Recentemente, recebi várias perguntas sobre o dízimo: o que penso a respeito, por que penso dessa maneira e como encaro algumas das preocupações que as pessoas levantam.
O dízimo também foi um assunto de destaque na Conferência Geral mais recente. O élder Patricio M. Giuffra falou sobre o tema em seu discurso “Confiar no Senhor por meio dos dízimos e das ofertas”, e o élder Moisés Villanueva abordou o assunto em “Fazei prova de mim nisto”.
Por isso, na tentativa de responder a algumas das perguntas que recebi e refletir sobre as mensagens compartilhadas na Conferência, decidi reunir meus pensamentos em uma espécie de perguntas e respostas comigo mesmo, na esperança de que sejam úteis para outras pessoas que tenham dúvidas semelhantes.
Por que devo pagar o dízimo se preciso mais desse dinheiro do que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias?
Cuidar financeiramente de nossa família é uma responsabilidade religiosa fundamental. Essa responsabilidade não desaparece quando falamos sobre o dízimo.
Paulo organizou uma coleta na Igreja primitiva, explicando que as pessoas deveriam contribuir de acordo com o que possuíam. Embora estivesse falando de uma coleta para ajudar os necessitados, e não da prática atual do dízimo entre os santos dos últimos dias, vejo um princípio semelhante na contribuição proporcional.
A palavra dízimo significa “a décima parte”. Não existe um valor fixo em dinheiro que todos precisam pagar. O valor varia de acordo com a renda, permitindo que pessoas de diferentes condições financeiras participem.
A tensão entre as contribuições religiosas e as necessidades materiais também apareceu nos ensinamentos de Jesus. Enquanto estava no templo, Ele advertiu sobre os escribas que exploravam as viúvas. Depois, observou uma viúva depositar duas pequenas moedas e destacou que, ao contrário dos doadores ricos, ela havia oferecido tudo o que tinha para viver.
O propósito desta vida não é acumular riquezas materiais.
O princípio do dízimo, como é praticado atualmente, permite equilibrar a necessidade de sobrevivência material com as contribuições religiosas. O dízimo exige uma parte da renda, e não tudo o que uma pessoa possui.
Na mesma carta, Paulo explica que nossa abundância atual pode suprir as necessidades de outras pessoas e que, quando chegar o momento, a abundância delas poderá suprir as nossas.
Em vez de enxergar o pagamento do dízimo e o sustento de nossa família como obrigações que competem entre si, podemos reconhecer que, ao contribuir, passamos a fazer parte de uma comunidade de apoio que, em determinados momentos, também pode oferecer ajuda financeira para suprir nossas próprias necessidades.
Deus prometeu bênçãos significativas àqueles que têm fé para pagar o dízimo. Por isso, acredito que devemos convidar todas as pessoas a buscar essas bênçãos e, ao mesmo tempo, ajudá-las a atender às suas necessidades básicas.

Se pagar o dízimo significa que precisarei de ajuda para comprar alimentos ou pagar contas, por que simplesmente não ficar com o dinheiro?
Em Malaquias, Deus convida Seu povo a pagar o dízimo e promete abrir as janelas do céu. Entendo essa promessa como uma referência às bênçãos espirituais e materiais de Deus, embora não seja uma garantia de determinado resultado financeiro.
Já vi resumos de pesquisas que relacionam o pagamento do dízimo ao bem-estar. Pagar o dízimo exige que as pessoas observem quanto ganham e reflitam sobre como gastam seu dinheiro.
Em média, as pessoas que pagam o dízimo têm menos dívidas, níveis mais baixos de estresse, melhor saúde e uma vida mais longa. Elas se sentem mais gratas, têm maior autoestima e são mais felizes.
Isso não significa que Deus seja uma máquina de vender produtos, na qual colocamos dinheiro e recebemos algo em troca. Mas os profetas bíblicos prometeram que o dízimo traz bênçãos. Acredito nisso, e os dados parecem sugerir o mesmo.
Quando as pessoas pagam o dízimo enquanto recebem assistência da Igreja, essa contribuição ainda pode ter um significado espiritual.
Ela pode preservar o sentimento de participação e permitir que as pessoas se vejam como alguém que contribui, mesmo durante um período em que precisam de mais ajuda do que conseguem oferecer aos outros.
Como acredito que o dízimo tem valor espiritual, não gostaria de deixar de fazer esse convite às pessoas que enfrentam dificuldades financeiras.
Ensinar alguém a não pagar o dízimo simplesmente porque está passando por dificuldades financeiras seria, no fim das contas, prestar-lhe um grande desserviço.
Isso significa que você espera receber recompensas financeiras ao pagar o dízimo?
Conheço pessoas que tiveram experiências milagrosas relacionadas ao dízimo. Eu não tive. E não há problema nisso.
Algumas pessoas pregam o que às vezes é chamado de evangelho da prosperidade, ensinando que contribuir financeiramente para uma igreja resultará em recompensas financeiras diretas.
Não é nisso que acredito. Acredito que Deus abençoa Seu povo e que Ele nos pede que paguemos o dízimo.
Mas o propósito desta vida não é acumular riquezas materiais. Portanto, não devemos enxergar o dízimo como uma máquina mágica que multiplica dinheiro.
Por que eu não poderia cumprir o mesmo propósito espiritual do dízimo ajudando um vizinho ou fazendo uma doação para outra instituição de caridade?
Contribuir para organizações sem fins lucrativos confiáveis que trabalham para aliviar o sofrimento é uma excelente prática.
Além de seus próprios programas, a Igreja frequentemente realiza trabalhos humanitários por meio de parcerias com outras organizações.
Todos os anos, escolho uma organização local e outra internacional para fazer doações beneficentes. Mas faço isso além de pagar o dízimo.
O dízimo faz parte do meu relacionamento com Deus.
A Igreja realiza trabalho humanitário, mas também é a organização de Deus na Terra. Ela possui uma missão especificamente religiosa.
Os santos dos últimos dias acreditam que essa missão precisa ser realizada sob a devida autoridade do sacerdócio, restaurada à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
O dízimo ajuda a sustentar o trabalho missionário, além dos locais e programas necessários para a adoração, a educação religiosa e as ordenanças.
Outras organizações podem realizar um bem extraordinário, mas, segundo as crenças dos santos dos últimos dias, elas não podem substituir a Igreja no cumprimento dessa missão religiosa específica.
Essa missão envolve custos práticos: capelas e templos, materiais de ensino, seminários e institutos, contas de serviços essenciais e muitas outras despesas.
Para mim, a diferença é um pouco semelhante à diferença entre pagar uma conta de água e fazer uma doação para um projeto de construção de poços. Construir poços em Moçambique é um trabalho importante. Por favor, quando puder, apoie projetos como esse.
Mas, embora ambas as despesas estejam relacionadas à água, elas atendem a propósitos diferentes. São duas maneiras valiosas de utilizar o dinheiro, mas não são necessariamente intercambiáveis.

A Igreja pressiona as pessoas a contribuir ou incentiva que elas exibam suas doações?
As práticas formais da Igreja relacionadas ao dízimo evitam métodos de arrecadação que exercem forte pressão sobre as pessoas.
Não passamos uma cesta de coleta durante as reuniões. Quando eu era criança, entregávamos os envelopes do dízimo de maneira reservada. Hoje, muitos membros fazem suas doações pela internet.
Jesus criticou aqueles que faziam questão de exibir suas contribuições religiosas e ensinou Seus seguidores a contribuir em segredo.
Fazer doações de maneira reservada está de acordo com esse ensinamento. Isso pode reduzir os incentivos sociais que transformam a contribuição em uma forma de exibição.
Mas a própria declaração do dízimo não cria pressão?
Todos os anos, os santos dos últimos dias são convidados a se reunir com seus bispos para a declaração do dízimo e informar se são dizimistas integrais.
Em 2022, a Igreja mudou o nome dessa reunião anual de “acerto do dízimo” para “declaração do dízimo”. Uma reunião anual pode atender a propósitos práticos: revisar os registros de doações, corrigir possíveis divergências e conversar sobre dúvidas relacionadas à renda e às contribuições.
Para pessoas cuja renda varia ou é recebida principalmente em determinados períodos do ano, uma revisão anual pode ser especialmente útil.
Ela também pode oferecer uma oportunidade para que indivíduos e famílias conversem com seus bispos sobre sua vida espiritual e suas circunstâncias.
Conheço pessoas que tiveram uma conversa tão boa com o bispo que só se lembraram de mencionar o dízimo quando já estavam indo embora.
O dízimo faz parte do meu relacionamento com Deus.
Esses benefícios não significam que a reunião nunca possa gerar pressão.
Uma conversa com um líder religioso sobre dinheiro e compromissos religiosos pode ser algo delicado. A maneira como essa conversa é conduzida faz diferença.
Para mim, há um significado espiritual em me reunir com meu bispo todos os anos. Espero que essa reunião ofereça às outras pessoas uma oportunidade de receber incentivo, conversar com sinceridade e encontrar apoio, e não de passar por constrangimento ou humilhação.

Relacionar o dízimo à frequência ao templo não seria o mesmo que pagar para ter acesso às ordenanças sagradas?
Entendo por que alguém poderia enxergar a situação dessa maneira, já que ser dizimista integral faz parte do processo de obtenção da recomendação para o templo.
Mas não entendo o dízimo como a compra de uma ordenança. Vejo-o como um compromisso espiritual expresso por meio de escolhas financeiras. O valor depende da renda, em vez de ser um preço fixo de entrada.
Ainda assim, chamar o dízimo de mandamento espiritual não elimina suas consequências financeiras, e a possibilidade de receber assistência não significa que essas consequências deixem de existir.
As pessoas podem escolher não pagar o dízimo, mas, na prática dos santos dos últimos dias, essa escolha tem um significado religioso. Ela não é tratada apenas como uma decisão financeira.
Os compromissos assumidos no templo envolvem alinhar nossos objetivos e nossas ações à vontade de Deus.
Como os convênios do templo incluem o princípio da consagração, entendo o dízimo como parte da preparação para esses compromissos.
Ao mesmo tempo, as dificuldades financeiras, por si só, não revelam quanta fé uma pessoa possui nem o quanto ela está disposta a fazer convênios no templo.
Vejo esse requisito da mesma maneira que vejo os outros requisitos para entrar no templo: não como um preço a ser pago, mas como parte da preparação espiritual para a adoração no templo.
O que você diria às pessoas que perguntam por que a Igreja gasta dinheiro com templos bonitos quando poderia ajudar quem está sofrendo?
Eu começaria com as palavras de Jesus em Betânia, quando Ele defendeu um ato de devoção que envolvia algo de grande valor:
“Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre.”
Não interpreto essas palavras como uma permissão para negligenciar as pessoas necessitadas. No relato de Marcos, Jesus também diz:
“E, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem.”
Somos cristãos. Somos chamados a amar e cuidar dos pobres. Mas não acredito que essa obrigação elimine todas as outras responsabilidades religiosas.
Acredito que existe um valor real em dedicar recursos materiais à adoração e à vida religiosa. Os locais de adoração podem ajudar a formar comunidades cujos compromissos incluem cuidar de outras pessoas.
Isso não significa que toda despesa com construções seja automaticamente justificável. A boa administração dos recursos ainda exige escolhas cuidadosas.
Mateus 23:23 ajuda a explicar como compreendo esse equilíbrio.
Jesus criticou os fariseus por pagarem o dízimo de suas ervas enquanto negligenciavam os aspectos mais importantes da lei: o juízo, a misericórdia e a fé. Ele não lhes disse que abandonassem o dízimo. Ensinou que deveriam fazer as duas coisas.
Essa passagem desafia a ideia de que a devoção religiosa e o cuidado com os pobres precisam ser obrigações concorrentes, das quais apenas uma merece receber recursos.
Avançar no combate à pobreza a longo prazo não elimina a obrigação de aliviar o sofrimento imediato.
Precisamos responder às necessidades urgentes e, ao mesmo tempo, cultivar comunidades comprometidas em enfrentá-las a longo prazo.
Para mim, cuidar dos pobres e proporcionar locais de adoração são duas partes da missão da Igreja. A questão difícil é como cumprir ambas de maneira responsável.

Por que acumular investimentos tão grandes em vez de gastar mais dinheiro agora?
Se você acreditasse que é responsável por preparar uma igreja mundial para enfrentar graves dificuldades no futuro, não seria difícil compreender a decisão de formar reservas financeiras.
Já ouvi a brincadeira de que a Igreja não possui um fundo para os “dias de chuva”, mas um fundo para os “dias de furacão”. Li as escrituras e compreendo o desejo de se preparar para algo muito maior do que uma crise econômica comum.
Se os profetas e apóstolos acreditam que formar reservas é o que a Igreja precisa neste momento de sua missão, apoio essa visão.
Mas explicar por que as reservas são úteis não é o mesmo que estabelecer exatamente qual deve ser o tamanho delas.
Uma organização que pretende continuar funcionando indefinidamente tem motivos para preservar recursos destinados às necessidades futuras, em vez de gastar cada dólar que recebe.
O tamanho adequado dessa reserva depende de suas obrigações, da receita esperada, dos riscos dos investimentos e das dificuldades para as quais está se preparando.
Apenas para ilustrar, se uma organização quisesse ter um fundo capaz de sustentar retiradas anuais de 9 bilhões de dólares, considerando uma taxa de utilização de 4% a 5%, isso corresponderia a aproximadamente 180 bilhões a 225 bilhões de dólares em ativos.
Esse é apenas um exemplo matemático de uma possível reserva hipotética necessária para a Igreja. Uma determinada porcentagem de retirada não garante a sustentabilidade do fundo. Os rendimentos dos investimentos, a inflação e as mudanças nas necessidades podem afetar o valor necessário.
Se o dízimo recebido regularmente cobre as despesas da Igreja, por que também manter reservas grandes o suficiente para sustentar suas operações?
O crescimento é uma possível razão. Uma igreja em expansão pode precisar de novos edifícios, programas educacionais e apoio contínuo para congregações cujas contribuições locais não são suficientes para cobrir suas despesas.
A Igreja se desenvolveu nos Estados Unidos, e sua missão mundial se estende a lugares com realidades econômicas muito diferentes.
Não acredito que a capacidade de manter a vida religiosa em uma comunidade deva depender inteiramente da riqueza de seus membros locais.
Talvez o Senhor esteja preparando Sua Igreja para sustentar esse trabalho a longo prazo. As reservas podem ajudar a tornar esse apoio possível, especialmente quando as necessidades e as contribuições não crescem no mesmo ritmo.
Elas também podem oferecer proteção contra interrupções nas doações ou despesas inesperadas. Essas considerações ajudam a explicar por que o recebimento contínuo do dízimo e a manutenção de reservas financeiras não são necessariamente medidas redundantes.
Como a propriedade de imóveis comerciais e empresas com fins lucrativos se encaixa na missão religiosa da Igreja?
Se a Igreja mantém reservas financeiras, esses recursos precisam ser administrados de maneira responsável. Os imóveis comerciais podem fazer parte de uma estratégia de investimento quando oferecem retornos adequados e diversificação.
A boa administração dos recursos ainda exige escolhas cuidadosas.
Investimentos que também criam empregos ou melhoram a qualidade de vida local podem atender a vários propósitos, desde que sejam financeiramente sólidos e eticamente responsáveis.
A diversificação também oferece a uma organização motivos para manter investimentos em diferentes setores, em vez de concentrar todos os seus recursos em uma única categoria de ativos.
Eu não diria que os imóveis comerciais fazem, por si só, parte da missão religiosa da Igreja. Acredito que eles podem apoiar essa missão.
Por exemplo, consigo compreender como um empreendimento como o City Creek Center, próximo à Praça do Templo, pode atender a objetivos comerciais como parte da administração dos investimentos da Igreja e, ao mesmo tempo, beneficiar a comunidade ao redor.
Essa possibilidade me ajuda a entender por que um investimento próximo à sede da Igreja pode ter um valor estratégico que vai além de seu retorno financeiro.
É necessário avaliar, e não simplesmente presumir, se determinado investimento realmente cumpre esses objetivos. Mas, para mim, faz sentido buscar mais de um objetivo válido por meio de um mesmo investimento.

É apropriado que os líderes da Igreja recebam apoio financeiro? Onde está o limite entre sustentar seu serviço e usar a religião para obter benefícios pessoais?
Muitas pessoas já usaram a religião para obter vantagens pessoais. Portanto, essa é uma pergunta justa. As pessoas que deixam suas carreiras para servir à Igreja em tempo integral continuam tendo despesas para viver.
Em princípio, não vejo problema em oferecer uma ajuda de custo para esse serviço. Para mim, a distinção importante está entre um apoio que permite que alguém sirva e acordos que transformam a autoridade religiosa em uma oportunidade de enriquecimento pessoal.
O valor, o propósito, os incentivos e a supervisão são importantes. O Livro de Mórmon condena as artimanhas sacerdotais, que envolvem pregar para obter lucro e reconhecimento do mundo, em vez de buscar o bem-estar de Sião.
Entendo essa advertência como um alerta sério contra o uso dos ensinamentos religiosos para atender às ambições de quem os ensina.
Os incentivos financeiros podem levar professores religiosos a dizer ao público aquilo que ele deseja ouvir, já que agradá-lo pode aumentar sua renda ou influência.
Uma ajuda de custo fixa para o serviço em tempo integral não é, por si só, uma prova desse tipo de enriquecimento. Mas o apoio financeiro ainda deve ser razoável e sujeito à prestação de contas.
Quais informações financeiras os membros podem razoavelmente esperar que a Igreja compartilhe?
Acredito que os membros podem, de maneira razoável, perguntar como suas contribuições apoiam a missão da Igreja, como os recursos são protegidos e como falhas financeiras significativas são corrigidas.
Isso é diferente de esperar que todos os detalhes financeiros sejam divulgados publicamente.
As escrituras contêm exemplos em que a discrição atende a propósitos legítimos.
Ester não revelou inicialmente sua identidade judaica, e Jesus às vezes orientou pessoas que havia curado a não divulgar o que tinha acontecido.
Para mim, essas passagens mostram que a discrição pode ser compatível com o discipulado. Elas não resolvem, por si só, a questão de quais informações financeiras uma instituição religiosa deveria divulgar.
Privacidade e prestação de contas não são necessariamente opostas.
As informações financeiras também podem atrair críticas hostis ou superficiais. Os ganhos com investimentos podem provocar críticas sobre a riqueza acumulada, enquanto as perdas podem gerar questionamentos sobre a qualidade das decisões tomadas.
A divulgação de mais detalhes não resolveria necessariamente todas as divergências. Mas a possibilidade de receber críticas não elimina a importância de apresentar informações precisas nem torna injustificadas as perguntas sinceras dos membros.
Apoio a discrição adequada, mas também acredito que as perguntas sobre a administração dos recursos merecem respostas sérias e respeitosas. Privacidade e prestação de contas não são necessariamente opostas.
Por fim, Jesus ensina que “não há coisa oculta que não haja de manifestar-se”. Entendo isso como um lembrete de que, no fim, todos teremos que prestar contas, e não como uma razão para deixar de cumprir nossas responsabilidades atuais.

Como você entende os erros reconhecidos no episódio envolvendo a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC)?
Tenho expectativas muito elevadas em relação à Igreja. Também acredito que pessoas e instituições bem-intencionadas podem cometer erros graves. Mas descrever algo como um erro não deve obscurecer o que aconteceu.
De acordo com o comunicado da SEC de 21 de fevereiro de 2023, a Ensign Peak utilizou empresas de fachada para apresentar declarações que ocultavam a carteira de investimentos da Igreja e informavam incorretamente o controle da Ensign Peak sobre as decisões de investimento.
A SEC também concluiu que a liderança da Igreja havia aprovado essa abordagem. A Ensign Peak e a Igreja concordaram em pagar multas de 4 milhões e 1 milhão de dólares, respectivamente, para encerrar as acusações, sem admitir nem negar as conclusões da SEC.
A complexidade das exigências de divulgação de informações sobre investimentos é significativa e provavelmente teve um papel importante no que aconteceu, mas isso, por si só, não responde às preocupações levantadas por essas conclusões.
O episódio continua sendo importante porque os membros têm motivos legítimos para esperar que a Igreja mantenha padrões elevados. Não acredito que defender minha fé exija diminuir essa expectativa.
O que importa para mim é que as falhas sejam reconhecidas com precisão, corrigidas e impedidas de acontecer novamente. Pagar multas e mudar procedimentos é importante, mas compreender o que deu errado também é.
Posso continuar acreditando na Igreja e, ao mesmo tempo, esperar que sua administração financeira cumpra as exigências legais e mantenha elevados padrões éticos.
O que você gostaria que alguém que ainda se sente desconfortável com as finanças da Igreja entendesse sobre sua decisão de continuar pagando o dízimo?
Entendo as pessoas que têm dificuldades com o dízimo. O dinheiro é algo profundamente pessoal.
Ele pode representar nosso tempo, nosso trabalho e o valor que o mundo atribui a essas coisas, tudo reunido em uma forma concreta.
Também é uma das maneiras mais claras pelas quais influenciamos o mundo. Para mim, é exatamente por isso que escolho pagar o dízimo.
É uma maneira de colocar Deus em primeiro lugar e expressar meu testemunho do papel único da Igreja no cumprimento de Seu plano.
Essa escolha não exige que eu finja que todas as questões financeiras têm respostas fáceis. Ela reflete a fé e os compromissos que orientam minha vida.
Fazer parte dessa obra enche meu coração de alegria. Pagar o dízimo me dá a sensação de estar contribuindo para a obra da Igreja que moldou toda a minha vida.
Fonte: Public Square
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