Membros da Igreja de Jesus Cristo podem tomar chá?

cha-pretoDepende! A Lei de Saúde do Senhor, a Palavra de Sabedoria, preceitua que “bebidas quentes não são para o corpo”. Essa expressão foi interpretada pelos líderes da Igreja como “chá e café”.

O Presidente Hyrum Smith—irmão do Profeta Joseph Smith, patriarca da Igreja e presidente assistente—ensinou: “Mais uma vez, as ‘bebidas quentes não são para o corpo nem para o ventre’; muitos não sabem o que isso quer dizer, se diz respeito ao chá ou ao café ou não. Digo que se refere ao chá e ao café”. [1]

Alguns membros das Igreja no Brasil interpretaram de maneira mais extensiva a proibição de chá – e decidiram não tomar “Chimarrão”, “Chá Mate” – e até mesmo, outras bebidas aquecidas. Cada pessoa é livre para decidir por si mesma (além do que ensina a Palavra de Sabedoria) o que ingerir ou o que não ingerir, mas um membro da Igreja não pode ensinar sua versão pessoal da Palavra de Sabedoria dentro da Igreja ou como parte da posição da Igreja, se essa versão diferir da estabelecido no Manual 2 de Instruções da Igreja:

“A única interpretação oficial de “bebidas quentes” (D&C 89:9) da Palavra de Sabedoria é a declaração feita pelos primeiros líderes da Igreja, explicando que a expressão “bebidas quentes” se refere ao chá da Índia ou chá preto (camellia sinensis) e ao café. Os membros não devem usar nenhuma substância que contenha drogas ilegais, tampouco devem usar substâncias prejudiciais ou que causem dependência, exceto quando prescritas por um médico competente.” (item 21.3.11)

Uma história interessante aconteceu durante uma visita do Presidente David O. McKay à rainha da Holanda em 1952. O Presidente da Igreja recusou o tradicional Chá da Rainha (Chá Preto), mostrando integridade em uma situação difícil [3]. Devemos seguir esse exemplo!

A Palavra de Sabedoria não impede o uso ervas medicinais (folhas, caule, raiz, flor, etc.), utilizadas em forma de chá, por infusão, decocção ou maceração, exceto a que já foi mencionada. Deus colocou em nosso mundo “excelentes qualidades [de] muitas plantas e raízes (…) para remover as causas das enfermidades” que nós estamos sujeitos na mortalidade (Alma 46:40). Evidentemente já que são plantas “medicinais” é necessário que um especialista recomende o uso, já que toda planta, se usada com frequência pode viciar.

Os missionários da Igreja recebem a seguinte instrução: “A Palavra de Sabedoria ensina que devemos ingerir alimentos saudáveis. Ensina muito especificamente que não devemos ingerir substâncias prejudiciais, inclusive bebidas alcoólicas, fumo, chá preto e café. Também não podemos ingerir qualquer tipo de droga prejudicial. Para serem batizadas e confirmadas, as pessoas que você estiver ensinando precisam abandonar o uso dessas substâncias. As pessoas que obedecem à Palavra de Sabedoria aceitam e compreendem mais facilmente as verdades espirituais. Seu presidente de missão responderá as perguntas sobre outras substâncias específicas de sua cultura que estejam incluídas na Palavra de Sabedoria.”[4]

Os membros da Igreja são incentivados a estudar e desenvolver o dom da sabedoria para fazerem boas escolhas. A moda de tomar um chá para emagrecer ou utilizar uma erva para ganhar massa muscular pode transformar-se em um grande problema de saúde. O uso recorrente de chás por mera tradição também não é sensato. Alguns chás são extremamente perigosos em uma única dosagem. O Sene, por exemplo, é uma erva abortiva e que causa muitas cólicas. E há outras ervas naturais cujo efeito é ainda mais destrutivo [5]. O vício pode começar com uma pequena xícara. Sejamos, portanto, sábios.

Dúvidas sobre a utilização de substâncias podem ser resolvidas por meio de estudo, oração, consulta à médicos, nutricionistas e aos líderes do Sacerdócio.

 

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NOTAS

[1]  “The Word of Wisdom”, Times and Seasons, 1º de junho de 1842, p. 800

[2] “Esta mesma espécie dá origem a milhares de chás diferentes, de acordo com as condições de cultivo, coleta, preparo e acondicionamento das folhas. No entanto, todos esses produtos podem ser divididos em quatro categorias distintas: chá branco (não fermentado, produzido das mais tenras folhas, mais raro e caro), chá verde (levemente fermentado), chá oolong (com fermentação mediana, basicamente ficando entre o chá verde e o preto, mas com características gustativas geralmente mais a cerca do chá verde), chá vermelho (as folhas são prensadas e maturadas em barris) e chá preto (bem fermentado e forte)” (Wikipédia)

[3] “A rainha previra em sua agenda 30 minutos para conversar com eles [Presidente e Sister McKay]. O Presidente McKay prestou grande atenção ao tempo e, ao fim da meia hora, agradeceu gentilmente à rainha e começou a sair. “Senhor McKay”, disse ela, “sente-se! Apreciei esses trinta minutos de conversa como há muito não apreciava quaisquer outros trinta minutos. Gostaria de prolongar um pouco nossa conversa.” Ele sentou-se novamente. Em seguida, uma mesa de café foi trazida à sala, e a rainha preparou três xícaras de chá e deu uma ao Presidente McKay, outra a irmã McKay e outra a si mesma. Quando a rainha percebeu que nenhum dos dois tomou o chá, perguntou: “Não vão tomar o chá com a rainha?” O Presidente McKay explicou: “Devo dizer-lhe que nosso povo não crê no consumo de estimulantes e, a nosso ver, o chá é um estimulante”. Ela disse: “Eu sou a rainha da Holanda. Estão dizendo que não vão tomar chá, nem com a rainha da Holanda”? O Presidente McKay respondeu: “A rainha da Holanda pediria que o líder de um milhão e trezentas mil pessoas fizesse algo que ele ensina seu povo a não fazer”? “O senhor é um grande homem, Presidente McKay”, disse ela. “Eu não lhe pediria isso.” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: David O. McKay, pg. 111)

[4] A parte final desta citação abre um precedente interessante – pelo menos para os missionários e pesquisadores que desejam ser batizados. O Presidente de Missão pode restringir algumas substâncias dentro dos limites de sua respectiva missão. A decisão do Presidente de Missão, contudo, não vincula os membros da Igreja já batizados – a menos que o Setenta de Área ou o Presidente de Estaca assim determine para os membros do local. Essa diretriz é importante, pois, o Chá Preto – ou melhor, a erva camellia sinensis, recebe nomes diferentes em localidades diversas. Por exemplo: se surgir um Chá Roxo (não sei se existe, é apenas um exercício hipotético) com a idêntica substância do Chá Preto, o Presidente de Missão poderá recomendar a sua inutilização para os missionários e exigir que os pesquisadores candidatos ao batismo não o tomem.

[5] “Ervas naturais usadas para tratar constipação intestinal, gastrite, hemorróida, e diminuir a retenção de líquidos, entre outros sintomas, podem trazer complicações sérias ao fígado de quem as utiliza, como hepatite crônica e cirrose hepática. Embora não exista uma pesquisa sobre o tema, segundo Raymundo Paraná, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, houve um aumento no número de casos de pacientes que procuram centros de hepatologia por causa da intoxicação do fígado, causado tanto por medicamentos alopatas como também por ervas e chás.” (Leia mais aqui: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/ervas-e-chas-naturais-trazem-danos-ao-figado/)

Algumas ervas naturais de uso comum podem ser perigosas se utilizadas com drogas convencionais:

“Pesquisadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra, compraram 68 preparações à base das cinco ervas mais comumente usadas em remédios (ginseng, equinácea, gingko, alho e erva de São João) em duas lojas de produtos naturais, três grandes redes de farmácias e três drogarias de supermercados. As informações nos rótulos dos produtos foram comparadas com as informações de segurança fornecidas pelo Centro Nacional de Medicina Alternativa e Complementar e avaliadas quanto à integridade e precisão em relação às precauções, interações com outras drogas e efeitos colaterais.

Todos os produtos escolhidos são conhecidos por apresentarem algumas contraindicações. A erva de São João, por exemplo, pode reduzir os efeitos da pílula anticoncepcional e pode afetar a ação do anticoagulante Varfarina. O ginseng não é indicado para diabéticos e o gigko e a equinácea podem causar alergias. Até o alho pode causar problemas para algumas pessoas por afinar o sangue e interferir na ação do coquetel de tratamento do HIV.

A pesquisa descobriu que 93% dos produtos avaliados não eram licenciados e consequentemente não apresentavam padrões de segurança ou qualidade – e mais da metade era comercializada como suplementos alimentares. E um terço dos consumidores não sabia disso.” (Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/ervas-perigosas-medicamentos-causam-efeitos-colaterais-quando-combinados-com-drogas-convencionais-2705438#ixzz3rYwNFVeA )

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Publicado por: Lucas Guerreiro
Escritor, Advogado, Membro da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB/SP, Membro da J. Reuben Clark Law Society São Paulo. Fez Missão em Curitiba - Brasil. Gosta de desenhar, estudar filosofia, fotografar, viajar e assistir series de super-heróis.
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