Nos últimos 20 anos, muitos membros ouviram, durante as entrevistas para recomendação para o templo, uma carta sobre como usar o garment de maneira adequada. Essa orientação geralmente inclui o lembrete de que não devemos modificá-lo para acomodar roupas do dia a dia. Então é natural surgir a dúvida: se não devemos alterar o garment, por que a Igreja faz mudanças no modelo e nos materiais ao longo do tempo?
Para começar, o garment é uma característica marcante dos membros investidos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Para quem recebeu essa ordenança, ele simboliza convênios feitos em templos sagrados — promessas de fidelidade, compromisso e proteção. O que muitas pessoas não percebem é que, desde o início, o garment passou por diversas atualizações na forma de confecção, nos tecidos e até na forma como fica sob a roupa comum.
Essas mudanças não têm o objetivo de “mexer” no significado espiritual do garment, mas de tornar seu uso mais prático e viável para membros que vivem em realidades muito diferentes ao redor do mundo. Em outras palavras, a Igreja orienta que membros não façam alterações por conta própria, mas isso é diferente de ajustes oficiais feitos com cuidado, autorização e propósito.
Mudanças oficiais ao longo do tempo
Um dos primeiros registros de mudança aconteceu em 1923, quando a Igreja aprovou que o garment, antes comprido até os tornozelos e pulsos, passasse a ter comprimento até o joelho e mangas curtas. Na época, muitos membros (especialmente os mais jovens) receberam essa mudança com entusiasmo, por ser mais “aceitável” e compatível com a forma de se vestir daquele período.
Depois, em 1938, a Primeira Presidência permitiu outras adaptações no design: retirar colarinhos, usar botões no lugar de amarrações, encurtar mangas e incluir novas formas de fecho e aberturas, tudo para facilitar o uso diário.
Uma mudança importante ocorreu em dezembro de 1979, quando a Igreja anunciou a substituição do modelo tradicional de peça única por um modelo de duas peças. Isso deixou o garment mais parecido com o tipo de roupa íntima que a maioria das pessoas já usava, trazendo mais conforto e facilitando o uso com roupas modernas.
Já no século XXI, novas atualizações continuaram: tecidos passaram a incluir opções mais macias e respiráveis, e em 2018 foi introduzido algodão com elasticidade para melhorar o ajuste, o conforto e a ventilação. Com o tempo, também surgiram opções para necessidades específicas, como modelos para maternidade e variações para diferentes climas, incluindo, por exemplo, opções como tops sem manga e versões mais adequadas para calor intenso (em alguns locais e catálogos, a partir de 2024).

O que não muda: o significado e os símbolos
Um motivo central por trás dessas mudanças é a realidade prática. À medida que a Igreja cresceu no mundo todo, os responsáveis passaram a considerar uma variedade muito maior de climas, tipos físicos e costumes culturais. Muitas decisões vieram de feedback sincero dos próprios membros, incluindo preocupações com conforto, higiene e uso diário. Quem vive em regiões quentes e úmidas, por exemplo, se beneficia de tecidos mais leves e respiráveis.
Além disso, a modernização também envolveu ouvir os membros de forma mais direta. Em 2015, a Igreja buscou opiniões por meio de pesquisas para entender o que poderia ser melhorado em estilo, tecido e construção — de etiquetas a combinações de materiais. Depois, mudanças como etiquetas impressas (em vez de costuradas) e ajustes em tecidos foram bem recebidas por muitos membros que relatavam incômodo com etiquetas que coçavam ou com certos materiais.
Mesmo com tantas atualizações, uma coisa essencial permanece: os símbolos sagrados do garment. Em 1912, a Primeira Presidência declarou que o padrão desses símbolos “vem do céu” e que eles não seriam alterados. Assim, embora o formato, os fechos e os tecidos possam mudar, a parte mais sagrada — os símbolos e o que eles representam — continua a mesma.
Essa mesma lógica aparece em outras atualizações relacionadas ao templo. Quando algumas peças do vestuário cerimonial do templo foram atualizadas em 2020 com materiais mais duráveis e fáceis de cuidar, a orientação deixou claro que estilos anteriores continuavam permitidos. O objetivo era tornar a adoração no templo “mais simples, confortável e acessível”, sem remover o significado sagrado.
No fim das contas, a pergunta se responde assim: membros são orientados a não “adaptar” o garment por conta própria, porque ele é sagrado e deve ser usado conforme foi fornecido pela Igreja. Ao mesmo tempo, a Igreja pode fazer atualizações oficiais após cuidadosa consideração, para ajudar os membros a guardarem seus convênios com dignidade e constância em diferentes países, climas, rotinas e necessidades.
O garment pode mudar na forma, mas o compromisso que ele representa permanece.
Fonte: Ask Gramps
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