As escrituras contém, padrões e temas para nossa vida. Elas nos ajudam em todos os aspectos, inclusive no que tange a relacionamento amoroso e namoro.

Ao investigar as escrituras procurando este tema me diverti imaginando como deve ter sido para alguns dos personagens mais famosos das escrituras namorarem. Evidentemente as normas sociais e a cultura diferem de tempos em tempos – e isso afeta significativamente a maneira como um homem e uma mulher se aproximam um do outro para se conhecerem e formarem uma família, ou, usando a expressão de Moisés: para dividirem-se de “dois em dois na terra”, trabalharem juntos e criarem filhos (Moisés 5:3).

Será que já foi mais fácil encontrar a “pessoa certa”?

Quando se trata de relacionamento romântico e namoro nas escrituras, imediatamente lembro de Isaque e Rebeca. A escritura diz que quando eles se encontraram se amaram (Gênesis 24:67). Foi amor à primeira vista!

Mas a escritura não diz só isso. Isaque tinha 40 anos quando se casou. Provavelmente não tinha começado a namorar aos dezesseis anos como muitos dos jovens da Igreja hoje. Na verdade, talvez nunca namorara. Imagine! Chegou aos 40 sem nunca namorar! Isso pode ser um absurdo para alguns, mas  o fato é que isso aconteceu. E talvez isso lhe angustiava muito.

Isaque via as belas moças da sua região, e certamente tinha o desejo de conhecer alguém especial. Mas as moças que ele via não eram da sua religião. Ele sabia que deveria casar com alguém do convênio. Seus pais eram idosos. E ele deve ter pensando que se não casasse logo seus filhos não conheceriam seus avós. De fato, antes de encontrar Rebeca, a mãe de Isaque faleceu.

Não sabemos quantas orações os pais de Isaque fizeram, para que o filho achasse a moça certa – a moça que o faria feliz, e criaria uma posteridade justa, preservando e perpetuando as bênçãos do convênio. Mas devem ter sido muitas. Essas petições fizeram com que Abraão enviasse seu melhor servo em busca de uma moça com padrões elevados.

Isaque também deve ter orado bastante. É curioso que quando Rebeca chegou, Isaque acabara de voltar de um momento de oração. Talvez fosse semelhante a muitas orações que os solteiros da Igreja fazem hoje:

“Pai Celestial, tenho orado durante tantos anos. Só quero cumprir Teu Plano. Quero encontrar alguém bonita, fiel e disposta a ter uma família. Ajuda-me a ser digno desta bênção e saber onde procurar”.

Bem, aconteceu! Isaque e Rebeca se encontraram e se amaram. Casaram-se para o tempo e eternidade, e entraram para exaltação após uma longa e feliz vida juntos.

E o que desejo enfatizar neste ponto é que os rapazes fiéis acharão sua “Rebeca”, e as moças fiéis acharão seu “Isaque”, no devido tempo. Daí a excelente citação do Presidente Henry B. Eyring:

“A demora do Senhor com frequência parece longa; às vezes dura a vida inteira. Mas ela sempre é planejada para abençoar. Não é preciso haver momentos de solidão, tristeza ou impaciência.” (Conferência Geral outubro de 2012)

Torne-se a pessoa certa para achar a pessoa certa

A aparência não é tudo. De fato, talvez, seja a coisa menos importante na perspectiva eterna de um relacionamento. Evidentemente, é importante procurar alguém que se tenha atração. Mas conforme o Élder Richard G. Scott ensinou:

“É preciso mais do que um rostinho bonito e um porte atraente para formar o alicerce do casamento eterno. Há outras coisas a serem consideradas além da popularidade ou carisma. Enquanto você procura um companheiro eterno, procure alguém que esteja desenvolvendo as qualidades indispensáveis à felicidade: o amor profundo pelo Senhor e Seus mandamentos, a determinação de viver de acordo com eles, a compreensão, a capacidade de perdoar os outros, a disposição de doar-se de si mesmo, o desejo de ter uma família abençoada com filhos e o compromisso de ensinar-lhes os princípios da verdade no lar. O desejo de ser esposa e mãe é uma prioridade essencial na futura esposa. Ela deve estar desenvolvendo as qualidades sagradas que Deus deu a suas filhas, para ser excelente esposa e mãe: a paciência, a afabilidade, o amor aos filhos e a vontade de cuidar deles em vez de dedicar-se à carreira profissional. Ela deve estar estudando a fim de preparar-se para as exigências da maternidade. O futuro marido deve honrar seu sacerdócio e utilizá-lo a serviço dos outros. Procure um homem que aceite seu papel de provedor das necessidades da vida, que seja capaz de desempe-nhá-lo e que esteja diligentemente empenhado em preparar-se para arcar com essas responsabilidades.” (Conferência Geral abril de 1999)

A formosura e boa aparência enganaram muitos. Lemos que o grande rei Davi, que recebera revelações extraordinárias caiu de sua exaltação – e isso começou ao olhar uma mulher se banhando. Da mesma forma, o missionário Coriânton abandonou o ministério e foi à terra de Siron atrás da meretriz Isabel (ver Alma 39:3).

Com isso não quero dizer que a aparência seja trivial. Mas existe mais, muito mais. Também é verdade que precisamos procurar desenvolver uma boa forma física e ter uma aparência agradável se quisermos alguém assim. O Élder Robert D. Hales disse:

“Sua responsabilidade agora é a de serem dignos da pessoa com quem querem se casar. Se quiserem se casar com uma pessoa íntegra, atraente, honesta, feliz, trabalhadora e espiritual, sejam esse tipo de pessoa.” (Conferência Geral outubro de 2015)

Acho que  o namoro de Néfi e sua futura esposa foram facilitados exatamente porque eram parecidos na busca pela retidão. Não sei se a esposa de Néfi era jovem e de “grande estatura”, como ele. Mas sei que ela era dedicada ao Senhor e ao evangelho.

Talvez eu possa dizer algo parecido sobre Lamã e sua futura esposa – os dois tinham uma inclinação muito parecida para rebelião.

Em ambos os casos a escritura se encaixa:

“Pois a inteligência apega-se à inteligência; a sabedoria recebe a sabedoria; a verdade abraça a verdade; a virtude ama a virtude; a luz se apega à luz; a misericórdia se compadece da misericórdia (…)” (D&C 88:40)

Na maioria dos casos, não existe alma gêmea

Alguns relacionamentos talvez tenham sido pré-ordenados. Adão e Eva tiveram um namoro de segundos – pois tão logo se conheceram já foram dados em casamento. Devido ao princípio do arbítrio, não é errado pensar que nosso primeiros pais tiveram oportunidade de se desenvolver e de se conhecer antes de vierem para Terra.

Mas tirando uns poucos casos, a história de almas gêmeas é fruto da imaginação. O Presidente Spencer W. Kimball disse:

“As “almas gêmeas” são ficção e uma ilusão; e embora todo rapaz e toda moça busque com total diligência e espírito de oração o cônjuge com o qual a vida será a mais compatível e bela possível, é certo que quase todo bom homem e boa mulher podem ter felicidade e um casamento bem-sucedido se ambos estiverem dispostos a pagar o preço. (…)

Duas pessoas que se aproximam do momento de casar-se no altar devem estar cientes de que, para terem a união feliz que almejam, precisam saber que o casamento não é a solução para todos os problemas da vida, mas acarreta sacrifício, generosidade e mesmo a redução de algumas liberdades pessoais. Envolve economias longas e penosas. Envolve filhos que trazem fardos financeiros, de serviço, preocupações e cuidados; mas também envolve as emoções mais profundas e doces existentes” (“Oneness in Marriage”, Ensign, março de 1977, pg. 3-4)

Tem alguma outra história das escritura que pode ajudar com dicas de relacionamento? Envie ai nos comentários.

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