Sempre que paro para observar a beleza da criação, sinto uma gratidão por um detalhe que, às vezes, deixamos passar despercebido em meio à correria do dia a dia: a nossa liberdade. Não falo apenas da liberdade civil, mas de algo muito mais profundo e sagrado: o arbítrio.
Muitas vezes, as pessoas usam o termo “livre-arbítrio” como sinônimo de fazer o que se quer. Mas quando buscamos entender o que é arbítrio através das lentes do Evangelho de Jesus Cristo, percebemos que esse conceito é, na verdade, “a habilidade e privilégio que Deus nos concede de escolhermos e agirmos por nós mesmos.”
O arbítrio é um presente de um Pai Celestial que nos ama tanto que Se recusa a nos obrigar a amá-Lo de volta. O arbítrio não é apenas uma regra teológica; é o que nos permite crescer, aprender com nossos erros e, finalmente, retornar à presença de Deus.
O arbítrio moral como base do Plano de Salvação
Para nós, Santos dos Últimos Dias, o arbítrio não começou no Jardim do Éden. Ele é um princípio eterno que nos acompanha desde antes de virmos ao mundo. No site oficial da Igreja em Tópicos e Perguntas lemos:
“O arbítrio talvez tenha sido um dos principais assuntos levantados no Conselho dos Céus na pré-mortalidade.”
Naquele momento, decidimos seguir a Cristo e aceitar o plano do Pai, rejeitando a imposição que nos tiraria a capacidade de escolher. Essa escolha inicial foi o que nos trouxe até aqui. Como ensinou o Élder Robert D. Hales:
“Ter arbítrio é agir com comprometimento e ter responsabilidade por nossas ações. Nosso arbítrio é essencial ao plano de salvação.”
Sem essa capacidade, a vida terrena não teria o propósito de nos testar. Afinal, “se fôssemos forçados a escolher o bem, não nos seria possível demonstrar o que escolheríamos por nossa própria vontade.”
O Senhor deseja que nossa obediência seja um fruto do nosso amor por Ele, e não um reflexo de falta de opção. Por isso, “o Senhor deu ao homem seu arbítrio” (Moisés 7:32), permitindo que cada um de nós escreva sua própria história.

A importância de escolher a liberdade e a vida eterna
Uma das minhas escrituras favoritas sobre a liberdade de escolha está no Livro de Mórmon, em Helamã 14:30. Nesse versículo somos lembrados de que fomos feitos livres:
“Pois eis que sois livres; tendes permissão para agir por vós mesmos; porque eis que Deus vos deu o conhecimento e vos fez livres.”
Cada pequena decisão diária, a forma como falamos com o próximo, a honestidade em nossos negócios, o tempo que dedicamos à oração, é uma decisão individual. O arbítrio nos dá o poder de decidir quem queremos nos tornar.
O Presidente Thomas S. Monson resumiu isso com clareza ao dizer que “as escolhas que fazemos determinam nosso destino.”
Deus nos oferece o caminho, mas Ele respeita tanto nossa individualidade que espera pelo nosso “sim”. Como está escrito em Doutrina e Convênios 37:4: “Que todo homem escolha por si mesmo”.

Consequências e a responsabilidade pelas nossas escolhas
Aqui reside uma verdade que precisamos abraçar com maturidade: o arbítrio vem acompanhado da responsabilidade. Existe uma frase do Presidente Dieter F. Uchtdorf que resume exatamente isso:
“Vocês têm o arbítrio e a liberdade de escolha. Mas na verdade, o arbítrio não é livre no sentido de gratuito. O arbítrio tem seu preço. Precisam arcar com as consequências de suas escolhas.”
Muitas vezes, queremos a liberdade de escolher, mas gostaríamos de evitar as consequências negativas de decisões impensadas. No entanto, o Evangelho nos ensina que, embora sejamos livres para escolher a ação, não somos livres para escolher o resultado que ela gera.
Não escolhemos os resultados, apenas o caminho; as consequências, positivas ou negativas, são o resultado inevitável das nossas decisões. O lado bom dessa moeda é que, ao escolhermos o bem, colhemos paz. Wolfgang H. Paul observou que:
“À medida que obedecemos aos mandamentos de nosso Pai Celestial, nossa fé aumenta, crescemos em sabedoria e força espiritual, e cada vez se torna mais fácil fazer as escolhas certas.”
Assim como um músculo, nosso arbítrio se fortalece com o uso, tornando-nos cada vez mais aptos a sentir e seguir a voz do Espírito.

O uso do arbítrio para vencer a oposição
Não podemos ignorar que existe uma oposição real. Desde o princípio, “Satanás procurou destruir o arbítrio do homem” (Moisés 4:3).
Ele ainda tenta fazer isso hoje, muitas vezes nos enganando para que acreditemos que “liberdade” é viver sem regras, quando na verdade, o pecado é o que nos escraviza e limita nossas opções futuras.
Por outro lado, o uso correto do nosso poder de decisão nos liberta. James E. Faust ensinou que:
“O arbítrio que nos foi dado por meio do plano de nosso Pai é a grande alternativa ao plano de imposição de Satanás. Com esse sublime dom podemos crescer, progredir e buscar a perfeição.”
Mesmo quando erramos (e todos erramos), o arbítrio nos permite escolher o arrependimento. Podemos decidir, hoje mesmo, mudar de direção e andar com Cristo.
Como o Élder Ballard mencionou, “talvez cometamos erros ocasionalmente, mas enquanto estivermos seguindo os princípios do evangelho e as diretrizes, poderemos aprender com esses erros.”
Cada novo dia é uma página em branco onde, pelo privilégio de agir por nós mesmos, podemos escolher a luz, a bondade e, acima de tudo, o Salvador.
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