Não sei se é só impressão minha, por já estar na casa dos 30, mas os anos parecem estar passando mais rápido. E uma das coisas que mais me marcam em toda a correria diária que vivemos com trabalho e cuidados da família são os feriados. Estamos chegando na Páscoa, mas a minha impressão é que o Natal foi ontem.

Os feriados ás vezes nos marcam por causa das coisas que compramos para celebrá-los, a roupa que precisamos vestir, mas e se toda essa logística estiver fazendo com que percamos o real significado e deixemos de sentir a real alegria que deveríamos sentir neles?

Talvez o que nos falte é compreensão do que estamos vivendo, porque mesmo que vivenciemos algo milagroso em nossa vida, o tempo pode apagar a importância das coisas. Então, compreender ao estudar as escrituras e buscar sentir a Páscoa diariamente é essencial para nos emocionarmos e vivermos melhor esse dia tão especial.

O que precisamos compreender

O que o Presidente Nelson ensinou sobre a Expiação:

“A Expiação de Jesus Cristo tornou-se a criação imortal.”

Ou seja, por causa da Queda de Adão nos tornamos mortais, mas graças a Jesus Cristo temos um espírito imortal. E se isso ainda não faz muito sentido para você, não te causa arrepios. Pense nos seus entes queridos que já estão do outro lado do véu, visualize a chance de reencontrá-los, abraçá-los e ver que qualquer dor que eles possam ter sentido nos seus últimos momentos nesta terra já não existem mais. 

O efeito da criação é infinito e isso é o mesmo que dizer que abrange todas as pessoas, todos os tipos de dores, até mesmo todos os mundos. Segundo o Presidente Nelson, “foi infinita além de qualquer escala humana de medida, ou mesmo da compreensão humana.”

Mas o pouco que podemos compreender já é suficiente para cairmos de joelhos no chão e agradecermos e louvarmos a Ele, o nosso Redentor, Rei e Senhor.

A palavra Expiação

A palavra “Expiação” pode parecer difícil à primeira vista, mas o significado é algo muito pessoal. Expiação vem da ideia de “tornar um” novamente, restaurar aquilo que foi quebrado, aproximar o que estava separado.

Por causa do pecado, da dor e das imperfeições da vida, existe uma distância entre nós e Deus. Mas para acabar com a distância que a humanidade criou entre ela e o Senhor, Ele deu Seu Filho perfeito, para que fosse possível superar essa distância e nos envolver novamente em Seus braços. Ele cura tanto o culpado quanto o inocente

“Por meio de Sua Expiação, Ele cura não apenas o transgressor, mas também o inocente que sofre por causa dessas transgressões. À medida que o inocente exerce fé no Salvador e em Sua Expiação, e perdoa o transgressor, ele também pode ser curado.” C. Scott Grow — O Milagre da Expiação

Isso muda completamente a forma como vemos a dor. Porque muitas vezes pensamos que a Expiação é apenas para quem erra, mas ela também alcança quem sofre injustamente.

Isso significa que nenhuma dor é invisível para Deus. Nenhuma ferida é pequena demais. Nenhuma história é ignorada.

Existe cura,  inclusive para aquilo que não foi culpa nossa.

A Expiação não apenas nos limpa, ela nos transforma

“Mas a Expiação tem um propósito a mais: não só redimir-nos (reconciliar-nos da Queda) e sim aperfeiçoar-nos. A Expiação foi instituída para fazer mais do que nos pôr outra vez no ponto de partida, mais do que nos abluir, mais do que fazer-nos inocentes. Foi projetada para nos proporcionar uma dotação (investidura) celestial que nos possibilitará alcançar a perfeição divina. Como chegamos lá? Devido à Expiação somos abluídos nas águas do batismo. Devido a esta purificação estamos aptos para receber o dom do Espírito Santo; e com este dom temos direito aos dons do Espírito (isto é, conhecimento, paciência, amor, etc.), sendo cada um deles uma caraterística da Divindade. Assim, ao adquirirmos os dons do Espírito, que se tornou possível por meio do poder purificador da Expiação, adquirimos as características de Deus.” Tad R. Callister — O Ensino da Expiação

A Expiação não é apenas sobre voltar ao que éramos antes. Ela é sobre nos tornarmos algo que nunca conseguiríamos ser sozinhos.

É sobre sermos moldados, pouco a pouco, até refletirmos mais o caráter de Cristo.

O preço que não conseguimos compreender

“Tenho certeza de que nenhum de nós pode imaginar o significado e a intensidade da dor sofrida pelo Senhor, enquanto realizava a grandiosa Expiação. Duvido que Joseph Smith, na época, tivesse uma noção plena do sofrimento do Salvador, embora o Profeta tenha adquirido maior compreensão e entendimento por meio de suas próprias tribulações e sofrimento nos anos seguintes. Pense na instrução corretiva dada pelo próprio Jesus ao aconselhar e consolar Joseph nas tenebrosas horas em que esteve preso na Cadeia de Liberty. O Senhor disse simplesmente: ‘O Filho do Homem desceu abaixo de todas elas. És tu maior do que ele?’ (D&C 122:8).” Élder Cecil O. Samuelson Jr. — O Que a Expiação Significa para Você?

Essa é uma das verdades mais profundas da Páscoa. Não existe dor que Ele não conheça.
Não existe sofrimento que Ele não tenha sentido. E isso muda transforma essa data no momento que deve ser o mais significativo para todos nós, porque significa que nunca estamos sozinhos, nem mesmo nos momentos mais difíceis.

Jesus e Maria Madalena no domingo de Páscoa

Então… onde está a alegria da Páscoa?

Talvez a gente tenha se acostumado a tratar a Páscoa como mais um feriado, cheio de chocolates, presentes e símbolos que, apesar de bonitos, acabam ocupando o espaço daquilo que realmente importa.

Não há nada de errado nessas tradições. Mas, aos poucos, elas podem nos distrair do significado mais profundo da Páscoa. Sem perceber, damos mais atenção ao que é passageiro e deixamos em segundo plano aquilo que é eterno.

E, em alguns casos, essas coisas podem até tirar a alegria da Páscoa. Porque quando a data passa a girar em torno do que pode ser comprado, comparado ou exibido, ela deixa de ser igual para todos. Uma pessoa que não tem as mesmas condições que outra para comprar chocolates ou presentes pode, sem querer, se sentir deixada de lado, como se estivesse vivendo uma Páscoa menor.

A Páscoa não fala de um amor limitado por condições, dinheiro ou circunstâncias. Ela fala de um amor igual para todos, grandioso e incomparável,  um presente que não pode ser comprado, apenas recebido.

Essa deveria ser a data mais comemorada, mais alegre e mais emocionante que existe. Não há outro feriado,  nem mesmo o Natal, que seja tão importante para toda a humanidade. Porque, embora o nascimento de Cristo tenha sido essencial, foi por meio da Expiação que tudo passou a ter sentido.

Ele já venceu

E quando falamos de Expiação, não falamos apenas da cruz. Falamos do Getsêmani, daquele momento silencioso, solitário e profundamente sagrado, em que o Salvador tomou sobre Si não apenas os pecados, mas também as dores, as angústias e os sofrimentos de toda a humanidade.

A cruz não foi o começo, foi a consumação. A vitória já estava sendo conquistada antes, em um jardim, quando ninguém via, quando ninguém aplaudia, quando Ele escolheu, voluntariamente, sofrer por cada um de nós.

A Páscoa é a prova de que essa entrega foi completa. De que nada ficou de fora. De que não existe dor que não tenha sido sentida, nem erro que não possa ser perdoado, nem perda que não possa ser restaurada.

E talvez a gente não sinta essa alegria com tanta intensidade porque ainda vê essa história como algo distante, algo que aconteceu com Ele, e não algo que muda a nossa vida hoje.

A Expiação é pessoal. Ela alcança aquele momento em que você achou que não ia aguentar. Aquela dor que ninguém mais entende. Aquela culpa que você não consegue esquecer.

Talvez o que esteja faltando não seja mais tradição, mais preparação ou mais esforço… talvez seja só parar e perceber: Ele já fez. Já sentiu. Já venceu.

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