Quando eu era uma recém-conversa na Igreja, aos 21 anos, lembro de frequentar as aulas do Instituto e amar o jeito que a professora me ensinava coisas novas. Ela nunca me impôs nada, nunca me obrigou a aceitar algo só porque ela já tinha testemunho daquilo, nunca tentou me convencer com argumentos fracos. O que ela fazia era seguir o padrão de ensinamento que eu já tinha visto com os missionários: ao aprender algo novo, ajoelhar e conversar com o Senhor, pedindo a Ele o conhecimento necessário.

Para mim, essa é a forma mais linda de ensinar alguém: mostrar que não é só você que “detém” o conhecimento, mas que todo aquele que buscar pode ser respondido pelo Pai Celestial. Afinal, Ele é o Pai de todos nós.

Lembro que, durante uma dessas aulas, ela me ensinou a doutrina de que um dia podemos nos tornar como Ele é, pois somos Seus filhos e esse é o Seu plano. Ao ver minha expressão de assustada com aquela afirmação, ela logo se colocou no meu lugar e me lembrou que eu poderia receber testemunho sobre isso ao estudar mais as escrituras e ao perguntar diretamente à Fonte de todo o conhecimento.

Mesmo com tantas pessoas boas e dispostas a me ajudar a compreender a doutrina e receber respostas para minhas perguntas, elas continuavam a surgir. Já me senti inadequada ao questionar certas coisas, especialmente por causa do jeito como algumas pessoas me olhavam ou pareciam ficar com raiva ao ver que não me convenciam com palavras vazias e ás vezes até um testemunho fraco.

Mas eu sempre soube que aquela atitude não representava a maneira como a Igreja de Jesus Cristo espera que ajamos. Afinal, tudo começou quando um garoto de 14 anos teve uma dúvida e decidiu confiar que poderia buscar conhecimento por meio de revelação, e o resto vocês já sabem…

E é justamente por isso que eu aprendi, com o tempo, que as perguntas não vão desaparecer. Elas continuam surgindo à medida que avançamos no caminho do convênio, e isso não precisa ser um sinal de fracasso espiritual.

Perguntas sinceras não são o mesmo que dúvida

Em “Quando Surgirem Dúvidas e Perguntas”, Adam Kotter ensina algo que muda a forma como a gente enxerga esse tema: é bom ter perguntas, e fazer perguntas com fé é parte do nosso progresso espiritual, mas perguntas sinceras não são a mesma coisa que dúvidas.

Segundo ele, perguntas feitas com o desejo real de entender e obedecer mais ao Senhor devem ser encorajadas, e muitas revelações vieram justamente de perguntas sinceras. Ele explica que a diferença aparece na postura do coração: quem pergunta com sinceridade continua obediente enquanto busca respostas, enquanto a dúvida muitas vezes “suspende” o compromisso com mandamentos e convênios, como se a obediência só voltasse quando tudo estivesse resolvido.

E isso é forte, porque nos coloca diante de uma escolha bem prática: viver o evangelho como um “vou guardar os mandamentos porque confio no Senhor” ou como um “vou guardar os mandamentos se o Senhor me provar tudo do jeito que eu quero”. Kotter descreve essa diferença como algo de peso eterno. 

É errado duvidar

O padrão do Senhor para receber respostas

Outra parte que me chama atenção nesse artigo é quando o autor ensina que, se buscamos respostas na Fonte de todo o conhecimento, precisamos buscar do jeito do Senhor, com desejo sincero de conhecer a verdade e disposição de seguir a vontade de Deus.

Ele também reconhece algo bem humano: é normal sentir ansiedade ao encontrar uma ideia desconhecida, principalmente quando ela mexe com uma crença que já está bem enraizada. O ponto não é fingir que isso não existe, mas não deixar que essa ansiedade nos afaste dos nossos convênios enquanto buscamos respostas.

Nessa mesma linha, ele cita o Élder Neil L. Andersen ensinando que, em uma prova de fé, a gente se mantém firme fazendo as mesmas coisas que constroem a fé: exercer fé em Cristo, orar, ponderar as escrituras, arrepender-se, guardar mandamentos e servir ao próximo — e então vem o conselho direto: “aconteça o que acontecer, não se afaste da Igreja!”

E isso se conecta com algo que eu vi lá atrás, como recém-conversa: o evangelho não me convidava a “engolir” respostas prontas, ele me convidava a buscar com Deus, sem romper com o que eu já sabia ser certo.

“Posso conviver com imperfeições humanas, até entre profetas”

Aqui entra um trecho que eu amo, porque ele traz equilíbrio e paz. No devocional “Qual é a Planta da Igreja de Cristo?”, o Élder Tad R. Callister declara:

“Posso conviver com algumas imperfeições humanas, mesmo entre os profetas de Deus, pois se espera que elas existam em seres mortais…”

Eu acho maravilhoso saber que a Igreja não finge que seres humanos viram “perfeitos” só porque foram chamados por Deus. Existe revelação, existe autoridade, existe direção divina, mas ainda existem pessoas reais, com limitações reais.

E, ao mesmo tempo, o Élder Callister mostra onde a nossa fé precisa ficar ancorada: ele diz que consegue conviver com algumas perguntas sem resposta e com coisas secundárias, mas não consegue viver sem as verdades doutrinárias restauradas, sem o sacerdócio e sem as ordenanças que abençoam e selam famílias para a eternidade.

Essa forma de enxergar a vida espiritual me ajuda a colocar as coisas no lugar certo: reconhecer imperfeições humanas não destrói a fé, às vezes, amadurece a fé. E, quando ainda restam perguntas, a melhor fonte para buscar respostas não é a opinião de alguém (nem a minha, nem a de outra pessoa), mas o próprio Senhor, porque é Ele quem conhece todas as coisas e sabe ensinar de forma pessoal, no tempo certo.

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