Um encontro em Joanesburgo, na África do Sul, reuniu profissionais do direito, líderes religiosos e representantes governamentais para debater como leis, fé e participação cívica se combinam para fortalecer comunidades e nações.
No dia 8 de agosto, advogados, juízes, acadêmicos, representantes de governo, líderes religiosos e estudantes de direito das Áreas África Oeste, África Central e África Sul de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias se reuniram para a Conferência Tri-África da Sociedade de Direito J. Reuben Clark. A liberdade religiosa é um valor central para a Igreja, que busca proteger esse direito para pessoas de todas as fés, ou sem fé alguma.

O discurso do élder Godoy
No discurso principal do evento, o élder Carlos A. Godoy, Setenta-Autoridade Geral e presidente da Área África Sul, descreveu a liberdade religiosa como um princípio fundamental, que protege a dignidade humana, a liberdade de consciência e o direito de indivíduos e comunidades de fé de adorar, servir e contribuir positivamente com a sociedade.
“As comunidades de fé desempenham um papel importante no fortalecimento das famílias, na promoção de valores morais, no cuidado com populações vulneráveis e no atendimento a necessidades humanitárias”, afirmou, segundo reportagem publicada pela Sala de Imprensa da Igreja para a África.
O élder Godoy também citou a décima primeira Regra de Fé, que declara: “Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde, ou o que desejarem.”
“Este princípio nos lembra que as liberdades que buscamos para nós mesmos também devem ser estendidas aos outros”, disse o élder Godoy. “A liberdade religiosa floresce onde prevalece o respeito mútuo pelos direitos e pela consciência dos outros.”

Outras vozes no debate
Josina da Graça, subdiretora nacional do Departamento de Assuntos Religiosos de Moçambique, explicou que a liberdade religiosa não é um privilégio concedido pelo governo, mas um direito humano fundamental garantido pela constituição do país.
Segundo ela, a diversidade religiosa moçambicana convive de forma pacífica e contribui para a unidade nacional, e as organizações religiosas, incluindo a Igreja, têm papel relevante na construção da paz, no apoio humanitário e no desenvolvimento das comunidades.
Rory Wellington, presidente da filial zimbabuana da Sociedade de Direito J. Reuben Clark, destacou que a força do Estado de Direito se mede pela disposição das instituições públicas de sustentar princípios constitucionais. Ele lembrou que o Zimbábue tem uma trajetória de proteção à liberdade religiosa, mas ressaltou que as garantias constitucionais só têm valor real quando são aplicadas e defendidas na prática.
Lloyd Allen, conselheiro jurídico da Área África Sul, chamou atenção para a dimensão pessoal do tema: “Embora constituições e sistemas jurídicos ofereçam proteções essenciais, o futuro da liberdade religiosa também depende da escolha de cada indivíduo de viver com integridade, respeito e cuidado pelo próximo.”
O evento terminou com um compromisso compartilhado entre os participantes de continuar avançando o Estado de Direito, defendendo a liberdade religiosa e fortalecendo a colaboração entre instituições jurídicas, governamentais, acadêmicas e religiosas em toda a África.
Fonte: Church News
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