“A família estão unidas, mas só até que a morte os separe” – foi o que eu ouvi dias depois que minha mãe faleceu. Eu tinha 12 anos na época.  Quando se “perde” alguém essa não é a forma mais agradável de tentar consolar ou acalmar a dor. Mas foi o que eu tinha na época.

A ideia de que as famílias se separavam com a morte permaneceu comigo por mais alguns anos, até meados do ano de 2012, aos meus 16 anos.

Todos nós já passamos ou ainda passaremos por separações duras. Vamos nos separar daqueles que amamos e isso é talvez a única certeza que muitos têm. Entretanto, para muitos não há apenas uma separação e sim uma perda – para sempre.

Em minha mente e em meu coração, não fazia sentido porque um Deus tão amoroso nos colocaria na Terra, nos daria uma família, aprenderíamos a conviver juntos e um dia, com a morte todos os laços que outrora nos uniam, seriam completamente desfeitos. Eu não podia compreender porque as pessoas “virariam anjos”, sem sexos e o pior- sem conhecer aqueles que um dia foram seus familiares.  Esses conceitos foram me passados pelo líder religioso da religião que eu seguia. Não houve muitas explicações e as minhas perguntas que eu tive, ficaram silenciadas com a desculpa de que “não temos que entender tudo”.

Eu precisava saber

Em certa medida, concordo que não vamos entender todas as coisas na mortalidade. Todavia, se há vida depois da morte eu precisava saber e precisava, sobretudo, saber como seria.

A minha busca começou em um retiro vocacional e se estendeu por alguns anos. Livros, leituras, filmes, vídeos, estudos e muita oração. Não minto – eu cheguei a pensar que se Deus existisse, Ele estava morto, porque nunca me ouvia. E eu permaneci sem respostas por anos.

Então eu entendi uma verdade preciosa: O Senhor não nos responde quando queremos e sim quando estamos prontos. É como diz um provérbio chinês:

“Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”.

Os mestres no meu caso específico, não foram grandes homens, eruditos, figuras angelicais – foram os missionários mórmons. Sei que naquele momento, eles realizavam o trabalho de um mestre ainda maior – Jesus Cristo.

Através do Evangelho de Jesus Cristo, eu pude declarar que a verdade eu tinha encontrado. Encontrar a verdade foi só uma parte de um processo, que não foi assim tão rápido. E você pode ler um pouco sobre isso, clicando aqui.

Tenho certeza que você já se perguntou de onde veio, porque está aqui e para onde vai depois daqui. Estou certa? Pois bem, eu também já me fiz essas mesmas perguntas. E principalmente, perguntava-me o que havia depois… E foi assim que o Plano de Salvação mudou minha vida.

Imagine você, sair das trevas e passar a entender o que aconteceu com você até aqui e melhor: entender o que pode vir a acontecer! Não é fantástico? Bem, é isso que eu quero contar para você hoje.

O Plano de Salvação

Na existência pré-mortal, o Pai Celestial apresentou um plano para permitir que nos tornássemos semelhantes a Ele e alcançássemos a imortalidade e a vida eterna (Moisés 1:39). As escrituras chamam esse plano de plano de salvação, o grande plano de felicidade, o plano de redenção e o plano de misericórdia.

O plano inclui a Criação, a Queda, a Expiação de Jesus Cristo e todas as leis, ordenanças e doutrinas do evangelho. O arbítrio moral — a possibilidade de escolher e agir por nós mesmos — também é essencial no plano do Pai Celestial (2 Néfi 2:27). Por causa desse plano, podemos ser aperfeiçoados por meio da Expiação, receber a plenitude da alegria e viver para sempre na presença de Deus (3 Néfi 12:48). Também por meio desse plano, nossos relacionamentos familiares podem durar por todas as eternidades. Era realmente a resposta a minha oração!

Escrituras Adicionais: João 17:3; Doutrina e Convênios 58:27.

Mas como tudo isso funciona? Bem, vamos por partes.

Vida Pré-Mortal

Antes de nascermos nesta Terra, vivíamos na presença do Pai Celestial como filhos espirituais Dele (Abraão 3:22–23; Hebreus 12:9). Na existência pré-mortal, participamos de um conselho com os outros filhos espirituais do Pai Celestial. Naquele conselho, o Pai Celestial apresentou Seu plano e o Jesus Cristo pré-mortal fez convênio (fez acordo/assumiu o compromisso ou responsabilidade) de ser nosso Salvador.

É interessante pensar que Deus conhece o fim desde o começo, logo a Queda de Adão e Eva para Ele era algo conhecido. Logo, ele providenciou um Salvador e Redentor.

Usamos nosso arbítrio para seguir o plano do Pai Celestial. Preparamo-nos para vir à Terra, onde poderíamos continuar a progredir.

Aqueles que seguiram o Pai Celestial e Jesus Cristo receberam permissão para vir à Terra a fim de passarem pela mortalidade e progredirem rumo à vida eterna. Lúcifer, outro filho espiritual de Deus, rebelou-se contra o plano e tornou-se Satanás (Isaías 14:12). Ele e seus seguidores foram expulsos do céu e perderam o privilégio de receber um corpo físico e de viver na mortalidade.

Escritura Adicional: Jeremias 1:4–5

A Criação

Jesus Cristo criou os céus e a Terra sob a direção do Pai. A Terra não foi criada do nada; mas organizada a partir de matéria já existente. Jesus Cristo criou mundos sem número (Doutrina e Convênios 76:22–24).

A Criação da Terra foi essencial para o plano de Deus. Foi o lugar onde poderíamos ganhar um corpo físico, ser testados e provados e desenvolver atributos divinos.

Devemos usar os recursos da Terra com sabedoria, bom senso e ação de graças (Doutrina e Convênios 78:19).

Adão foi o primeiro homem criado na Terra. Deus criou Adão e Eva a Sua própria imagem. Todos os seres humanos — homem e mulher — foram criados à imagem de Deus (Gênesis 1:26–27).

A Queda

No Jardim do Éden, Deus deu a Adão e Eva o mandamento de não comerem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, a consequência de tal ato seria a morte espiritual e física. A morte espiritual é o afastamento de Deus. A morte física é a separação entre o espírito e o corpo mortal. Como transgrediram o mandamento de Deus, Adão e Eva foram expulsos de Sua presença e tornaram-se mortais. A transgressão de Adão e Eva e as transformações dela decorrentes, entre as quais a morte física e espiritual, são chamadas de Queda.

Como resultado da Queda, Adão, Eva e sua posteridade poderiam sentir alegria e tristeza, conhecer o bem e o mal e ter filhos (2 Néfi 2:25). Como descendentes de Adão e Eva, herdamos uma condição decaída durante a mortalidade. Estamos separados da presença do Senhor e sujeitos à morte física. Também somos testados pelas dificuldades da vida e pelas tentações do adversário. (Mosias 3:19.)

A Queda é parte integrante do plano do Pai Celestial para nossa salvação. Ela teve seu lado negativo, mas foi também um avanço: ao mesmo tempo introduziu a morte física e a espiritual e deu-nos a oportunidade de nascer na Terra, aprender e progredir.

(Quando Adão e Eva comeram do fruto, eles passaram por uma “morte”. Diferente do sentido que conhecemos, mas eles também “morreram” em certo sentido. Contudo, logo após isso, eles estão juntos novamente. Adão e Eva são a primeira demonstração de que as famílias não são separadas pela morte.)

A Vida Mortal

A vida mortal é um momento de aprendizado, quando podemos nos preparar para a vida eterna e provar que vamos usar nosso arbítrio para fazer tudo o que o Senhor ordenou. Durante esta vida mortal, devemos escolher seguir Jesus Cristo e seu exemplo em amar e servir o próximo (Mosias 2:17; Morôni 7:45, 47–48).

Ao virmos para essa vida mortal, passamos pelo véu de esquecimento. Não temos lembranças de nossa vida pré-mortal ao lado do Pai Celestial. Passar por esse véu de esquecimento é fundamental para que nossa fé Nele seja desenvolvida. Se nos lembrássemos de tudo, faríamos tudo no “modo automático” e sem exercer fé, porque nos lembraríamos.

Na mortalidade, nosso espírito está unido ao corpo físico, dando-nos oportunidades de crescer e desenvolver-nos de maneiras que não eram possíveis na vida pré-mortal. Nosso corpo é parte importante do plano de salvação e deve ser respeitado como um dom de nosso Pai Celestial ( I Coríntios 6:19–20).

Durante esse período, cometemos muitos erros, mas o Pai Celestial enviou Jesus Cristo para expiar por nossos pecados. A Expiação é o sacrifício que Jesus Cristo fez para ajudar-nos a vencer o pecado, a adversidade e a morte. O sacrifício expiatório de Jesus teve lugar no Jardim do Getsêmani e na cruz do Calvário. Ele pagou o preço por nossos pecados, tomou sobre Si a morte e ressuscitou. A Expiação é a suprema expressão do amor do Pai Celestial e de Jesus Cristo.

Agora Ele só pede que nós o sigamos.

Escrituras Adicionais: Josué 24:15; Mateus 22:36–39; 2 Néfi 28:7–9; Alma 41:10; Doutrina e Convênios 58:27.

Vida Após a Morte

Quando morrermos, nosso espírito entrará no mundo espiritual e aguardará a Ressurreição. O espírito dos justos é recebido num estado de felicidade, que é chamado paraíso. Muitos fiéis pregarão o evangelho para aqueles que estão na prisão espiritual.

A prisão espiritual é um local temporário no mundo pós-mortal para as pessoas que morreram sem o conhecimento da verdade ou que foram desobedientes na mortalidade. Lá o evangelho é ensinado aos espíritos e eles têm a oportunidade de arrepender-se e de aceitar as ordenanças de salvação que são realizadas por eles nos templos (I Pedro 4:6). Aqueles que aceitarem o evangelho habitarão no paraíso até a Ressurreição.

A ressurreição é a reunião de nosso corpo espiritual com nosso corpo físico perfeito de carne e ossos (Lucas 24:36–39). Após a ressurreição, o espírito e o corpo nunca mais serão separados e seremos imortais. Toda pessoa nascida na Terra ressuscitará porque Jesus Cristo venceu a morte (I Coríntios 15:20–22). Os justos ressuscitarão antes dos iníquos e surgirão na Primeira Ressurreição.

O Juízo Final ocorrerá após a Ressurreição. Jesus Cristo julgará cada pessoa para determinar a glória eterna que receberá. Esse julgamento será baseado na obediência de cada pessoa aos mandamentos de Deus (Apocalipse 20:12; Mosias 4:30).

Há três reinos de glória (I Coríntios 15:40–42). Jesus disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (João 14:2) O mais elevado dos três é o reino celestial. Lemos em I Coríntios 15:40-41:

“E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres. Uma é a glória do sol, e outra a glória da lua, e outra a glória das estrelas, porque uma estrela difere em glória de outra estrela.”

Quem for valente no testemunho de Jesus e obediente aos princípios do evangelho habitará no reino celestial na presença de Deus, o Pai, e de Seu Filho, Jesus Cristo (Doutrina e Convênios 131:1–4).

O apóstolo Paulo foi arrebatado até o terceiro céu. (II Coríntios 12:2)

O segundo dos três reinos de glória é o reino terrestre. Os habitantes desse reino serão os homens e mulheres honrados da Terra que não foram valentes no testemunho de Jesus.

O reino telestial é o menos elevado dos três reinos de glória. Herdarão esse reino aqueles que escolheram a iniquidade em vez de justiça durante a vida mortal. Essas pessoas receberão sua glória depois de serem redimidos da prisão espiritual.

Escritura Adicional: João 17:3

Eis aqui um desenho que pode ficar mais claro os pontos que abordamos:

Conclusão

Depois de tudo isso, acredito até que para aqueles que talvez como você nunca tenham visto nada sobre O Plano de Salvação,entendam melhor porque conhecer esse plano mudou minha vida.

Saber que já vivemos antes com nosso Pai Celestial é simplesmente maravilhoso. Aceitamos o Plano e por isso estamos aqui, temos um corpo de carne e ossos e podemos progredir. As decisões que faremos aqui determinarão nosso destino depois daqui. E bem, saber que minha mãe pode estar comigo para sempre, é realmente a melhor felicidade, o melhor plano que o Pai Celestial poderia me proporcionar.

Como posso saber?

Para saber da veracidade dessas coisas, basta perguntar a Deus com fé, através da oração.Ele responderá através do Espírito Santo. O Espírito Santo também é chamado o Espírito de Deus, e uma de Suas funções é testemunhar, ou testificar sobre a verdade. O Espírito Santo revela e confirma a verdade através de sentimentos, pensamentos e impressões.

Você necessitará então, escolher se viverá em harmonia com os ensinamentos de Jesus Cristo.