Os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmons) guardam o Dia do Senhor. Este é um sinal do povo do convênio. E o Dia do Senhor para os mórmons acontece todo primeiro dia da semana: nos domingos.

Alguns pessoas, porém, sustentam que o Dia do Senhor é no sábado – e não no domingo.

 

ANTES DA RESPOSTA

Antes de responder vou fazer uma advertência. Essa advertência consiste em um pressuposto necessário para compreensão de qualquer assunto espiritual. O desejo de aprender e a humildade para que esse aprendizado seja possível são vitais. É preciso ter a capacidade de ser doutrinável, que é a aptidão de ouvir atentamente sem julgar apressadamente: considerar demoradamente e depois, buscar um atestado espiritual da verdade por meio de revelação.

Com isso em mente não estarei buscando travar uma batalha de escrituras para provar quem esta certo, e quem esta errado. Mostrarei de maneira lógica e coerente porque penso que o Dia do Senhor deve ser guardado no domingo. Porém, a responsabilidade de encontrar a verdade é individual: deve-se buscar conhecer a verdade pelo poder do Espírito Santo por si mesmo.

Usarei a Bíblia como fonte – mas não me conterei, caso seja preciso usar outros escritos sagrados – como o Livro de Mórmon e as palavras dos profetas vivos. Também recorrerei a outros escritos e fatos históricos. A veracidade de minhas fontes pode ser questionada por alguém que crê que a Bíblia é o único escrito divino e confiável, porém não sou obrigado a responder qualquer coisa nos moldes de preconceito e ceticismo – ou ainda limitado por outros pontos de vista e crenças alheias. Responderei o que me é solicitado segundo minha própria crença e fé, de maneira lógica. Serei cauteloso em explicar termos e situações que talvez sejam desconhecidos pelos que não são de minha fé. Peço, portanto, que os que não compartilham os mesmos valores e crenças que leiam minhas palavras com certa misericórdia – exercendo aquele pressuposto de humildade que falei. Depois da leitura com a “mente aberta” poderão fazer o julgamento.

É muito mais relevante falar sobre o principio que norteia o mandamento de se guardar o dia do Senhor, do que lidar com a questão de qual é este dia. Escrever sobre o propósito, dimensão e bênçãos deste dia sagrado é certamente muito mais agradável que procurar provar o dia exato que se deva guardar. Ao falar isso não quero comprometer a importância de se cumprir com exatidão a Palavra de Deus. Não podemos “supor que [nos] será possível virar a mão direita do Senhor para a esquerda” (3 Néfi 29:9). O Senhor é um Deus de ordem (D&C 88:119).  Mas o enfoque em questões exteriores – a letra da lei, a historicidade – sem a ênfase no mais importante – o espírito, o princípio – pode nos fazer tropeçar no fanatismo, ceticismo ou, pelo menos, em exageros desnecessários. Isso aconteceu com os judeus da época do Salvador, a quem Ele acusou de hipócritas (Mateus 23:23). Para não correr esses risco explicarei brevemente a doutrina do dia do Senhor. Farei isso de maneira sintética, já que o propósito do artigo é mais restrito.

 

A DOUTRINA E O PROPÓSITO DO DIA SANTO

Para explicar a essência do Dia do Senhor usarei duas citações retiradas dos livros da Igreja:

“Dia do Descanso – Dia sagrado, reservado na semana para descanso e adoração. Depois que Deus criou todas as coisas, descansou no sétimo dia e ordenou que fosse separado um dia da semana como dia de descanso para que as pessoas se lembrassem dele (Êx. 20:8–11). Antes da Ressurreição de Cristo, os membros da Igreja guardavam o último dia da semana como dia de descanso, como faziam os judeus. Depois da ressurreição, os membros da Igreja, quer judeus quer gentios, guardavam o primeiro dia da semana (o dia do Senhor) para lembrar a ressurreição do Senhor. A Igreja hoje continua a guardar um dia por semana como o dia sagrado de descanso, no qual adoramos a Deus e descansamos dos labores do mundo.

O dia de descanso lembra às pessoas a necessidade de alimento espiritual e o dever de obedecer a Deus. Quando uma nação se descuida da observância do dia de descanso, todos os aspectos de sua vida são afetados e sua vida religiosa decai (Nee. 13:15–18; Jer. 17:21–27)” (GEE “Dia do Descanso”)

 

“Nosso comportamento no Dia do Senhor é uma manifestação de nosso compromisso de honrar e adorar a Deus. Ao santificarmos o Dia do Senhor, mostramos a Deus nossa disposição de cumprir nossos convênios. Todo domingo, vamos à casa do Senhor para adorá-Lo. Enquanto estamos ali, tomamos o sacramento para lembrar-nos de Jesus Cristo e Sua Expiação. Renovamos nossos convênios e mostramos que estamos dispostos a arrepender-nos de nossos pecados e erros.

Nesse dia, descansamos de nossos labores. Ao assistirmos às reuniões da Igreja e adorarmos juntos, fortalecemo-nos uns aos outros. Sentimo-nos renovados renovados pelo convívio com amigos e familiares. Nossa fé é fortalecida ao estudarmos as escritura se aprendermos mais a respeito do evangelho restaurado.

Quando uma comunidade ou nação se torna negligente em relação a suas atividades do Dia do Senhor, sua vida religiosa decai e todos os aspectos da vida são afetados de modo negativo. As bênçãos associadas à santificação do Dia do Senhor são perdidas. Não devemos fazer compras no Dia do Senhor nem participar de outras atividades esportivas e comerciais que hoje são tão comuns e profanam o Dia do Senhor.

Os santos dos últimos dias devem separar, esse dia santificado, das atividades do mundo, adotando um espírito de adoração, gratidão, serviço e realizar atividades centralizadas na família que sejam adequadas ao Dia do Senhor. Se os membros da Igreja se esforçarem para tornar suas atividades do Dia do Senhor compatíveis com a vontade e o Espírito do Senhor, sua vida se encherá de alegria e paz.” (“Santificar o Dia do Senhor”, Pregar Meu Evangelho, pg. 75)

Há outros artigos para se ler sobre este dia especial. [1]

 

DEUS MUDOU O DIA SANTIFICADO DE SÁBADO PARA DOMINGO?

Em nossa época guardamos como dia santificado o domingo, que é o primeiro dia da semana. O Manual Princípios do Evangelho explica brevemente:

“Até a Ressurreição de Jesus Cristo, Ele e Seus discípulos guardaram o sétimo dia como o dia santo. Após a Ressurreição, o domingo passou a ser santificado e considerado o Dia do Senhor, em lembrança de Sua Ressurreição naquele dia (ver Atos 20:7; I Coríntios 16:2). Daquela época em diante, os seguidores de Jesus passaram a guardar o primeiro dia da semana como o Dia do Senhor. Nos dois casos, havia seis dias de trabalho e um para descanso e devoção. Em nossa época, o Senhor nos deu um mandamento direto de que nós também precisamos honrar o domingo como o Dia do Senhor (ver D&C 59:12).” (capítulo 24, pg. 145-146)

O guia Sempre Fiéis também explica:

“O Dia do Senhor, o domingo, é dedicado semanalmente para descanso e adoração. Na época do Velho Testamento, o povo do convênio de Deus observava o Dia do Senhor no sétimo dia da semana, porque Deus descansou no sétimo dia depois de criar a Terra. Após a Ressurreição de Jesus Cristo, que ocorreu no primeiro dia da semana, os discípulos do Senhor começaram a observar o Dia do Senhor no primeiro dia da semana, o domingo. (Ver Atos 20:7.)” (“Dia do Senhor”, pg. 56-57).

O Manual do Aluno do Seminário – Curso do Novo Testamento, ao comentar Lucas 24:1, que fala da Ressurreição do Senhor do Primeiro dia da Semana observa:

“O primeiro dia da semana no calendário judaico era o domingo. Jesus ressuscitou nesse dia. Depois de Sua ascensão, os membros da Igreja, tanto judeus quanto gentios, santificaram esse dia e o chamaram de o Dia do Senhor. (Ver Atos 20:7; I Coríntios 16:2.)

O Presidente Brigham Young uma vez declarou:

“É verdade que não guardo o Dia do Senhor da maneira estabelecida pela lei mosaica, pois isso estaria quase além de minha capacidade. Contudo, sob o novo convênio, devemos lembrar-nos de santificar um dia da semana como o dia de descanso, em memória do descanso do Senhor e dos santos, e também para nosso benefício temporal, pois foi instituído com o propósito específico de favorecer o homem. Está escrito neste livro (a Bíblia) que o sábado foi feito por causa do homem. É uma bênção para a humanidade. Nesse dia devemos realizar a menor quantidade possível de trabalho; ele deve ser separado como um dia de descanso, para que nos reunamos num local determinado de acordo com a revelação [ver D&C 59:10–12], confessemos nossos pecados, levemos nossos dízimos e ofertas e nos apresentemos diante do Senhor.” (Discursos de Brigham Young, pg. 164).

O Elder James E. Talmage escreveu:

“A Igreja aceita o domingo como o dia de repouso e proclama a santidade desse dia. Admitimos sem argumentar que, sob a lei mosaica, se havia designado e se observava o sétimo dia como o dia santo, e que a mudança de sábado para domingo foi uma particularidade da administração apostólica que se seguiu ao ministério pessoal de Jesus Cristo. De maior importância que a designação deste ou daquele dia da semana é a realidade do dia de repouso semanal que se deve observar como dia de especial e particular devoção no serviço do Senhor. ” (James E. Talmage, Regras de Fé, pp. 405-406 .)

Assim, os santos dos últimos dias, de modo geral, guardam como Sabbath, o primeiro Dia da Semana.

 

A HISTÓRIA DO DIA DO SENHOR

Universo - CriaçãoQuando Deus criou a Terra, o fez em seis períodos de tempo. No sétimo, “descansou de toda sua obra” (Gênesis 2:2). “E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera” (Gênesis 2:3). Assim, um dia da semana – o sétimo, tornou-se um da especial – reservado para o descanso e adoração. Não sabemos a maneira como os patriarcas contavam o tempo e qual era seu sistema de calendários. Não sabemos se eles dividiam o tempo como os israelitas da época de Moisés. Para os israelitas antigos e os judeus modernos o dia termina com o pôr-do-sol, por volta das 18h. Assim na sexta de noite inicia-se o Dia do Descanso que dura até às 18 horas do sábado.

Para nós, o dia sagrado começa após à meia-noite do sábado e termina à meia noite do domingo. Fazemos isso por que nosso costume de contar o tempo não é mais como o dos judeus. Isso é adequado, porque se esperássemos o pôr-do-sol, alguns só guardariam o dia do Senhor após muito tempo – como por exemplo, os membros da Igreja que moram no Alasca, onde o pôr-do-sol pode demorar cerca de setenta dias devido a rotação da Terra e a posição longínqua deste lugar [2].

O fato é que Moisés, inspirado pelo Senhor ordenou que o Dia do Senhor fosse santificado. Moisés recebeu de Deus o mandamento de que o dia Santo fosse observado (Êxodo 20:8-10). Entretanto, parece que o motivo pelo qual o Dia Sagrado devia ser observado mudou. Alguns textos do pergaminho do mar morto demonstram que não houve uma mudança substancia no propósito, mas uma adequação – um acréscimo. De qualquer maneira lemos em Deuteronômios:

“O SENHOR nosso Deus fez conosco aliança em Horebe. Não com nossos pais fez o SENHOR esta aliança, mas conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos. (…) Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o SENHOR teu Deus. (…) Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o SENHOR teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso o SENHOR teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado.” (Deuteronômios 5:2-3, 12, 15).

Assim o dia do Senhor deveria ser observado em lembrança da libertação de Israel da terra do Egito. Esse mandamento foi incorporado á lei de Moisés, como também o ano sabático e o sábado de quadragésimo novo e quinquagésimo anos.

Sabemos que o Sabbath era um dos traços mas marcantes da antiga Israel. Os nefitas, do Livro de Mórmon, guardavam o dia do Senhor no sábado: “esforçavam-se por guardar a lei de Moisés e santificar o sábado do Senhor” (Jarom 1:5)

Quando a lei de Moisés foi cumprida por Cristo, deixou de ser requerida do povo de Deus. O Apóstolo Paulo explicou que a lei de Moisés serviu “de aio para nos conduzir a Cristo” (Gálatas 3:24). Esse “aio” tornou-se desnecessário quando Cristo veio e cumpriu a lei.

O Senhor Jesus Cristo percebeu, enquanto na mortalidade, que o Sabbath havia sido corrompido. Os judeus haviam criado uma série de regras absurdas – como a quantidade de passos que se poderia dar no dia santo! Por essa razão ele disse: “E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Assim o Filho do homem até do sábado é Senhor” (Marcos 2:27-28). Como Senhor do sábado, Ele tinha autoridade para concretizar qualquer mudança. Ele disse que não havia vindo para “destruir a lei ou os profetas” – mas para cumprir (Mateus 5:17).

O Élder Le Grand Richards disse:

“Uma vez que Jesus veio para cumprir a lei, por que então alguns procuram ainda retê-la? Por que não preferem aceitar o que Jesus trouxe para tomar o lugar da lei, e que inclui o novo sábado, o primeiro dia da semana, ou o dia do Senhor (domingo), dia em que Jesus levantou da sepultura? “O dia do Senhor” é o dia que Ele indicou aos santos desta dispensação para adoração.” (Uma Obra Maravilhosa e um Assombro, “O Dia Santificado”, pg. 320)

Assim, o Senhor cumpriu a lei de Moisés e com esse cumprimento o propósito de guardar o dia do Senhor  para lembrar-se da libertação de Israel do Egito tornou-se desnecessária. Todavia, por ordem expressa, a Igreja da Antiguidade, continuou a guardar o dia do Senhor – como lembrança da libertação da morte e do pecado – que Cristo proporcionara. O Salvador ergue-se da morte no Primeiro Dia da Semana, e portanto, esse dia passou a ser considerado Santo.

 

FONTES EXTRA-ESCRITURÍSTICAS QUE ATESTAM A MUDANÇA DO DIA DO SENHOR

Jesus com mulheres e criança em refeiçãoOs santos da Igreja primitiva, na época dos Apóstolos guardavam o dia Santificado no domingo, como demonstram as citações abaixo:

Segundo o historiador Geoffrey Blainey, “os judeus reverenciavam o sábado, e de inicio, os cristãos fizeram o mesmo. São Paulo começou a instituir o domingo como dia de reverência porque coincidia com a ressurreição de Cristo.” (Uma breve História do Mundo, pg. 103).

“Reúnam-se no dia do Senhor [dominica dies em latim se traduz como domingo] para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacrifício de vocês seja puro” (Didaqué 14,1 – texto datado do séc. I, mais precisamente no ano 96 dC).

 

“Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas o dia do Senhor, em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte. Alguns negam isso, mas é por meio desse mistério que recebemos a fé e no qual perseveramos para ser discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre. Como podemos viver sem aquele que até os profetas, seus discípulos no espírito, esperavam como Mestre? Foi precisamente aquele que justamente esperavam, que ao chegar, os ressuscitou dos mortos. Portanto, não sejamos insensíveis à sua bondade. Se ele nos imitasse na maneira como agimos, já não existiríamos. Contudo, tornando-nos seus discípulos, abraçamos a vida segundo o cristianismo. Quem é chamado com o nome diferente desse, não é de Deus. Jogai fora o mau fermento, velho e ácido, e transformai-vos no fermento novo, que é Jesus Cristo. Deixai-vos salgar por ele, a fim de que nenhum de vós se corrompa, pois é pelo odor que sereis julgados. É absurdo falar de Jesus Cristo e, ao mesmo tempo judaizar. Não foi o cristianismo que acreditou no judaísmo, e sim o judaísmo no cristianismo, pois nele se reuniu toda língua que acredita em Deus” (Carta de Santo Inácio de Antioquia aos Magnésios. 101 d.C., de Santo Inácio, Bispo de Antioquia, que segundo a Tradição foi a criança que Cristo pegou no colo em Mc 3:36.)

“Outros, de novo, certamente com mais informação e maior veracidade, acreditam que o sol é nosso deus. Somos confundidos com os persas, talvez, embora não adoremos o astro do dia pintado numa peça de linho, tendo-o sempre em sua própria órbita. A idéia, não há dúvidas, originou-se de nosso conhecido costume de nos virarmos para o nascente em nossas preces. Mas, vós, muitos de vós, no propósito às vezes de adorar os corpos celestes moveis vossos lábios em direção ao oriente. Da mesma maneira, se dedicamos o dia do sol para nossas celebrações, é por uma razão muito diferente da dos adoradores do sol. Temos alguma semelhança convosco que dedicais o dia de Saturno (Sábado) para repouso e prazer, embora também estejais muito distantes dos costumes judeus, os quais certamente ignorais” (Tertuliano 197 d.C. Apologia part.IV cap. 16, itálicos adicionados).

Esse é o testemunho do advogado cristão Tertuliano, que escreveu muitas de suas obras destinadas as autoridades romanas em defesa dos cristãos perseguidos. Em especial essa se refere a equivocada ideia de adoração dos cristãos. Ela não demonstra que os cristãos haviam mudado o dia do Santificado do sábado para o domingo devido a influência dos cultos pagãos. Tertuliano se refere ao primeiro dia da semana como “o dia do sol” tão somente para que os pagãos que o escutam ou leem compreendam, ainda que superficialmente, o significado de um dia separado, especial e sagrado como parte da adoração cristã.

Do terceiro século temos o testemunho de Hipólito de Roma, que também confirma a Tradição Apostólica de celebrar o culto cristão no Domingo:

“No domingo pela manhã, o bispo distribuirá a comunhão, se puder, a todo o povo com as próprias mãos, cabendo aos diáconos o partir do pão; os presbíteros também poderão parti-lo. Quando o diácono apresentar a eucaristia ao presbítero, estenderá o vaso e o próprio presbítero o tomará e distribuirá ao povo pessoalmente. Nos outros dias, os fiéis receberão a eucaristia de acordo com as ordens do bispo” (Hipólito de Roma 220 d.C Tradição Apostólica part III).

 

“É realmente verdade que a vida de Constantino não foi a que exigiam os preceitos do cristianismo; e é também verdade que ele permaneceu como catecúmeno (cristão não batizado) durante toda a vida, e só foi considerado membro da Igreja, pelo batismo, em Nicomédia, poucos dias antes de sua morte.”

 

“Nota 25: (…) É certo que Constantino, bem antes desse tempo, no ano de 324 A.D., se declarou cristão, e foi reconhecido como tal pelas igrejas. Também é verdade, que ele realizou, por muito tempo, os atos religiosos de um cristão não batizado, isto é de um catecúmeno; posi assistia à adoração pública, jejuava, orava, observava o sábado cristão e o aniversário dos mártires, as vigílias da Páscoa, etc. (História da Igreja de Mosheim, Livro 2, século4, Parte 1, Cap. 1:8.)”

 

“(…) Os cristãos deste século, com devoção, se reuniam para a adoração de Deus e para seu aperfeiçoamento no primeiro dia da semana, o dia em que Cristo retomou a vida; portanto temos irrefutável testemunho de que esse dia foi escolhido pelos próprios apóstolos para adoração religiosa, e que, segundo o exemplo da igreja em Jerusalém, era em geral observado. (História da Igreja de Mosheim, Livro 1, Século 1, Parte 2, Cap. 4:4)

 

“Aqueles que eram criados na antiga ordem das coisas tinham uma nova esperança, não mais observado o sábado (judeu ou sétimo dia), apenas vivendo pela observância do dia do Senhor (primeiro dia), no qual também nossa vida foi libertada por Ele e Sua morte. (Epístola aos Magnesianos, 101 A.D., Cap. 9. Inácio)”

 

“Em um dia, o primeiro dia da semana, nós nos reunimos” (Barderaven, 130 A.D.)

 

“(…) E no dia que é chamado domingo, há uma reunião no mesmo lugar, de todos os que vivem nas cidades ou nos distritos rurais; e os registros dos apóstolos, ou os escritos dos profetas, são lidos enquanto o tempo permite (…) Domingo é o dia em que todos participamos de uma reunião comum porque é o primeiro dia em que Deus, quando transformou as trevas e a matéria, fez o mundo; e Jesus Cristo, nosso Salvador, no menção dia levantou dos mortos (…) (Justino Martir, Apologias, 1:67, 140 A.D.)

“Ele, em cumprimento do preceito de acordo com o evangelho, guarda o dia do Senhor.” (Clemente de Alexandria, Livro 7, Cap. 12, 93 A.D.)

“Nós não concordamos com os judeus em suas peculiaridades com respeito ao alimento nem com respeito a seus dias sagrados.” (Apologias, Sec. 21, 200 A.D.)

“Nós mesmos estamos acostumados a guardar certos dias, como por exemplo, o dia do Senhor.” (Orígenes, Livro 3, Cap. 23, 201 A.D.)

“Mas, por que, perguntas, no dia do Senhor nos reunimos para celebrar as nossas solenidades? Porque também era a maneira que os apóstolos fizeram.” (De Fuga, XIV:ii, 141, 200 A.D.)

 

FONTES BÍBLICAS QUE ATESTAM A MUDANÇA DO DIA DO SENHOR

As passagens que são mais usadas para demonstrar que houve uma mudança do dia do sábado para o domingo são, no Novo Testamento, Atos 20:7 e I Coríntios 16:2.

Em Atos lemos: “E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à meia-noite.” Essa escritura mostra que havia reuniões de adoração no primeiro dia da semana – inclusive com a distribuição do sacramento. Em grego, nessa passagem, “πρωτη ημερα της εβδομαδος”, refere-se exatamente ao primeiro dia da semana, ou o domingo.

Em Coríntios, que foi escrito muitos anos antes de Atos (e também dos evangelhos) lemos: “No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar.” Paulo esta falando da coleta de ofertas que deveria ser feita em Jerusalém. Na língua original do novo testamento, o grego, novamente há inequívoca referência ao domingo.

Quando os judeus se convertiam ao cristianismo, deixavam muitos costumes e práticas de lado. Portanto, para eles não era estranho passar a guardar um novo dia na semana como dia sagrado. Eles sabiam que Cristo havia trazido um novo convênio. De fato, Paulo explica isso ao referir-se a instituição do sacramento (que segundo a passagem de Atos 20:7 e I Coríntios 16:2, era distribuído no Primeiro Dia da semana): “Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.” Paulo também explicou que Cristo os fizeram “capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica.” (2 Coríntios 2:3) Essa passagem, muito famosa, que diz que “a letra mata e o espírito vivifica”, foi direcionada aos membros novos da Igreja que ainda não haviam deixado algumas tradições religiosas de lado. “O batismo não faz automaticamente com que os recém-conversos se esqueçam dos ensinamentos e práticas falsas que seguiam anteriormente. Os santos de coríntios não eram exceção. Em II Coríntios 1–3 você lerá como foi preciso lembrar-lhes os princípios básicos do evangelho que são essenciais a nosso bem-estar.” (Manual do Aluno do Seminário – Novo Testamento, pg. 126)

O apóstolo Paulo sabia que os santos conversos seriam criticados pela mudança do sábado, por isso disse:

“Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados” (Colossenses 2:16).

Depois de citar essa passagem o Élder Le Grand Richards disse: “Essa advertência do apóstolo Paulo teria sido completamente inútil, estivessem os santos adorando no sábado judeu, pois os judeus então não teriam tido ocasião de julgá-los sobre o assunto” (“O dia Santificado”, Uma Obra Maravilhosa e Um Assombro, pg. 321).

Há uma passagem no velho testamento que profetiza o fim dos sábados de Israel. É pouco conhecida, e portanto pouco citada. Porém, é muito reveladora: “E farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas festividades” (Oséias 2:11). “Podemos aceitar as escrituras como a palavra de Deus e duvidar que essa profecia de Oséias seria cumprida e que o Senhor faria realmente cessar os sábados de Israel? Quando a profecia de Oséias foi cumprida, o caminho estava obviamente aberto para a introdução de um novo sábado.” (“O dia Santificado”, Uma Obra Maravilhosa e Um Assombro, pg. 319).

Na bíblia grega original o primeiro dia da semana é chamado de sábado oito vezes. Por que o primeiro dia da semana (domingo) seria chamado de sábado na Bíblia, se não fosse um novo sábado? Isso é algo para se refletir. Os primeiros cristãos sabiam que o dia do descanso (sabbath) convertera-se no Dia do Senhor (domingo, um novo sabbath), como demonstrei acima.

 

CONCLUSÃO

A mudança do sétimo dia para o primeiro foi determinada por revelação. Não poderia ser de outra maneira. Nós guardamos o domingo por Deus expressamente assim nos ordenou: “E para que mais plenamente te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de oração e oferecerás teus sacramentos no meu dia santificado; Porque em verdade este é um dia designado para descansares de teus labores e prestares tua devoção ao Altíssimo; Contudo teus votos serão oferecidos em retidão todos os dias e em todos os momentos; Lembra-te, porém, de que no dia do Senhor oferecerás tuas oblações e teus sacramentos ao Altíssimo, confessando teus pecados a teus irmãos e perante o Senhor.” (D&C 59:9-12)

A questão sobre o dia do Senhor ser um sinal perpétuo é a base para que muitos afirmem que o dia do Senhor deve continuar a ser observado no sábado. Deus é um ser imutável e expressamente disse que entre Ele e “os filhos de Israel será [o Dia do Descanso] um sinal para sempre; porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, e ao sétimo dia descansou, e restaurou-se.” (Êxodo 31:17)

Essa questão porém só pode ser adequadamente respondia se compreendermos o correto sentido da palavra “perpétuo”.

Os que defendem que perpétuo além de expressar continuidade, deduz também inalterabilidade total, precisam estar prontos para aceitar que os mesmos mandamentos dados na antiguidade são plenamente válidos hoje. Isso em absoluto não é verdadeiro. A lei de Moisés já foi cumprida, como demonstramos.

Quanto a lei da circuncisão foi dito: “Com efeito será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; e estará a minha aliança na vossa carne por aliança perpétua.” (Gênesis 17:13). A lei da circuncisão é cumprida hoje pelas Igrejas cristãs? A grande maioria entende que esse mandamento também deixou de ser requerido no meridiano dos tempos – como aprendemos ao estudar Atos dos Apóstolos.

Assim substancialmente o dia do Senhor não mudou. Seu princípio é tão eterno quanto o próprio Deus. Essa lei precisa e sempre precisará ser cumprida. Aspectos não essenciais, como  qual o dia, podem, e de fato são, alterados, de acordo com a sabedoria de Deus.

Hoje em dia, o Domingo continua a ser um sinal distinto do povo do Senhor. É um sinal eterno. Esse próprio conceito de eternidade extrapola os limites temporais que estamos submetidos – dias, semanas, meses e anos.

 

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NOTAS

[1] Por exemplo: http://www.lds.org/study/topics/sabbath?lang=porhttp:/

/www.lds.org/library/display/0,4945,538-1-4349-10,00.htmlhttp:/

[2] Se os membros da Igreja esperassem até o sétimo pôr-do-sol neste caso aguardariam meses e meses e passariam também meses cumprindo o mandamento do dia do Senhor – o que significa que não trabalhariam, não fariam compras, não caçariam, não iriam estudar… Isso seria uma tragédia econômica que poderia lhes tirar a vida. Evidentemente nem os judeus mais ortodoxos e os adventistas do sétimo dia mais fiéis exigem que se faça tal loucura. Independentemente dos fenômenos metrológicos, a contagem do tempo permanece ininterrupta – e após 144 horas (seis dias), há um espaço de 24 horas reservadas para o dia santificado.