele chorou.
Confuso diante dessa demonstração de tristeza, Enoque perguntou:
“Como é que podes chorar, sendo que és santo e de toda eternidade para toda eternidade?”
Então, o Pai Celestial respondeu amorosamente:
“Olha estes teus irmãos; eles são a obra de minhas próprias mãos […] portanto, não deverão os céus chorar, vendo que eles sofrerão?”
Essa troca revela que Deus realmente é nosso Pai Celestial. Embora permita que experimentemos as consequências de nosso arbítrio, Ele não se alegra com nossa dor ou infelicidade. Pelo contrário, isso O entristece.
Mais considerações
O Livro de Moisés está repleto de outras verdades profundas, conhecimentos fascinantes para ponderar e ensinamentos consoladores para guardar no coração. Por meio desse texto, olhamos para o Antigo Testamento sob uma perspectiva de esperança, sabendo que, embora sejamos imperfeitos, podemos ser salvos por um plano perfeito: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.”
Fonte: LDS Living
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