No leste da Turquia, perto do Monte Ararate, existe uma formação rochosa em forma de barco que intriga pesquisadores há mais de 60 anos.

Batizada de “formação Durupınar”, em homenagem ao cartógrafo turco İlhan Durupınar, que a identificou em fotos aéreas de 1959, ela tem cerca de 164 metros de comprimento, uma dimensão que se aproxima da medida bíblica da Arca de Noé, descrita em Gênesis 6.

Em 2026, uma nova equipe de pesquisa retomou os estudos no local, usando tecnologia de ponta para tentar entender o que existe abaixo da superfície.

O que a nova pesquisa está investigando

O projeto atual, batizado de Noah’s Ark Scans, é liderado por um grupo internacional que inclui arqueólogos, geólogos e engenheiros, sob autorização oficial de agências do governo turco e direção acadêmica de um professor do Departamento de Arqueologia da Universidade Sivas Cumhuriyet.

A equipe está utilizando radar de penetração no solo (GPR), tomografia de resistividade elétrica (ERT), mapeamento a laser por drone (LiDAR) e perfurações de testemunho para mapear a estrutura sem escavação invasiva.

Segundo os pesquisadores, escaneamentos já indicaram estruturas com ângulos retos e formas lineares a cerca de 7 metros de profundidade, um padrão que, segundo eles, não seria esperado numa formação puramente geológica. A equipe também afirma ter identificado até três vezes mais matéria orgânica no solo dentro da formação do que ao redor dela, o que estaria sendo usado como uma das linhas de evidência do projeto.

Imagem do site noahsarkscans.com Dezembro de 2024 — Reconstrução recente da Arca de Noé com base na análise recente por GPR.

O radar que detecta túneis de cartel também entrou em campo

Uma novidade recente do projeto é a participação do Dr. Khosrow Bakhtar, engenheiro com décadas de experiência em projetos de defesa dos Estados Unidos, incluindo trabalhos para a Força Aérea, a Marinha, a Agência de Redução de Ameaças de Defesa e a Patrulha de Fronteira. Ele levou até Durupınar um radar de subsuperfície de sua própria autoria, batizado de BakhtarRadar, originalmente desenvolvido para localizar túneis clandestinos na fronteira entre Estados Unidos e México.

Segundo os dados preliminares divulgados pela equipe, o radar não estaria detectando uma massa homogênea de rocha sob a formação, e sim múltiplas camadas e anomalias fortes. Em pontos mais profundos, os pesquisadores dizem ainda não ter localizado um limite claro de rocha-mãe onde normalmente seria esperado.

Mesmo assim, o próprio comunicado da equipe faz questão de reforçar os limites dessas primeiras descobertas: a ausência de um limite de rocha-mãe nos dados processados até agora não prova, por si só, que ele não exista, e anomalias de radar sozinhas não comprovam origem arqueológica. Segundo os pesquisadores, só a próxima etapa, a perfuração de testemunhos geológicos nos pontos identificados pelo radar, poderá de fato colocar essas hipóteses à prova com amostras físicas.

Imagem do site noahsarkscans.com 2020 — Fotografia de drone sobreposta aos resultados de um escaneamento por georradar, revelando estruturas internas e ângulos retos a 7 metros abaixo da superfície.

O que os céticos dizem

Nem todo mundo está convencido. Um estudo de 1996, conduzido pelo geólogo Lorence G. Collins junto com o pesquisador David Fasold, que inicialmente defendia a teoria da arca e depois mudou de posição, concluiu que a formação é, na verdade, um sinclinal: uma dobra natural nas camadas de rocha, moldada ao longo do tempo pela erosão.

Segundo esse estudo, elementos que alguns interpretaram como vestígios de construção humana seriam, na realidade, concentrações naturais de minerais como limonita e magnetita. Pedras próximas à cidade de Kazan, associadas por alguns pesquisadores a supostas âncoras antigas, foram identificadas como andesito de origem local, o que enfraquece a hipótese de que teriam sido trazidas de longe por uma embarcação.

Esse debate não é novo: desde a descoberta da formação, geólogos e defensores da teoria da arca têm apresentado interpretações opostas para os mesmos dados, e a nova rodada de pesquisas de 2026 deve reacender essa discussão.

Imagem do site noahsarkscans.com 1988, Campanha de sondagem com recuperação de testemunhos de Bayraktutan e Baumgardner. Quatro furos de 3½ polegadas foram perfurados na formação entre 28 de julho e 7 de agosto de 1988.
Imagem do site noahsarkscans.com A icônica fotografia aérea de Ara Güler, de 1961, que atraiu a atenção mundial para o local. Reproduzida a partir dos anais do 5º Simpósio Internacional sobre o Monte Ararat e a Arca de Noé.

O que ainda não se sabe

Até o momento, a equipe do Noah’s Ark Scans não anunciou uma confirmação científica de que a formação seja de fato os restos da Arca de Noé. O projeto descreve seu trabalho como uma investigação em andamento, com resultados que ainda passarão por análise e revisão. As perfurações de testemunho, que podem trazer amostras geológicas mais conclusivas, começaram a ser coletadas em setembro de 2026, mas os resultados completos ainda não foram publicados.

Vale destacar que essa é uma iniciativa de um grupo independente de pesquisadores e entusiastas cristãos, sem qualquer vínculo com A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Por que essa busca importa para quem tem fé

Independentemente do resultado científico, casos como esse tocam em algo maior: o desejo humano de encontrar evidências físicas para relatos que já sustentamos pela fé. Para os santos dos últimos dias, a fé no relato de Noé e no dilúvio não depende de uma descoberta arqueológica, mas episódios como este mostram como a busca por respostas continua unindo ciência, história e devoção, mesmo quando as conclusões ainda estão em aberto.

Fontes: Noah’s Ark Scans, Fox News e The Archaeologist.

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