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Cristo e AnjoTítulos Especiais dos anjos

Alguns anjos possuem títulos especiais. Vejamos:

Arcanjo – um anjo líder[2]. Há apenas um anjo  que é chamado de arcanjo nas escrituras. E este é Miguel – que é o Ancião de Dias, ou seja, Adão, o primeiro homem.Há seis passagens que usam a palavra “arcanjo”: I Tessalonicenses 4:1 (o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo); Judas 1:9 [3] (Miguel disputou com o diabo o corpo de Moisés); D&C 29:26 (Miguel soará a trombeta); D&C 88:112 (Miguel reunirá os exércitos de Deus); D&C 107:54 (Adão é reconhecido como Miguel, o arcanjo); e D&C 128:21 (a voz de Miguel foi ouvida na Restauração).

Serafim – são mencionados apenas em três passagens nas escrituras: Isaías 6:2, 6 ou 2 Néfi 16:2, 6 (serafins estavam ao redor do trono de Deus e possibilitaram que Isaías se purificasse); D&C 38:1 (o Senhor olhou, antes do mundo ser feito sobre a vasta extensão da eternidade e todas as hostes seráficas dos céus); e D&C 109:79 (Joseph Smith orou para que a voz dos santos se misturasse aos brilhantes e resplandecentes serafins que cercam o trono de Deus com aclamações de louvor). Nessas escrituras verificamos que os serafins são anjos que servem ao redor do trono de Deus. Na realidade, parecem ser os mais próximos e íntimos do Senhor. Isaías diz que cada serafins possui seis asas. Isso certamente é simbólico. As asas representam poder para se mover e para agir (D&C 77:4). Seis asas, portanto, potencializa a capacidade dos mesmos.

Alguns supõem que serafins referem-se exclusivamente aos  espíritos sem corpo da vida pré-mortal, pois nosso Senhor ‘olhou por sobre a vasta extensão da eternidade e sobre todas as hostes seráficas dos céus, antes que o mundo fosse feito’. (D&C 38:1.) Entretanto não há como saber atualmente se a denominação serafim se aplica somente aos espíritos pré-mortais – porque não haveria problemas em também consideramos como serafins os anjos ressurretos e aperfeiçoados.

“Isaías viu serafins em sua visão e ouviu-os clamar uns para os outros: ‘Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.’ (Isaías 6:3.) O fato de ter visto estes santos seres com asas foi simplesmente, para simbolizar seu ‘poder para se mover, para agir etc., como aconteceu igualmente em visões dadas a outros. (D&C 77:4.)” (Bruce R. McConkie, Mormon Doctrine, pp. 702-3.)

Querubim – a palavra “querubim” e suas variantes aparecem mais de 70 vezes nas escrituras. A maioria refere-se as peças (ou imagens) cobertas de ouro, feitas para decorar o Tabernáculo de Moisés. Há muitas referências também na visão de Ezequiel (Ezequiel 10).

O Manual do Aluno do Curso da Pérola de Grande Valor ensina que “os querubins são ‘figuras que representam criaturas celestiais, cuja forma exata é desconhecida. Eles são encontrados no Santo dos Santos, no propiciatório da Arca (Êxodo 25:18, 22; I Reis 6:23–28; Hebreus 9:5) e nas visões de Ezequiel (Ezequiel 10; 11:22)’” (“Moisés 4:31 – querubins”, pg. 15).

Flávio Josefo, historiador do ano 70 d.C., diz em pelo menos duas ocasiões que a despeito do artífice hebreu criar uma imagem representando querubins (para colocá-la acima da Arca da Aliança), a forma exata desses seres era-lhes desconhecida.

A Visão de Ezequiel sugere que querubim pode significar um gênero ou classe de vários seres celestiais distintos. O seguinte comentário do Manual do Curso do Velho Testamento indica que “querubim [é] um servo angélico de Deus [que] encontra-se na mesma categoria de todos os seres viventes que servem a Deus. Na verdade, todas as criaturas vistas por Ezequiel são chamadas de querubins (veja Ezequiel 10:20). Todas seguem os ditames do Seu Espírito e fazem a sua obra. O versículo doze, do capítulo dez, fala de olhos no corpo, costas, mãos e asas dos querubins, e nas rodas. Esses olhos significam luz e conhecimento. Todas as criaturas que servem a Deus com total dedicação, podem ter a bênção de receber a luz de Cristo, por cujo espírito atuam em completa harmonia, concordes com a sua vontade.” (Curso de Religião 302; pg. 270).

Se isso for verdade, os quatro animais vistos por João, que louvavam a Deus, podem ser considerados querubins (ver comentários das páginas 153-159)

O querubins, na maior parte das escrituras, estão relacionados à proteção e vigia de lugares sagrados. São chamados de “querubins da guarda” (Ezequiel 28:14, 16) e “querubins da glória” (Hebreus 9:5). Guardaram a árvore da Vida (Gênesis 3:24); foram representados como guardiões no Tabernáculo – tanto na Arca, como nas cortinas (Êxodo 25:18-22, 36:8) e também como guardiões do Templo de Salomão (I Reis 6:23-35).

Anjo destruidor – o anjo destruidor não é Satanás, nem seus demônios – e aparentemente não é uma designação particular de um único personagem. Mas a função desse anjo é executar a vontade de Deus – especificamente quando se trata de aniquilar, extinguir e eliminar, segundo a Divina Justiça.

Alguns sustentam que o anjo destruidor trata-se não de um personagem, mas de um força da natureza. Mas essa hipóteses encontra dificuldade em prosperar porque (1) anjo, nas escrituras, sempre se refere a alguém, e não a alguma coisa; (2) embora a natureza obedeça a voz do Eterno Criador (Helamã12:7-17), para certas missões Deus utiliza-se de seres, que com o poder do Sacerdócio, cumprem a vontade Celeste.

A primeira ocasião em que o anjo destruidor é mencionado é em Gênesis 19, onde dois mensageiros dizem a Ló: “nós vamos destruir este lugar [Sodoma], porquanto o seu clamor se tem avolumado diante do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo.” (Gênesis 19:13). Interessante que não se trata de um anjo, mas dois. O que mais uma fez indica que o título não é exclusivo de único ser.

Em Êxodo 12-13 lemos sobre o anjo destruidor que tirou a vida dos primogênitos daquelas famílias que não haviam cumprido a ordem do Senhor.

No livro de I Crônicas 21 lemos uma ocasião interessante em que “Deus mandou um anjo a Jerusalém para a destruir; e, estando ele prestes a destruí-la, o Senhor olhou e se arrependeu daquele mal, e disse ao anjo destruidor: Basta; agora retira a tua mão.”

Em Apocalipse vemos quatro anjos que possuem poder sobre os elementos da Terra para destruí-la, devido a iniquidade dos homens (ver comentários das páginas 193-195 e 249-251).

Em nossos dias o Senhor ordenou que cumpríssemos uma Palavra de Sabedoria, com a incrível promessa de que o “anjo destruidor” passaria por nós “como os filhos de Israel, e não [nos mataria]” (D&C 89:21). O Presidente J. Reuben Clark Jr., que serviu na Primeira Presidência, explicou: “As palavras do Senhor não significam que aqueles que guardam a Palavra de Sabedoria têm proteção contra a morte, pois a morte faz parte do plano eterno, da mesma forma que o nascimento. (I Coríntios 15:22; 2 Néfi 9:6.) Isso quer dizer que o anjo destruidor, aquele que vem para punir os indignos pelos seus pecados, c,?mo nos tempos antigos afligiu os egípcios corruptos (Êxodo 12:23, 29), passará pelos santos, que estão obedecendo aos mandamentos e que se lembram das coisas de Deus, sem os ferir. Essas promessas significam que a todos aqueles que se esforçam para recebê-las, será permitido viver para ganhar as mais completas experiências e os mais profundos conhecimentos, que precisarão para progredir até o mais alto grau de exaltação na eternidade; que todos viverão até que tenham terminado sua obra aqui na terra e que o Senhor os chame de volta a seus lares eternos, como recompensa.” (Conference Report, outubro de 1940, pp. 17-18.)

 

Reino dos anjos

Falemos, finalmente, sobre os anjos quanto ao reino. O reino é o lugar em que o ente se encontra (habitação-reino) ou a condição que o mesmo desfruta (estado-reino). Os filhos de Deus gozam das mais variadas condições espirituais. No juízo final a condição tornar-se-á imutável – os espíritos telestiais irão habitar no reino telestial – e não só viverão para sempre no reino que merecerem, mas estarão limitados à glória do mesmo. Isso se aplica a todos os reinos. Mas no reino celestial não há limites de progresso eterno. Os que não atingirem e não puderem receber um reino de glória irão para as Trevas Exteriores – um reino sem glória alguma.

josé dormindo aparece anjoAntes, porém, do juízo final e da destinação dos filhos de Deus à recompensa eterna ou à condenação eterna, a condição espiritual, ou o estado-reino, pode ser mudado – em direção a um reino mais alto (reino celestial) ou, em direção oposta (perdição e trevas).

O que estou tentando dizer é que podemos (e devemos) tornar-nos seres celestiais antes do juízo final. Podemos (e devemos) tornar-nos seres celestiais antes de entrar no Reino Celestial. De fato, o estado-reino deve anteceder a habitação-reino. Esta “vida é o tempo” (Alma 34:32) para “saltar esse sempiterno abismo da morte e miséria, para a salvação de nossas almas” (Ama 26:20), por meio do poder da Expiação de Jesus Cristo.

Mencionei a característica de alteração de um estado-reino (isto é, que se pode mudar a condição perante Deus, antes do juízo final) para que eu possa introduzir o assunto sobre os anjos quanto ao reino em duas vertentes. A primeira dizendo respeito ao lugar de habitação (habitação-reino), e a segunda referindo-se a condição de retidão ou a à glória ou manifestação da glória (estado-reino).

A maior parte dos anjos mencionados nas escrituras pertencem ao reino celestial – ou melhor, habitam em lugares celestiais. Esses lugares são diversos – esfera pré-mortal, paraíso (no mundo espiritual), ou Templos Santos deste estado terreno decaído – mas todos esses lugares possuem em comum o seguinte: a presença constante de Deus e abundância de luz e verdade (em outras palavras, glória – D&C 93:36).

A condição espiritual necessária para tornar-se um ser celestial é a obediência plena a lei de Deus, que só é possível pela graça do Senhor (Morôni 10:32). Essa era a condição de Sem, que era “um homem perfeito” (D&C 107:43) e Noé, “um homem perfeito em sua geração” (Moisés 8:27). Esses e muitos outros, mesmo como mortais, atingiram o céu, e tornaram-se “filhos da luz” (João 12:36, Efésios 5:8, I Tessalonicenses 5:5, D&C 106:5).

Nos seres sem corpo físico a glória se apresenta como uma luz ou “fogo” em torno do mesmo – e em um ser corpóreo a glória esta encerrada dentro dele – não necessariamente sendo vislumbrada[4]. Sobre isso, repito as palavras do Profeta Joseph Smith que disse que “os espíritos [que não tem corpo físico] só podem revelar-se em fogo ardente ou em glória. Os anjos [que possuem um corpo de carne e ossos] avançaram mais, porque sua luz e glória estão encerradas dentro de um corpo, e por isso aparecem em forma corporal. (…)” (“Anjos e Espíritos”, Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, pg. 317)

“E se [nossos] olhos estiverem fitos [na] glória [de Deus], todo o [nosso] corpo [isto é, o corpo mortal] se encherá de luz e em [nós] não haverá trevas; e o corpo que é cheio de luz compreende todas as coisas.” Portanto os anjos celestiais podem ser mensageiros revestidos com um corpo mortal e imperfeito – sujeito a dores e morte, e a glória, ainda que não manifesta, brilhará fortemente no paraíso de Deus e em ocasião da graciosa ressurreição.

Satanás e seus seguidores são os demônios – anjos do inferno. Eles habitam neste mundo, mas são invisíveis para os homens. Eles procuram a miséria de toda humanidade. Estão em uma condição de trevas e perdição, e no última dia serão expulsos (2 Néfi 2:18, Mosias 16:2, Alma 5:25).

Resta observar a seguinte passagem – pois nos abre uma perspectiva maior sobre os anjos quanto ao reino:

“Estes [que irão para o reino Telestial] são os que não recebem [da] plenitude no mundo eterno, mas do Santo Espírito pelo ministério do terrestre; E o terrestre, pelo ministério do celeste. E também o teleste o recebe pela administração de anjos que são designados para ministrar em seu favor, ou seja, que lhes são designados como espíritos ministradores, pois eles serão herdeiros da salvação.” (D&C 76:86-88, itálicos adicionados).

Agora apresento uma tabela que sintetiza o assunto da classificação dos anjos:

TIPOS DE ANJOS DESCRIÇÃO
Quanto ao Estado Seres Espirituais Pré-mortais Inteligência gerada por pais celestiais, com capacidade de tornarem-se deuses, dês de que cumpram os mandamentos. Possuem um corpo de espírito. Satanás e seus seguidores usaram seu arbítrio de maneira errada e nunca poderão ter um corpo físico e progredir
Pós-mortais Possuem um corpo de espírito e se encontram em um estado de luz (no paraíso) ou em um estado de trevas (no inferno). Esses seres já passaram pela Terra como mortais e estão aguardando a ressurreição.
Seres Mortais Deus criou Adão e Eva, e eles, ao comerem do fruto proibido, possibilitaram que os espíritos pré-mortais que estavam com Deus, viessem a terra e ganhassem um corpo físico – de carnes ossos e sangue. Os seres mortais estão sujeitos a tentações, vicissitudes e morte.
Seres Transladados São pessoas mortais que sofrem uma transformação e passam a ser imortais e santos.Eles permanecem com seus corpos para cumprirem missões. Após fazê-lo poderão ser ressuscitados num instante.
Seres Transfigurados São pessoas que mudam temporariamente para desfrutar de dons especiais ou cumprirem certas missões.
Seres Ressurretos Corpo de carne e ossos imortalizado que receberá glória ou não, dependendo da retidão no Primeiro e Segundo Estado do Plano de Salvação. Esse corpo é perfeito e semelhante ao corpo mortal.
Quanto ao Ofício ou a Função Os anjos são mensageiros: eles restauram chaves, fazem profecias, ensinam o evangelho, consolam os homens e são instrumentos de Deus para salvação.
Arcanjo Líder dos anjos
Serafim Anjos mais próximos de Deus
Querubim Anjos de forma desconhecida, que guardam lugares sagrados
Geral ou Não especificado Outros, os quais não foi revelado uma função especifica
Quanto ao Reino Celestial Reino de glória, onde Deus o Pai vive. Herança de todos os fiéis, que por meio da Expiação, atingiram a santificação.
Terrestrial Reino de glória onde os justos que não foram valentes no testemunho de Jesus viverão.
Telestial Reino de glória onde os que não foram justos, mas se arrependeram e não pecaram para morte viverão.
Trevas Exteriores Reino sem glória, onde Satanás e seus seguidores estarão fadados a morar para sempre.

Anjos do diabo. Satanás e um terço dos espíritos que eram filhos de Deus e nasceriam nesta Terra foram expulsos, por cometerem o pecado imperdoável. Eles tornaram-se Filhos da Perdição. Neste Segundo Estado, os homens que pecarem para morte também se tornam filhos da Perdição. Vemos alguns casos nas escrituras. Por exemplo, Caim recebeu o título de Perdição e foi expulso para sempre (Moisés 5).

Nas obras-padrão, espíritos imundos (espíritos malignos) e demônios são termos sinônimos. Significam a mesma coisa: “E expulsará demônios, ou seja, os espíritos malignos que habitam nos corações dos filhos dos homens.” (Mosias 3:6).  Excepcionalmente, porém, apresentam-se distintos. Alguns poderão entender que quando essa distinção é apontada trata-se de mera retórica. Outros que “espíritos imundos referem-se a sentimentos e desejos negativos e pecaminosos. Todavia, não penso assim, e não me parece ser isso que as escrituras ensinam.

O Livro de Mórmon ensina que há “demônios” e “espíritos imundos” (1 Néfi 11:31, 3 Néfi 7:19). Sugiro que os demônios se referem a Satanás e os espíritos pré-mortais que não receberam um corpo físico; e que os espíritos imundos indiquem os homens que, ao decaírem da graça durante e provação mortal, vão para o inferno e tornam-se servos do diabo.

Assim, os anjos do diabo são: (1) os espíritos pré-mortais que nunca tiveram um corpo físico (demônios); (2) os homens que, enquanto na vida mortal, adquirem luz e conhecimento divinos, mas depois crucificam Cristo em seu coração – e tornado-se servos do diabo (iníquos que morrem espiritualmente); (3) àqueles que ao morrerem, permanecem do lado do diabo no mundo espiritual (espíritos imundos).

Sabemos que o diabo tem poder sobre os elementos decaídos desta Terra (por exemplo: Moisés 1:21 – Satanás faz a terra tremer), e que pode aparecer como “anjo de luz” (II Coríntios 11:14, 2 Néfi 9:9). O Élder James E. Faust disse: ” Satanás é o grande imitador, o grande enganador, o mestre da mentira, o maior falsificador da história do mundo. Ele entra em nossa vida como o ladrão no meio da noite. Seu disfarce é tão perfeito que fica difícil reconhecê-lo ou reconhecer seus métodos. Ele é um lobo em pele de cordeiro.” (“A Garganta do Diabo”, A Liahona, Maio de 2003, pg. 51).

É por isso que o Senhor nos deu algumas chaves para identificar o diabo (ver D&C 129). Temos que vigiar orar para não cair em tentação (Mateus 26:41) – para vencer Satanás e seus servos que apoiam seu trabalho perverso (D&C 10:5). “Temos que lutar (…) contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6:12). Será, porém, apenas no último dia, que Miguel e suas hostes vencerão terminantemente o diabo e seus seguidores (D&C 88:113-115). O que não significa que não podemos, agora mesmo, sujeitar-nos, pois, a Deus, e resistir ao diabo, pois assim ele fugirá de nós (Tiago 4:7).

 

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NOTAS

[1] “No mundo espiritual pré-mortal, Deus designou certos espíritos para cumprirem missões específicas durante sua vida mortal. Isso se chama preordenação. A preordenação não garante que o indivíduo vá receber certos chamados ou responsabilidades. Tais oportunidades ocorrem nesta vida como resultado do exercício justo do arbítrio, da mesma maneira que a preordenação é resultado da retidão na existência pré-mortal. (…)A doutrina da preordenação aplica-se a todos os membros da Igreja, não somente ao Salvador e Seus profetas. Antes da criação da Terra, mulheres fiéis receberam certas responsabilidades e homens fiéis foram preordenados para certas funções no sacerdócio. Ao provarem-se dignos, terão a oportunidade de cumprir as designações que receberam” (“Preordenação”, Sempre Fiéis, pg.. 138–139)

[2] Em discurso, que provavelmente foi transcrito erroneamente, o Presidente Brigham Young ensinou que “quando o nosso pai Adão chegou ao Jardim do Éden, veio com um corpo celestial (…). Ele ajudou a fazer e organizar este mundo. Ele é Miguel, o Arcanjo, o Ancião de Dias, do qual têm falado e escrito homens santos – Ele é nosso pai e nosso Deus, o único Deus com que temos algo a ver.” (Jornal of Discourses, vol 1, pg. 50). Esse discurso dá a entender que Adão era mais que um anjo líder. Com respeito a isso o Presidente Joseph Fielding Smith disse: “Se os inimigos da Igreja que citam isto quisessem ser honestos, não poderiam deixar de ver que o Presidente Brigham Young declara explicitamente que Adão é Miguel, o Arcanjo, o Ancião de Dias, indicando com isso, claramente, que Adão não é Eloim, ou o que Deus que adoramos, que é o Pai de Jesus Cristo. Ainda mais, veriam que o Presidente Young declara que Adão ajudou a fazer a terra. Se ajudo, então estava subordinado a alguém superior a ele.” Mias adiante, o Presidente Smith explica que todos podemos nos tornar deuses, e que Adão possui as chaves da Salvação sob Cristo. Ele então cita D&C 78:15-16: 15: “A fim de que recebais a coroa para vós preparada e vos torneis governantes de muitos reinos, diz o Senhor Deus, o Santo de Sião, que estabeleceu os alicerces de Adão-ondi-Amã; Que designou Miguel como vosso príncipe e firmou-lhe os pés e colocou-o no alto e deu-lhe as chaves da salvação, sob o conselho e a orientação do Santo, o qual não tem princípio de dias nem fim de vida.” Por fim, o Presidente Smith declara que “adoramos Eloim: não Adão. (…) Adoramos o Pai de Jesus Cristo. Não adoramos Adão, nem oramos a ele.” (“A Teoria de Adão-Deus”; Doutrinas de Salvação, Volume 1, pg. 105-115)

O Élder Mark E. Petersen ensinou que “Adão não foi nosso Deus nem o nosso Salvador, mas sim o humilde servidor de ambos na sua condição de anjo. (…) Adão foi nosso Deus, ou acaso Deus se tornou Adão? Ridículo! Adão não foi Deus nem o Unigênito de Deus. Era um filho espiritual de Deus como todos nós (Atos 17:29). Jesus foi o primogênito no espírito e o único gerado por Deus na carne” (“Adão, o Arcanjo”, A Liahona, Março de 1981, pg. 21)

[3] Essa passagem é um pouco confusa, por isso eis uma explicação de Judas 1:9:
Antes de procurar entender o versículo 9 especificamente precisamos analisar o contexto da carta de Judas e compreender quem era esse homem, para quem ele escrevia e porque o fez.

Judas era um dos irmãos do Senhor Jesus Cristo (assim como o bispo de Jerusalém, autor da epistola de Tiago). Ele não era o Judas que traiu o Senhor (Judas Iscariotes), e nem o outro Judas (chamado Tadeu).

O Manual do Aluno do Seminário do Curso do Novo Testamento ensina que Judas “conhecia bem o Velho Testamento e utilizava suas histórias e exemplos para ensinar lições importantes.” Lá é explicado também que “Judas estava preocupado com os perigos da apostasia, que estava aumentando pouco a pouco entre as pessoas a quem escreveu. Algumas não estavam alertas ao perigo que o câncer das doutrinas falsas que lhes estavam sendo ensinadas representavam.” (pág. 163)

No primeiro versículo notamos que Judas dirige sua carta aos “chamados” santificados. Então é uma carta para membros da Igreja, pessoas que conheciam muito bem as escrituras sagradas. Judas escreve porque percebe a necessidade de exortar os santos a “batalhar pela fé”, pois, como ele mesmo explica se introduziram entre os santos “homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus”. Ele então passa a dar vários exemplos sobre pessoas que referem as trevas.

Primeiro Judas cita a história do Êxodo da Antiga Israel; depois fala sobre os “anjos que não guardaram o seu principado” – que são os filhos da perdição – os espíritos que, na vida pré-mortal, decidiram seguir Lúcifer e, consequentemente, tornaram-se demônios. O terceiro exemplo é Sodoma e Gomorra.

Nos três exemplos houve consequências terríveis. Deus “destruiu” os infiéis israelitas. Quanto aos anjos do mal foi-lhes reservada “escuridão” e “prisões eternas”. E para os habitantes de Sodoma e Gomorra a pena foi “fogo eterno”.

Então Judas diz: “Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele, mas disse: o Senhor te repreenda”.

Judas prossegue com seus exemplos, citando Caim, Balaão e Coré – dizendo que muitos seguem as obras desses homens iníquos. Então ele exorta os santos a lembrarem-se que tamanha iniquidade havia sido profetizado dês dos primórdios e até pelos próprios líderes atuais da Igreja. Finalmente Judas aconselha, nos versículos 20-25, a perseverança dos santos – prometendo que o Senhor é poderoso para salvar, purificar e nos encher da alegria.

Agora que temos uma visão geral do livro de Judas voltemos ao versículo nove. O Manual do Instituto de Religião do Curso do Novo Testamento explica: “Os comentaristas da Bíblia presumem que este incidente de fato aconteceu, e que Judas o conhecia e estava citando esse evento de um livro, agora apócrifo, que existia em sua época, intitulado “A Ascenção de Moisés”, que chegou até nós somente de forma fragmentária. Essa obra não-canônica apresenta a doutrina de que Moisés foi transladado e subiu aos céus sem provar a morte. Esses escritos parecem tratar de “certas revelações feitas por Moisés” e do seu “desaparecimento numa nuvem, de modo que sua morte foi oculta da vista humana (…) Miguel foi comissionado a enterrar Moisés. Satanás se opôs, por dois motivos: (1) porque ele era o senhor da matéria e por isso tinha o direito de que o corpo fosse entregue a ele; (2) porque Moisés era um criminoso, tendo assassinado o egípcio. Após refutar as acusações do diabo, Moisés acusou Satanás de haver instigado a serpente a tentar Eva. Finalmente, depois de vencer toda oposição, a ascensão de Moisés ocorreu na presença de Josué e Calebe.” (pg. 485).

A seguir o Manual esclarece que esse relato saiu de um livro apócrifo – e por isso não deve ter o mesmo credito que as obras-padrão (GEE “Apócrifo”. Além disso, o manual do seminário chama o versículo nove de “parábola”  dando um status de “uma história simples usada para ilustrar ou ensinar uma verdade ou princípio espiritual” (GEE “Parábola”).

A Bíblia em inglês, espanhol e as diversas versões em português não alteram substancialmente esses versículo.

Mas afastando, por um momento, a informação apócrifa e focando apenas no texto das obras-padrão que possuímos, teríamos que nos perguntar: quando Moisés contendeu com o diabo? E quando o diabo disputou com Miguel a respeito do corpo de Moisés?

1- O primeiro evento que se encaixa ocorreu na vida pré-mortal: “E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e seus anjos; mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada Diabo, e Satanás, que engana todo mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” (Apocalipse 12:7-9)

Satanás e seus anjos lutaram contra Miguel. A causa de Miguel era a causa de Cristo – permitir que o Plano do Pai fosse aplicado – que ganhássemos um corpo de carne e ossos e pudéssemos provar-nos dignos de um corpo exaltado ao lado do Pai. A esses espíritos maus foi negado o direito de nascer e ter um corpo físico.

Assim Miguel lutou pelo direito de Moisés nascer e ganhar um corpo, e ter a oportunidade de um dia possuir um tabernáculo exaltado, como o Pai Celestial. Ele também lutou por nós, para recebermos as mesmas dádivas. Ai esta um dos motivos pelos quais nosso pai Adão, o Ancião de Dias, o arcanjo Miguel, é nosso príncipe, líder e pai.

2- Mas há outras ocasiões onde Moisés enfrentou Satanás. A Pérola de Grande Valor, por exemplo, menciona uma ocasião interessante em que Satanás procurou destruir a alma de Moisés. (Moisés 1:12-22). Nesse caso, porém, não há menção de uma ajuda direta de Miguel – nem de qualquer anjo. É dito simplesmente que Moisés “recebeu forças” (v. 21).

A terceira hipótese refere-se à transladação de Moisés, mas precisa ser unificada ao texto apócrifo para explicar Judas 1:6.

3- Sabemos que Moisés não provou a morte, embora a Bíblia diga, por equivoco das traduções, que ele tenha morrido (Deuteronômios 34:5-7). Moisés foi ”sepultado pela mão do Senhor”, ou em outras palavras, “as escrituras (…) dizem que o Senhor levou Moisés para junto de si” (Alma 45:19). O Guia de Estudo Para as Escrituras explica que seres transladados são “pessoas que são transformadas, de modo que não experimentam a dor nem a morte até o momento de sua ressurreição para a imortalidade.” E acrescenta no rol de referências Deuteronômios 34:5–6 e Alma 45:19  (GEE “Seres Transladados”) – nos mostrando que Moisés foi transladado.

Assim Moisés, quando estava prestes a morrer, teve que enfrentar o demônio uma última vez. Com ajuda celestial venceu os argumentos diabólicos e foi levado por uma “carruagem de fogo”, como Elias – sendo arrebatado e transladado. Mas esses detalhes, insisto, não são explicados se não pelo texto apócrifo.

Portanto, concluindo, não sabemos exatamente sobre qual evento da vida de Moisés Judas esta se referindo. É verdade que estamos mais inclinados a considerar a terceira hipótese como verdadeira – por ter sido citada pelo Élder Bruce R. McConkie em seus escritos. Também não sabemos se se trata de uma parábola fictícia ou uma história real. Pessoalmente estou mais inclinado a considerar a história como uma parábola fictícia – semelhante à conversa de Deus com o diabo no livro de Jó (Jó 1:6-12).

Apesar de nossa aparente conclusão cinzenta e infrutífera, podemos tirar importantes lições do versículo 9 de Judas – que dão, inclusive, significado a passagem:

  1. Miguel é um arcanjo (anjo de destaque com grande autoridade)
  2. Miguel e o diabo são antagônicos – e lutaram (contenderam, discutiram ou disputavam – dependendo da tradução) pelo corpo (ou pelo direito ao corpo) de Moisés. O mesmo pode, por analogia, ser dito sobre nós – eles lutam por nossas almas (corpo + espírito, D&C 88:15-16) – exercendo sua influência poderosa sobre nós.
  3. Satanás deseja nosso corpo e esta disposto a empregar seus (maiores) esforços para possuir-nos
  4. Miguel poderia pronunciar juízo ou maldição sobre Satanás, mas não o fez.
  5. Miguel deixou o julgamento e condenação do diabo para o Senhor.
  6. Será permitido a Satanás (e seus servos) disputar por nós até o tempo em que o Senhor o (os) repreenda.

Enfim, Judas esta dizendo, é mais ou menos isso: “Irmãos, há muita iniquidade entre vocês – essas coisas são assim dês de antes da criação do mundo. Caim, os sodomitas e os antigos israelitas – todos pecaram. Não façam o mesmo. Admoesto-vos a não fazerem o mesmo. Todas as tentações e provações tem um propósito. Tudo isso foi profetizado. Mesmo Miguel não impediu Satanás de infligir seus ataques contra Moisés. Vocês também não serão poupados das tentações. Mas, por favor, não cedam ao diabo. Não façam o mesmo que Caim, Coré e Balaão – porque o Senhor vai voltar – vai voltar uma Segunda vez – e dessa vez em glória. Mantenham-se no amor de Deus e ajudem o seu próximo a fazerem o mesmo. Se fizerem isso eu prometo, que o Deus sábio, Salvador nosso, vai apresenta-los irrepressíveis, com alegria, perante a sua glória.”

[4] O Salvador, quando ressuscitou e adquiriu um corpo perfeito e glorificado, com o poder de aparecer em glória (como o fez na ocasião da Primeira Visão, JS-História 1:16-17) ou não (como o fez na ocasião em que andou com dois discípulos na estrada de Emaús, Lucas 24:13-31).