Nesta semana, líderes e missionários da Missão de Bo, em Serra Leoa, esperam ultrapassar a marca de 10 mil pessoas batizadas desde que a missão foi criada, há apenas dois anos.
Bo é a segunda maior cidade de Serra Leoa, e a missão que leva seu nome cobre a região sudeste do país, no oeste da África. Ela foi desmembrada da Missão de Freetown, em Serra Leoa, em 2024.
Desde então, 9.967 pessoas já foram batizadas, com mais 170 batismos previstos só para este sábado, segundo o presidente da missão, Scott L. Wyatt. No primeiro ano, do verão de 2024 ao verão de 2025, foram 2.910 batismos; todo o restante aconteceu no último ano, mostrando que o ritmo de crescimento praticamente dobrou.
A estrutura da Igreja na região também cresceu junto: nos últimos dois anos, o número de estacas passou de quatro para seis, e o presidente Wyatt espera que mais duas sejam criadas em breve, além de oito novos ramos até o fim de 2026. No ano passado, o Church News já havia noticiado um episódio marcante desse crescimento: 120 pessoas batizadas em um único dia na cidade de Moriba Town.
“Só existe uma explicação: essas pessoas foram preparadas para ouvir o evangelho”, resumiu o presidente Wyatt.

Reuniões lotadas e um povo especialmente receptivo
Segundo o presidente da missão, os encontros de ensino missionário e as reuniões de domingo costumam lotar completamente o espaço disponível, com pessoas sentadas em muretas baixas e outras assistindo em pé, do lado de fora de janelas e portas. Os próprios membros da Igreja assumem parte do trabalho de divulgar a mensagem entre familiares e vizinhos.
Wyatt também destacou o quanto o povo de Serra Leoa é acolhedor: “Nunca conheci um povo mais gentil do que o de Serra Leoa.” Segundo ele, as pessoas adoram conhecer estrangeiros e recebem bem os missionários. “Quando caminhamos pelas ruas, todo mundo quer parar para conversar e nos cumprimentar.”
O país tem forte tradição religiosa e uma convivência notavelmente tolerante entre muçulmanos e cristãos, segundo o presidente da missão. “Quando nossos missionários param alguém na rua e simplesmente dizem ‘oi, tudo bem?’, se apresentam e perguntam ‘podemos falar sobre Jesus por um minuto?’, a resposta é sempre ‘sim'”, contou Wyatt.

Missionários de todos os continentes habitados
Os missionários de tempo integral que servem na Missão de Bo vêm de praticamente todos os continentes habitados do planeta, segundo Wyatt. Casais missionários seniores também têm um papel importante — e, segundo ele, a missão precisa de mais casais, já que eles trazem experiência, conhecimento e afeto tanto para os missionários mais jovens quanto para os membros recém-batizados.
Os próprios membros locais abraçam o trabalho missionário com entusiasmo: muitos jovens adultos se batizam e, poucos dias depois, já estão acompanhando os missionários em suas visitas. Um ano mais tarde, muitos deles estão prontos para servir sua própria missão de tempo integral — e, ao voltarem, costumam ser rapidamente chamados para posições de liderança em ramos e alas.

O ramo que quase dobrou de tamanho em quatro meses
Um exemplo desse crescimento acelerado é o Ramo Njala, organizado em setembro de 2025. O élder C’arrive Beya, da República Democrática do Congo, serve ali ao lado do companheiro, élder Ty Hatch, de Gilbert, no Arizona (EUA).
“Estamos ocupados todos os dias, o dia inteiro, ensinando o evangelho de Jesus Cristo”, escreveu o élder Beya ao Church News.
Quando ele chegou à área, em março de 2026, o ramo tinha 81 membros. Entre março e julho daquele mesmo ano, outras 145 pessoas foram batizadas, e a frequência às reuniões sacramentais está crescendo ainda mais rápido do que os próprios batismos. O ramo se reúne atualmente em um grande salão comunitário, enquanto aguarda uma capela mais permanente; depois da reunião sacramental, as 85 crianças da Primária se deslocam para o fundo do salão, enquanto os adultos ocupam a frente. Segundo o presidente Wyatt, é provável que o Ramo Njala seja dividido em breve.
O élder Beya reconhece que a vida em Serra Leoa não é fácil, e que o povo enfrenta muitos desafios. “Eles amam a Deus, são humildes e ansiosos para aprender. Quando ensinamos a eles o evangelho de Jesus Cristo, vemos a vida deles mudar, sentindo esperança e paz. O maior desejo deles é compartilhar o que aprenderam com outras pessoas”, disse ele.

“Agora meus irmãos podem fazer convênios com o Senhor”
O presidente da Estaca Bo Serra Leoa Leste, Johnnie C. Walters, acredita que o povo da região está vivendo verdadeiros milagres neste momento. “Tenho um sentimento especial ao saber que meus irmãos e irmãs agora têm a oportunidade de fazer convênios com o Senhor”, afirmou.
Já o presidente da Estaca Bo Serra Leoa Oeste, Joseph Mammy, que também serviu como conselheiro na presidência da Missão de Freetown e como bispo, contou que já conversou com centenas de pessoas e famílias sobre o que as levou a se filiar à Igreja. Segundo ele, boa parte da resposta está ligada ao amor pelos próprios ancestrais e ao que o evangelho restaurado de Jesus Cristo oferece.
Mammy explicou que a maior tribo da região, e do país como um todo, é a tribo Mende, que mantém uma tradição de festas anuais herdada dos antepassados. Ao final da temporada de colheita, as famílias se reúnem para caçar juntas e garantir carne suficiente; as mulheres da aldeia cozinham em conjunto e levam a comida até o cemitério local, onde o homem mais velho da aldeia e o chefe tribal fazem orações convidando os ancestrais a participar da refeição.
“O povo Mende ama a verdade, e já a buscava havia séculos. Nenhuma outra igreja do sudeste de Serra Leoa jamais lhes disse que existe uma ordenança que pode ser realizada em favor deles mesmos e de seus ancestrais, não apenas alimentando-os simbolicamente. Esse conhecimento vem sendo compartilhado pelos próprios membros com seus familiares, amigos e parentes”, explicou Mammy.

O foco não em números
Apesar do crescimento acelerado, o presidente Wyatt afirma que a missão nunca estabeleceu cotas ou metas numéricas de batismo. O foco, segundo ele, está no discipulado genuíno e na conversão — inclusive a dos próprios missionários.
“Somos gratos por ver tantas pessoas escolherem, por conta própria, seguir o Salvador”, resumiu o élder Beya. “É uma alegria ser um instrumento nas mãos de Deus, compartilhando a luz do Seu evangelho com os outros.”
Fonte: Church News



