Dentro dos círculos dos Santos dos Últimos Dias, o testemunho costuma ser tratado com reverência, mas às vezes com a expectativa não dita de que ele deva ser imutável e firme em todos os momentos. Muitos assumem silenciosamente que um testemunho forte nunca hesita, nunca questiona e nunca se enfraquece ou se desgasta.

A vida espiritual real, no entanto, raramente se encaixa nessa suposição. O testemunho não é um monumento fixo. Ele é algo vivo, algo ligado aos ritmos da experiência mortal. Assim como as pessoas têm dias bons e dias difíceis, o testemunho também passa por estações de força e estações de desgaste.

O testemunho em suas várias fases

Algo vivo cresce, se adapta e responde ao ambiente ao seu redor. O testemunho cresce de maneira muito semelhante. Ele responde à oração, às escrituras, à adoração e à obediência, mas também responde ao cansaço, à decepção, ao luto e à confusão.

Em algumas manhãs, a fé parece natural e sem esforço. Palavras de um discurso de conferência tocam profundamente a alma. As escrituras parecem claras e pessoais. A oração se parece mais com uma conversa do que com um monólogo. Em dias assim, a crença parece firme e confiante, como se nada pudesse abalá-la.

Outros dias chegam silenciosamente e trazem sentimentos bem diferentes. As orações parecem não passar do teto. As escrituras parecem distantes ou difíceis de compreender. O esforço não parece gerar respostas, e os céus parecem fechados em vez de abertos. Esses momentos podem ser perturbadores, especialmente quando a fé é apresentada como algo que deveria sempre ser caloroso e seguro. A dúvida pode parecer uma falha pessoal, em vez de uma parte natural do crescimento espiritual.

Esses períodos de incerteza não são sinais de um testemunho quebrado. São sinais de um testemunho vivo. Algo que está vivo pode sentir fadiga. Pode estar sob pressão. Pode se tornar frágil sem desaparecer. O testemunho pode se curvar sob o peso das provações sem se romper. Mesmo quando a confiança oscila, a crença não desaparece. Ela permanece presente, embora mais silenciosa, aguardando cuidado e nutrição.

Os desafios nos moldam, como um vaso na mão do oleiro
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Os desafios fortalecem o testemunho

As escrituras apoiam essa compreensão. O Livro de Mórmon mostra repetidamente pessoas fiéis que lutam, suplicam e questionam, enquanto ainda escolhem confiar em Deus. Alma falou da fé como uma semente que requer paciência e cuidado constante. As sementes não brotam da noite para o dia, nem crescem sem serem expostas ao clima, que inclui calor, vento e chuva. O crescimento exige tempo, e o tempo inclui desconforto.

Então, momentos de dúvida frequentemente surgem em circunstâncias que parecem injustas ou esmagadoras. Assim, doença, dificuldades financeiras, solidão ou orações não respondidas podem fazer Deus parecer distante. Quando as expectativas colidem com a realidade, é tentador parar de avançar espiritualmente e esperar que as condições melhorem. Essa pausa pode se tornar um terreno perigoso. Quando o desânimo leva à estagnação, cria-se espaço para que o ressentimento, o cinismo e o desespero criem raízes.

Portanto, o adversário prospera quando a fé se torna imóvel. Logo, odesânimo sussurra que o esforço é inútil e que a obediência é energia desperdiçada. Normalmente, isso não se manifesta como um colapso dramático da crença. Com mais frequência, trata-se de um lento acomodar-se à inércia espiritual. O testemunho não se despedaça nesses momentos, mas pode enfraquecer se for deixado sem cuidado.

Testemunho pode nos fazer servir mais
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O serviço é o remédio para fortalecer a fé

O remédio ensinado repetidamente no evangelho restaurado é simples, embora nem sempre fácil. A ação importa, especialmente quando os sentimentos ficam para trás. O serviço torna-se uma linha de vida durante as estações de dúvida. Voltar-se para fora interrompe o ciclo de foco excessivo em si mesmo que muitas vezes acompanha o desânimo espiritual. Quando alguém escolhe servir outra pessoa, especialmente alguém que carrega fardos mais pesados, a alma começa a se expandir novamente.

Logo, o serviço não apaga a dúvida instantaneamente. Ele faz algo mais simples, porém mais duradouro. Assim, ele coloca o crente de volta na obra do Senhor. Logo, cria espaço para humildade, empatia e paciência. Nesse espaço, o testemunho começa a receber nutrição. Não porque todas as perguntas sejam respondidas, mas porque a fé está sendo exercitada, e não colocada de lado.

O Salvador ensinou que aqueles que perderem sua vida por amor a Ele a encontrarão. Na prática, isso muitas vezes significa deixar de lado a exigência por garantias imediatas e escolher agir com confiança. À medida que os atos de serviço se acumulam, algo começa a mudar. A perspectiva se amplia. A gratidão retorna de maneiras pequenas, mas significativas. O testemunho, antes enfraquecido, começa a recuperar forças.

Um testemunho pode curvar, mas se reerguer
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O testemunho pode se reerguer

É importante lembrar que um testemunho vacilante ainda é um testemunho. Ele ainda conecta a pessoa a Deus. Ele ainda conta. Medir a fé apenas pela certeza emocional é não compreender sua verdadeira natureza. A fé não é confiança emocional constante. Ela é compromisso que se sustenta, mesmo quando os sentimentos oscilam.

Portanto, como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, essa compreensão traz consolo. Logo, a dúvida não desqualifica o discipulado. A luta não apaga a crença. Assim, um testemunho que se enfraquece sob o peso da experiência mortal não é defeituoso. Ele é humano. Com paciência, humildade e serviço, ele pode ser fortalecido novamente.

Assim, o testemunho caminha conosco, moldado pelas mesmas experiências que moldam o caráter. Quando cuidado por meio da oração, da obediência e do serviço, ele permanece. Pode se curvar durante as tempestades, mas continua de pé, pronto para crescer mais forte novamente com o tempo e o esforço fiel.

Fonte: Meridian Magazine

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